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Crime,

  • A Vingança

    A história conta a vida uma menina chamada Emily, que sofre bastante por pessoas entre amigos e familiares, em casa e na escola. Ela sempre foi aquela tímida boazinha, santinha e inocente. Mais até que certo dia ela enjoou disso, de ser sempre a bobinha quietinha que tem medo de dizer não.
       Então..Você está pronto(a) para ouvir essa história ? Garanto que não vai se arrepender !
  • As aventuras de Guto : O Thiago repórter. parte 2 (final)

    No último episódio,Thiago estava cansado de sua vida chata e resolveu fazer alguma coisa,na mesma hora passava o canal da tv,então Thiago resolveu ser repórter,só que num mistério,mentiu dizendo que Charlie era o ladrão procurado e colocou seu amigo em risco. Veja o que acontece na parte 2.
              Mesmo fazendo muito sucesso na televisão,Thiago estava triste do que fez,e na hora que ele ia contar todo o incidente o diretor o interrompeu:
                    - Bem garoto,você é muito esperto.Que tal...
                    - Não diretor,eu tenho que contar uma coisa,eu..
                    -...Receber a insignia de melhor repórter da história da CDN?
               Thiago não resistiu a essa proposta e teve que aceitá-la e dali em diante,virava o garoto propaganda da CDN e ao chegar,sentia uma sensação feliz e triste e para se acalmar ligou a Tv e recebeu uma notícia bombástica:
          "O ladrão de codinome Charlie e seus aliados vão ao juizado de menores amanhã as 12:00 e será transmitida no Brasil,no Uruguai e na Venezuela,onde o ladrão atacou''
                 O pior,é que seria na horado almoço da escola e Thiago seria forçado a assistir.
             Na hora do almoço,existia na frente de Thiago,uma sensação de amor e ódio.Uns estavam felizes e outros enfezados.E Thiago teve uma decisão: sair correndo para contar toda a verdade no juizado de menores,quando chegou lá,teve prioridade para falar:
            - Eles não são os verdadeiros ladrões,o de verdade é o...DIRETOR!!!
       E de fato era o diretor,e com isso Thiago aprendeu uma lição: Nunca aceite trabalhar com menos de 18!!!
  • CARMOND - CAPÍTULO I

    CAPÍTULO UM

    Foi em meados de junho e o inverno era um dos mais rigorosos já vividos no vilarejo, até aquele ano. Na noite em que o jovem médico chegou à pequena e distante Carmond, além do frio, caía uma chuva torrencial.
    _ Aqui é sempre tão frio assim? Ele perguntou ao simpático motorista que o havia buscado, na estranha estação ferroviária, algumas horas atrás, e agora, o ajudava a retirar suas malas do carro.
    _ Sim, e é bom ir se acostumando, doutor! Lá pro final do mês tende a ficar pior, muito pior. Às vezes chega a nevar.
    Augusto sorriu e pensou tratar-se de uma brincadeira do homem que caminhava apressadamente à sua frente em direção à porta da pensão. A única do local.
    _ Porque está sorrindo, doutor? Acha que estou de brincadeira?
    _ Então é sério? Oh meu Deus! Isso é inacreditável, lá na capital quase nunca faz frio.
    _ Nem mesmo no inverno?
    _ Muito pouco, meu amigo.
    O motorista colocou a última mala na recepção, deserta, e tocou algo parecido com um sino.
    _ Espere só mais uns dias e verás o que é frio, meu doutor. É de trincar os dentes.
    Nesse momento, os dois ouviram passos apressados no chão de madeira que vinham em direção a eles e não demorou a surgir uma senhora baixa e rechonchuda que carregava um castiçal com velas acesas. Só então, Augusto se deu conta que todo o vilarejo estava na escuridão. Estranhou, mas, imaginou que a chuva fosse a responsável pela falta de luz elétrica.
    _ Boa noite, meus senhores!
    _ Boa noite, Xica. Demoramos, mas, chegamos.
    _ Já estava mesmo preocupada, Piu. Essa chuva toda e vocês à deriva nessas estradas perigosas.
    _É, minha amiga! Realmente o trajeto não foi fácil, penso que o doutor nunca tinha enfrentado uma chuva dessas na vida. Mas, ele teve sorte em ter esse velho aqui como motorista. Além disso, ele está estranhando muito o frio aqui da região, não é mesmo, doutor?
    _ Pois não? Augusto perguntou meio perdido, pois ficara observando o casal conversando e imaginando há quanto tempo eles se conheciam. Na maioria das vezes e em lugares pequenos como Carmond, as pessoas se conhecem de uma vida toda.
    O motorista tocou em seu ombro e repetiu parte do diálogo:
    _ Estava a dizer para Xica que o senhor não está acostumado com o frio que faz por essas bandas.
    _ Ah sim! É verdade, dona...?
    _ Francisca, mas eu prefiro que me chamem de Xica.
    _ Como quiser, dona Xica! Pois então, eu realmente não estou acostumado com tanto frio. Lá na capital a temperatura está sempre muito elevada.
    Xica e Piu trocaram um sorriso cheio de cumplicidade, como quem queria dizer: “É bom se preparar” e ela que havia deixado o castiçal sobre o balcão, voltou a pegá-lo e pediu que eles a seguissem.
    _ Não posso me demorar, Xica. Agora que o doutor está entregue, sã e salvo, preciso ir pra casa descansar pro dia de amanhã.
    _ Nada disso, Piu. Você não vai embora sem antes tomar um prato daquela sopa que você adora e que está ali quentinha esperando por vocês.
    Augusto entendeu que não seria necessário a dona da pensão insistir, Piu tomou suas malas nas mãos outra vez e foi seguindo dona Xica através do imenso corredor cheio de portas, até que ela parou diante de uma delas e entregando o castiçal para Augusto, retirou do bolso uma chave.
    _ Este é o seu quarto! É tudo muito simples, mas muito bem cuidado, doutor.
    Mesmo com a pouca claridade, Augusto percebeu que o quarto, apesar de simples, era aconchegante.
    _ Tem tudo o que eu preciso aqui! E sendo assim, não poderia ser melhor, podem acreditar!
    _ Fique tranquila, Xica. O doutor aqui não é cheio de frescuragens como aquele último que esteve no vilarejo. Não é mesmo, doutor Augusto? O motorista perguntou enquanto terminava de colocar as malas alinhadamente num canto do quarto.
    _ Não se preocupem comigo, tenham a certeza que ficarei muito bem acomodado. Só preciso tomar um banho e trocar essa roupa que está um pouco úmida.
    _ Aqui nessa cômoda tem toalhas limpas e passadas, e o banheiro é logo ali no final do corredor. Vou acender algumas velas para ajudá-lo.
    _ Por falar em acender, o que houve com a luz? É por decorrência da chuva?
    _ Não, meu doutor. A chuva não tem nada haver com isso. Todas as noites, após as oito horas, a vila fica na escuridão. Com chuva ou sem chuva.
    _ Como assim? O que há com a eletricidade daqui?
    Piu se posicionou ao lado de Xica na porta do quarto e os dois trocaram um olhar de cumplicidade que deixou ainda mais claro para Augusto o quanto aquele casal se conhecia.
    _ É uma longa história, meu jovem. Por ora, tome o seu banho e venha nos fazer companhia na cozinha. Estaremos te esperando para tomar uma sopa deliciosa, modéstia à parte, eu sempre acerto na sopa. Não é mesmo, Piu?
    _ Tenha a certeza disso, doutor Augusto. Não existe sopa melhor, nem na capital, nem no mundo inteiro.
    Augusto sorriu e os dois deixaram o quarto indo em direção à cozinha. Enquanto o barulho dos passos ia se distanciando, o médico ficou a pensar na questão da luz elétrica e inevitavelmente as histórias que seus amigos haviam lhe contato sobre a vila retornaram à sua memória com força total.
    Não! Pensou ele. Todas aquelas histórias eram bobagens dos meus amigos, que não queriam que eu viesse à Carmond.
    E foi tentando afastar esses pensamentos que Augusto seguiu para o banheiro do final do corredor.
  • CARMOND - CAPÍTULO II

    O convite para ir à Carmond chegou um ano após Augusto ter retornado da Europa, onde havia se formando em medicina. E talvez tenha sido isso a causa de seus amigos colocarem tantos empecilhos na sua decisão de aceitar a proposta. Na certa, queriam aproveitar mais a convivência, uma vez que haviam passado tanto tempo distantes.
    _ Você não pode está falando sério que aceitou ir para aquele fim de mundo. Só pode ser uma brincadeira e, convenhamos, de muito mau gosto. O Silva falou enquanto eles dividiam uma cerveja num bar qualquer no centro da cidade.
    _ Porque todo esse espanto, Silva? Serão só alguns meses. É só o tempo do velho ficar bom ou...
    O Silva acabava de virar o último gole do copo e enquanto falava, voltou a enchê-lo.
    _ Você sabe muito bem da fama daquele vilarejo, Augusto. As histórias que chegam de lá são horripilantes.
    _ Como assim? Eu não sei do que está falando?
    _ Não se faça de desentendido, meu amigo. Sabes tão bem quanto eu que pouquíssimas pessoas viajam para aquele lugar e é ainda menor o número que retorna de lá.
    Nesse momento, Augusto não conseguiu conter o riso e isso pareceu deixar o Silva um pouco irritado.
    _ Vais rindo, doutor Augusto, depois não adiantará dizer que não o avisei. Como já diz o bom e velho ditado: Quem avisa amigo é.
    _ Não podemos acreditar em tudo que essa gente diz, meu amigo. Essas histórias são tão verdadeiras quanto o coelho da páscoa ou o papai Noel.
    _ Bom, eu como acredito que tudo é possível nesse mundão de meu Deus, se estivesse no seu lugar, não iria.
    No instante em que Augusto iria dar continuidade à conversa, os dois foram surpreendidos com a chegada de César e Rafael, ambos, amigos de longa data.
    _ Que maravilhosa coincidência! Veja que sortudos que somos! Quatro amigos se encontrando casualmente para tomarem cerveja e jogar conversa fora.
    O Silva, ouvindo as palavras de César, foi logo adiantando:
    _ É bom aproveitar mesmo este momento. Pode ser um dos últimos que passamos assim: os quatro juntos.
    _ Não entendi, alguém aqui irá morrer?
    _ Não leve a sério as palavras do Silva, meus caros. Ele já bebeu um pouco além da conta.
    Todos já estavam acomodados ao redor da mesa e o garçom, com uma competência invejável, servia cerveja aos recém chegados.
    _ Não estou bêbedo coisa nenhuma, rapazes. A verdade é que nosso amigo doutor acabou de fazer uma das maiores burradas da sua vida.
    _ Não seja exagerado, Silva. Desse jeito eles irão achar que eu engravidei alguma daquelas donzelas que visitam meu consultório semanalmente.
    Enquanto César e Rafael sorriam curiosos, Silva continuou com uma expressão de desaprovação e retomou a conversa:
    _ Antes fosse isso. Um filho com uma daquelas donzelas seria muito melhor que se enterrar naquele maldito vilarejo.
    A última palavra proferida por Silva ficou vagando no ar entre os quatro rapazes por um breve instante, enquanto os dois últimos a chegarem encaravam Augusto, espantados.
    _ Vilarejo? Isso quer dizer...
    Antes que completasse a pergunta, Silva adiantou-se:
    _ Isso mesmo: VI-LA-RE-JO, disse pausadamente, enfatizando cada sílaba. _ Augusto acaba de aceitar a proposta de ir para Carmond, tratar de um velho, que segundo informações, já deveria ter partido dessa pra melhor há muito tempo.
    César e Augusto, que até então estavam acreditando que tudo não passava dos dramas habituais do Silva, agora pareciam estar totalmente de acordo com ele.
    _ Sou obrigado a concordar com o Silva. Você só pode estar louco para aceitar ir para aquele lugar. Um vilarejo que fica a não sei quantos mil quilômetros, que só passa trem a cada quinze dias... Não! Você só pode estar de brincadeira.
    _ Calma, meus caros! Vocês estão fazendo confusão num mísero copo d’água, ou melhor, de cerveja. Sorriu e continuou. _ É verdade sim que eu irei até Carmond tratar da saúde de um velho que está a padecer. Ponto. É só isso. É o tempo de ir, tratar do enfermo e estarei de volta ao meu consultório, as minhas fiéis pacientes e aos meus amigos medrosos e queridos.
    Os três ainda continuaram questionando e listando o quanto ele perderia se afastando da cidade naquele momento. César apressou em dizer que ele mal havia aberto as portas do consultório que o pai, com tanto zelo, havia o dado de presente assim que Augusto retornou da Europa.
    Rafael alertou que as donzelas procurariam outros consultórios, e aí quando ele retornasse, se retornasse, não teria mais pacientes lindas e calientes implorando para serem consultadas.
    E por fim, o Silva, que já não encontrava mais argumentos, continuou insistindo na história de que o vilarejo era mal assombrado e que quem viajava até lá, dificilmente retornava.
    Porém, mesmo com todos esses argumentos, Augusto não se deixou persuadir, e dois dias após aquele encontro no bar, despedia-se dos amigos e da família, e embarcava no trem com destino à longínqua e misteriosa Carmond.
    Passadas algumas horas do embarque, uma chuva torrencial começara a cair, e quando o trem parou num lugar qualquer da estrada deixando Augusto, sozinho, esperando pelo motorista que lhe fora prometido na carta, o jovem médico começou a refletir se os amigos não estavam, de fato, com razão.
  • CARMOND - CAPÍTULO III

    CAPÍTULO TRÊS
    O ponto de parada onde fora deixado era diferente de todos os outros já conhecidos e imaginados por Augusto. Ficava num lugar qualquer da estrada e não havia nenhum sinal de vizinhos, ou ainda, nenhum bar ou qualquer outro tipo de estabelecimento como são de costumes nesses lugares.
    A chuva não dava tréguas e tudo que ele fez foi correr até uma velha tapagem, já bem deteriorada pelo tempo, e ficou lá aguardando pelo motorista, no meio da chuva e do nada. Essa espera, permeada pelas lembranças da conversa que havia tido com os amigos, durou mais de uma hora, até que, finalmente, ele viu surgir bem distante, os faróis de um carro que deslizava nas estradas enlameadas.
    Graças a Deus! Ele balbuciou e já foi tratando de ajeitar as malas nas mãos na expectativa de deixar o quanto antes aquele lugar.
    _ Por acaso o senhor é o doutor que está vindo da capital para tratar do Coronel? O motorista perguntou de dentro do carro e com o vidro do lado direito entreaberto.
    _ Sim, sou eu mesmo! Me chamo Augusto.
    _ Prazer, doutor! Sou seu motorista. Pode me chamar de Piu. Venha! Saia dessa chuva.
    Augusto realizou o embarque rapidamente e os dois tomaram o caminho de volta até Carmond, o vilarejo que tanto amedrontava seus amigos.
    _ Demoraremos muito para chegarmos?
    O homem sorriu meio desanimado.
    _ Um cadinho, doutor. Ainda mais com essas estradas ruins como estão. O senhor tem pressa?
    _ Não trata-se de pressa. Acho que é apenas curiosidade mesmo! Já passei o dia todo dentro de um trem, penso que mais algumas horinhas viajando não me farão mal.
    Piu sorriu novamente e ergueu as sobrancelhas indicando o banco traseiro.
    _ Tem uma garrafa e dois copos aí no banco de trás. Faço o favor de pegá-los e servir um chá pra gente, se não for incômodo, é claro.
    Augusto achou aquilo maravilhoso. Estava precisando mesmo tomar alguma coisa quente, depois do banho de chuva que tomara enquanto aguardava.
    _ Não é incômodo algum, ao contrário, será um prazer. O senhor parece ter lido meus pensamentos.
    _ Eu nunca saio sem a minha garrafa, principalmente em noites como esta. Um chazinho quente é sempre uma excelente companhia para quem vive tão solitário.
    Augusto encheu um dos copos e entregou para Piu que segurando-o com a mão esquerda, continuava a guiar o veículo com a direita.
    _ Posso lhe fazer uma pergunta, doutor?
    _ Depois desse chá você pode perguntar o que quiser.
    Sorriram os dois.
    _ Pois bem, o que levou o senhor a aceitar o convite para vir até o nosso vilarejo?
    Inevitavelmente Augusto lembrou-se dos amigos.
    _ Por que isso parece tão estranho? O que há de errado com o seu vilarejo, meu senhor?
    _ Carmond não é o melhor lugar do mundo para se estar, doutor. Tudo lá é muito difícil, desde o acesso, como o senhor mesmo está podendo constatar, até nas outras coisas mais simples.
    _ Por exemplo?
    _ Qualquer coisa que é normal em outro lugar, lá o senhor verá que se torna difícil.
    _ E porque isso acontece?
    _ Pelo visto o doutor não conhece nada mesmo do nosso vilarejo, né?
    Augusto balançou a cabeça negativamente e virou o último gole do chá.
    _ Não, meu senhor. Tudo que sei são as histórias, ou melhor, as lendas que as pessoas inventam e acabam chegando até a capital.
    Piu entregou o copo para ele e voltou a segurar o volante com as duas mãos. Nesse instante estavam passando sobre a velha ponte que já havia sido carregada duas vezes em enchentes que atingiram a região, e fora restaurada pelos próprios moradores.
    _ Boa parte dessas lendas são verdadeiras, meu jovem. As pessoas podem até aumentar, mas elas nunca inventam, já diz o ditado.
    _ O que há de errado em Carmond? O que acontece por lá?
    Piu reduziu a velocidade e olhou para o rapaz.
    _ Saberás logo logo, meu doutor. Afinal, o senhor foi contratado para cuidar do maior de todos os problemas desse vilarejo.
    Augusto percebeu que as últimas palavras foram pronunciadas com certo rancor e ao mesmo tempo tristeza, e isso deixou-o ainda mais curioso.
    _ Então está me dizendo que o problema todo, ou melhor, a maior parte dele provém do Coronel? Mas até onde sei esse homem está à beira da morte.
    _ Não acredito que ele vá morrer tão facilmente, seria sorte demais, e o povo de Carmond aprendeu desde cedo que a sorte parece não gostar muito daqui.
    E foi com a cabeça cheia de interrogações que Augusto seguiu o restante da viagem e nem se deu conta ao entrar no vilarejo que tudo estava escuro, a única luz acessa eram as dos faróis que cortavam a chuva e iluminava a rua diante deles.
  • CASOS E DESCASOS

    CRUEL SENHORIO
    O casal dormia profundamente.
    O sol, que já ia alto, aquecia fortemente a telha de cimento amianto do teto do pequeno barraco da rua Um, número 530, na favela do Jardim DS, Zona Leste de São Paulo.
    Maria dos Santos Roberto Guedes, de 26 anos, e seu companheiro, Chico Boió, de 40 anos, pedreiro de profissão, ainda estavam entorpecidos pela cachaça barata ingerida até a madrugada e mal tiveram tempo de levantar-se, da malcheirosa cama.
    Foram surpreendidos pelo operário Donato Pereira Gomes, de 55 anos, que empunhava uma faca de 15 centímetros.
    Vários golpes, tudo muito rápido.
    A perícia técnica não precisou ainda quantos, nos dois corpos que caíram no chão de terra batida, umedecendo-a.
    A mulher recebeu mais facadas, sem piedade do criminoso.
    Donato Pereira Gomes se vingava assim, do casal que não queria desocupar seu barraco, apesar dos insistentes pedidos.
    O assassino não suportava mais as brigas dos amásios em sua casa, quando se embriagavam.
    Ele, Donato, também costumava beber com Maria e Chico Boió, nos bares da favela e no próprio barraco, quando se recolhiam para dormir, sempre acompanhados da garrafa de pinga mais ralé encontrada nas biroscas da favela do Jardim DS.
    O convívio do trio começou há mais ou menos dois meses, quando Donato conheceu o casal bebericando, num animado e barulhento forró.
    Fizeram amizade rapidamente e o pernambucano, ao saber que Maria e Boió não tinham onde dormir convidou-os para seu barraco até que arrumassem uma acomodação.
    No começo, Donato Pereira Gomes se deu bem com os novos inquilinos.
    Ele ia para o trabalho em uma fábrica de plásticos, enquanto o casal permanecia em casa, dormindo.
    À volta do operário, já no começo da noite, os três iam para os bares tomar seus aperitivos preferidos.
    Pelo menos uma garrafa da "mardita branquinha” era consumida de várias maneiras e, embriagados, se dirigiam para o barraco.
    Ali, tomavam mais aguardente barato, até que o sono  pesado chegasse.
    A bebida foi influenciando negativamente na amizade entre o casal e Donato, dia após dia.
    Eles brigavam muito e o operário perdoava muitas coisas, até que resolveu pedir que desocupassem seu barraco.
    Dos pedidos, Donato passou a exigir que Maria e Boió se mudassem com o que o casal não concordava.
    As discussões foram sucedendo-se, até que o pernambucano tomou uma decisão.
     - Não suporto mais vocês aqui! Ou mudam, ou jogo os dois na rua!
    De nada adiantou a advertência, ela entrou por suas orelhas e saiu sem nenhuma atenção, do casal.      
    Eles continuaram no barraco, não se importando com Donato, que começou a se torturar raivosamente.
    - Se eu sou o dono disto, tenho de pôr ordem na casa! Vou agir!
    Chegou a comentar, com os vizinhos.
    A favela estava em silêncio na manhã do dia 27 passado, José Bentão retornava das compras em uma venda da Vila Rica, principal bairro da região da favela do Jardim DS, quando encontrou o amigo Donato com uma mala na mão.
    - Bentão, matei aqueles dois que moravam comigo e por isso vou viajar!
    Disse o operário a Bentão, que não acreditou muito nas palavras do amigo, mas resolveu ir até o barraco.
    Ali, o quadro de terror, Maria estava com a barriga toda retalhada.
    Boió também estava repetidamente esfaqueado.
    Os dois mortos e totalmente cobertos de sangue já começando sua coagulação.  
    José Bentão saiu do barraco desesperado e saiu à procura de Donato, que já desaparecera pelas estreitas ruas da favela, encoberto pelos latidos dos cães.
     - "Não me disse para onde ia! Deve ter ido para sua terra! Era um homem bom, o Boió, um grande amigo”.
    Disse José Bentão ao escrivão interessado Peixoto, da Delegacia em Vila Rica, quando era interrogado.
    José Bentão foi quem avisou a polícia sobre o duplo assassinato e é a principal testemunha do inquérito; ainda aberto, sem solução, como milhares de outros.
     
