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  • Um conto que já passou

    O garoto que nunca foi idolatrado
    Muito menos notado, se irritou.
    Pelo incrível que pareça ele cansou
    O "Amigo da vizinhança" havia morrido
    Ele já estava muito ferido
    Seu coração não poderia ser compreendido
    Seu mundo era corrompido
    Ele só fingia que ria
    Só que por dentro não entendia
    "Por que assim?."
    "Já chega agora é o fim." 

    Era algo em seu coração
    Criado pela mais pura solidão
    "Ter coração? Eu não!"
    Era o que dizia
    Só que na verdade isso era o que ele mais temia
    Toda noite ele chorava e tremia
    Sua mascara era seu falso rosto que sorria
    Todo dia tem que se preparar
    Só para não chorar
    Estava prestes a acabar
    Desse prédio que é a vida ele ia pular
    Sim, ele ia se matar.
    Só que ele ouviu alguém falar:
    "Você vale a pena, tente não se matar"
    Ele pensou em ignorar
    Só que mal sabia que era isso que ia lhe salvar
    A felicidade ele começou a caçar
    Só que ele não conseguia a encontrar
    Sua mente era muito conturbada
    Ela era isolada
    Muito abalada
    Demasiada cansada
    Mas finalmente acabou a caçada
    Ele achou alguém que poderia chamar de amada
    Muitos anos depois ele acabou sua jornada
    Ao ver sua amada
    Amando outro cara
    Sua mente voltou a estaca zero
    Ele sentia seu sangue ferver
    E sem ver
    Fez o maldito sofrer
    Esse desgraçado acabara de morrer
    "Agora é sua vez" disse para a mulher
    Que para revidar não tinha ao menos uma colher
    Ele a esfaqueou
    Seu sangue estava tão fervente que seu coração se queimou
    "Agora sim, acabou"
    Depois de tal ato ele se matou
    No inferno ele parou
    Sofrendo por tudo que causou
    E jamais ele descansou
    Pois afinal. Ele é somente um conto que já passou


  • Uma manhã mortificadora

    Aqueles sete parágrafos que destroçaram minha vida ecoam de diferentes formas com o passar dos dias. Alguns são mais difíceis do que outros, sei que isso acontece com qualquer um, mas estou falando daqueles dias em que o peso sobre as costas se apresenta insustentável, acho que hoje é um deles.

    Acordei, mais uma vez, às 5:00 da manhã, todos os dias são assim, acho que meu relógio biológico está viciado, sempre fui de dormir até mais tarde, não muito, ainda assim, nunca tão cedo.

    Esse é um fenômeno dos últimos anos, acordo e fico por algumas horas em transe, dialogando com meu pensamento, o que acontece no mundo externo pouco importa. Fico, e, confesso, gosto muito de ficar, em estado de demência. Acho que é o período mais produtivo nos meus dias, pois é nele em que há uma desconexão com os problemas diários, “tá” certo que mesmo nesse período, alguns dos meus diálogos são pesados, mortificadores, mas não hoje, pois que, reconheci, nele, diferente de outrora, o retorno da harmonia entre eu e minhas fábulas, afinal, aproximamo-nos da percepção que não é impossível caminhar dentro de uma compreensão para todo o sempre. Eu e você, minha consciência, temos reciprocidade de admiração, é na mesma proporção que nos completamos.

    Quando iniciou o processo que por ora me esmaga, isso tem aproximadamente dez dias, estava lendo o Livro “Crime e Castigo” de  Fiódor Dostoievski, em uma das passagens, o personagem principal, Raskólnikov, em diálogo com um bêbado, Marmieládov, em um bar de São Petersburgo, no qual recebeu muitos ensinamentos, dentre eles um, em especial,  mudou sua percepção sobre o papel das mulheres mais representativas de sua vida, mãe e irmã. No outro dia, a irmã, descobriria ele através de carta enviada pela mãe, estava prestes a casar com um homem a fim de garantir o seu futuro, de imediato, relacionou a tal história com a vivida pela filha do bêbado que vendia o corpo enquanto o Pai gastava o dinheiro dos programas com álcool. Neste momento emergiu o medo de não suportar a carga de ser o culpado pela infelicidade da irmã, afinal, aqueles que temos amor, carinho ou empatia, de forma alguma, o mal queremos produzir.  

    Apesar de não ser essa a passagem que ilustra o que tenho a escrever, penso ser muito importante para a compreensão do que é um efetivo exercício de empatia. Nem a mais nobre das causas, individual ou coletiva, é por demais extraordinária que, em sua primazia existencial, justifique o “apenamento” moral de qualquer indivíduo.

    O bêbado ponderou, também, que na vida sempre precisamos ter para onde ir, razão para caminhar, para tanto, ele ilustra o fato de procurar algumas pessoas a fim de se obter empréstimos para sustentar seu vício, mesmo sabendo que o pedido, indubitavelmente, seria negado. Todavia, ter para onde ir é, por ele manifestado, a razão fim de continuarmos vivos.

