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Alcoolismo Uma luz no fim do túnel - Capitulo 8 - Os Doze Passos de A.A.

Sugestões para quem quer abandonar a bebida

Um programa de vida que pode ser adotado por qualquer um

  1. (1)      "Admitimos que éramos impotentes perante o álcool, que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas".

O primeiro passo é o mais importante no sentido de que é necessário admitir a derrota total para conseguir a liberdade, em outras palavras, chegar ao fundo do poço e jogar a toalha ou entregar os pontos, o desejo de parar de beber precisa ser mais forte que a vontade de beber, não se pode parar de beber bebendo. Para chegar a ponto de querer abandonar a bebida sem duvida alguma é porque nossa vida se tornou um inferno, tanto para nós como para aqueles que nos rodeiam, chega-se ao circulo vicioso de beber para não sofrer e sofrer por causa da bebida. A maioria das pessoas bebe socialmente, curte alguns drinques e pára logo porque sua condição física e mental mostra lhe quando deve parar para não ficar embriagada, alguns ainda poderão beber esporadicamente com exagero, mas se arrependem porque não lhes faz bem, ao contrario, após a ressaca ficam muito tempo antes de voltar a beber demasiadamente. O alcoólatra é ao contrario, quando começa a beber não consegue controlar e parar, é como uma alergia ao álcool, não pode nem deve beber, mas se tomar uma simples dose é como soltar o freio de mão, não para mais. Progressivamente se chega a esse ponto porque ninguém começa a beber tomando um litro de bebida destilada, mas o corpo habitua-se e pede cada vez mais, a constituição física do alcoólatra o privilegia no sentido que agüenta beber mais bebida que os outros, provavelmente quando observarmos num bar um grupo formado por duas ou três pessoas alcoolizadas e outra em pé, esta última é o alcoólatra e possivelmente levará os outros para suas casas.

Na segunda parte deste passo devemos admitir a perda de controle total sobre nossas vidas, esta parte do passo é uma conseqüência da primeira, o álcool nos leva a nossa própria destruição e à dos outros, se nossa vida esta desgovernada é por causa do álcool, chega-se a ponto de não termos mais nenhuma credibilidade na sociedade, fizemos mil e uma promessas, dizemos que bebíamos com nosso dinheiro e que bebíamos e parávamos quando queríamos e nada disso foi cumprido porque a vontade antes de beber era uma coisa e a realidade após termos ingerido o primeiro gole era outra. As tristes conseqüências que o álcool pode levar ao alcoólatra são imensuráveis, como, perda de emprego, amigos e até as vezes a própria família. Este passo sugere-se que seja praticado cem por cento em sua totalidade, é o primeiro passo que nos permitirá a pratica dos onze restantes, sabemos que nem sempre é fácil de admitir a falência e quebrar o orgulho porque na mente do alcoólico a obsessão alcoólica do “beber ou não beber” a solução mais fácil é beber. A prática deste passo “sozinho” é muito difícil, porém não impossível, cada caso é um caso, mas, rodeado de pessoas que tem passado pelo mesmo problema se torna bem mais simples pois parece que ao “dividir” com os outros é mais fácil e menos angustiante, eles estão ali no topo do poço esticando o braço com uma corda, querendo me ajudar, me puxar para que possa sair da escuridão. Também existe a possibilidade de que este passo não seja para você, talvez você não seja alcoólatra e quem sabe até consiga continuar bebendo controladamente, mas lembre-se sempre o que você já leu sobre o alcoolismo.

  1. (2)      "Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade".

Porque um Poder Superior a mim mesmo?, porque toda minha vida tentei fazer tudo por mim mesmo, desenvolvi progressivamente defeitos de caráter que anestesiados com a ajuda do álcool me levaram à falência moral, se tivesse sido auto-suficiente teria resolvido tudo eu mesmo, teria bebido e parado de beber quando eu quisesse, infelizmente, não foi bem assim. Eu mesmo construí minha própria prisão onde fiquei isolado da liberdade e do mundo, construí castelos de areia que desabaram com as ondas do mar, a vida me reservou surpresas nem sempre muito agradáveis, quando criança senti-me bem próximo de Deus através de minha fé, chegando até ser candidato a futuro religioso mas por circunstancias da vida resolvi fazer tudo eu mesmo, virei as costas a esse Deus por não ter satisfeito minhas exigências, até considera-lo um dia como meu irmão caçula, meus distúrbios emocionais me levaram sempre pelo caminho da paixão ou da raiva.

