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O FEITIÇO - CONTINUAÇÃO

Ainda no espelho e com um turbilhão de pensamentos inundando a minha pequena cabeça articulada com antenas, noto alguém entrando no banheiro. Entro em pânico quando reconheço aquela mulher. Sim é ela, a mesma que me ameaçou dias atrás. Assustado, num movimento instintivo começo a voar e percebo que não possuo muita habilidade para tal, é um subir e descer e seguir em direções diversas sem qualquer controle.
A mulher me vê e começa a gritar histericamente com uma bocarra escancarada. Naquele frenesi de pânico e desespero, tento escapar mas sem querer, acabo voando em direção aquele imenso túnel à minha frente. Entro naquele lugar úmido que logo se fecha me envolvendo numa escuridão plena. Sinto um forte baque.
– Onde estou?
– Tenho que sair daqui!
Percebo que entrei na boca daquela mulher que, instantaneamente caiu desmaiada no chão do banheiro.
Os dentes serrados impedem que eu saia. Será o meu fim?
Volto em direção à sua gargante e com dificuldade alcanço um estreito canal mucoso onde consigo sentir a entrada de ar. Enfim escapei, estou no nariz da aterrorizada mulher que, recuperada do desmaio, está em pé diante do espelho. Novos gritos estridentes mas desta vez ela ergue suas enormes mãos que vêm ameaçadoramente em minha direção. Coberto de mulco nasal, não tenho tempo de escapulir pois as minhas asas estão empapadas. Acabo esmagado contra aquele nariz e no último instante da minha curta existência de inseto, solto um terrível berro de pavor!
– Nossa! Acorda querido. Você estava tendo um pesadelo.
Levanto da cama e corro para o espelho do banheiro. Examino o meu rosto e corpo que, a despeito de molhados de suor, me fazem respirar aliviado. Quando retorno ao quarto aquela mulher olha estranhamente para mim e diz:
– Querido, você gostou do nosso primeiro encontro?
– Você vai me procurar novamente, não é?
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Atualizado em: Sex 9 Dez 2022

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