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A cronicidade da tristeza

 Está tarde, e eu estou com medo de ficar sozinha, mas já estou. Eu acho que tenho superestimado minha significância esses dias, o orgulho sai do meu coração e infecta meus pensamentos na cabeça, e da cabeça ele volta para o coração entupindo minhas artérias.
 Se eu soubesse onde é o meu lugar eu não sofreria como sempre sofri, não morreria dessa doença crônica que é a tristeza, crescendo como um pequeno mofo de pão, se espalhando dentro das minhas entranhas e trazendo tudo à tona do lado de fora. Estou contaminada dos pés a cabeça e não há anticorpo que me proteja dessa infecção, quero chorar mas as lágrimas não descem, não tem como aliviar, o que eu vou fazer? 
  Espero que algum dia essa doença não me afete mais e que não haja mutações que deixem sequelas em meu coração, afinal quantos anos de sofrimento levam a morte? Se eu soubesse que os efeitos colaterais da minha felicidade seriam esses eu não teria experimentado ser feliz, porque pelo menos tanto a tristeza quanto a alegria me seriam sentimentos abstratos. Sou feliz em sonhos, e na realidade não passo de uma coadjuvante que não tem importância alguma e nem mesmo objetivos claros.
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Atualizado em: Qua 1 Jun 2022

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