Se somente um Poder Superior pode me remover a vontade de beber preciso acreditar Nele, não digo que seja fácil, até porque muitos de nós nunca acreditamos em Deus ou qualquer outra coisa parecida, posso afirmar que há nas fileiras de A.A. companheiros ateus e agnósticos. Esse Poder ou Força Superior pode ser considerado e interpretado da forma que quiser, até para alguns o próprio grupo de A.A. passa a ser considerado como a tal Força Superior. Diante deste Passo as vezes nos encontramos frente a um dilema, seria conveniente “acreditar” porque isto nos ajudará no inicio da nossa caminhada à uma vida de sobriedade feliz, mas não pode haver pressa, a decisão pode ser tomada inclusive em doses homeopáticas na hora certa quando estivermos certos e convictos de nossa fé. No A.A. está cheio de gente que antes pensava igual a você, e já faz disso muitas vinte e quatro horas, se você tiver receio em praticar este Passo, o entendo perfeitamente, o A.A. não exige que você acredite em coisa alguma, lembre-se que os Passos são apenas sugeridos, porém saiba que praticá-los não é tão difícil como você pensa, tenha a mente “aberta”. Também não precisa agora pegar nos livros de religião ou teologia para tentar descobrir e conhecer quem é Deus, é um assunto muito complicado no seu modo prático, tentar entender com profundidade os assuntos de Deus pode levar até à loucura, não esquente sua cabeça em saber quem veio primeiro o ovo ou a galinha, nada mudará, seja pragmático e viva o aqui e agora, se pensar bem o Poder Superior pode estar até dentro de você. A respeito da sanidade, podemos dizer que aqueles que bebem a ponto de querer parar de beber é porque estão longe de possuir “saúde mental”, se não fosse assim não teríamos a obsessão pela bebida como a tivemos, associada a uma alergia alcoólica.

  1. (3)      "Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos".

Se você não é muito chegado às religiões não se assuste, o enunciado diz: na forma em que O concebíamos. Para a prática do terceiro Passo basta um pouco de “boa vontade”, se conseguimos praticar o segundo Passo o terceiro está ao nosso alcance com mais facilidade. Durante longos anos carregamos a responsabilidade pelos nossos atos, agimos conforme achamos ser o melhor para nós, mas nem sempre deu certo é isso era um dos bons motivos para continuar bebendo cada vez mais, tinha que ser tudo sempre do jeito que nós queríamos, mesmo errados íamos até o fim para não ferir nosso orgulho. Entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus – ou de um Poder Superior – é de certa forma aconselhável para aliviar-nos e desfazermo-nos de qualquer tipo de carga negativa e dos contratempos que se apresentam em nosso dia a dia. Quando enfrentamos um problema ou situação difícil cabe-nos fazer essa entrega e evitarmos ser os protagonistas de novas situações que poderão nos prejudicar, se o problema não tem solução solucionado está. Devemos viver com a leveza que nos ajuda a encontrar a paz e serenidade oferecida pelo programa de recuperação través desses Passos. Abra seu coração e deixe Ele entrar. Consegui faze-lo sem grandes esforços, e não me considero melhor que ninguém, acho que qualquer pessoa com um mínimo de boa vontade irá consegui-lo. Se for pensar bem, quando se “admite e acredita” que poderá abandonar a vida anterior para uma melhor, por tabela supõe-se que está optando por uma reformulação total em sua vida, essa mudança inclui deixar que “alguém faça por nós o que não podemos fazer por nós mesmos”, afinal, quando bebíamos não nos entregávamos totalmente ao álcool?. A entrega não significa que você se anula, você continuará fazendo as coisas na prática, mas desta vez será guiado por alguém Superior, você entenderá como acontece praticando este Passo. Se começa a praticar este Passo talvez se lembre dos velhos tempos, quanto mais pratique mas irá gostar e se tornará dependente de Deus ou Poder Superior, em outras palavras quanto mais você é dependente mais independência mental e emocional você consegue, estará mais seguro de você mesmo. Talvez esteja eufórico com a recente sobriedade encontrada, ou ao contrario, talvez esteja há um bom tempo sóbrio e seus problemas continuem ou se agravem, este Passo não quer dizer que de manhã cedo você possa sair no quintal com um saquinho de plástico e chova dinheiro para pagar suas contas e solucionar seus problemas, o terceiro Passo praticado de forma honesta nos da a garantia de que nada de mal nos acontecerá, vale a pena aguardar para ver os resultados, Ele quer sempre o melhor para você. Continue assistindo às reuniões porque o fator “tempo” desde seu ultimo gole é um fator da maior importância em sua recuperação, quanto mais longe seu ultimo gole melhor entenderá os Passos e melhor será seu dia a dia.

