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A GELADEIRA NOVA

-- Eu quero uma geladeira nova! Sentenciou a mulher. -- Mas a nossa ainda funciona, não precisamos de outra. Argumentou o marido. -- Ela está velha, enferrujada, e não tem freezer. Faz 22 anos que eu olho pra cara dela e já enjoei... -- Geladeira tem cara? -- Ah! Não banque o engraçadinho, você entendeu. -- Ta bom, calma, assim que puder compraremos uma novinha em folha. Essa celeuma colocou o casal numa espécie de “cabo de guerra”. A dona de casa, irredutível, não abria mão daquela antiga reivindicação. O marido, por sua vez, tentava adiar a onerosa compra, usando a mais convincente das desculpas: a grana ta curta. O tempo foi passando e o marido levava vantagem na disputa travada, pois a idosa geladeira continuava ali, feia, enferrujada, barulhenta e funcionando teimosamente. Muito se debateu acerca do momento oportuno para a troca do novo eletrodoméstico e o marido começou a fraquejar no seu intento. Parece que a vontade da rainha do lar iria prevalecer. Em todas as batalhas travadas, muitos são os fatores que determinam a vitória. Nessa contenda doméstica o marido que pousava de rei – I’m the king! (ele costuma dizer) – na verdade era súdito... Certo dia, o irmão do econômico marido, pôs fim à questão, minando por completo os últimos suspiros de resistência do acuado varão. Diante daquela interessada indagação o casal trocou aquele olhar de vencedora e vencido e respondeu ao parente “filão”: logo-logo. Estava ali, não o motivo crucial, mas o pretexto perfeito para antecipar a compra de uma nova geladeira. Diga-se de passagem, que esse também foi o pretexto para a troca de outros eletrodomésticos e móveis que guarneciam o lar conjugal. Todos tiveram destino certo. A nova geladeira chegou. -- Amor, nossa geladeira é linda, né? Olha que chique, tem “aguinha na porta” e “luzinhas azuis” no painel! -- É mesmo, querida, também a achei o máximo! Tem até lugar para gelar mais rápido as latinhas de cerveja! Enfim a paz voltou a reinar e as trevas da discórdia que afligiram o unido casal, deram lugar a mais clara harmonia. A velha geladeira jazia em um novo lar. É claro que as despesas domésticas aumentaram significativamente, afinal a geladeira custou o “olho da cara” e a grossura do carnê impressiona. O tamanho da nova geladeira também aumentou, e geladeira nova não pode ficar vazia. É feio, diz a mulher. E toma supermercado para encher a magnífica geladeira! Eis, porém, que um belo dia, aquela “figuraça” cujo apelido é “Fubá” (eu não tinha contado – ele é o irmão do marido e obviamente cunhado da mulher) apareceu sem avisar e sem qualquer pudor foi logo perguntando: -- o Tanaka (a mulher, descendente de orientais, detesta ser chamada assim)quando é que vocês vão trocar a máquina de lavar roupas? Um brilho de alegria surgiu instantaneamente nos olhos da mulher. O marido, cabisbaixo, foi para o quarto e começou a chorar. Ah! Sabe a geladeira velha? O “Fubá” vendeu poucos dias depois... -- Minha geladeira pifou! Quando é que vocês vão comprar uma nova?
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Atualizado em: Qua 4 Jan 2023

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