    O CAMINHONEIRO E O TRAVESTI
    Válber da Silva Teixeira, 30 anos, caminhoneiro, tinha se instalado no bairro do Bixiga, em São Paulo, nos anos 70, passando a frequentar o bar e café Grappa de Lucio Montanari, de 28 anos, localizado no centro do bairro.
    Com a compra do local, Lucio chamou seu irmão, Pietro, de 25 anos, para que também viesse tentar a sorte em São Paulo, deixando a localidade de Casella (Gênova), onde ambos eram cozinheiros.
    Pietro dormia no bar e cuidava da casa, nos horários em que o irmão estava fora, fazendo pagamentos.
    No domingo à tarde, Lucio estava de folga e o rapaz ficou responsável pelo estabelecimento.
    Para defender-se de possíveis assaltantes, sob o balcão, guardava um revólver calibre .38, carregado.
    O bar e café, contendo um balcão, mesas com banquinhos e uma mesa de bilhar, foi comprado pelos dois irmãos há menos de dois meses.
    Nem Lucio e nem Pietro conheciam Válber, apesar do mesmo, frequentar o estabelecimento antigo, já há algum tempo.
    No entanto, desde que haviam adquirido o negócio, o caminhoneiro nunca havia ido lá.
    Dez ou doze pessoas estavam no bar e café Grappa, naquela tarde ensolarada e abafada.
    Pietro, irmão do proprietário, se encontrava atrás do balcão e alguns fregueses em torno da mesa de bilhar.
    O delegado Tanaka e o escrivão Jair, do Distrito Policial da região, só sabem o que aconteceu através de testemunhas.
    Entre elas, Pasquale de Santis, antigo morador da redondeza.
    Válber chegou por volta das 18:00hs.
    Embriagado, agressivo.  
    Pietro Montanari, embora não o conhecesse, já sabia de sua fama de desordeiro.
    Preveniu-se e deixou o revólver à mão.
    Válber, que quando ficava embriagado, se apresentava como Matilde e, nos "inferninhos" frequentados por travestis, se vestia como mulher, ruiva e sedutora, e já estava bastante alcoolizado. 
    Queria beber mais e participar do jogo de sinuca, mas, como estivesse incomodando os demais fregueses, com seus palavrões, acabou sendo advertido por Pietro e intimidado a se retirar.
    O caminhoneiro travesti não se conformou, franzindo sua feição, horrendamente.
    Forte e completamente embriagado, Válber já estava fora de si.
    Inconformado quando foi intimado a sair do Grappa, simplesmente começou a quebrar tudo.
    Primeiramente, jogou no chão copos e garrafas e, em seguida, agarrando uma das mesas com os braços fortes, avisou que iria tombá-la.
    Pietro pediu que se acalmasse.
    Válber não escutou e cumpriu a ameaça.
    Sem esforço algum, tombou a mesa e ameaçou continuar o quebra-quebra geral.
    Pietro não pretendia atirar.
    Intimidado com a fúria do desordeiro, ele primeiro dá um tiro em direção do chão, acertando a coluna que separa duas das três portas do local.
    Nem assim Válber se intimida e tenta avançar contra o comerciante, gritando, completamente alucinado.
    Sem opção, o rapaz italiano agora trêmulo, aponta o revólver para o agressor e aperta o gatilho, mais duas vezes.
    Válber esboça uma reação de surpresa, observa abismado os dois tiros em seu peito, cospe muito sangue e cambaleia, como um boneco de pano.
    Tenta desesperadamente, agarrar-se ao balcão e cai.
    Está agonizando, praticamente morto.
    Ainda vivo, é socorrido pela guarnição de radiopatrulha que foi chamada para verificar, o que havia acontecido ali, mas morre, ao chegar ao hospital.
    O inquérito segue os trâmites legais.
     
    O SACO PLÁSTICO
    O motorista do ônibus, que faz a linha Santo Amaro-Taipas (São Paulo), virou-se para a mulher idosa que acabara de descer e disse-lhe.  
    - "Minha senhora, esse saco é seu?!"
    Viviane Rocha soltou um grito e entrou desesperada, no coletivo.
    No afã de tirar o saco plástico decorado, que já estava na mão do cobrador, ela deixou o seu conteúdo cair no chão, bruscamente.
    Pedro Silveira, o motorista ficou visivelmente boquiaberto; enquanto Jacinto dos Santos, o cobrador, quase desmaiou: na frente dos dois, a seus pés, havia dois crânios humanos, e algumas peças de roupa, que haviam caído do saco, que pertencia àquela simpática velhinha.
    O condutor do veículo, então, fechou as portas do coletivo e seguiu para o Distrito Policial mais próximo, apesar dos protestos ininterruptos de Viviane, e o espanto de outros dois passageiros.
    Na delegacia, interrogada pelo delegado Tavares, a idosa passageira, deu mostras de teimosia.
    Ela garantiu que estava vindo de Andradina e se dirigia, para casa de um filho.
    Teria pernoitado de 5 para 6 de janeiro no terminal rodoviário Tietê.
    Nervosa, gesticulando muito, ela somente não sabia explicar, a origem dos crânios, que ainda possuíam um grotesco resto de cabelos grudados.
    O mais estranho, eles estavam enfeitados com penas coloridas de galinhas.
    Os peritos do Instituto de Criminalística foram prontamente chamados.
    Examinaram detalhadamente o macabro encontro, mas não conseguiram chegar a nenhuma resposta plausível.
    Somente no dia seguinte, 6 de janeiro, é que os legistas do IML chegaram a uma conclusão definitiva, eram dois crânios pertencentes a pessoas do sexo masculino.
    Dona Viviane Rocha continuou detida, por não conseguir explicar a procedência dos crânios.
    Os policiais divagaram em teorias, mas descartaram a hipótese de que os crânios fossem de vítimas de homicídios.
    Realmente nem Agatha Christie, a renomada escritora britânica, teria uma imaginação tão grande, apesar da versatilidade incrível mostradas nos seus inúmeros romances policiais.
    Matar alguém (no caso duas pessoas), esperar a decomposição e carregar seus crânios decepados por dias seguidos, até mesmo dentro do coletivo é algo imaginável até mesmo para o mais fantasioso dos mortais.
    O que acabou também descartando a possibilidade do homicídio foi o fato de que não houve, por aqueles dias, nenhum crime em que fossem encontrados cadáveres sem cabeça, não identificados, após minuciosa busca.
    Afastada a possibilidade de assassinato, restava aos investigadores checar a história bizarra da velhinha.
    Logo, descobriu-se que ela não morava em Andradina, mas sim, aqui mesmo na capital.
    Em seguida, uma informação anônima, confirmada mais tarde, falava a respeito do envolvimento daquela inocente senhora em cultos de magia negra.
    Os policiais passaram a acreditar então, que os dois crânios foram retirados de algum cemitério da cidade para servir em trabalhos de despacho.
    A certeza é praticamente consolidada, pelo fato de os dois crânios estarem adornados, com penas.
    Dona Viviane, contudo, não confirmou a versão aventada pelos policiais.
    Ela, inclusive, chegou a negar que o saco plástico fosse seu, apesar do testemunho apavorado do motorista, do cobrador e de dois passageiros traumatizados, que se encontravam dentro do coletivo.
    Quando foi "apertada" durante o interrogatório, a velhinha repentinamente ajoelhou-se e passou a rezar, gritando.
     - "Vocês querem comprometer-me! Deus é justo e vai provar que sou inocente! Isso é demais para uma mulher da minha idade! Eu não posso acreditar, ingratos, isso é pecado, sabiam?!"
    Depois dona Viviane, fingiu um suposto “desmaio”.
    Os investigadores, pacientemente, esperaram que ela "recobrasse" os tais sentidos, jamais perdidos.
    Continuaram as insistentes perguntas, mas ela também continuou insistindo em negativas.
    Finalmente, ela foi dispensada na tarde do dia 7. 
    Mas, foi indiciada e iria responder a inquérito por violação de sepultura e profanação, seguida de roubo de cadáveres e afins.
    Um caso estranho, curioso e mórbido.
    Um fato até mesmo incrível, pelo seu inusitado, dois crânios adornados, roubados de um cemitério qualquer, para serem usados em trabalho de magia negra.
    Um acontecimento até mesmo engraçado, não fosse trágico, dentro da violência da capital.
    Em tempo, a estranha e simpática "vovozinha" não conseguiu responder ao inquérito, desapareceu, uma semana após o acontecido; assim como surgira, do nada.
    Domicílio ignorado, dizem os policiais; o caso foi arquivado.
     
    A MORTE É BONITA E USA BATOM
    Aquele local do Guaraú, próximo ao Grêmio dos Reservistas do Forte Itaipu, em Peruíbe, litoral sul de São Paulo, convenhamos, é bastante deserto.
    A rua Sete é apenas uma pequena cicatriz rasgada no ventre da mata virgem.
    Pouquíssimas casas por perto.
    Por isso, quase ninguém viu quando o táxi Lada vermelho placa ZZ-1530 estacionou ali, naquela noite de sexta-feira, 13 de agosto.
    Quase ninguém viu, também, uma pequena fogueira que insistia em arder durante muito tempo.
    Uma fogueira macabra, que as árvores e arbustos em volta mal disfarçariam se houvesse espectadores.
    No dia 17 de agosto, um domingo, os poucos moradores da localidade, descobriram o que alimentava as chamas, dessa fogueira.
    Era o cadáver carbonizado de um homem jovem.
    Pouco restara daquele corpo, além de um pequeno tufo de cabelos, parte do rosto e tórax, dos braços e das pernas.
    O trágico encontro abalou os humildes moradores, caminho obrigatório a quem se dirige à Barra do Una.
    O corpo (mais ossos torrados, do que carne) estava semienterrado à margem da rua.
    Sobre ele, alguns galhos queimados.
    Nas proximidades, as sobras de um saco plástico contendo as roupas e documentos do infeliz.
    Ao ser avisada do achado, a polícia da região viu-se de mãos amarradas.
    Não sabia quem era e praticamente, não tinha meios para identificar a vítima.
    O chefe dos investigadores, Clodoaldo Leite Pereira, passou dias percorrendo as redondezas onde foi encontrado o corpo.
    Até que obteve a primeira pista concreta: às 19h30 daquela sexta-feira; um táxi Lada cinza havia sido visto nas imediações do Grêmio dos Reservistas.
    Dentro dele, nada mais, nada menos do que integrantes da turma do Fiapo, um dos mais conhecidos grileiros de terra de Peruíbe, envolvido em homicídios e chefe de uma quadrilha, cuja extensão de atividades, nem a polícia local conhecem.
    Dessa informação, à detenção dos cinco ocupantes do taxi e daí à elucidação do crime, foram passos curtos.
    O cadáver quase que totalmente carbonizado, era o de Francisco Coelho Filho, 20 anos.
    Ele havia sido assassinado, com dois tiros na cabeça, por sua amante, Paula Pontes Silva, 34 anos, loura oxigenada e muito bela, anos atrás, proprietária de uma barraca de bebidas e petiscos na praia de Peruíbe, a famosa "PPP".
    Francisco teria sido morto por vingança; Paula não suportava mais as agressões e ameaças, que o amante fazia a ela e ao seu filho menor.  
    Os cinco membros da turma do Fiapo (incluindo o próprio), entraram na história, apenas para desovar e dar sumiço ao corpo.
    - "Eu conhecia a Paula há dez anos. Nós éramos muito apegados. Quando ela me pediu para desaparecer com o corpo, eu não pude recusar. Se fizemos coisa errada, está feito".
    Disse Porfírio Costa Machado, 30 anos, o Fiapo.
    Dono de um ferro velho por lá, Fiapo é mais conhecido na região e fora dela, do que a desvalorizada nota de R$1,00 real.
    E temido também.
    Já foi processado por homicídios, lesões corporais e furto de energia elétrica, inclusive sua fiação.
    Mas anda calmamente pela cidade, bebendo de graça onde quer e sempre cercado de muita gente estranha.
    Uma espécie de "Don Corleone brazuca", se isso possa existir realmente, claro.
    De uma de suas últimas aventuras, Fiapo ostenta no alto da testa a cicatriz chamativa de bala.
    Foi num tiroteio travado com agentes da Polícia Federal.
    Simplesmente porque ele estava grilando a área de terra, onde deverá ser construída a futura usina nuclear de Peruíbe.
    Fiapo não é flor que se cheire não, comenta-se na cidade.
    Nem a própria Paula pode confiar nele.
     - "Ela disse que assumiria toda a responsabilidade pelo que aconteceu. Se não assumir, vai ser a próxima da lista. Sabe como é eu também tenho as minhas fontes, dotô", ameaça.
    Paula conheceu o Francisco no Carnaval deste ano, quando ele foi trabalhar para ela na barraca de bebidas.
    Passado o Carnaval, ambos começaram a viver juntos.
    Mas era uma convivência bastante difícil, eles desentendiam-se bastante.
    Qualquer coisinha, ele quebrava-lhe a cara, dava-lhe surras homéricas.
    Teve um dia aqui na minha frente, ele ameaçou matar ela e o menino, explicou o delegado.
    Fui obrigado a atuar-lhe em flagrante, por ameaça.
    Ele passou dez dias preso, mas quando saiu os dois voltaram a viver juntos.
    Acho que ela fez isso por desespero, raciocina o delegado Waldomiro Passos, titular do DP.
    No dia 6 de agosto, Paula procurou o Fiapo, contou-lhe que iria matar o amante, por não suportar mais, e pediu-lhe uma arma.
    Fiapo recusou-se.
    Não se sabe onde, depois, ela conseguiu uma pistola automática calibre 7.65.
    Na noite de 10 de agosto, ela matou Francisco, filho de um comerciante, Dario Coelho.
    Não tendo como desfazer-se do corpo, colocou-o dentro de um saco plástico e enrolou o volume, num cobertor.
    Tirou o colchão da cama de casal e colocou o cadáver, sobre o estrado.
    Dois dias depois, Paula procurou o Fiapo.
    - "Fiz a história. Matei o cara".
    Disse muito calma.
    Prometeu R$1.500,00 reais para que ele desse um fim ao corpo.
    Fiapo não pensou duas vezes.
    Chamou seu empregado BGHI, 14 anos, o Filé, e Jacinto Gomes, 35 anos, o Xuxão.
    Chamou também o amigo Pedro Silva dos Anjos, 30 anos, o Pato.
    Às 18h de um dia chuvoso, os quatro chegavam a uma padaria (A Mirante das Praias), nas proximidades da estação da FEPASA de Peruíbe, para um lanche regado obviamente a cerveja, muita cerveja gelada.
    Só então Fiapo explicou a eles o trabalho que seria feito.
    Fiapo ainda procurou por ali uma perua Kombi para transportar o cadáver.
    Sem êxito.
    A única solução foi valer-se do táxi de Gilberto de Souza, 24 anos, o "GS", espécie de motorista particular de Fiapo.
    Às 19h, o quinteto chegava à casa de Paula, na rua Senador Domingues, 37, centro.
    Enquanto Gilberto manobrava o carro, os quatro foram ao interior da casa para retirar a "encomenda", mais um pacote com suas roupas e documentos e um galão com dez litros de gasolina.
    Como o corpo não coubesse inteiro dentro do porta-malas do veículo.
    - "Pato, muito doidão, porque tinha bebido demais", sentou-se com ele e o foi segurando.
    - "Fizemos a operação toda em cinco minutos", vangloriava-se Fiapo.
    Depois, o carro Russo rumou para o Guaraú.
    A cerca de 500 metros do Grêmio dos Reservistas do Forte Itaipu, o corpo de Francisco Coelho Filho, foi depositado à beira da rua Sete, coberto por gravetos e pelas próprias roupas.
    Filé despejou o galão de gasolina, no presunto, mas ninguém assume ter acendido o fósforo fatal.
    Durante alguns minutos, o grupo iluminado, ficou admirando a fogueira arder.
    Depois, retirou-se, com a tarefa já cumprida.
    No dia seguinte, Pato voltou ao local e, com um pedaço de madeira, fez uma cova muito rasa para ocultar o que sobrara do infeliz rapaz.
    Todos já foram detidos.
    Prestaram depoimento, no inquérito instaurado pela Delegacia local e foram postos em liberdade.
    Paula apresentou-se em seguida e negou o homicídio.
    - "Eu, não suportava mais viver com ele, mas não o matei senhor delegado. Ele é que iria suicidar-se. Quando entrei no quarto, ele estava com a arma encostada já, na orelha. Para evitar que ele se matasse, dei-lhe um tapa na mão. E o revólver, disparou então duas vezes”.
    Defende-se.  
    A já não tão bela assim, Brigitte Bardot de Peruíbe assume, porém, somente a ocultação e o pagamento a Fiapo para o desaparecimento do cadáver.  
    As investigações prosseguem, vagarosamente.
     