    Pois bem, na manhã de hoje, mesmo indo, pois saí de manhã à procura de uma vela para um filtro, me senti assim, sem vontade para continuar, bateu-me profunda angústia dentro do carro, uma ansiedade extrema, aquela impressão de que iria explodir, um pessimismo exacerbado e incontrolável. Sem forças, ainda no percurso, depois de retornar sem o objeto, pois não o encontrei, parei meu carro num estacionamento de uma rede de fast food e ali fiquei, eu e minha consciência, mais uma vez. Só que nesse momento, não era nenhuma lua de mel, era conflito dos mais “brabos”, mais uma vez retrilhei minha trajetória, acho que estava buscando no passado razões para tamanha penitência, fiz muita coisa errada em meu ciclo existencial, mas nunca causei mal de forma deliberada a ninguém, ainda mais de forma tão torpe quanto a que a mim acusam. É difícil pensar só como uma fatalidade, pois cresci com o dogma da ação/reação. Ainda que os anos todos de estudos me repeliram de crenças deterministas, nessas horas, meus queridos, o que queremos é uma explicação, aliás, mais do que querer, precisamos encontrá-la.

    Não ter justificativas dói, corrói a alma, acho que com todos é assim, ninguém nasceu para sofrer, somos criados para a felicidade, mesmo o mais pobre dos indivíduos é criado para uma redenção futura, nem que seja no pós morte, mas todos, assim como o bêbado disse, precisamos de um propósito, um destino final ou em curso, mas que nele, lá esteja a felicidade.

                Meu objetivo fim, há alguns anos, tem sido fazer meus filhos felizes ou, no mínimo, menos sofrerem, afinal, a vida dará muitas pancadas, não preciso, eu, contribuir com mais hematomas. Com esse foco liguei meu carro e segui para finalizar as compras que tinha a fazer, pois Matheus havia pedido que comprasse banana, fruta que mais gosta e que acabou tem dois dias, necessitava, também, comprar um lanche  que Silvio tanto adora  em uma padaria nas proximidades de casa. É isso mesmo, aonde chegar, sorriso e gratidão dos meus pequenos, me fez sair, mais uma vez, da inércia.