  1. (4)      "Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos".

A essência deste Passo é o autoconhecimento, como poderia mudar sem me conhecer?, nasci e ganhei de presente a vida como qualquer outro ser humano, todos diferentes uns dos outros cultivando em nossas vidas os defeitos de caráter, ninguém na face da terra é perfeito este Passo nos permite descobrir e refletir o que há de certo e errado em nós, de um modo geral o ser humano tende a se desviar cada vez mais da perfeição por causa das próprias necessidades da sociedade, nossos instintos naturais nos levam a isso até para nossa sobrevivência, em A.A. caminhamos por assim dizer na contramão da humanidade, ou seja, tentando nos aperfeiçoar sem a busca da perfeição, aprimorando nossas qualidades e descartando nossos defeitos ou transformando-os em qualidades. É necessário fazer este “destemido” inventario moral, de preferência escrevendo no papel de nosso próprio punho um histórico de nossa vida, é importante que seja “escrito” pois além de visualizá-lo significa a expulsão e exteriorização do que tanto nos incomodou e carregamos durante muitos anos de nossa vida. Chegou a hora de fazer o ponto sobre nossa vida, é necessário um balancete mesmo se a realidade não é aquelas coisas, o importante é tomar conhecimento de como estamos e como deveríamos estar, não há pressa, temos toda a vida pela frente para nossa reformulação como indivíduos, é uma tarefa para toda a vida, e não tem fim. Sei que por causa de meus instintos bebia e destruía minha vida, não tinha consciência do que estava fazendo porque não me conhecia nem sabia quem eu era, vivia o mundo externo e nunca me preocupei do meu mundo interno, se tivesse me conhecido não teria bebido e destruído a mim mesmo para anestesiar minhas frustrações e depressões, tudo indica que encontrava prazer em me autodestruir. Muitas vezes dissera que bebia por causa dos outros sem reconhecer que o beber exagerado estava inculcado dentro de mim, tanto fazia beber por causa do aumento de salário como porque não tive aumento, por causa do sol e por causa da chuva, porque meu time ganhava ou porque perdia, tudo foi sempre motivo para ser festejado e justificar minhas bebedeiras. Mesmo se achava que bebia por culpa dos outros, não devo deixar de fazer o inventario, com certeza descobrirei o quê causava essa vontade desenfreada de beber. É importante que encare meus defeitos sem medo, aos poucos estarei familiarizado com eles e será mais fácil trabalha-los ou eliminá-los. Este inventário nos permite recomeçar nossa vida sobre uma base sólida, toda construção depende de um alicerce bem executado. Qualquer comerciante que queira levar seu negocio adiante fará periodicamente um inventario sobre seus produtos ou mercadorias, alguns deverão ser jogados fora ou substituídos seja porque ficaram encalhados sem saída outros porque a data de consumo já venceu, de nada adianta colocar novas e falsas etiquetas, é bom saber em que ponto estão as coisas e estarmos preocupados em gerenciar da melhor maneira possível nosso negocio.

  1. (5)      "Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas".