    O LOBISOMEM DE PARIS
    Se o inspetor Maigret pudesse sair do retiro forçado, que lhe foi imposto por seu genial criador Georges Simenon, certamente não reconheceria mais a velha Pigalle e Montmartre boêmias, que por noites a fio, palmilhou no encalço dos assassinos comuns, que infestaram Paris e seus arredores.
    As ladeiras íngremes e estreitas, calçadas com pedras irregulares, molhadas pela chuva fina, fervilhantes de gente até a madrugada, hoje estão vazias.
    Os verdadeiros cafés parisienses, as brasseries e bistrôs, onde, longe dos catálogos para turistas, se come a boa comida o bom queijo e se toma bom vinho, buscado em adegas de origem desconhecida, estão misteriosamente desertos.
    Um criminoso, como os que Maigret perseguia, está aterrorizando o bairro.
    A imprensa apelidou-o de o "Lobisomem", porque, desde que começou a agir, no começo de outubro, em cinco semanas assassinou impiedosamente, nove mulheres idosas e solitárias.
    Cinco desses nove crimes, antecedidos por sevícias e cometidos com extrema brutalidade, seguidos de pequenos roubos, aconteceram, coincidência ou não, na fase da lua cheia.
    Pigalle, onde está o Moulin Rouge, dezenas de outros cabarés famosos e outros tantos restaurantes, mais famosos ainda, fica na famosa rive gauche (margem esquerda) do rio Sena.
    Ali, incluindo também célebre Montparnasse, os velhos casarões transformados em apartamentos e suas águas-furtadas, transformadas em ateliês, desde a primeira metade do século passado, começaram a atrair os artistas inconformistas de todo o mundo.
    Ali viveram, beberam absinto, se drogaram, passaram fome, foram execrados e se tornaram gênios figuras como Baudelaire, Rimbaud, Modegliani, Toulouse-Lautrec, Picasso e tantos outros, famosos ou desconhecidos.
    Boêmios e irreverentes, seria bem natural que no labirinto de ruas estreitas, proliferassem a sua volta as adegas, com o chão coberto de serragem, cheirando a vinho novo derramado e taverneiros, sorridente, protegidos por aventais não muito limpos, do peito aos pés.
    Com os gênios, ébrios, boêmios e malditos os infortunados de toda a espécie, os marginalizados pela lei ou pela vida, fizeram fugir os derradeiros bons burgueses, fazendo também a delícia do turista embasbacado.
    Lado a lado com os artistas, obviamente os infelizes.
    Velhos solitários, cujas pensões minguadas ou a usura de filhos e netos indiferentes, só dão mesmo para pagar os cômodos e águas-furtadas, de aquecimento precário e banheiro fétido comum.
    Rodeando a todos, as floristas tristes que passam as madrugadas, de primavera ou inverno, à porta dos cabarés, tentando ganhar o café do dia seguinte, ambulantes de toda a espécie e a partir da segunda década do século, migrantes de todas as partes da Europa, América e África.
    Ali age sorrateiramente o assim chamado, Lobisomem, a besta desconhecida.
    Suas vítimas, velhas solitárias e miseráveis, surpreendidas durante a noite em seu leito, amarradas, golpeadas a facadas com selvageria e depois roubadas em alguns francos, uma ou outra joia barata de família. 
    Sem que, até agora, ninguém haja escutado um grito, um barulho fora do comum, ou um pedido de socorro, nada.
    O mistério e o terror, que extravasaram as fronteiras do bairro para tomar conta da cidade, tornaram-se objeto, de escândalo nacional e objeto de investigações também de jornalistas e curiosos fofoqueiros.
    Enquanto isso, os comissários, da Polícia Judiciária, andam às tontas e em desespero, tentando juntar as peças desse verdadeiro e enigmático, quebra cabeça.  
    A população do bairro e principalmente as mulheres idosas, tem medo de deixar seus pardieiros, mesmo para ir até a agência de Correios mais próxima, receber seus magros cheques mensais de pensionistas.
    Nas ruas, as pessoas olham-se com desconfiança e andam rapidamente e quando escurece dificilmente se encontrará uma prostituta sequer nas esquinas.
    As vítimas se sucederam em um ritmo ordenado, macabro e monótono, que nada indica haver terminado.
    No dia 5 de outubro, encontra-se o corpo de Gabrielle Foucoult.
    A ela seguem-se os cadáveres de Ilona Juneaut, Anne Pasteur, e assim sucessivamente as demais.
    Todas, entre 80 e 90 anos de idade.
    Quem iria querer fazer-lhes mal?
    O pouco dinheiro roubado justificaria a tortura a que foram submetidas?
    Os agentes acreditam que não, talvez algo de incontrolável mesmice, ordena o seu cérebro doentio.
    Se já estavam amarradas, sua morte só se justifica para um louco ou para que não reconheçam o assassino.
    A princípio a polícia pensou que fosse um dos muitos jovens viciados em heroína, que perambulam por aqueles bairros e que cometesse os crimes no desespero para conseguir dinheiro fácil e comprar o tóxico.
    No entanto, a aparente invisibilidade do assassino parece desmentir totalmente, essa fraca hipótese.
    Dificilmente, alguém tão dominado pelo entorpecente (tudo indica que seria assim, se o caso fosse esse) teria sangue frio para evitar qualquer deslize, nove vezes seguidas e tudo, num horrendo banho de sangue. 
    Outro detalhe intriga a polícia Francesa; por que o matador age apenas naquelas ruas restritas a um exíguo raio de quilômetro e meio, a partir de Montmartre?
    Isso parece dar convicção aos agentes que, em vez de vagabundo, alcoólatra ou toxicômano que vaga desesperado pelas ruas, o maníaco sangrento, mora ou tem ocupação fixa na área delimitada.
    Um ambulante, talvez.
    Mais jovem que suas vítimas, mas, certamente, tão amargo e desiludido, quanto elas.
    Um vendedor de bugigangas qualquer, que vê a vida monótona passar a sua frente, ignorando suas frustrações recalcadas.
    Quem sabe até amargando a lembrança de uma mãe indiferente, alcoólatra ou prostituta, tão idosa e solitária como suas próprias vítimas.
    A mente humana é perturbadora, altamente complexa e muito pouco estudada ainda.
    Um ambulante que, durante todo o dia, colocado à frente de sua banca ou percorrendo sempre as mesmas ruas para oferecer aos gritos, sua mercadoria barata, nem sequer é notado.
    Não o notam, mas ele pode observar calmamente tudo e todos, com seus olhos dissimulados, de predador faminto, caçando.
    Pode escolher calmamente sua próxima vítima, precisar seus horários, ter certeza de que não haverá um porteiro para reconhecê-lo, um vizinho para interromper a execução, ou uma testemunha qualquer, para identifica-lo. 
    Anônimo antes do crime transfigura-se medonhamente, apenas quando já está diante de sua vítima, para voltar ao anonimato logo que fecha a porta atrás de si e deixa sobre uma cama pobre, mais um vulto disforme e farrapos banhados em sangue e fúria.
    No dia seguinte, ele poderá estar no bistrô mais próximo, tomando uma sopa quente de legumes, para combater o frio do inverno e depois, nas calçadas sujas e apinhadas pela chusma que sai para o trabalho, talvez até sorria malignamente para outra anciã solitária que, no fundo de seu cérebro doentio, por uma razão desconhecida, já escolheu como a próxima vítima, novamente sedento, como um verdadeiro; Lobisomem.
    Nada de conclusivo, foi apurado naquela época e o caso foi esquecido.
     
    O GUERREIRO DO SOL NASCENTE
    A ira dos antigos samurais fez o velho japonês Toshiro Watanabe, de 70 anos, voltar aos seus tempos de guerreiro.
    A época em que pertencia ao Exército Imperial do Japão. Watanabe, agora, era o rapaz de vinte e poucos anos, o soldado que lutava contra os americanos na Segunda Guerra Mundial.
    Podia até sentir o cheiro da pólvora, os ouvidos zumbindo com as explosões das bombas.
    Tempo e espaço se entrelaçavam.
    - "Banzai!"
    O grito de guerra, em honra ao imperador do Japão, ecoou com ferocidade.
    Watanabe lamentava não estar armado com sua metralhadora.
    Faltavam também a "takaná" e o "tantô", respectivamente, a espada e o punhal dos guerreiros do Japão feudal.
    Tempo e espaço continuavam se misturando na mente do ex-combatente.
    O destino pôs em suas mãos, um prosaico tridente de agricultor, como a arma do seu último combate.
    E foi com a imagem de sempre, que Watanabe avançou, contra os inimigos.
    Dois contra um, uma luta desigual, logo encerrada num lance desleal.
    Watanabe não conseguiu desviar-se do botijão de gás de cozinha, arremessado à traição, e caiu golpeado na cabeça.
    Depois, o inimigo desferiu uma machadada no pescoço do ex-soldado.
    Toshiro Watanabe sobrevivera em Okinawa.
    Para morrer nas mãos de um garoto de 15 anos, num barraco miserável de Santo André, no grande ABC paulista.
    Toshiro Watanabe morava sozinho, naquela casa humilde, porém imaculadamente limpa.
    Ao lado de uma viela, entre duas ruas maiores, no Jardim Jacatuba, bairro pobre do município de Santo André.
    O local é ermo e cheio de mato.
    A família do ex-soldado, mulher e dois filhos, há muito o abandonara, mudando-se para outra cidade.
    A segunda Guerra Mundial deixara marcas terríveis em Watanabe.
    Sua mente, perturbada, tornara-se uma pessoa de comportamento estranho, aliás, como todo o sobrevivente, de qual guerra seja.
    Às vezes, passava horas e horas, olhando para o céu infinito, como se esperasse bombas despejadas.
    Watanabe tinha até razão ao se considerar cercado por inimigos.
    A viela malcheirosa e o quintal eram permanentemente ocupados por marginais de todos os tipos, que ali se escondiam, para fumar algo ilícito, ou repartir produtos de roubos.
    O velho militar, inofensivo, segundo seus vizinhos, não gostava dos intrusos.
    O cérebro do ex-soldado, transformava o matagal, numa revolta praia do Pacífico.
    Ele via os navios no horizonte.
    Os canhões disparando, bolas de fogo.
    As grandes barcaças encalhando na areia branca, desembarcando os fuzileiros.
    Não eram os Marines Americanos.
    Era apenas um menino de 15 anos, conhecido como Ratão, que mais uma vez voltava a invadir o quintal do oriental, para furtar limões.
    Watanabe já estava cansado de pedir que não fizessem mais isso.
    Então, naquela manhã de névoa, perdeu a paciência.
    Municiou uma velha espingarda com sal e acertou o ladrão.
    Disparou duas vezes. 
    Ratão correu sangrando, foi obrigado ficar acamado 10 dias, até sararem as feridas, causadas pelos disparos.
    Enquanto se recuperava, Ratão jurava.
    - "Um dia, ainda acerto aquele japa, com certeza!".
    No inverno, Ratão estava de volta às ruas.
    A ideia de como se vingaria, surgiu quando ele passou diante da casa do japonês.
    Encontrou-se com um conhecido, identificado apenas pelo apelido de Sanduba e fez uma proposta tentadora.
    - "Eu vi que ele tem botijões de gás na casa. Se você me ajudar a roubá-los, eu lhe dou um".
    Os dois garotos invadiram a casa, em que o Watanabe não se encontrava no local.
    Mas foram flagrados por ele, quando acabavam de empilhar roupas e outros objetos.
    O japonês partiu para cima deles empunhando seu tridente como se fosse uma antiga baioneta.
    - "Aaaahhh! Banzai! Banzai!"
     Sanduba ficou apavorado.
    Ratão mais tarde, juraria para a polícia, que aquele era o primeiro delito, do companheiro.
    Só o Ratão ficou na sala, esquivando-se, graças à sua habilidade e juventude, das estocadas de Watanabe.
    Aí pegou o botijão de gás e acertou em cheio, o guerreiro do sol nascente.
    Ratão diria também à polícia, que resolveu matar o oriental, para evitar ser preso.
    E fugiu, levando as roupas do japonês.
    Escondeu-se na casa de uma irmã.
    Mas, não resistiu ao impulso de voltar ao local do crime, no dia seguinte.
     - "O japa ainda estava lá gemendo. Não sei se me reconheceu não seu “dotô”. Tenho a impressão de que ele me pediu ajuda, mas eu não fiz nada, fui embora".
    Ratão, contudo, não esquecia a imagem do ex-soldado agonizante e voltou uma segunda vez a casa.
    - "Ele já estava morto, fedia! Estava enrolado num cobertor".
    O menor contou, então, que teve medo de que a polícia encontrasse suas digitais na casa.
    Para apagá-las, resolveu incendiar o barraco.
    Tocou fogo no colchão e num monte de espuma de borracha, que encontrou numa caixa.
    Só não destruíram os R$100,00 reais em notas, que caíram de uma das caixas.
    O incêndio, o encontro do cadáver semicarbonizado do oriental, a morte violenta dele que se transformara num ancião estranho, porém pacífico, comoveram todo o bairro.
    E a solução do crime, se tornou um ponto de honra, para a maioria das delegacias de polícia do Grande ABC.
    Mas, simplesmente, foi o remorso quem resolveu o caso.
    Ratão não conseguia mais dormir.
    Passava os dias escondido num ferro-velho, desconfiava até da própria sombra.
    Dormia no interior de uma velha enferrujada e suja Kombi branca ano 76.
    O grito de guerra do ex-soldado, não o deixava em paz, tinha constantes pesadelos.
    O garoto fez a primeira confissão para o próprio pai, Severino Soares Souza, que, incrédulo, se limitou a dizer.
    - "Se for verdade, não apareça mais em casa, seu moleque".
    Ratão também confessou o crime, para os amigos.
    Não acreditaram.  
    - "Mentiroso! Você não seria capaz disso, cara. O velho Watanabe conhecia artes marciais. Ratão, você é que estaria morto, agora, se o tivesse enfrentado, é!".
    O remorso desesperava e corroía o assassino.
    Já estava pensando em se entregar à polícia, quando foi detido por investigadores, do Distrito Policial da região.
    Os investigadores tinham ouvido um comentário sobre a fantástica história que Ratão, repetia aos amigos e resolveram checá-la.
    O menor contou tudo, com detalhes, foi colocado à disposição do juiz Corregedor de Menores.
    Ele é reincidente.
    Estivera detido na FEBEM, por porte ilegal de arma.
    Mas Ratão era um assaltante.
    Gostava de atacar, jovens de classe média.
    Tirava os sapatos e as roupas de suas vítimas e as afugentava, disparando para cima; um revólver de brinquedo, com espoleta, o assim chamado “simulacro” juntamente com seu amigo Sanduba, o qual nunca viu uma arma, em sua vida.
    Armadilhas da vida de periferia turbulenta, das grandes cidades, atualmente.
    Que o guerreiro descanse em paz, a sombra de uma cerejeira florida, velado por seus companheiros de combate. Sayonara, Toshiro!
    O inquérito foi finalmente concluído.
     
  • Clow Senderstein o palhaço de Elm Street parte 2: Senhoras e senhores

       Aós o incidente no Garden hotel, varias investigações começaram a ser feitas e vários circos foram proibidos de terem acesso a elm street.
    Pessoas ficaram desesperadas e se trancaram em suas casa. Com temor que nem a mídia poderia deixar de forma sutil, vários cidadãos se comprometeram a ter vigilância uns com os outros. Em estado de medo e alienação pura, os governadores se reuniram na câmara para  discutir sobre a situação e panico causado por Clow Senderstein. No noticiário, Senderstein aparece novamente e fala ao povo:

    - Atenção todos. Nesta noite, haverá um assassinato no apartamento 369 no edifício da rua Enter day 6766. Os próximos ataques serão realizados a prédios e hotéis de luxo. no mês que vem, em casas e condomínios. E lembrem-se do meu aviso: todos os que forem contra mim serão mortos. Assim como ocorreu com os policiais de ontem. 

     Unidades e viaturas começavam a cercar o prédio em quantidade imensa. Ninguém mais podia passar pela rua novamente. Os apartamentos estavam cheios de policiais por dentro e por fora. Helicópteros cercavam os edifícios e condomínios nesta rua. Policiais entraram no apartamento 369 e encontraram a família chacinada no chão e as crianças foram encontradas com um tiro queima-roupa no peito. Foi encontrado no chão também, um bilhete escrito:

    -SENHORAS E SENHORES, PREPAREM-SE PARA UM ESPETÁCULO.

     Quando um dos policiais leu isto em voz alta, o edifício explodiu. Senderstein apareceu no edifício ao lado e disse:

    -Ha ha ha ha ha ha ha, podem se tremer a vontade, pois outros ataques como este irão acontecer. e desapareceu na fumaça.

      Após isso, houve uma explosão de pipoca que se espalhou pelo chão da rua. Mas as pipocas eram apenas bombinhas que expeliam uma fumaça tóxica, e milhares de policiais morreram.
  • Como chegamos a esse ponto?

    Durante meu almoço fui perturbado pelo som da televisão, era o plantão da cubo, a apresentadora, que claramente queria estar almoçando com o seu chefe, anunciava o vazamento de uma doação feita pelo nosso querido presidente. Ele acabara de doar 500 milhões de dólares para a caridade e havia suspeitas de que outros políticos estivessem envolvidos.
    Como a nossa sociedade chegou a esse ponto? Ate ontem tínhamos estradas não sendo construídas, verbas sendo desviadas, viadutos caindo. Só pode ser o nosso fim. Antes que a apresentadora continuassem falando como o muro que separa o México dos EUA, uma das melhores coisas que já fizeram desde o muro de Berlim, seria quebrado saboreie a minha carne que deliciosamente me lembrava dos pacotes da minha mudança e aceitei que o mundo estava acabando.
  • Crime Perfeito

    Perina se levantou e foi até a cozinha, queria transformar toda a sua raiva em uma ideia de vingança, precisava encontrar uma forma de ridicularizar sua inimiga.

    Abriu os armários, seus olhos fixos e atentos a qualquer insinuação, a qualquer sugestão para um crime perfeito.

    “Cozinha é o melhor lugar para se premeditar um crime. Aliás, uma mente criminosa com certeza nasce ou se desenvolve aqui.”

    Pensou ela determinada, enquanto abria as gavetas.

    Um objeto atraiu seu faro, seus olhos fixaram-se nele, pura concentração, nada era mais importante naquele momento, nada que conseguisse quebrar aquela atração. Uma força magnética criou-se ali.

    Pegou-o, caminhou até a sala, sentou-se no sofá e explorou-o primeiro com os olhos e depois com os outros sentidos. Consumiu-o completamente, e depois daquela experiência intensa e voraz, deixou seu corpo cair cansado, deitando-se no sofá.

    Suas mãos sem forças se abriram e soltou a prova do crime, o objeto escorregou pelo sofá e caiu no chão, o conteúdo devorado até o final, sobrava apenas a embalagem daquela deliciosa e intensa experiência.

    Passado o torpor, Perina se sentia péssima, novamente foi dominada por aquela força e impetuosamente comeu toda a barra de chocolate. Daquela forma, jamais conseguiria colocar em ação sua vingança.

    Pra isto precisaria pensar como uma verdadeira criminosa. Saiu atrás de uma ideia assassina e o que conseguiu foi acrescentar mais colesterol à sua coleção devorando aquele tablete inteiro de chocolate.

    Perina era compulsiva, desde pequena, por sorte não tinha tendência a engordar, mas tinha problemas com o espelho e com a autoestima, o que afetava e muito suas relações. Eram sempre superficiais.