  • Uma mão sempre arruma uma boa luva

    É de senso comum e bom alvitre que que Machado de Assis é considerado um dos nossos melhores escritores. Em termos de ficção, ao menos, é o mais famoso. Nascido em 21 de junho de 1939, no Morro do Livramento que Joaquim Maria Machado de Assis nasceu. Era neto de libertos, seus pais eram o pintor Francisco de Assis e a portuguesa Maria Leopoldina Machado de Assis.
                Aos seis anos, presenciou a morte de sua única irmã. Quatro anos depois, sua mãe falece. Seu pai casa-se uma segunda vez em 1854. Aos catorze anos, o jovem Machado de Assis trabalha para manter a casa com a madrasta, pois seu pai também falecera. Pouco se sabe da juventude machadiana, mas o que se sabe é que já nesta época o mulato sabia ler e escrever.
                O adolescente suburbano do Rio de Janeiro tinha uma queda bela vida intelectual e da boêmia da cidade. A Rua do Ouvidor com suas livrarias e cafés chamavam-lhe a atenção. Queria ser participe daquele meio. Ascender socialmente. Ainda na juventude, como que atraído pelas letras, foi caixeiro de livraria, tipógrafo, revisor, logo após, inicia como cronista e jornalista.
                Mas sua estreia foi com um poema, A palmeira, publicado no jornal Marmota Fluminense. Não por coincidência, seu primeiro livro publicado foi uma coletânea de poemas, Crisálidas (1864). Machado de Assis, à custa de muito esforço, pois era um homem de cor, ocupou diversos cargos públicos. Trabalhou na Secretária de Agricultura, foi membro da Ordem da Rosa, e diretor da Diretoria da Diretoria do Comércio em 1889.
                Além de poeta, contista, romancista, dramaturgo, foi crítico, trabalhando inclusive como censor! Mas assim como Machado adorava dialogar com o leitor em suas sobras, que pensa o leitor desse devaneio biográfico? Para entendermos uma obra, devemos saber primeiro quem a produz, e quando a produz. Já dissemos quem, mas talvez nos falte o quando. E esse quando era o Rio de Janeiro de 1874.
                O tráfico negreiro no Atlântico estava proibido por lei de 1850. A Lei do Ventre Livre estava em vigor desde 1871. A Guerra do Paraguai havia feito os seus estragos geopolíticos e na política interna brasileira. Havia um gérmen abolicionista que cresceria a partir dos finais da década de 70 do século XIX. O Imperador mantinha sua popularidade a todo custo, se tornando último elo das elites com a Monarquia.
                O romance (ou seria melhor dizer: a novela) A mão e a luva é considerado uma das melhores obras machadianas. E das que já li, embora seja boa, é menos que Dom Casmurro ou um Memórias Póstumas de Brás Cubas. Até mesmo contos como O alienista me foram mais palatáveis e de sincero proveito que essa história da fase romântica de Machado de Assis, aos 35 anos, quando estava casado com a portuguesa Carolina Augusta Xavier Novais.
                Aqui já se delineia muito do que se tornará estilo próprio do autor: uma leitura da alma feminina, ironia, determinismo, fatalismo, relativismo etc. O romantismo de Machado de Assis tem um ingrediente a mais que os outros livros dessa escola literária: a ambição dos amantes, motor primeiro das paixões que se legitimam. Os românticos, geralmente perdem o páreo na corrida dos corações.
                A galeria de personagens é curta nesse drama. Começamos com dois amigos, Estêvão e Luís Alves, ambos estudantes. O primeiro apaixonado por Guiomar, uma órfã de pai e mãe, que busca se tornar professora. O romance entre os dois desanda, e por mais de dois anos sem se verem, encontram-se por acidente em chácara da baronesa, madrinha da jovem Guiomar.
                A esse seleto grupo de personagens, adentram a baronesa, viúva que encontra em Guimar substituta da filha morta; seu sobrinho Jorge, um mancebo que deseja desposar a bela Guiomar e ter como herança as rendas da tia; Mrs. Oswald, viúva inglesa e intervencionista das questões familiares. Mas de todos, é Luís Alves que vai se sobressaindo, pois consegue ultrapassar Jorge no atalho do coração de Guimar. Estêvão de tão cego por sua paixonite aguda, não percebe nada que se processa ao redor.
                Se um a ama mais por ambição egoísta, e o outro por cegueira deliberada, Luís Alves é o amante comedido que tendo consigo a paciência dos estrategos e as posses, resgata para si aquele coração que parece intocável, que ninguém parece suspirar. E nisto consiste a forma machadiana de romantismo, ama-se menos por fervor dos impulsos naturais como no naturalismo e mais por necessidades várias como a ascensão social.
                Estêvão é o típico amante que exaspera em paixões fulminantes, é tolo e falto de juízo como diriam sem uma época. Parvo, pois não sabe ler nenhum sentimento no corpo e na voz da amada. Jorge, nem o coloco na conta de amante, seu amor é tecido pelas hábeis mãos da governanta inglesa. Essa última personagem merece papel de destaque, dissimula e se utiliza dos sentimentos alheios como boa manipuladora.
                Confesso que o final foi inesperado da minha parte, mas não tive tanta emoção ou diversão como em outras leituras. O uso da gramática, da ortografia e de erudição são aqui de sorte que engrandecessem a leitura, sem pedantismo, há aqui força de quem passei nas palavras, as domina por completo. Se A mão e a luva está aquém de outras obras de Machado de Assis, ela está muito além de outras obras românticas, com suas relações açucaradas e agourentas.
  • Uma taça de vinho

    Chove lá fora
    E as lágrimas que derramo aqui
    São apenas gotas do oceano que há em mim
    Uma taca de vinho para embarcar os pensamentos que em minha mente pertubam
    Apaguem todas as luzes
    Não há nada de novo
    Nada que eu não tenha visto
    Sim, sim eu sei
    Sou uma alma difícil para se salvar
    Mas eu vejo luzes vermelhas
    Eu preciso avançar
    Tocarei meu violino
    Cantarei para você
    Foi o que sempre quis
    Mas é para se lembrar de mim
    É para que você se lembre de mim
  • Vai, Mas Volta Logo!

    Teu cheiro já esta em minha pele
    Tua voz ecoa nos cantos sem parar
    Sinto teu abraço e meu corpo cede
    Já é a saudade que ocupa um lugar

    Um amor que não sei explicar
    Meus olhos brilham ao te ver sorrir
    Sei que logo vou te abraçar
    Mas viciei em te fazer feliz

    Amor, hoje somos apenas um
    Um único coração que vive por dois
    Mostrando que somos seres incomuns
    Mas que se encontraram em uma só voz

    Abro mão do meu mundo para te ter aqui
    Sei que meu amor vai ao teu encontro
    Já estava escrita nossa história 
    E assim vamos seguir

    Não esquece que te quero de mais
    Então vai, mas volta logo!
  • Verso sobre tela




    O que eu sinto não cabe em palavras
    Em uma pintura, talvez, caberia
    Mas para ilustrar meu desalento
    Que cor de tinta eu usaria?

    Cinza são as ruas, as vozes, as pessoas
    Dentro de mim explode é um colorido
    Sempre guardado, calado e escondido
    Morrendo no meio de faces ocas

    Minha alma é um rio que trasborda
    E as barragens hoje foram fracas
    Fizeram de mim aquarelada
    Com águas que avançaram iradas

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