Este Passo está ligado ao anterior, pusemos no papel nosso perfil de como éramos, com todos nossos defeitos e virtudes, tentaremos eliminar ou corrigir nossos defeitos e aprimorar nossas virtudes. Para chegar a este estagio de nossa recuperação, já “admitimos” nossa derrota total pelo álcool no primeiro Passo, acreditamos que um Poder Superior pode nos remover a obsessão pelo álcool e entregamos nossa vontade e nossa vida aos cuidados daquele em quem decidimos nos “confiar”, fizemos a relação de nossos defeitos de caráter e os “admitimos” em sã consciência perante um Poder Superior, perante nós mesmos e os admitiremos e comunicaremos  verbalmente a outro ser humano, ou alguém de nossa confiança. Esta real admissão de nossas falhas e a comunicação a outra pessoa, é um ato de compromisso e responsabilidade, é o sincero desejo de mudar para melhor. Aqueles que praticam a religião católica sabem o que é a confissão, em nosso caso vamos dar um passo à frente assumindo este compromisso. Alguns membros de A.A. praticam os Passos de forma alternada, ou seja, podem até pular na ordem cronológica dos Passos, mas, sugere-se a seqüência dos Passos pela ordem, pois cada Passo é conseqüência do anterior. Em principio, os Passos nos pedem para agir ao contrario de nossos desejos naturais, justamente porque são o contrario de nossa forma de ser e agir durante nosso alcoolismo ativo, eles irão nos ajudar a desinflar nosso ego. Não nos convém guardar dentro de nós os defeitos inventariados no quarto Passo, comunicando-os de viva voz a outra pessoa com toda franqueza propicia-nos o inicio à humildade e honestidade com nós mesmos. É importante que relatemos com precisão nossas falhas e façamos “uma limpeza da casa”, disto poderá depender o futuro de nossa sobriedade, e permite-nos à saída de nosso isolamento, abrem-se as portas do mundo para que nos comuniquemos a vontade com os outros, sentimo-nos mais leves, perdoados e dispostos a perdoar. Mas, porque comunicar a outra pessoa?, porque nossa comunicação com um Poder Superior é feita pelo pensamento e meditação, é como um monólogo porque nunca obteremos as respostas diretamente, enquanto que ao fazermos o esforço de comunicar a outro ser humano a natureza exata de nossas falhas, poderemos além de ser escutados ouvir também comentários ou até sugestões de como agir, é uma comunicação de duas vias. Precisamos fazer uma boa escolha sobre a pessoa que iremos comunicar, de preferência uma pessoa experiente que possa ter passado pelo que estamos passando ou que possa nos entender, não precisa ser obrigatoriamente do A.A., poderá ser religiosa, médica ou alguém com quem tenhamos muita confiança, será precisa uma boa dose de coragem para praticar este Passo, mas é isso que justamente estamos procurando. A pratica deste Passo nos dará uma sensação de alivio e paz, podendo nos preparar para os Passos seguintes em direção a uma sobriedade plena e significativa.

  1. (6)      "Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter".

Prontificamo-nos significa “estar pronto”, e neste Passo concretamente nos abrimos para que sejam removidos nossos defeitos de caráter, se conseguimos através dos Passos anteriores um pouco de honestidade e humildade poderemos estar prontos para praticar este Passo. Se estiver disposto, meus defeitos serão logo removidos, eu quero uma vida melhor. Quando praticamos os três primeiros Passos, através de nossa admissão e nosso sincero desejo de abandonar a bebida nos foi removida a vontade de tomar a primeira dose, e assim acontecerá com este Passo a respeito de nossos defeitos de caráter. Podemos verificar esses fatos assistindo a qualquer reunião aberta de Alcoólicos Anônimos onde os membros testemunham através de seus depoimentos como isso lhes aconteceu, parece ser um mistério mas é a pura verdade. Não se trata de que eliminemos todos nossos impulsos instintivos, procuramos crescer espiritualmente mas nunca seremos brancos como a neve, o que nos interessa e o aperfeiçoamento e não a perfeição. Alguns de nossos defeitos não poderemos eliminá-los de um dia para outro até porque não vamos querer largá-los todos e ficaremos com alguns, e também não há pressa, o importante é a intenção e sincero desejo de consegui-lo, temos toda uma vida pela frente. Este Passo não é fácil mas está longe de ser impossível. O primeiro Passo é o único que pode ser praticado com toda perfeição, os outros onze enunciam ideais e metas. Não diga jamais “eu nunca renunciarei” a esse ou aquele defeito de caráter, pois a rebelião poderia ser fatal. O importante é avançar em direção à vontade de Deus para conosco.

  1. (7)      "Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições".