    Já havia pensado em procurar um médico, chegara até a marcar. Mas sempre desistia, não era fácil abrir mão daquela liberdade gastronômica.

    Mas agora era diferente, precisava começar a pensar com a cabeça, ou emagrecê-la, sim porque de tanto pensar em comida, achava que sua cabeça já estava gorda.

    Trabalhava atualmente numa loja de utilidade doméstica. Foi lá que conheceu Junia, uma mulher magra, linda, desenvolta... mas uma cobra, que além de colega de serviço era também vizinha, morava três casas depois de Perina.

    Junia era má por natureza, inventava mentiras, colocava amigo contra outro, fazia as maiores armações e saia de boazinha. Com Perina então, ela vivia aprontando.

    E desta vez Junia tinha passado dos limites, aprontou uma que Perina evitava até pensar, falar com os outros sobre aquilo então, de jeito nenhum.

    Ela injetou corante num chocolate que Perina amava e aqueceu – o um pouco. Quando Perina foi comê-lo ele estava todo derretido, e gulosa como era, se lambuzou toda. E o resultado, mesmo depois de lavar ficou com o rosto e as mãos todos manchados, deixando claro pra quem quisesse ver que tinha, como uma criança recém-nascida se sujado inteira para comer.

    As pessoas que já conheciam bem sua compulsividade, chegavam a olhar com dó pra ela, e fingiam não perceber aquela catástrofe.

    Aquilo despertou em Perina o que ela tinha de pior. Iria controlar sua fome para satisfazer seu ideal mais profundo: a vingança.

    Precisava de uma ideia.

    Abaixou e pegou a embalagem de chocolate e foi pra cozinha preparar o jantar. Ali pensando no que fazer... Veio o insight:

    “Lógico, comida envenenada, como não pensei nisto antes, uma comida irresistível e envenenada. A mesma arma da inimiga.”

    Escolheu a receita, planejou tudo. Tinha todos os ingredientes, faltavam apenas os morangos. E ela queria colocar numa travessa floral que tinha na loja que trabalhava, que aliás, ainda estava aberta. Resolveu dar um requinte de crueldade à sua vingança, ligou para Junia e pediu para que ela trouxesse morango frescos e a travessa quando viesse do trabalho. Falsa como era, ela se prontificou imediatamente.

    A quantidade de veneno tinha que ser bem dosada, senão poderia até matar. Decidiu colocar todo o frasco, porque sabia que Junia comeria um pedaço pequeno, assim teria uma baita dor de barriga e mais alguns incômodos. Era uma vingança arriscada, mas valia a pena.

    Lavou toda a louça, pôs o lixo pra fora e sentou no sofá para descansar.

    Mas enquanto descansava pensou melhor e desistiu da vingança, aquilo nada tinha a ver com ela, Junia era do mal, ela não.

    Estava decidida, pela manhã iria jogar a sobremesa fora e depois procurar um médico e começaria um tratamento, tudo aquilo já estava começando a mexer com seu caráter.

    Mas tinha sido bom pensar e executar até ali aquela vingança, era como um desestressante. Agora ia seguir com sua vida.

    Estava tão cansada que dormiu ali mesmo assistindo televisão.

    Perina acordou assustada, tivera um sonho tenso, mas delicioso. No sonho ela levantara e encontrara um pavê embrulhado pra presente em sua geladeira e comera quase todo.

    De tão intenso o sonho, ela se sentia até sem ar. Levantou-se e sentiu o corpo pesado, a cabeça girando, e muita tontura. Com muito esforço, foi pegar um copo de água.

    Abriu a geladeira e lá estava a sobremesa desembrulhada e comida quase toda.

    “Não foi um sonho!”

    Tentou entender, mas seus sentidos foram sumindo e seu corpo pesando até que caiu morta no chão.

    A faxineira chegou mais tarde e chamou a polícia. Encontraram o pavê envenenado e na investigação descobriram que foi Junia quem comprou os morangos e a travessa floral.

    A conclusão da polícia foi a óbvia: Junia fez uma sobremesa envenenada e deu pra Perina.

    Junia chegou algemada á delegacia.

    -Não fui eu, eu juro, ela que me encomendou a travessa e os morangos.

    Mas o delegado, que era gordinho estava enfurecido com tamanha maldade.

    -Você vai pagar pelo mal que fez a esta moça. Tentou um crime perfeito, seu álibi até que é bom, mas vou te alertar.

    -CRIMES PERFEITOS NÃO EXISTEM!

  • Dois. Capítulo cinco de seis

    Capitulo cinco
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       A lua já esta cansada e tende a sair de sena, ou seja, a manhã já está pra surgir. Dois homens levam sacolas cheias de dinheiro em saída da mansão ao qual estão ao chegar ao muro Coutinho insisti:
       -Ainda podemos desistir disto!
       -E desistir de nossos empregos? Zé comentou e ouviu:
       -Este dinheiro é do povo, ou seja, é até também nosso, devemos decidir o que fazer e não seguir ordens sendo estas erradas.
       -O certo e fazer nosso trabalho esquece esta ideia e talvez eles nem mereçam esta fortuna.
       -Nós pegamos a conversa das mulheres pela metade, talvez tenhamos entendido errado.
       Zé parou o que estava fazendo que era mexer a sacola de um a outro lado preparando para jogá-la por sobre o muro e suspirou, refletiu e disse:
       -Vamos pensar, nós fomos contratados para fazer esta entrega, não é questão de eles merecerem ou não, é nosso trabalho, se não o perderemos!
       -Eu sei, mas tudo está me fazendo pensar que o certo seja deixar este dinheiro aqui com estes ex milionários. Olhando para Zé ele viu que não o convenceria e resolveu aceitar: - Tudo bem!
       -Eu preciso de meu emprego, vamos! Zé decidiu pelos dois e jogou o dinheiro por cima do muro. Coutinho subiu no muro e só quando desceu que percebeu que um mendigo os ouvia e estava agarrado ao dinheiro, o muro não era fechado e se via o outro lado, Coutinho voltou a falar:
       -Podemos deixar esta metade do dinheiro aí e esta outra para este necessitado!
    Zé subiu no muro depois de jogar a segunda sacola e disse:
       -Quem foi que inventou de entregar um dinheiro as escondidas e o colocou em sacolas transparentes? E você deixe de falar besteiras e pegue o dinheiro que aquele homem está tentando levar. O mendigo fazia esforço, mas não conseguia correr, até que Coutinho o abordou dizendo que o dinheiro era dele e ouviu:
       -Ouvi vocês discutindo que o dinheiro é do povo! Reclamou, mas Zé com moral o expulsou a gritos.
       O sol se fez belo e Zé e Coutinho entraram no carro e seguiram rumo a cumprir seu dever! Eles não se preocuparam com o mendigo ter visto o dinheiro, pois o que seguiu foi:
       Uma repórter entrevista o mendigo:
       -Recebemos deste homem a noticia de que nesta mansão estão roubando dinheiro que é do povo. Ela coloca o microfone para o mendigo falar:
       -Eu vi dois homens discutirem sobre o dinheiro que levavam em duas sacolas, era muito dinheiro! A repórter o interrompeu falando:
       -O dono desta mansão nos falou e as palavras deles foram que iria colocar a mansão a venda, pois está falido! O mendigo diz ter encontrado sacolas recheadas de dinheiro. O mendigo quis falar mais, porem nada foi audível além de:
       -O dinheiro! Em gritos e a repórter revelou concluindo a reportagem regional:
       -Esta foi a historia de um mendigo!
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    Veja a seguir o capítulo seis (Final).
  • Dois. Capítulo dois de seis

    Capitulo dois
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         Os dois entraram na mansão, o jardim era imenso, com muitas árvores. Até chegar a casa foi um longo caminho, pois entraram se escondendo de planta a planta.
         -Após o crepúsculo rondaremos a casa sem sermos vistos!
         -Concordo que ir agora seria entregar o jogo. Coutinho estava mais com medo que Zé, ou menos seguro. - Porque será que eles roubaram o dinheiro, e como souberam?
        -Só sei que o pegaremos de volta e entregaremos no prazo! O nariz de Zé estava empinado quando proferiu isto.
    Pararam na árvore mais próxima do casarão e por ali ficaram a tagarelar de vez em quando.
         -Aí minha mulher! Coutinho começou a repetir e desta vez isto apoquentou Zé que passou a perceber tal coisa e não parava de repetir até que Zé perguntou:
         -Porque tu tanto pensas em sua mulher?
        -É que se perdermos o emprego minha mulher vai se sentir muito mal, tanto que ela desejou que eu me empregasse e tivéssemos um pingo de sossego. Nós não vamos perder nossos empregos era o que Zé acreditava e o disse.
         A noite caiu os dois desceram da árvore e de fininho rondaram a casa até pararem em uma das janelas onde viam o casal de ladrões e após ouvi-los por um tempo Coutinho soltou estas palavras:
         -O faxineiro é o ladrão!
       -O estranho é ele morar nesta mansão, não acha? Zé referiu a pergunta a Coutinho e foi como se fosse para os ladrões, pois a conversa deles chegou à resposta para este assunto:
         -Finalmente não precisarei trabalhar como um escravo, dês de que perdi o meu emprego milionário trabalhei como um cachorro para não termos de vender esta mansão, tivemos que despedir vários empregados, mas a sorte nos bateu! Disse o ladrão, na conversa que parecia ser para sua mulher, ou seja, eles eram realmente um casal e ex milionários.
       -Isto explica porque não há vigias neste lugar, isto facilita nosso trabalho, temos que encontrar onde eles guardaram o dinheiro! Ficaram a escutá-los por bastante tempo, mas de nada serviu para seus propósitos.
         -Foi como o planejado, e olha que não tivemos muito tempo. A mulher comentou e ouviu:
       -Sim o dinheiro é nosso! Os seguranças rondaram a casa, mas ainda com cuidado, pois poderia sim ter alguém de olho por ali.
       -Sairemos daqui como vimos sem sermos vistos. Zé estava certo, devido este ser seu trabalho, ouviu bem do chefe. Pegariam o dinheiro de volta e o entregariam no prazo. Tinham tempo, conheceram o lugar de cabo a rabo e ainda na noite voltaram à árvore mais próxima do casarão e Zé dizia-se cansado, exausto, tinha que tirar um sono foi vencido pelo cansaço. Coisa que os dois fizeram e logo o sol nasceu. Depois Zé acordou ouvindo o bom dia de Coutinho que também disse apontando para baixo:
         -Olha eles colocaram uma mesa, vão tomar café ao ar livre, vê só que chique eles são!
         -Acordou faz tempo, porque não me acordou?
         -É que cai daqui e a pancada doeu. Coutinho tinha a pouco caído da árvore.
       -Alguém te viu? Zé quis saber assustado e o amigo o confortou dizendo que ninguém o notou. Com o alivio Zé comentou:
         -Bom, daqui podemos ouvi-los e assim podemos descobrir onde esta o dinheiro.
       Os ladrões chegaram, estavam sendo servidos por uma empregada, esta talvez tivesse trabalhando para eles sem receber, seria alguém de confiança Zé pensou e continuou a assistir com muito interesse.
         -Com este dinheiro vamos poder voltar a contratar pessoas e criar um meio de renda, que nos mantenha nas condições ao qual estamos acostumados.
         -E em fim poderemos ter nosso filho, tanto, tanto desejado. A mulher proferiu e ao repetir a palavra que repetiu isto emocionou Coutinho, os dois agora sabiam que aqueles dois agora miseráveis tinham uma historia e uma das boas.
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    Veja a seguir o capítulo três.
  • Dois. Capítulo quatro de seis

    Capitulo quatro
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         Zé e Coutinho desceram da árvore, Coutinho a mexer na coluna com suas dores. Os dois seguiram para a cozinha, onde se depararam com duas mulheres que trabalham no casarão onde estavam os dois ouviram as duas dizerem que não poderiam perder o emprego e isto fez Coutinho voltar a dizer que eles deveriam deixar o dinheiro, esquecer aquela entrega e sendo assim esquecer também seus devidos empregos.
         -Talvez você esteja certo! Por fim Zé estava aceitando que deveriam deixar o dinheiro, os dois comeram o quanto aguentaram, se saciaram depois que as empregadas saíram. Porem quando eles iam se retirando a dona do casarão chegou e os dois seguranças tiveram que se esconder debaixo da mesa, pensaram rápido e foi o que fizeram. A dona reclamou:
         -Cadê minha torta? Tinha um pouco ainda e eu estava louca por ela. Estas empregadas acham que ainda somos ricos, e se aproveitam como antes, não parecem ver que as coisas estão mudando, ainda bem que tudo vai voltar ao normal. Ela suspirou e deixou a cozinha, coisa que tinha alguém esperando ela fazer e os dois saíram dali, porem não voltaram para árvore Zé disse decidido:
         -Vamos deixar o dinheiro para eles e esquecer nossos empregos, vamos para casa! Coutinho deu um sorriso e eles caminhavam para sair foi então que Zé parou:
         -O que ouve, não diga que já mudou de ideia?
         -Sim, eu preciso de meu emprego! Ele respondeu e os dois voltaram à árvore, Coutinho aceitando e entendendo, de vez por vez ele também acredita que o certo é cumprirem o seu dever. Nisto eles viram uma mulher com duas crianças entrarem pelo portão e seguirem em direção ao casarão, onde a dona da casa estava e as duas seguiram para a sombra de uma árvore ao qual tinha dois balanços, Zé e Coutinho de fininho foram de planta a planta para escutá-las e subiram sem serem percebidos no pé em que elas estavam e ouviram a conversa pela metade:
         -Me recebendo em casa, tendo consideração com a família que é pobre, sendo simpática, o que a pobreza não faz com as pessoas? A recém chegada dizia e ouviu:
         -Não é isto irmã você sabe que meu marido não vai com sua cara.
         -Não venha com esta você também quando com dinheiro em mãos não quer saber de mais ninguém além de seu marido.
         -Mudando de assunto, como tens passado? As crianças chegaram correndo e subiram no colo delas e a conversa fluiu até que se despediram por ali. Zé comentou irritado:
         -São ricos e não ajudam os familiares, ao invés disto se distanciam, está decidido vamos pegar o dinheiro e sair logo daqui que a noite venha! Coutinho apenas concordou.
         A lua brilha intensamente e os dois intrusos na mansão vão tentar cumprir seus papeis, porem eles ficam a esperar os donos do casarão ir dormir e isto demora, eles conversam coisa que os dois desta vez não conseguem escutar, os veem assistir filmes juntos, é uma demora.
         Até que o casal segue para o quarto e os seguranças conseguem entrar:
         -Se este é o quarto do casal então logo ao lado só pode ser o do futuro filho! E Zé tem razão ou sorte e se deparam com a fortuna.
         -É o dinheiro! Disse Coutinho contente e os dois agarraram as sacolas, como um abraço forte e comovente e um sorriso radiante. Ouve um barulho, Zé olha e é o ladrão indo a cozinha, os dois esperam que ele volte para o quarto e isto acontece sem que suspeitas sobre o que está acontecendo surjam.
         Os seguranças saem por onde entraram e vão em direção à saída da mansão.
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    rio165 mansion for sale in jardim botanico 17Veja a seguir o capítulo cinco.
  • Dois. Capítulo seis de seis

    Capitulo seis
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         Vocês devem estar se perguntando por que Zé precisa tanto de seu emprego, a resposta é que este conto é baseado em um sonho que eu tive e neste sonho por algum motivo eu precisava de meu emprego não sei por que razão, sendo assim esta a resposta.
         Eles fazem a entrega antes do combinado e curtem o tempo que lhes restou como um bom dia de férias.


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         Fim.


         Este é o final deste conto. Você que acompanhou, leu todo, deixe seu comentário. Espero que tenham gostado da leitura, abraço, até o próximo texto. Podem me adicionar como amigo e continuar lendo meus escritos.
  • Dois. Capítulo um de seis

    Capitulo um
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         Tudo começa com um policial chefe dando ordens a dois seguranças, estes teriam que entregar duas imensas sacolas com dinheiro em determinado lugar, e dizia ele:
         -Ninguém pode saber deste carregamento, só quem sabe somos eu, meu chefe, vocês dois e o futuro receptor, caso alguém saiba ou este dinheiro não for entregue em três dias vocês serão demitidos!
         Os dois deram o positivo, tudo ocorreria bem. Saíram e os dois conversavam:
         -Vamos entregar este dinheiro logo hoje, assim teremos os próximos dias como férias!
         -Muito bom, mas não acha que deveríamos ter planos para entregar com segurança?
         -Ninguém sabe, vai ser rápido e fácil, garanto! Eles seguiram para seus carros, um disse que seguiria o outro fazendo a escolta.
         O caminho era longo de certo tinha seus pontos mais perigosos, onde se alguém quisesse roubá-los por ali tentariam. De dentro de seu carro Zé seguia o carro de Coutinho onde estava o dinheiro. O primeiro susto, um carro quebrado no caminho, parecia suspeito. Nisso Zé ultrapassou o amigo e parou o carro fingindo ir ajudar a quem estava a concertar o carro. Nada mais suspeito e ele seguiu após ver Coutinho acelerar ao passar. Depois desse susto eles relaxaram porem na hora errada.
         Um carro fechou Coutinho e deste desceu um homem e uma mulher com os rostos cobertos por talhos de panos. Coutinho foi rendido e pegaram sua arma, jogaram as chaves do carro longe e o homem com esforço colocou as sacolas no carro enquanto a mulher mantinha Coutinho em sua mira.
         -Maravilha! Disse o homem quando, pois os olhos no dinheiro e com este já em seu carro, a mulher entrou e os dois partiram estrada acima.
         Zé apenas ficou de olho, pois nada podia fazer realmente eles deveriam ter armado um plano de entrega. Mas não valia nada chorar o leite derramado. Aproximou-se de Coutinho e fez sinal para que o tal entrasse.
         -Porque você não fez nada, não atirou?
         -Esqueceu que ninguém pode saber deste dinheiro, que escândalo seria um tiroteio, nem tudo está perdido, eles não sabiam que eu te seguia e sendo assim basta não perdê-los de vista! E acelerou seguindo os bandidos. Curva vai curva vem e o dinheiro se afastava e seus empregos com ele, porem bastava acelerar e lá estavam os olhos nos bandidos.
        -Aí minha mulher! Repetia Coutinho por toda perseguição, Zé não dava atenção. Logo o carro diminuiu a velocidade e entrou numa mansão.
         -Nossa que casarão! Disse Coutinho ao ver a mansão. Eles viram o carro sumir no jardim da entrada. Estacionaram e deram de certo que pulariam o muro.
         -Vamos! Disse Zé e Coutinho reclamou das dores nas costas porem eles dois pularam o grande muro, coisa que foi fácil de fazer e não viram seguranças por nenhum lado:
         -Temos que chegar a casa! Zé logo observou os vastos e muitos pés de sabe-se lá o que estes que daria para eles subirem e não serem percebidos. Foram de uma a uma árvore, subiam e desciam, avistaram o carro e os ladrões entrarem na casa. Deram um tempo na árvore:
         -Vamos observar e agir na hora certa!
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         Veja a seguir o capitulo dois."
  • Dois. Sinopse

    Sinopse
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     Dois seguranças são selecionados para fazer uma entrega sigilosa de uma grande quantia em dinheiro. Eles são roubados e agora terão que recuperar o dinheiro e assim fazer a entrega no prazo devido e sem que ninguém fique sabendo sobre o dinheiro além dos envolvidos.
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     Este conto já está completo no meu perfil, basta clicar no meu perfil e ler os seis capítulos completos.
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     Espero que gostem, boa leitura.
  • ÉBRIO

