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Perdoar?

…Mesmo depois de ela ter morrido, sim, minha mãe, o fantasma era eu. 
O fantasma sou eu.
 Sempre fui eu.
Neste momento, sei o que sou, mas não quem sou.
Sabem, perder nossa mãe  tem efeitos devastadores em nós.
 Faz pensar que, talvez ela volte para nos dar um abraço revitalizador, que só com a sua ternura, diz que tudo vai ficar bem, sem uma única palavra, aliás, com a boca da alma.
 Mas agora já não  há esse corpo que sustentava aquela alma.
Não  há!
 E ela foi-se, cansada de viver, se calhar. Quem sabia?
Olho para o mar e vejo o seu rosto nas ondas. 
Em cada nuvem. 
Em cada árvore.
Tenho andado num psiquiatra e diz que é preciso *perdoar.* 
Mas é difícil perdoar enquanto passo todos os dias pela porta do quarto dela e vejo seu crânio, seu rosto espalhado pela alcatifa _toda_
Além do mais, para perdoar, é preciso ter coração, e aquela imagem parte o meu, em pedacinhos bem pequenos, num 
Silêncio  espesso, todos os dias e, é  como se estivesse ausente.
 Isento de quaisquer tipos de sentimentos. Aquela imagem esmagava-o. 
Esmaga-o, 
todos os dias. 
*Perdoar?* Como? Se já  não  tenho com o que sentir?
*Esquecer?* Como? Se meus olhos insistem em, cada vez que eu fecho os olhos, trazer-me de volta àquela noite?
*Seguir em frente?* Como? Se a força  que mantinha meus pés  firmes e capazes de se mexerem foi-se?
 
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Atualizado em: Qui 1 Fev 2018
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