    A penumbra da noite perpassava a janela de vidro e lançava a luz do luar sobre minha fisionomia, outrora radiante, hoje decadente. Os goles da bebida desciam rasgando minha garganta. No início a substância me causava trejeito e um leve reviramento no estômago, mas hoje ela é pra mim o que a água é pra uma pessoa “normal”.
                Esse álcool que agora rasga minha garganta em fervoroso prazer já destruiu minha vida. Essa bebida demoníaca; levou-me a ser abandonado por minha família, levou-me a ser uma vergonha aos meus filhos, levou-me a ser o que sou hoje; um homem de meia idade, decrépito, praticamente sem fígado e quase sem nenhuma razão pra viver.
                Encontro-me hoje jogado em minha velha poltrona, e ao meu lado minha companheira traiçoeira, esse veneno no qual viciei. É comum em noites assim minha cabeça rodopiar em reflexões… “Por que você ainda está vivendo? O abandono de todos que você amava não é o suficiente para você perder a razão da existência?” A voz em minha cabeça dizia. Era uma voz rouca, eu presumo que advinda da bebida.
                Estendo a mão em busca do litro, mas eis que para minha completa estupefação vejo uma sombra passar na parede. Um calafrio percorre meu corpo e num espasmo causado pelo susto acabo derrubando o litro. O vidro se estilhaça em mil pedacinhos, tal qual minha vida se estilhaçou depois do vício.
                Pragas ecoaram de meus lábios. Me levantei e fui pegar uma outra garrafa. O pavor que a sombra me causou foi se dispersando aos poucos. Quando volto a poltrona e tomo um grande gole vejo novamente a sombra. O pânico se apossa de meu corpo, fico paralisado. A sombra começa a ganhar forma, e diante dos meus olhos ela se transforma em… meu pai! Pisquei várias vezes atônito. Pensava que poderia ser uma ilusão, um sonho, já estava a dois dias sem pregar os olhos, sempre que sentia sono cheirava um pouco de um pó especial… Cheirei um pouco de um pacotinho que trazia no bolso. Quem sabe assim a sobra de meu pai ia embora, porém ela não foi. E o terror prendeu meu corpo quando a sombra de meu pai, morto a cinco anos, falou:
                “Você sempre foi uma decepção!” Sua voz soava espectral. “Nem depois da minha morte você toma jeito”.
                “Nem depois da sua morte você me deixa em paz” eu disse, aquilo podia ser um sonho, mas aquele espectro não me ofenderia.
                “Você sempre foi petulante”
                “E você sempre foi um covarde que bate em mulheres”
                “A sua esposa pode dizer o mesmo de você. Isso é, se você não a tivesse matado”
                “Eu não a matei!” Eu exclamei exasperado, peguei a primeira coisa que encontrei e joguei no espectro. Ele desapareceu.
                As palavras dele embaralham meus pensamentos. Fiquei atordoado, e o jeito foi ir pegar uma outra garrafa já que meu pai mesmo morto veio bagunçar minha vida. Enquanto bebia novamente, um redemoinho negro adentro o cômodo. Ele trazia consigo a agonia do inferno, me senti extremamente perturbado, foi então que o redemoinho das trevas começou a ganhar forma e em um piscar de olhos minha esposa estava comigo.
                Sua pele estava pálida, seu rosto, antes rosado e vívido, ganhara um aspecto cadavérico e mortalmente espectral. As órbitas de seus olhos eram de um negrume inigualável. Trajava um belo vestido branco.
                “Anne!” - A exclamação destruiu os muros dos meus lábios.
                “Sentiu saudades, querido.” Sua voz era igualmente doce. “Pensou que não iria mais me ver?”
                Fiquei sem palavras. Ela estava ali em minha frente. Não havia me abandonado. Não estava morta, só estava ali, comigo. Eu não estava sozinho. Me aproximei e tentei tocar seu rosto, mas ela recuou:
                “O que houve?” Perguntei confuso.
                “Você ainda não pode me tocar” ela disse.
                “Por que?” Eu perguntei rapidamente.
                “Você sabe o por que, Victor”. Eu abaixei a cabeça relembrando o dia em que acidentalmente a matei. Eu estava ébrio, não estava consciente dos meus atos. Não queria, simplesmente não queria… mas fiz.
                “Como posso consertar isso? Eu não fiz por querer… Anne” me desesperei.
                “A um jeito de consertar isso, Victor, e você sabe qual é, não é?” A voz dela era melosa, mas firme. Não precisei que ela explicasse, é claro que eu sabia o que ela queria.
                Fui até a cozinha com a garrafa em mãos. Tomei um último gole e quebrei a garrafa na beira da pia. Fiquei a olhar o casco em minhas mão. O estilhaço de vidro em minhas mãos implorava pra ser lambuzado com o meu sangue. Hesitei, mas ela se aproximou de mim e pousou sua mão sobre a minha…
                “Venha! Preciso de você!”
                Essas palavras foram o suficiente. Em um movimento rápido e firme enterrei o vidro em meu pescoço, e ao fazer isso ela desapareceu… não tinha mais esposa… não tinha mais meu pai… não tinha ninguém… apenas eu, sangrando, agonizando, morrendo…
  • FUI TESTEMUNHA DE UMA CHACINA

    Lembro claramente daqueles olhos a me encarar, brilhantes e azuis como o céu, frios de fazer tremer a alma. A última coisa que pensei foi: “Essa será minha última respiração”. Não aconteceu comigo como vejo os outros dizerem, que a vida passa como um filme na hora da morte, não, comigo foi um medo e uma ansiedade sem fim, podia ver refletido nos olhos dos outros dois o mesmo medo, antes daquele barulho ensurdecedor e depois a morte.
         Não sei o que foi pior testemunhar, se o medo antecipado ou a própria morte refletida em seus olhos sem vida.
         Ele era o rapaz mais bonito da minha rua, sempre via as moças suspirarem e falarem dele, mas nunca dei a devida atenção ao que diziam. Chamavam de “boy”, sempre bem vestido e educado, cumprimentava a todos com cortesia de uma pessoa simpática. Sua casa tinha muros altos, não se via como era por dentro. Muito discreto e sua família era do mesmo jeito, eram tão artificiais quanto ele, eu tinha a impressão que apenas representavam, era intuição.
         Como sempre trabalhava não percebia nada de estranho naquelas pessoas, até aquele dia. Jesus como foi ruim!
        Saí do trabalho tarde demais naquele dia, corri quanto pude para chegar a tempo na escola, mas não consegui, o portão estava fechado e não me deixaram entrar. “Merda, atrasada novamente”, pensei. Resolvi ir andando para casa, estava cansada e pensativa e por isso me distraí, logo estranhei o silêncio da rua, não era comum aquilo na periferia, algo não ia bem. Fiquei tensa e todos os meus instintos em alerta. Foi aí que aconteceu.
         Os três meninos vieram correndo em minha direção, os três com armas na mão. Vi o desespero deles e soube naquele instante que eles fugiam da morte. Conhecia os meninos desde sempre, vendiam na  esquina e viviam do corre.
         Naquele momento não consegui reagir, não sentia minhas pernas era como se elas estivessem enraizadas ao chão. Queria correr, mas estava pesada demais. Segundos de decisões, não quero morrer preciso reagir, era a voz em minha cabeça. Olhei para o lado e busquei uma saída, vi um beco que tinha um escadão deserto e meio destruído, com muito esforço subi para me esconder, nesse beco havia uma casa em construção, assim que a vi soltei os livros e entrei. Corri até os fundos e me abaixei no cantinho, eu tremia, tremia muito. Não demorou e logo ouvi tiros, passos apressados e gritos, não queria ver nem ouvir nada, mas meu corpo não obedecia minha mente e tive que assistir a tudo.
        Dois dos meninos já desarmados e sangrando entraram na construção, um chorava e o outro veio andando de costas até esbarrar em mim, esse menino virou e me olhou, pude ver sua alma gritando através de seus olhos, secos e desesperados diziam para mim que iríamos morrer. Ouvi o tiro e ele olhando para mim caiu, continuou me encarando derrotado, a morte o levou.
        De muito longe ouvi uma voz que falava zangado, aos poucos virei minha cabeça para aquele som que dizia: “Ah, não acredito. Veja o que você fez seu verme, sujou todo o rosto da menina”.
         Quando olhei naquela direção veio o reconhecimento, vi os olhos azuis do rapaz mais lindo da rua, ele se abaixou perto de mim e me pediu desculpas. Pensei: ele vai me matar agora. De repente um barulho me chamou a atenção, o outro menino que chorava agora estava descalço e se arrastava sangrando, porém ele apontava uma arma para mim, não entendi mais nada, por que eu?
         O rapaz bonito levantou-se e olhou para o menino ensanguentado, disse: “Larga a arma seu lixo, sabe que vou te matar”. Em resposta o menino me olhou raivoso, senti o ódio em suas palavras: “Essa cadela assistiu a tudo e nem pra gritar presta”, depois o tiro, depois o líquido quente descer no meu rosto, depois o frio. Quando olhei para o rapaz bonito, ele estava em cima do menino caído, ouvi um tiro, dois, três, perdi a conta quando tudo apagou. Mergulhada na escuridão ouvi uma voz distante que dizia para que eu não morresse, “morre não mocinha, você tem que estudar e sair daqui”....daí mais nada, acabou.
         Quando acordei estava no hospital, pois é não morri. Nem eu mesma acredito. Não sabia o que estava fazendo ali, aos poucos comecei a recordar, o medo de tudo voltando, parecia que tinha tido um pesadelo, não poderia ter sido real, era macabro demais. Porém ao perceber que havia policiais em meu quarto, caí na real, aconteceu sim, comecei um choro compulsivo. Eles me disseram para ficar calma, haviam me encontrado caída com meus livros naquela casa em construção, juntamente com três mortos, um na entrada e dois no mesmo cômodo que eu. Tinham recebido uma ligação anônima informando um tiroteio com uma moça sobrevivente. De imediato queriam saber o que eu lembrava, mas eu estava em choque. Os médicos avisaram que eu não tinha condições naquele momento de falar.
        O medo cresceu ao me dar conta que eu era a principal testemunha de um crime, uma pessoa marcada para morrer. Por que não morri? Era algo que eu me perguntava todos os dias, nunca entendi essa maldita sorte. Levei um tiro na cabeça e não morri, ele passou de raspão, não afetou em nada, sobrevivi.
        Quando voltei para casa minha tia disse que todos os dias, aparecia um rapaz muito educado perguntando por mim. O medo voltou rapidamente e fiquei pálida. Lembrei-me daqueles olhos azuis que me encararam na hora da minha morte. Não saí de casa, fiquei isolada de tudo, repetia sempre que não me lembrava de nada, a polícia insistia, foi pior que morrer.
         Logo começaram a ligar em casa, ameaçavam, queriam saber quem matou os meninos do corre, não era a polícia, era o crime que queria cobrar vingança. Eu estava sendo pressionada de todos os lados, não suportava mais.
        Passando os dias fui tentando me acalmar, não tinha o que fazer, já estava feito. Certo dia minha tia conversando comigo, pediu que eu fosse aquela casa em construção, tentar recordar, não queria, mas de tanta pressão fui. Quando vi já estava dentro daquela casa, fui ficando sem ar, minhas pernas ficaram moles e veio o medo, medo que congela. Senti cansaço, queria correr dali, mas não pude. Ouvia vozes falando comigo, me perguntando coisas, não falava, só ouvia e olhava aquele lugar muda, foi quando ao me virar para sair o vi. Em pé no canto usando uniforme e capuz, estavam àqueles olhos azuis, não eram outros olhos, reconheci o gelo, e um aviso mudo, não gritei apenas caí numa escuridão.
         Como um fantasma ele me seguia, podia sentir sua presença em qualquer local que eu estivesse, aparecia do nada e eu sempre fugia, eu sabia que uma palavra errada e eu morreria. Não havia nada que eu pudesse fazer, ele tinha um uniforme.
         Tentei recomeçar minha vida, voltei à escola, mas nada estava igual, perdi o interesse e não conseguia me concentrar em nada, na hora da saída foi o mais difícil, o medo me consumia. Depois de uma semana decidi que não iria mais estudar, precisava fugir daquilo tudo, estava sufocada demais. Num impulso fui até a esquina comprar com os meninos. Estava lá ansiosa e apreensiva, nunca pensei em fazer nada disso, mas o medo, a angústia e o desespero faz a gente agir como louco.
         De repente parou um carro, alguns uniformes saíram de lá, gelei quando reconheci quem estava ali, o assassino. Os meninos da esquina correram, eu não pude, não tive chance. Ele me pegou pelo braço com mais dois, me colocaram dentro daquele carro, eu tremia sem parar, só pensava que agora não tinha jeito, eu ia morrer. Porém com o medo da morte também veio à libertação, porque assim como tinha medo de  morrer também passei a desejar a morte e assim me libertar daquilo que vivia, dizia a mim mesma: “não vou mais ter que esperar, agora acabou”.
        Não, não, não morri.
         Depois de ouvir por duas horas vozes e vozes, fui colocada em um ônibus para algum lugar, com a sentença de sumir e viver, fui embora com uma caixa de segredos e motivos.
         Nunca mais voltei.
  • Iniciando o pecado

    Por sorte conheci Ângela.
    Era magra, um pouco alta, loura, seus cabelos caiam sobre seus ombros com leves ondulações, era branca, suas bochechas eram rosadas, seu nariz avermelhado e lábios finos com um tom bem claro.
    Era adoravelmente simpática, seu sorriso era bem quadrado, como se fosse uma dentadura. Estava no segundo ano de medicina. Só sabia falar sobre isso.
    Falava como o cheiro hospitalar era viciante. Contava curiosidades sobre o corpo humano. Explicava sobre as partes inúteis do corpo.
    Era engraçada.
    O clima ficou tenso quando começou a falar sobre seu ex. Um cara qualquer. Futuro advogado. Um babaca que queria que ela desistisse da faculdade.
    Eu não me importava com nada que ela dizia.
    Mas queria me importar. Seus olhos claros, verdes ou azuis. Não lembro. Eram tão bonitos, tinham um brilho. Como se a vida dela até aquele ponto fosse tudo perfeito. Mas não era.
    Há alguns meses sua irmã ficará paraplégica num acidente de carro. Algo que me fez sentir mais próximo dela, já que tínhamos isso em comum.
    Seu foco na área, era descobrir um meio de fazer sua irmã voltar a andar.
    Ela tinha fé, mesmo dizendo não acreditar em Deus. Diferente dela, eu tinha uma crença enorme no pai divino. Eu era o escolhido. O filho de Deus.
    Minha avó começou a me levar para a igreja após a morte da minha mãe. Dizia que encontraríamos a paz lá. Encontrei a paz alguns anos depois numa missão divina.
    Ângela me perguntou sobre meu passado. Inventei uma historia, onde eu tinha uma família perfeita, feliz e viva. Contei coisas engraçadas sobre minha mãe. Contei sobre o arroz que ela queimou uma semana antes.
    Tudo mentira. Ângela ria.
    A festa já havia começado. A conversa estava tão boa que nem percebemos.
    Umas trinta pessoas estavam ali. A casa não era grande, tendo apenas um quarto, sala, cozinha e banheiro. Não era muito confortável, os cômodos eram minúsculos. Mas aconchegantes.
    Percebi que Ângela foi conversar com outros amigos. Fico sozinho. Algumas pessoas que passavam por mim, falavam comigo e ofereciam bebidas. Mas recusei. Jamais havia bebido álcool.
    Tentam puxar assunto, mas ignoro-as. Vejo os passos de Ângela, observo aquele sorriso saltar de conversa em conversa. Com a mão direita ela coloca uma mexa do cabelo atrás da orelha. Olha-me e sorri. Então some na multidão.
    A música esta cada vez mais alta. As luzes coloridas fazem minha visão ficar turva. De repente alguém grita ao pé do meu ouvido.
    “Quer ir ao quarto?” – era Ângela, rebolava e bebia uma bebida colorida.
    “Fazer o que?” – Pergunto... Atualmente me envergonho disso.
    Ela se inclina e me responde com um beijo.
    Um beijo de língua, sinto o sabor do álcool, mas não recuo, sinto o calor da sua língua, dança na minha boca.
    Beijo termina. Ela sorri.
    Agarra minha mão me puxa em direção ao quarto. Minúsculo quarto.
    Meu coração estava batendo o mais rápido possível. Ela abre a porta branca e entramos naquele pequeno espaço, com uma cama que tem um abajur na cabeceira, uma arara com diversas roupas espalhadas. Sobre a cama, estava um cara de porte físico bem atlético, junto de uma garota ruiva, totalmente nus.
    Ângela faz sinal para que saiam, foi quando notei, que ela era a dona da casa.
    Os dois obedecem, sem retrucar. Saem e fecham a porta.
    Ângela ri. Começa a dançar.
    Sou virgem. Ela sabe disso. Segura minhas mãos e põe sobre em sua barriga. Estava quente.
    Ainda segurando minhas mãos, sobe devagar sobre aquele seu corpo macio, fazendo com que eu tire sua camiseta. De sutiã preto ela rebola.
    Aquele excesso de informações, misturado com a bagunça que meus hormônios faziam dentro de mim, me deixava meio perdido.
    “O que eu faço?” Pensava frequentemente. Mas Ângela me dava às direções.
    Soltará o sutiã. Aquele belo par de seios do tamanho de maçãs, me fez vidrar ainda mais naquele corpo. Belas maçãs rosadas. Ela continua controlando minhas mãos. Passa elas sobre as maçãs, meu corpo esquenta. Ela mordisca meu lábio e se entrega num beijo estalado. Um beijo forte, com fogo e paixão.
    Ela deita. Olha-me nos olhos.
    Como se meu cérebro tivesse recebido instruções através daquele beijo, ele passa a fazer tudo automaticamente. Passo minha língua naquelas belas maçãs rosadas, desço pela sua barriga e abro seu short. Retiro-o e fico olhando para sua calcinha roxa com lacinho preto.
    Sem pensar duas vezes retiro toda minha roupa, não me importo em ficar nu. Deito sobre aquela garota de seios rosados, ela esta toda nua agora. Faço os movimentos no quadril como se estivesse programado no meu instinto.
    Movimentos repetidos. Corpos quentes.
    Sinto suas unhas arranharem minhas costas. Passo a mão em seu rosto. Em seu cabelo. Em seus braços, peitos. Beijo seu pescoço. Ela me agarra com mais força.
    Acelero o movimento. Ida e volta sem pausa.
    Novamente ela segura minha mão, leva até seu pescoço, o seguro e a beijo. Beijo firme.
    Ida e volta. Vai e vem sem pausa.
    Ela se contorce de prazer. Suas unhas arranham minhas costas, mais e mais. Suas pernas se contraem. Ela geme. Gemido abafado.
    Sinto minhas costas arderem. Seus olhos estão revirados e sua boca aberta.
    Gozo.
    Então foi quando percebi. Ela estava sufocando. Já havia sufocado, estava morrendo. Suas mãos caem sem força sobre a cama.
    Penso em pedir ajuda, mas minha voz não quer sair. Aqueles lábios que me beijavam há pouco tempo atrás estavam arroxeando. Ela não se move. O abajur na cabeceira da cama havia caído por causa do vai e vem.
    Entro em pânico. Corro para o banheiro e vomito. Vomito muito. Sento ao lado do vazo e começo a chorar.
    “O que houve?”
    “O que eu fiz?”
    Essas perguntas varriam minha mente. Eu precisava de ajuda. Ninguém me ajudaria. Minha avó ficaria louca. Choraria sem parar.
    “Você se tornou como sua mãe.” – Diria ela gritando e tentando furar o cerco policial.
    Eu estava sozinho. Ninguém poderia me consolar. Mas no meio daquele choro, tive forças para ficar em pé. Deixo o corpo do meu corpo sobre a pia, enquanto me olho no espelho. Vejo meu reflexo. Aparentava ser bem mais jovem. Cabelos bagunçados, nada de barba e olhos inchados. Aquela imagem me faz rir. Estar totalmente em pânico e não ter nenhuma saída, me fazia rir.
    Rir era a única coisa que poderia me ajudar.
    Penteio o cabelo com um pente que estava ali. Estou mais calmo. Respiro fundo. Mesmo sem entender o que aconteceu. Sorrio para o reflexo e ele me imita.
    Volto para o quarto.
    Ângela ainda esta lá. Nua e linda. A luz reflete sua pele pálida. Deito-me ao seu lado. Aconchego minha cabeça sobre seu ombro.
    “Como isso aconteceu?” – Pergunto a ela.
    “Perdoa-me, ok? Foi sem querer” – Tento me redimir com ela.
    A cubro para que não sinta frio. O som estava bem alto, poderia atrapalhar seu sono.
    Sono profundo.
    Sua boa ainda esta aberta, assim como seus olhos, que mesmo revirados são lindos.
    “O que eu fiz?”
    “o que estou fazendo?”
    Minha mente esta tentando me trazer para a realidade. Matei mesmo aquela garota. Sem motivo algum.
    Matei por ela ser linda? Não.
    Matei por que me apaixonei? Não.
    Não havia explicação, apenas duvidas. Coloco minha roupa e a visto também. Desculpa Ângela. Coloco seu corpo no meio das roupas que estão jogadas na arara. E me despeço. Sinto vontade de beija-la, mas minha sanidade ainda falava comigo. Ainda
  • Kidnapped - Sequestrada.

    POV'S Alessa Katherine Kendrick.
        - Se alguém tem algo contra este casamento, fale agora ou cale-se para sempre. - Disse o padre.
       - Amiga é agora! - indagou Courtney que estava sentada ao meu lado. E ao lado dela estavam Hanna e Babi. Éramos as damas de honra, e que honra. Sorri com meu pensamento.
        Olhei do outro lado e em outro banco estavam sentados os meninos que iriam nos ajudar. Meninos que estudaram conosco. Os olhei e pisquei.
       Um deles se levantou e veio até mim. Estendeu sua mão e eu segurei na mesma. Me pus de pé e estalei os dedos, como se fosse um sinal. Logo uma música começou a tocar. Uma música romântica. O que fez todos olharem maravilhados achando que aquilo faria parte do casamento. Meu pai olhou sorrindo achando que aquela era uma surpresa que eu havia preparado para seu grande dia. E realmente era!
       Logo a música ficou mais sensual. Soltei meus cabelos. Agora sim o jogo começou.
       Eu me movimentava conforme a música, subia e descia de costas para Daniel, o garoto que estava dançando comigo. Passei minha perna em volta de seu quadril e o mesmo segurou ela ali, fazendo com que meu vestido subisse mostrando parte de minha bunda. Pude ouvir vários murmúrios o que me fez sorrir.
        - Alessa! - advertiu meu pai.
        - Sim Papai? - o olhei com cara de desentendida.
        - Sente-se imediatamente! - disse mais vermelho que o normal.
        - Garota mimada! - retrucou a vadia petulante do altar.
        - Claro. - disse e realmente me sentei. Mas em cima do colo de Daniel, logo após deita-lo no chão. Comecei a rebolar e Daniel começou a se soltar, não pelo plano, mas sim porque o mesmo estava ficando excitado de verdade.
       Me levantei e fiquei em prontidão, logo as outras garotas se encontravam do meu lado. Ficamos paradas, imóveis, os outros garotos se levantaram e nos rodearam. Agora tocava “Love Me” de Lil Wayne. Os garotos continuavam a nos rodear. Eles colocaram as mãos nas nossas nucas e puxaram os fios amarrados do vestido, fazendo os mesmos caírem ao chão revelando nossas lingeries vermelhas idênticas e totalmente provocante. Caminhamos até os meninos que estavam parados uns do lado dos outros. Nos abaixamos em perfeita sincronia e puxamos as calças dos mesmos revelando as cuecas box idênticas, também na cor vermelha, logo puxamos o smoking e revelou seus peitorais muito bem definidos e com a gravata borboleta no pescoço. Podíamos ouvir vários "Óhh" das senhoras sentadas tapando os olhos de seus maridos. Logo começou a tocar “Side To Side” da Ariana Grande. Começamos a fazer a coreografia com os meninos. Havia as senhorinhas que nos encaravam e não sabiam o que fazer, umas até foram embora passando mal. Pude até ouvir uma delas dizer: “Barbaridade, no meu tempo não existia esse tipo de coisa”.
        Nos deitamos no chão e os meninos se deitaram por cima, se esfregando em nós, invertemos as posições e ficamos por cima, rebolando o mais que conseguíamos ou pensávamos estar sensual, sem parecer um bando de virjonas, tentando ser vadias só para estragar o casamento do pai.
       Com a música logo no final, olhei para o altar e a vadia tentava acudir meu pai que estava muito vermelho, a mesma abanava o rosto dele com um envelope. O padre estava estático.
       Peguei o vinho que eu deixei preparado na taça onde eu estava sentada e caminhei até ela, beberiquei o mesmo e ela já podia imaginar o que eu ia fazer.
        - Se você ousar... - joguei todo o líquido na cara dela, manchando todo seu vestido.
        - Ah... sua... insolente! – reclamou, passando as mãos pelo vestido branco, desesperada.
       A igreja se pôs de pé, comentando minha audácia, alguns jovens na flor da idade, com os hormônios à flor da pele, nos aplaudiam e assobiavam. Já os mais velhos estavam indignados, provavelmente achando que eu era uma filha ingrata e mal criada.
       Ouço o grito da vadia e olho para trás e vejo meu pai caído no chão. Droga! Isso não estava nos planos.
        - Aí, Alessa, fodeu vem! - disse Hanna me puxando para a saída.
       Saímos correndo e descemos as grandes escadas da igreja, todos da rua nos olhavam, por conta de nossas lingeries. Um garoto que estava de bicicleta, deu de cara no poste após prender sua atenção em nós.
        Nós, meninas, corremos para meu carro que era um Audi R8, que acabara de ganhar do meu pai de presente antecipado de aniversário. Iria fazer 18 anos daqui quinze dias e os meninos entraram no Porsche de Daniel logo atrás de nós.
        - Mano, isso não estava nos planos. - Comentou Babi.
        - É o meu pai. Preciso voltar! - disse com lágrimas nos olhos.
        - Aí Kath, deixa de ser dondoca! Ele apenas desmaiou. Se voltarmos agora, vai ferrar para todas nós! Conseguimos o que queríamos, agora é só esperar. O casamento não aconteceu.
        - Está certa! Está certa! Está certa! - dizia tentando confirmar a mim mesma.
        Parei em frente a uma praça.
        Logo quebramos o silêncio constrangedor com nossos risos escandalosos.
         - Meu, vocês viram a cara da vadia quando você jogou o vinho na cara dela?! - dizia Courtney nos fazendo rir ainda mais.
         - Aí, Alessa - chamou Babi -, depois dessa acho que seu pai vai te deserdar. - rimos de novo.
         - A essa altura nem me importo com grana. Sem contar que ele me deixou disponível na minha conta 5 milhões de dólares, mas eu só posso mexer daqui 15 dias quando fizer 18 anos. Além do mais, tem a fortuna da minha mãe que diferente daquela vadia, ela não se escorava em meu pai. É uma mulher independente! - disse orgulhosa.
         - Realmente. A tia é mó fodona. Admiro muito ela. Ainda mais os vestidos que ela faz. - disse Hanna se lembrando do vestido lindo de 15 anos que minha mãe havia dado de presente à ela a três anos atrás.
         Fomos para minha casa e já estávamos vestidas novamente com os sobretudo que havíamos levado de reserva no carro.
         Abri a porta de casa e adentramos a mesma.
        - Mas já estão de volta meninas? - disse minha mãe alegre. Quem olhasse para ela jamais diria que a mesma fora traída e abandonada pelo marido. Minha mãe era uma mulher que eu admirava muito, não demonstrava fraqueza, mas eu sabia que a noite ela chorava por falta de meu pai.
        - Mãe, foi maravilhoso! - sorri largamente pra ela.
        - É tia, fizemos tudo direitinho! - disse a bocão da Babi.
        - O... O que? - disse direcionando seu olhar para mim - Alessa! O que você aprontou? - disse autoritária.
        - Então... Sabe o que é mãe... - disse olhando feio para Babi - Bom...
        - Bom?... - disse me incentivando a continuar.
        - Ah mãe, qual é! Você aceitou esse casamento, mas eu não! E estou em todo meu direito de fazer um show e acabar com tudo. Não é só por você, é por mim, pelo papai e pela família que tínhamos e ele nem se quer levou isso em consideração. Não adianta nada ele depositar milhões de dólares na minha conta, me presentear com um Audi R8, me visitar e me tratar como princesa se no final do dia, ele vai voltar para aquela vadia, vai jantar com ela, se deitar com ela e acordar com ela! Pronto para construir uma família nova e eu vou estar pronta para me considerar órfã de pai se isso acontecer! - disse transbordando raiva.
         - Ah filha... - ela sorriu e me abraçou - puxou meu temperamento. Me conta todos os detalhes, derrubou vinho no vestido dela? Isso não pode faltar em nenhum lugar!
         - Sim mãe, joguei bem na cara dela! Olha como ficamos na igreja... - disse abrindo o sobretudo e revelando a lingerie vermelha. A mesma arregalou os olhos e soltou um gritinho histérico, logo nos puxando para o sofá e nos fazendo contar cada detalhe.
  • Manchado - Ep.01

    O suor escorre por sua cara,
    O coração, como sempre, dispara.
    A mão procura a arma.
    Já não existe mais calma,
    Apenas um corpo sem alma.

    Lucas tinha aquele velho canivete desde pivete,
    O cabo de madeira rústica,
    A lâmina que brilhava mais que a lua,
    Cortava de maneira única,
    Era mais leve que uma luva.
    Sua única arma de luta.

    A cada corte ele lembrava do passado,
    Como foi isolado, assustado,
    Zoado e espancado.
    Agora as vozes falavam do seu lado:
    Isso não é mais um pecado.

    Nada mais importava.
    Embalado o corpo já estava.
    O sangue no canivete secava.
    O vento pela janela soprava.
    E Lucas lembrava, 
    O quanto aquela garota ele amava.

    Agora tudo estava limpo.
    Guardou o canivete em seu casaco cor de vinho,
    Já tinha enterrado o corpo.
    Voltava para o papel de mocinho,
    Quando ouviu o barulho do vizinho.

    O medo tomou conta,
    O suor encharcou toda sua roupa.
    Não sabia o que fazer.
    Começou a tremer,
    E o vizinho na porta bater.
  • Monstros de fora e de dentro

    Discutir sobre a morte e a crueldade, em todo tempo, importunou muitas pessoas. Não estou exprimindo uma tese de que esses indivíduos não se interessam pela morte, não. Só presumo que se sentem mais confortáveis não falando dela. Porque a morte nos remete ao lado ruim do ser humano, às pessoas que morrem prematuramente e com vitalidade de sobra, mas por uma eventualidade, elas sucumbiram. Eventualidade? Acaso? Lugar errado, no dia errado e na hora errada. Mas é só isso que sentencia a morte? Etnia errada, opção sexual errada e religião errada. O que é infalível para te manter vivo? O que devemos simular para não cessar a vida por obra de algum acaso? Devemos sonegar afeições e o que somos? Manter-se em jaulas, cadeias, prisões, criadas por nós mesmos, graças ao medo de estar tão descoberto nas veredas, mas radiante por ser capaz de continuar sendo quem é?
    E se atuarmos dessa forma, o que faremos com as nossas reflexões sobre as pessoas que escolheram guerrear e morreram por isso? Omitimo-las? Menosprezamos as causas de tanto finamento? Esquecemos que, em um mundo de abundante alimento e água, multidões ainda morrem de fome e sede? Um planeta arquitetado com tantas origens onde ainda se tolera morrer por especismos e fanatismos da raça humana? Ah, abandonar a luta é mais descomplicado... É mais simples suprir o monstro dentro de si e simular condescendência do que aniquilar os que estão lá fora. Admitir que a morte existe e contempla a todos e, se chegou antes do tempo para alguns, foi um acidente... Um triste acaso que perdura em sua mente alguns instantes, até que sustente seu monstro repetidamente e deixe os de fora representar.
  • Não foi culpa minha?

    Eu já estava naquela empresa a muitos anos quando aquele sujeito começou a trabalhar lá...
    Lembro que não gostei dele desde o primeiro minuto que o vi. Aquele sorriso cínico, aquele cabelo lambido e o terno impecável nunca me convenceram...
    Mas o cara era filho do dono da empresa, pior que isto, era o filho caçula mimado do dono da empresa,  então,  muito a contra gosto, Eu e os outros funcionários tivemos que engolir seco quando o dono nos disse que ele seria o novo gerente.
    Apesar de ser o caçula ele não era jovem, o pai dele, apesar da idade avançada, tinha bem mais disposição que ele para tocar os negócios. Estava na cara que ali ele era uma mera figura decorativa, encostado...
    Soube que depois de vários divórcios e outros tantos negócios falidos, A mãe dele convenceu o marido que o seu anjinho merecia uma chance.. 
    Logo no começo ele mostrou quem era...
    Não tinha postura de gerente, de líder.. .
    Se reunia nas rodinhas com os outros funcionários, contando piadas maliciosas e fazendo comentários obscenos sobre as mulheres da empresa. Dava nojo...
    Assediava descaradamente as funcionárias, em especial as mais novas. 
    As que reclamavam, eram convencidas financeiramente pelo pai dele a não prestarem queixa.
    Comigo ele não mexia, não era louco o suficiente para isso. Na primeira brincadeira idiota que ele tentou fazer comigo já tratei de colocá-lo no lugar. Todo mundo achou que ele ia me mandar embora, talvez até tenha tentado e o pai dele  não deixou, sei lá. Só sei que depois disso ele mal me dizia bom dia.
    Para mim era melhor, não gostava dele mesmo, o que importava para mim era fazer o meu trabalho com a mesma excelência que sempre fiz ao longo dos anos.
    Me irritava profundamente com as coisas que eu via ele fazer com as outras meninas, Mas tentava ignorar, afinal não era da minha conta. 
    Até que um dia aquela menina entrou na empresa, ela era muito jovem , olhos claros, cabelos escuros até o ombro. Ela me lembrava tanto a minha irmã mais nova...
    Minha irmãzinha, raspinha de tacho de minha mãe que eu ajudei a criar, que foi embora tão cedo...
    A semelhança entre elas era tanta que minha mãe levou um susto quando a viu, depois chorou por 3 dias seguidos...
    Fui incumbida de treinar a novata, o que acabou nos aproximando.
    Cada dia ela parecia mais minha irmã, minha filha, então foi crescendo em mim um desejo de proteção,  como se os céus me dessem uma segunda chance, já que não havia conseguido proteger a minha irmã. 
    Aquele gerente imundo, olhava para a menina com olhar de predador...
    Era questão de tempo até que ele fizesse algo...
    Meu instinto materno aflorou com força total, principalmente quando ela disse que havia perdido os pais muito cedo, primeiro a mãe, um ano depois o pai. 
    Contei a ela sobre todas as coisas que sabia sobre aquele imbecil, pedi a ela que tomasse cuidado. Ela apenas sorria e dizia brincando "pode deixar mamãe".
    Nós trabalhávamos uma ao lado da outra, nossas mesas, assim como a de todos os funcionários, eram separadas por divisórias brancas tipo "Meia parede" deste modo, bastava se levantar para ver qualquer um dos colegas. 
    Ela fazia todos os dias a mesma coisa, me olhava por cima da divisória, cortava um pedaço da maçã com uma faquinha de Serra cor de rosa que ela trazia e me oferecia. Eu nunca aceitei, não gosto de maçã, mas mesmo assim ela oferecia todos os dias e depois ria por não lembrar que eu não gostava.
    No mezanino ficava a sala da gerência, de onde ele observava a todos, ou melhor, a todas, em especial a menina nova.
    Quando ele soube que ela era minha amiga, minha protegida, parece que seu interesse por ela aumentou e junto com isso o meu ódio por ele.
    Lembrei da minha irmã...
    Seu telefonema desesperado pedindo socorro, o barulho da porta sendo arrombada...
    Minha saída desenfreada até em casa...
    A polícia no local me impedindo de entrar...
    Minha mãe desmaiada sendo socorrida na ambulância...
    O saco preto...
    O vazio...
    O sangue...
    O silêncio...
    Quando voltei das minhas tortuosas lembranças vi o predador à espreita olhando minha filha, minha irmã, minha amiga, minha colega de trabalho, de forma maliciosa...
    Eu precisava fazer alguma coisa, antes que algo pior acontecesse. Tinha que pensar....
    Eu contei a ela sobre minhas preocupações, Ela disse ser bobagem, que ele nunca ia passar a barreira das cantadas idiotas na hora do cafezinho...
    Eu não acreditava nisso...
    Subestimar o inimigo era um erro que eu não cometeria novamente...
    Um dia ela me disse, "preciso deste emprego, por favor não faça nada, não quero que se prejudique tbm".
    Não me convenceu, meninas jovens e ingênuas como ela, que precisavam do emprego, eram as vítimas preferidas daquele infeliz.
    Comecei a planejar o que eu faria, pensei em veneno no café,  cortar os freios do carro...
    Sim, na minha cabeça a única solução seria mata-lo...
    Não falei para ninguém os meus planos, nem para Ela, assim seria mais fácil levar isto  adiante sem ninguém me atrapalhar. 
    Enquanto isso não acontecia, procurava ao máximo deixá-la longe daquele monstro.
    Ela se divertia e dizia que eu era uma mãezona mesmo, que a mãe dela nunca tinha sido assim.
    Ela sabia a história da minha irmã...e entendia.
    Naquele dia porém, eu não fui trabalhar pela manhã, minha mãe não havia passado bem durante a noite e então eu resolvi leva-lá ao médico. 
    Fiquei preocupada... Comigo longe, O terreno estava livre para o predador agir...
    E para ajudar na minha paranoia, não conseguia falar com ninguém da empresa. 
    Depois da certeza que minha mãe ficaria bem,  a deixei em casa e corri para o trabalho.
    Quando cheguei comecei a reviver meu pior pesadelo...
    Faixas amarelas cercavam toda a empresa, policiais não deixavam ninguém passar...
    Ouvi alguém falando em assassinato....
    Eu gelei...fiquei tonta...
    De repente me veio a imagem da minha irmã...
    Neste momento eu vi novamente o saco preto,   os coletes do IML...
    Quando eles passaram perto de mim, pude perceber através de uma pequena abertura do saco, a ponta do Cabo de uma faça cor de rosa...
    Meu coração quase parou...
    Corri, empurrei todo mundo e abri o saco preto,     tinha certeza que veria minha irmã mais nova morta...
    Antes de um policial me tirar dali, pude ver quem estava no saco...
    O gerente, ainda com os olhos abertos, pálido, sujo de sangue e com a pequena faca rosa enfiada na garganta....
    Respirei aliviada para logo depois entrar em pânico novamente!
    Onde está a dona da faca rosa ?
    Teria morrido também? 
    Mas então eu a vi, ainda em choque, tremendo,   suja de sangue, Sentada na viatura da polícia .
    Tentei me aproximar mas não deixaram...
    Quando ela me viu começou a gritar dizendo "Por favor me ajude, não foi culpa minha..."
    Parecia que eu estava ouvindo minha irmã no Telefone, seu  desespero...
    Procurei alguém conhecido que pudesse me dar alguma explicação...
    Encontrei uma das minhas colegas de trabalho, ela me contou...
    Já era perto das 10 horas quando a menina apareceu por cima da divisória e ofereceu um pedaço de maçã, quando a colega aceitou,
    Ela cortou um pedaço com sua faca rosa e então perguntou a minha colega se sabia o que tinha acontecido comigo, porque eu não tinha vindo...
    A colega disse que não sabia...
    Foi quando as duas olharam para o mezanino e viram o gerente olhando fixamente para baixo.
    Visivelmente  incomodada, a menina então falou para a colega que iria comer a maçã no refeitório...
    Assim que ela saiu, O gerente desceu e foi até o refeitório também.
    Antes que a minha colega pudesse pensar qualquer coisa ela ouviu os gritos....
    Primeiro o dela, logo depois o dele...
    Quando todos correram para o refeitório a cena que viram foi assustadora...
    Muito sangue...
    A menina encolhida em um canto chorando, o gerente caído com a faca rosa no pescoço, dava seu último suspiro...
    Ela só falava, "não foi culpa minha, ele tentou me agarrar, fiquei com medo, me defendi, não foi culpa minha, não foi culpa minha..."
    Alguém chamou a polícia...
    Fiquei olhando assustada, não parecia possível  que ela tenha feito aquilo...
    Mas então me lembrei de quem era a Vítima...
    Era possível sim...
    Ele era nojento, eu mesma tinha planejado matá-lo, qualquer uma das meninas que ele assediou poderia ter feito aquilo...
    Eu sabia que ela seria massacrada na delegacia...
    O pai da "vítima" era rico e influente. 
    Mas por incrível que pareça, todos os colegas se uniram em favor da menina e o pai da vítima,  pouco se movimentou contra, já  a mãe...
    Esta fez de tudo para manter a menina presa...
    Contratou um grande advogado para acompanhar o processo.
    Fizemos uma vaquinha...
    Todos os funcionários colaboram, mesmo assim não conseguimos o suficiente para contratar um bom advogado para livrar a menina.
    Um dia, uma das meninas que foi assediada pelo falecido gerente me procurou, me entregou uma grande quantia em dinheiro que disse ter recebido para não prestar queixa...
    Nunca teve coragem de denunciar e nem de gastar o dinheiro...
    Ela contou que alguns dias antes o gerente a procurou em sua casa, tentou invadir, disse que ela tinha sido comprada e agora pertencia a ele, mais outras coisas horríveis...
    Contou que ela começou a gritar e um vizinho meio doido saiu armado para ver o que estava acontecendo e então o cretino fugiu...
    Ela saiu de casa, ficou na casa de uma amiga, trancada em um quarto, com medo, sem coragem de por o pé para fora até o dia que ouviu que ele havia morrido...
    Ela me entregou o dinheiro e disse que não via melhor maneira de gasta-lo,
    Me disse que se a quantia não fosse suficiente para tirar a menina da cadeia,
    Ela venderia seu carro, sua casa, porque para ela a liberdade que ela sentia naquele momento não tinha preço...
    Mas o dinheiro foi suficiente para contratar o melhor escritório de advocacia criminal, em pouco tempo ela estava fora...
    Mais algum tempo e o processo seria arquivado pois foi comprovado a legítima defesa...
    A mãe do falecido gerente esperneou até a última instância...
    Alegava que o crime foi premeditado, porque a arma do crime era da menina, Que ela deveria ter planejado isto a muito tempo, que seu filhinho caiu numa armadilha...
    Tudo em vão...
    Todos sabiam e testemunharam sobre quem era o gerente e quem era a menina...
    Sobre o comportamento de um e de outro  e principalmente sobre a faca...
    Todos sabiam que ela levava a faca porque comia uma maçã toda a manhã.
    Todos viam ela cortando a fruta e oferecendo  aos colegas...
    Quando o processo foi definitivamente resolvido, Ela me disse que ia embora, minha mãe ficou muito triste, eu fiquei triste...
    Ela tinha ficado na minha casa durante este tempo, Era como ter minha irmã de volta...
    Apesar disso entendi suas razões...
    Aquela cidade, as lembranças...
    Quando fui leva-la ao aeroporto, ela me abraçou e me disse que eu era a única pessoa que merecia conhece-la de verdade...
    Não entendi muito bem o que ela quis dizer com aquilo, até que voltei para casa...
    Recebi uma encomenda mandada por ela na porta de casa, uma caixa...
    O entregador disse que uma moça havia aparecido na empresa de entregas a alguns dias e determinado que a encomenda fosse mantida no freezer e que fosse entregue somente a mim, em mãos, naquele dia e naquela hora...
    Eu entrei em casa, sentei no sofá e fiquei olhando para a caixa, pensando o que poderia ter dentro...
    Quando abri fiquei espantada....
    Dentro havia alguns recortes de jornais, fotos do falecido gerente e várias e várias maçãs congeladas, todas faltando apenas um pedaço....
    Por cima de tudo um pequeno bilhete, reconheci a letra dela....
    Nele dizia: SOU ALÉRGICA A MAÇÃS...
  • Nosso Amor - PARTE 1 - A Garota Perfeita

    THEO
    Memories fade
    Like looking through a fogged mirror
    Decisions to decisions are made and not bought
    But I thought this wouldn't hurt a lot
    I guess not"(*)
    - "Kids", MGMT
      Acordei assim que meu detestável celular começou a fazer barulho. Eu gemi, peguei o objeto e desativei o modo “despertador”, me sentei e espreguicei-me, controlando a vontade quase irresistível de voltar a dormir.
      Eu levantei e andei lentamente – muito lentamente - até o banheiro, fechando a  porta em seguida. Me livrei da bermuda que vestia e tomei um banho quente. Depois de desligar o chuveiro, me sequei e enrolei a toalha em volta da cintura.
      Fui para meu quarto – mais lento ainda -  e vesti minha calça jeans desbotada e rasgada, meu uniforme e calcei meus tênis sujos e gastos, peguei minha mochila, tomei meu café da manhã, meus remédios e meu pai me levou para a escola de carro.
      Cumprimentei todos os meus amigos quando cheguei, eu podia ser considerado um menino “bem conhecido”, estudava aqui desde o 1° ano do Ensino Fundamental, já tinha dado tempo de conhecer muita gente que veio e ficou ou já se foi.
      Fui direto para a arquibancada, onde meu melhor amigo já me esperava. Subi até o último degrau, fizemos nosso aperto de mão particular e me sentei ao seu lado.
      ─  Como foi o final de semana, meu querido Theodoro? ─  Pedro perguntou, já recebendo um soco meu, odiava que me chamassem pelo nome (meus pais tinham um certo fascínio por nomes ridículos).
      O inverno havia acabado de chegar, e aquela manhã de segunda-feira estava insuportavelmente fria. O tom do céu projetava um tipo estranho de melancolia por todo aquele lugar.
      ─  Normal ─  respondi, jogando a mochila para o lado ─  Saí no sábado, mas fiquei o dia inteiro em casa ontem.
      ─  Que saco.  ─  disse meu amigo, começando a mudar de assunto.
      Mas eu não prestava mais atenção nele. Estava olhando para a garota que acabara de chegar. Joanna. A menina perfeita, de jeito meigo, risos contagiantes e muito bela. Era assim que eu a via. Claro que sabia que era impossível alguém ser completamente perfeito, eu tinha em mente que ela possuía defeitos. E, ainda assim, sabia que estava perdidamente apaixonado por ela.
      Eu a observava de longe há alguns meses, sempre prestando atenção em cada pequena coisa que ela fazia. Notava que ela não usava roupas de manga curta – mesmo no verão – e que chorava dentro do armário de bugigangas que ninguém mais usava na Quadrinha Abandonada da escola. Sabia o caminho que ela pegava para ir para casa – era o mais longo, sempre ia pelo caminho ao contrário (somos vizinhos).
      ─  Ei, você ouviu? ─  olhei para Pedro que chamava minha atenção ─  Você ouviu o que eu disse?
      ─  Não. O que é? ─  perguntei.
      ─  Eu fiquei com a Kayla. No final de semana.
      ─  Ah ─  suspirei e voltei a olhar para Joanna ─  Que legal.
      ─  Você não está nem aí!
      ─  É, não estou mesmo.
      Meu amigo bufou e se deitou, apoiando a cabeça em sua mochila. Depois de alguns segundos começou a tagarelar sobre outro assunto. Eu ainda não queria prestar atenção.
      Joanna estava sentada, abraçando os joelhos e olhando para o nada, enquanto as amigas estavam à poucos centímetros dela, rindo e conversando sobre coisas divertidas. Mas ela, não. Parecia estar isolada do resto do mundo. Eu queria saber o por quê.
      ─ Theo! ─  Pedro gritou no meu ouvido.
      ─  O que é, porra?! ─  gritei de volta.
      ─  A despedida de solteiro vai ser em dois meses.
      ─  Que despedida de solteiro?
      ─  A do meu primo.
      ─  Que primo?
      ─  Cara, te mandei o convite faz duas semanas!
      ─  Mas ainda faltam dois meses!
      ─  É pra confirmar presença, seu idiota. E você precisa ir.
      ─  Onde vai ser? ─  perguntei, não ligando muito para a resposta.
      ─  Na Casa dei Ciliegi ─  respondeu, orgulhoso.
      Meu coração quase parou – literalmente.
      A Casa dei Ciliegi era a casa noturna mais cara do país, além de ser um lugar muito misterioso, apenas os homens podiam entrar. As normas do lugar eram mais esquisitas ainda: seu celular era confiscado, para ter certeza de que você não tirou nenhuma foto quando estava lá dentro (pois é, que tipo de casa noturna faz isso?), eles também não davam muitos detalhes do interior do lugar. E era por isso que os homens iam, por curiosidade.
      ─  Tá falando sério? ─  perguntei, quase sem acreditar.
      ─  Pois é, querido amigo. Vamos adentrar o paraíso das mulheres nuas por uma noite.
      O sino tocou, anunciando que todos os alunos deveriam ir para suas salas. Eu peguei a mochila, esperei Pedro se levantar e fomos para nossa sala.
      Enquanto as aulas ocorriam diante de mim, ficava pensando que aquela segunda-feira era a mais tediosa de toda a minha vida. Assim como pensava todos os dias.
      Não conseguir trocar nem ao menos uma palavra com Joanna me deixava deprimido. Eu desejava falar com ela todos os dias, por horas, aproveitar cada minuto e segundos da presença dela. Por isso, dentro da sala de aula, gostava de pensar em cada detalhe de seu rosto: os olhos grandes – um pouco puxados no final -, a boca carnuda, levemente rosada e mal desenhada, seus cabelos castanhos – ondulados e volumosos -, o nariz um pouco largo, as bochechas cheias, sobrancelhas profundamente negras – igual aos cílios enormes e bem curvados -, os olhos castanhos claríssimos que ficavam laranjas quando o Sol os encontravam e a pele branca como as nuvens.
      Eu achava ela a criatura mais linda que já vira. Queria tocá-la, abraça-la e beijá-la até sua respiração cessar.
      Quando o último sino, anunciando a hora da saída, tocou, não vi Joanna em lugar algum. E isso se estendeu por um mês inteiro.

      UM MÊS DEPOIS
      Durante um mês as pessoas não sentiram falta da presença dela. Quando eu perguntava à alguém da sala do segundo ano sobre Joanna, ninguém ao menos se importava em me dar uma resposta séria. As tão queridas amigas não sabiam onde ela estava, e nem queriam saber.
      Tudo aquilo era muito estranho e triste.
      Cheguei em casa ao meio-dia e logo me sentei para almoçar. Enquanto comíamos, minha irmã mais nova – Améllie – contava como fora seu dia na escola, e meu irmão mais velho – Dexter (pra ficar menos ridículo, a gente chama ele de Dex) – reclamava da desgastante rotina da faculdade. E eu apenas comia em silêncio.
      ─  Como foi seu dia, querido? ─  perguntou minha mãe.
      ─  Entediante. ─  respondi.
      ─  Você sempre diz isso. ─  riu, sem humor.
      ─  Porque é entediante todos os dias.
      Assim que o jantar terminou, eu e Dex lavamos a louça e limpamos a cozinha, enquanto Améllie gritava de dois em dois minutos que já estava na hora de ir para cama. Ela sempre fazia isso para que eu a levasse para seu quarto e lesse um livro infantil para que ela conseguisse dormir.
      ─  Vamos, Li ─  virei-me e ela se jogou nos meus braços ─  Qual livro você quer dessa vez?
      ─ O Senhor dos Anéis: As Duas Torres!
      Digamos que eu estava refinando o gosto dela pela leitura.
     


      ─  Está com algum problema na escola? ─  minha mãe perguntou baixinho, assim que entrou no meu quarto e se sentou ao meu lado na cama.
      Ela começou a fazer carinho nos meus cabelos.
      ─  Na verdade, não ─  eu respondi.
      ─  Então, por que está agindo estranho ultimamente? Já faz mais de um mês que está estranho.
      Eu vi a preocupação e o medo nos olhos dela e me senti muito culpado. Um dos grandes amores da minha vida era a minha mãe. Deixá-la preocupada era quase um castigo.
      ─  Mãe, eu estou bem ─  insisti. ─  Só estou cansado da escola.
      Alguns minutos, depois de forçar ela a acreditar que eu realmente estava bem, ela saiu, deixando-me sozinho para ler um livro que estava começando a gostar. Mas, mesmo que o enredo fosse o mais interessante, não conseguia pensar em mais nada além da garota que costumava observar todos os dias. Sentia falta dela.



      NO DIA SEGUINTE
      Quando acordei na manhã de terça-feira decidi não ir à escola e voltei a dormir. Dez minutos depois, minha mãe entrou no quarto para me acordar. Eu acabei repetindo minha rotina diária mais uma vez. O que me fez pensar no quanto a vida era maçante e patética.
      Cheguei na escola cumprimentando os mesmos amigos do dia anterior, fui para a arquibancada com o mesmo melhor amigo do dia anterior e conversamos sobre o mesmo assunto do dia anterior. A única diferença era que eu, dessa vez, respondia.
      Estava tão interagido que quase mal percebi a presença nova e interessante ao meu lado. Quase. Ela, agora, tinha cabelos no tom de vermelho vivo. Olhei para as mãos da garota, o moletom, o par de calça surrado e rasgado, a curva de seus lábios carnudos... e mal desenhados.
      "Joanna."
      O sinal, para que todos fossem para suas salas, tocou. Então peguei minha mochila, deixei Pedro para trás e desci da arquibancada, seguindo os passos de uma Joanna quase irreconhecível.
      Em meio ao amontoado de pessoas, acabei a perdendo de vista. Suspirei e segui em direção às escadas. Subi o primeiro andar e, logo quando me virei em direção ao próximo lance de escadas, esbarrei com a menina na qual estava perseguindo. Joanna e sua bolsa caíram no chão, espalhando cadernos, livros e – eu vi, claramente -  um conjunto bem ousado de lingerie vermelha, quase do mesmo tom que o cabelo novo, com lantejoulas brilhantes.
      Eu olhei para os olhos dela – enquanto ela fazia o mesmo, ninguém em volta assistia, e eu notei que os olhos da minha querida estavam vermelhos e inchados. Ela me olhava como se estivesse pedindo ajuda, mas, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, juntou e guardou suas coisas ferozmente, ajoelhada no chão. Quando se levantou, eu disse:
      ─  Me desculpe.
      Ela virou-se de costas e seguiu escadas a cima para sua sala como se não tivesse escutado ou nada tivesse acontecido.
      Abaixo dela, parado, um Theodoro Albuquerque estava atordoado com o que havia acabado de ver.
      "Por que alguém traria um conjunto de lingerie vermelha para a escola?"
      E percebi que havia mais coisas das quais não sabia sobre a menina do que imaginava.
      Eu tentei prestar atenção na aula de Matemática, mas achava aquilo uma perda de tempo. Depois veio a aula de Filosofia, que era mais fácil de entender.  Quando o sino, anunciando o intervalo, tocou, saí quase que correndo para fora da sala. Queria ver Joanna.
      Fui direto para o pátio e a procurei por todos os lados. Não a vi em lugar algum. E estava preocupado, muito preocupado. Procurei-a por cada cantinho do pátio, perguntei às amigas dela – que não deram a mínima. Até que me dei conta de que não havia procurado no lugar certo.
      "O armário da Quadrinha Abandonada."
      Corri para dentro do prédio da escola, desci as escadas subterrâneas e abri o portão que sustentava uma placa com o aviso “NÃO ENTRE”. Fui até o armário e o abri devagar.
      Mas não havia ninguém ali dentro.


      UMA HORA E CINQUENTA E CINCO MINUTOS DEPOIS
      A chuva caía com muita força e rapidez, o que dificultava muito minha volta para casa. Apenas trinta segundos haviam se passado, mas eu já estava completamente encharcado, e insistia em andar lentamente. Estava perdido em pensamentos.
      Perguntava a mim mesmo se teria que aguentar mais um mês sem olhar para o rosto de Joanna, o que teria acontecido com ela, onde ela estaria e o que estaria fazendo.
      Todas essas perguntas foram respondidas no mesmo instante em que decidi olhar para frente.
      Ali, encostada no muro branco do pequeno mercado, uma garota de cabelos vermelhos – abraçando as próprias pernas e com a cabeça apoiada nos joelhos – chorava tão desesperadamente que, mesmo com os trovões, era quase impossível não ouvir o sofrimento misturado com as lágrimas.


    (*)Memórias desaparecem 
    Como olhar através de um espelho embaçado 
    Decisões por decisões são feitas e não compradas 
    Mas eu pensei que isso não doeria tanto 
    Eu acho que não 
  • O barqueiro

    Em meio ao extenso renque de árvores cujas copas se entrelaçavam formando um formidável túnel verde e sombrio Sonder Le caminhava rápido deixando rastros de suas rotas botas Hiking pela estrada lamacenta e pedregosa. Seu peito arfava estufando a jaqueta jeans sobre a camiseta branca manchada de sangue seco –“ I want a better world” – estampava a frente em um repugnante sarcasmo sinalado no pano. Como aquela mensagem –“peace”– onde crianças aterrorizadas vestindo camisetas doadas fugiam do front de guerra em meio as bombas imaginando que “Peace” marcada no peito neutralizasse o dedo no gatilho.
    O caminho íngreme desembocava nas margens de um caudaloso rio , uma pequena doca para duas ou três embarcações brotava da areia suja junto a restos de galhos e ramagem secas em direção ao rio, o madeirame da estrutura esverdeado pelos urupês indicava que a umidade estava comprometendo a itaúba cerrada em vigas, sinais da implacável ação do tempo: espíritos da floresta reivindicando a árvore cortada e compondo a manta morta do ecossistema .
    Sonder Le mantinha o semblante sério embora o cansaço o obrigasse a abrir a boca com um sorriso forçado buscando oxigênio, olhou as horas –15h00– no seu Garmin-GPS e ao longe avistou o barqueiro e seu barco - estavam no horário.
    O barco azul naval era vistoso: de madeira de lei, oito metros de comprimento por três de largura com uma suíte modesta mas o ar condicionado e a geladeira compensavam as longas e quentes viagens pela floresta tropical.
    -- Tudo ok? Estendeu a mão e cumprimentou o homem ­­-- Eu sou Sonder, contatei o senhor na semana .
    -- Sim, meu nome é Akeni, como já sabe. --Bem vindo a bordo. O barqueiro aparentava ser bem velho por suas mãos rugosas , trajava uma capa escura impermeável com um capuz que cobria parcialmente seu rosto. As lentes dos óculos escuros se projetavam pela fresta do pano e refletiam o cenário a sua volta. O Mercury 60hp rangeu, turbilhonou as águas escuras e iniciou a jornada- próxima parada trezentos quilómetros rio abaixo.- pensou
    Sonder estranhou estar só na embarcação, mas não perguntou o motivo pois achou que mais à frente os ribeirinhos embarcariam e isso fez com que ele relaxasse.
    --Você quer se encontrar? Resmungou Akeni
    Sonder estranhou a pergunta feita de surpresa. –Foi para mim? Pensou.
    --O pessoal que vai para a aldeia indígena busca o reencontro da própria alma, continuou o barqueiro-- A vida é como dois bosques floridos , um que imaginamos e outro que vivenciamos, a condição essencial para ambos consiste na beleza de seus ramos, podar os ramos daninhos é primordial para ajustarmos satisfatoriamente as duas possibilidades .
    Sonder enxugou o suor da careca lustrosa e continuou boquiaberto, não acreditava no que estava ouvindo e –vindo de um barqueiro- pensou com arrogância.
    Akeni continuou o monólogo, já que o passageiro apenas ouvia -- As pessoas que fazem este percurso buscam uma mudança no propósito pessoal por isso lhe perguntei se você quer se reencontrar.
    Sonder com uma cerveja que pegara do freezer da suíte se encaminhou para a proa, apoiando-se nas cordas sentou na rede protetora de modo que via as aguas turvas passarem rápidas sob seu corpo suspenso.
    -- Acho que quero fazer a experiência da Ayahuasca , o cipó do morto, procurar novas paisagens novos cenários que me remetam a lugares onde o espirito me conte histórias escondidas na minha imaginação, respondeu pensativo bebericando a gelada.
    -- Todos nós temos um sol interno que ilumina a alma e aquece os sonhos, você tem que acreditar apenas em você, meu jovem - reflexionou Akeni girando bruscamente o timão, fazendo o leme se direcionar para a direita desviando o barco de um grande tronco que descia lentamente a correnteza .
    A embarcação estava rápida e a força do impulso fez Sonder Le largar as malhas da rede rolando sobre ela para a esquerda e se chocando violentamente com um gradil de madeira que estava ao redor. Com esse novo direcionamento o impacto fez sua cabeça arrebentar a grade de segurança e cair nas aguas cinzentas.
    Nenhum grito se ouviu, nenhuma gota de sangue marcou a madeira da grade ou os fios de algodão da rede.
    Akeni imediatamente desligou o motor jogou os ferros e fundeou o barco, a correnteza ainda o arrastou por alguns metros até parar por completo, na sequencia retirou a pesada capa e mergulhou. Com braçadas rápidas chegou aproximadamente onde Sonder caíra, respirou fundo prendendo todo o oxigênio possível e imergiu na escuridão das águas. O barqueiro era acostumado em mergulhos de apnéia.
    Sonder Le afundou rápido o ardor insuportável da agua entrando em turbilhão pelas narinas foi passando ele estendeu os braços para tocar em uma espécie de parede translucida , girou o corpo e verificou que essa estrutura o rodeava em todos os lados, era redonda como uma bolha e a todo momento pulsava cores lisérgicas.
    “Pelos padrões conhecidos existe o quente e o frio, o doce e o amargo, pela verdade existe apenas o indivisível e o vazio” Demócrito
    Sonder estava dentro do indivisível, do átomo de seu espírito. Aos poucos as cores foram se matizando para a branca solar, em tudo havia luz e seus olhos estavam em trevas sob o efeito da Luz Solar incidindo diretamente em suas pupilas. A cada piscadela da escuridão surgiam vultos presos a parede da bolha. Do lado de fora, o vazio.
    Aproximou-se desses espectros, pareciam ser pratos de porcelana decorados pendurados na parede de um hall de estar, uma sala que ele reconheceu como a da casa onde morou até pouco tempo. E os pratos, lembranças de tempos antigos vieram pela sua madrasta que herdara da mãe.
    As pinturas na porcelana foram se tornando mais visíveis e as cenas retratadas passaram a ter movimentos como num filme antigo. Sonder não conseguia se expressar, sua boca instintivamente permanecia cerrada , os dentes rangiam e nesse momento ele ouviu o silencio que o envolvia permitindo que o mais profundo alerta de seu espírito chegasse a seus ouvidos. Ele estava só e iniciando uma jornada, a derradeira onde os velhos axiomas do óbvio original de nascer e morrer que a dialética insiste em preposterar com novos epistemes. É como o Ouroboros teorizasse hipóteses sobre o moto-perpétuo.
    A bolha aos poucos estava se rompendo, o vazio estava preenchendo o indivisível e as visões dos pratos passavam rapidamente pelos seus olhos- as cenas movimentadas retratavam aspectos aleatórios porém marcantes de sua vida: seu nascimento, as brincadeiras da infância, a morte de sua mãe, a cobiça que o consumia, a ganância incontrolável, o roubo , a morte e por fim a última figura em movimento, a de sua fuga, ferido no ombro pelo homem que ele assassinara.
    E tudo se tornou vazio, sem vida, seu espírito migrou formando um novo átomo, ainda sem mensagens delineadoras e efêmero na formatação.
    Akeni num pulo surgiu das águas barrentas, arfou forte procurando ar puro e mergulhou mais uma vez e não encontrou o rapaz. Subiu em seu barco, vestiu a capa e cobriu o rosto com o capuz, acionou o Mercury e seguiu rio abaixo. O barco azul naval já rumava longe mas ainda se percebia o nome gravado em negro na sua popa “CARONTE”
  • O Jogo da Morte: Véu Negro (continuação do cp 2 até cp 4)

    vinte minutos se passaram e as outras duas acordaram,ao ver a amiga toda desfigurada e morta,tentaram gritar,mas era inútil,pois suas línguas estavam na minha taça de champanhe,foi uma sensação incrível  quando eu bebi o liquido banhado com duas línguas nojentas,e melhor ainda foi ver a cara das duas vagabundas ao verem  suas línguas que um dia deram muito prazer pelas ruas da cidade,sendo degustadas por um sádico maluco.
    Como não podiam falar,eu mesmo fiz questão de escolher os utensílios que iria usar,para a vadia morena usarei uma furadeira e para loira falsa usarei um serrote,o que vocês acham garotas?,sensações corriam pelo meu corpo ao cortar o corpo de uma e perfurar o corpo da outra,gritos incubados eram sinfonias para os meu ouvidos,e no fim de tudo as três garotas estavam mortas e o véu negro estavam mais satisfeito do que nunca.
    E agora era só esperar,logo a gorda maldita estaria morta e queimando nas profundezas do inferno junto com as três prostitutas.
    O véu negro se aproximou de mim dizendo que alguém teria que ser culpado pela morte da gorda,então eu disse:
    -Que seja qualquer um menos eu.
    Atendendo ao meu pedido,levantou suas vestes negras e foi até o hospital onde a mesma estava internada,possuindo uma das enfermeiras e controlando cada passo que a pobre coitada dava,fez com que ela cravasse uma faca no coração da gorda,que sem reação,acabou morrendo,e graças ao véu negro aquela vadia não estava mais no meu caminho.
    Pela janela a morte saia e a enfermeira voltando a si,viu a paciente morta na sua frente,suas mão cheias de sangue e a faca caída no chão,sem entender nada,ficou paralisada até que os primeiros policiais chegaram e acabaram levando a “Criminosa” para a cadeia.
    Naquele momento eu ria mais alto que uma criança pura prestes a ser consumida pelo horror da humanidade,eu me deliciava com a sena na televisão e ao mesmo tempo eu sentia um pouco de pena da pobre enfermeira que por minha causa,iria passar o resto da vida numa sela suja,enquanto eu o verdadeiro culpado estava livre e acabando com mais vidas ordinárias deste planeta que não me oferecia mais nada a não ser o prazer do sofrimento.
    Desliguei a televisão e fui tomar um banho,ao mesmo tempo peguei  um dos meus bisturis e comecei a me cortar,aquilo foi incrível,eu estava me libertando pouco a pouco dos espíritos sofridos de cada um que assassinei.
    Naquela noite o véu negro me deu um pouco de descanso,as imagens das três garotas gritando de dor não saiam da minha cabeça,e foi ai que eu percebi que em minhas veias corria um sangue sádico para a coisa,pois sem a ajuda do véu negro,matei três pessoas a sangue frio e não me sentia culpado por isso,só fiz o meu trabalho.
    Liguei o radio e estava tocando uma musica que me fez lembrar de minha mãe adotiva,sim fui adotado quando eu tinha apenas cinco anos,nossa que falta minha mãe me faz,não esqueço do seu cheiro,dos almoços de domingo,pena que morreu em cima de uma cama,em um hospital psiquiátrico,deixando-me sua pensão.
    Quando eu tinha nove ,meu pai morreu ,minha mãe ficou meses trancada dentro de casa,um certo dia resolvi convida-la para ir ao parque,que ficava do outro lado da cidade,não sei o que houve pois ela aceitou,ao chegar no local,deixei-a sentada em baixo de uma arvore e fui ate o banheiro publico,ao colocar o primeiro pé dentro do ambiente,me deparei com uma cena perturbadora,um morador de rua abusava brutalmente de uma mulher,não me contive,peguei um pedaço de porcelanato de um vaso quebrado,e bati varias vezes na cabeça daquele imundo,restos de seu inútil cérebro se espalharam pelo banheiro,meu rosto ficou todo sujo de sangue,lambi minha boca,aquilo me excitou,e acendeu em mim o que por muito tempo ficou trancafiado em meu ser.
     O banheiro ficou gelado,parecia que o tempo havia parado,senti um gelo em minha espinha, uma tremedeira dentro de meu corpo e suavemente uma voz começou a falar.
    -Meu nome e véu negro,estou aqui porque senti que você pode me ajudar.
    -te ajudar em que,meu Deus será que estou ficando louco?
    -Depois do que você fez hoje e quando tinha nove anos,Deus não existe mais em você,mas eu posso começar a existir.
    -como assim?
    -podemos fazer um pacto;
    - que tipo de pacto?
    -toda vez que eu lhe pedir você terá que me dar uma alma,mas não é qualquer alma,e sim uma ruim,aquela que não poderá ser salva por aquele que no inferno não dizemos nem o nome,as mortes terão que ser cruéis.
    -mas eu não consigo fazer isso sozinho,o que você viu aqui hoje,foi apenas um momento;
    -isto não foi apenas um momento,você tem sangue para a coisa,sinto isso em sua alma,e não é de hoje que estou de olho em você,só esperei a oportunidade certa para lhe fazer essa proposta.
    -E o que eu ganho com isso?
    -você terá uma vida longa,quando morrer ficara em um lugar diferente,e poderá retornar mais uma vez para este planeta quando houver a oportunidade certa,terá minha ajuda por um tempo até que você consiga realizar todas essas façanhas sozinho,porem se você perder o jogo,este contrato será anulado,o que você me diz?
    -mas eu ainda posso ir para o céu,eu acredito nisto;
    Ele riu alto
    -o céu é para os fracos,você meu caro e muito forte e merece um lugar ao meu lado no reino das trevas.
    -como assim perder o jogo?
    -pense que a vida é um grande tabuleiro e as pessoas que ira matar são peça inúteis,neste jogo,então se você deixar de me entregar apenas uma alma,quando ela eu solicitar,você será considerado um perdedor e por fim terá que ser eliminado.
     Recusei o contrato;
    Tudo ficou meio quieto,comecei a sentir varias dores em meu corpo,algo estranho estava acontecendo,sem eu perceber ele tomou conta de meu corpo,quebrou o espelho do banheiro e com um dos pedaços ,começou a cortar a garganta da mulher,eu sentia suas veias parando de pulsar,confesso que aquela foi uma sensação incrível.
    Parado ao meu lado ele disse:
    -viu,não foi difícil,com o tempo você se acostumaria.
    Olho para trás,vejo minha mãe parada na porta,em estado de choque,o banheiro vertia sangue,e eu o filho que ela sempre amou,no meio de tudo aquilo,e com a arma do crime nas mãos.
    O véu negro se aproximou mais uma vez,senti sua mão fria encostar em meu ombro,e disse:
    -agora, ou você aceita meu acordo,ou farei você matar a sua querida mãe,e claro você passara tortuosos dias em uma sela imunda.
    -mas se eu aceitar,ela ira contar tudo o que viu aqui.
    -não se preocupe eu cuido dela.
    -você não vai mata-la,vai?
    -darei a ela apenas uma doze de loucura;
    -aceita ou não?
    -aceito
    E assim se iniciou o pacto com o véu negro.
    Depois de tantas lembranças de um passado não tão distante,Tive que limpar toda aquela bagunça do apartamento de michel,foi difícil tirar todo aquele sangue do piso branco,mas,depois de algumas horas e de muitos baldes de cloro,eu havia conseguido remover toda a podridão,sai do apartamento,eram mais ou menos nove e meia da manhã,fui ate uma loja na esquina e comprei alguns sacos plásticos resistentes,voltei ate o apartamento,cortei-as em pedaços e coloquei-as nos sacos,juntei tudo em um canto,e esperei anoitecer.
    Tocaram a companhia,olhei pelo olho mágico,um homem de mais ou menos cinquenta e dois anos ,gordo e careca,estava de pé em frente a porta,abri.
    O idiota se apresentou, como um morador do apartamento ao lado,veio reclamar do barulho da  noite passada ,eu com a minha perfeita educação,sorri e pedi desculpas, aleguei que havia dado uma festa pois eu era o novo morador do prédio,e que isso nunca mais ocorreria,o trouxa foi embora acreditando em tudo que eu disse.
    -Como esses seres humanos são Idiotas.
    Meia noite e meia ,era a hora perfeita,desci carregando os sacos,coloquei-os no porta mala e fui até um aterro sanitário,cavei um buraco bem fundo e lá enterrei todos aqueles corpos mutilados,aliviado ,entrei em meu carro e fui até um local mais seguro,estacionei, e fiquei olhando para o local,exatamente as três e meia da madrugada,chegou um caminhão vindo da cidade cheio de lixo,acendi um cigarro, e me delicie ao ver toda aquela pilha de lixo,sendo jogada em cima daquelas vadias.
    Jamais seriam encontradas, do lixo elas vieram e para o lixo retornaram.
    Pronto,agora era a hora de ir para a casa.
    Capitulo 3
    Já se passaram três semanas desde o incidente com a gorda e com as garotas de programa,muitas noites sem dormir e muitos pesadelos com o véu negro,promessas e dividas me atormentavam,deitado em minha cama as horas passavam.
    A fome bateu em meu estomago,eram quase oito e meia da manhã de um domingo,levantei, preparei o café,posso afirmar que ainda eu estava meio tonto com todos aqueles pesadelos, porem,o que mais me interessava naquele momento era o meu café,sem leite e com creme.
    Eu me sentia isolado,pois a mais de três semanas ele não me visitava,ou melhor não me dava uma nova missão,será que ele se esqueceu de mim?ou ele encontrou alguém melhor que eu?essas são respostas meio complicadas e perguntas idiotas para se pensar numa manha de domingo,acendi um cigarro e fui para o quarto,usei o banheiro.
    Deitei novamente em minha cama,mas não conseguia pegar no sono,então,tomei três comprimidos,e simplesmente apaguei.
    Uma nuvem negra,cobriu meu corpo e La no fundo da minha mente eu conseguia ver uma chama azul e vermelha,tentei chegar até ela,foi inútil,de repente,imagens de todas as pessoas que matei vinham em minha direção,todas queimadas, gritando por ajuda. consegui chegar até a chama.
    O calor era intenso,queimava a minha alma ,mas por algum motivo eu sabia que tinha que tocar naquela chama. Ao toca-la tudo se escureceu,eu não enxergava nada.
    Então meu querido véu negro me perguntou se eu estava preparado para saber de algumas  verdades, e com toda a certeza do mundo eu respondi que sim,então tudo começou a desmoronar,era como se todo o ambiente que eu estava se descascasse,luzes e chamas apareciam do nada,ele me estendeu a mão e disse que me levaria para um passeio,perguntei aonde,mas ele permanecia calado.
    1° fomos a um lugar sombrio,onde só se ouvia gritos e choros,(uma das camadas do inferno)a variação de temperatura era muito grande,almas ficavam ali jogadas,umas em cima das outras,o cheiro era insuportável,vermes se misturavam com seus corpos,a cena era perturbadora,mas para mim todos eles mereciam estar ali.
    2°fomos a um grande lamaçal(outra camada do inferno),todos que ali estavam eram pervertidos sexuais,Vivian de sexo,prazer e sofrimento,jogados como porcos no chiqueiro apenas digo,sem comentários.
    3°chegamos (a ultima camada do inferno),lá habitavam todas as almas perturbadas  e aflitas,sedentas de ódio e com sede se vingança,mas com aquele calor elas deviam estar com sede de água(brincadeira),neste momento o véu disse algumas palavra:
    -todos aqueles que desde o nascimento fizeram um pacto comigo e não cumpriram estão pagando sua pena com fogo e tormenta,e aqui também estão todos as almas que você e outros jogadores da morte mandam para mim todos os dias,lindo não?
    -maravilhoso,eu respondi !
    4°depois do inferno ele me levou até um local desértico,lá me mostrou três pessoas,servos leais que durante suas ultimas existências cumpriram os desejos e acordos com a morte e não perderam o jogo,então ficavam ali até chegar a hora de voltar entre nos humanos e trabalhar mais um pouco para o véu negro.
    Ao termino de nosso passeio eu tive a oportunidade de fazer uma única pergunta a ele,então sem pressa pensei em como fazê-la ,dizer tudo o que eu queria em uma única pergunta,mas era impossível enganar a morte.
    Então fiz a seguinte pergunta:
    - o que me resta depois de minha passagem terrena?
    Com um sorriso sarcástico,ela me respondeu:
    -para essa pergunta,você já tem a resposta,mas lembre-se do contrato.
    Com essas ultimas palavras,tudo se paralisou,der repente acordei.Confesso que eu estava meio preocupado,mas eu sabia que naquele momento o meu contrato estava realmente valendo,e que a minha querida morte era uma pequena professora,porem agora era por minha conta,se eu cumprisse o contrato eu iria para um lugar “melhor”,se não eu iria para o inferno,com as almas perdedoras,a escolha era somente minha.
    Capitulo 4
    Levantei e fui tomar um banho,confesso que me cortei um pouco,como eu já estava acostumado não sinto vergonha de contar para vocês,lembro-me que certa vez cortei minha perna e aquilo me deixou muito excitado,mas logo passou.
    Me enxuguei,coloquei uma roupa,quando ia saindo,reparei que a chave do apartamento de Michael ainda estava comigo,peguei-a  e fui ate sua casa,ao chegar La,desci do carro e toquei a campainha, reparei que a porta estava aberta ,entrei.
    -Michael você esta em casa?
    Comecei a Subir as escadas,entrei no primeiro quarto,não vi ninguém,derrepente ouvi um barulho no banheiro ,fui ate La,quando abri a porta Michael estava dentro da banheira cheia de água e com um secador de cabelos ligado em sua mão.
    -michael não faça isso,eu ainda te amo.
    -mas eu não me amo senhor c, até logo.
    Corri para desligar o secador da tomada,mas já erá tarde de mais,Michael morreu de uma forma chocante.
    CONTINUA..........

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