Não deveríamos confundir as palavras humildade e humilhação, em nossa condição de alcoólatras seria impossível aceitar a prática de tal sugestão se o assunto fosse  de nos humilhar, o orgulho talvez seja o principal de nossos defeitos de caráter. Há contudo uma diferença entre humildade e humilhação, como por exemplo, um arquiteto pode ser humilde e um pedreiro orgulhoso, o sentido deste Passo nos direciona para o dobramento daquele defeito de caráter que tanto nos fez beber e sofrer, iniciar-nos à virtude da humildade é a sugestão deste Passo, e não deveríamos pensar que estamos nos submetendo. Não devemos esquecer que quando decidimos aceitar nossa impotência perante o álcool no primeiro Passo, sem perceber já praticamos a humildade talvez inconsciente de nossa derrota, e quando ficamos abstêmios sem o álcool, sobraram nossos defeitos de caráter aos quais nos agarrávamos e relutávamos em nos desfazer deles porque havia um vazio. Para dizer a verdade, todos os doze Passos exigem de nós a prática da humildade, para nós ela não significa fraqueza, e sim, força. É bastante provável que optemos inicialmente pela humildade por necessidade ou sobrevivência e não por opção, poderemos ainda sentir medo, mas o medo e a fé não são compatíveis.  Somos todos nós alcoólatras seres dotados de uma inteligência incomum, mas para aplicá-la de modo correto convém pôr a humildade a frente, desta forma nos aproximamos da perfeição e percebemos nossa força de atração, os bons resultados virão de imediato. Para a maioria das pessoas o orgulho representa uma suposta segurança provocada pela autodefesa, liderança e sobrevivência são as leis da selva como por exemplo “vou agredi-lo antes de ser engolido por ele”. Estamos falando aqui dos valores espirituais do individuo, para nós em recuperação deveríamos colocar os valores materiais em segundo lugar se não quisermos correr riscos e voltar tudo a estaca zero, não podemos nos dar ao luxo do orgulho nem de ressentimentos que poderão ser fatais para nós. No inicio poderemos pensar que é difícil largar o orgulho, poderá ser difícil e as vezes até seremos tomados pela rebeldia, um trabalho que será para toda a vida, mas com o decorrer do tempo e a prática da humildade constataremos o quanto estamos tirando proveito pelos resultados obtidos nessa prática. Como?, pela felicidade que sentiremos. No Passo anterior quisemos ficar “no ponto” – prontificamo-nos – e vamos agora rogar Lhe que “remova” nossas imperfeições. Com certeza, sairemos do Passo com maior leveza, mais confiantes e seguros, prontos para a execução dos próximos Passos.

  1. (8)      "Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados".

Juntamente com o nono Passo eles estão interligados, são Passos de “coragem e ação”. O quarto Passo foi essencial para que pudesse fazer neste Passo uma relação das pessoas que tinha prejudicado durante meu alcoolismo ativo, visualizando tudo o que já tinha escrito se tornou mais fácil descobrir a quem, quando e aonde tinha prejudicado. Considero este Passo um acabamento do quarto Passo, como se quisesse polir minha alma para que brilhasse mais. Havia uma carga negativa dentro de mim, por causa das vantagens que tinha tirado das pessoas em situações várias, dos danos que tinha lhes causado ou que tinha causado a mim mesmo, fossem eles materiais, morais ou emocionais. Continuamos neste Passo mudando nossas vidas para viver melhor, estamos motivados para praticá-lo e queremos nos livrar dos ressentimentos, remorsos e culpa do que fizemos por causa de nossas bebedeiras. Tomaremos cuidados ao fazer a relação destas pessoas, em lembrar se os danos que causamos não afetarão às mesmas se formos fazer tais reparações, ou seja, pode ser que ao fazê-las, em alguns casos, prejudiquemos ainda mais às pessoas envolvidas e a nós mesmos, refletiremos se quando iremos fazer as reparações não pioraremos a situação do outro ou a nossa, e quais poderão ser as conseqüências. Pode ser que haja pessoas que talvez nem estejam mais vivas, outras nem sequer tenhamos o endereço para contatá-las, e ainda outras podem ter mudado para longe de nós. Precisamos de um modo “real” estar dispostos a perdoar e ser perdoados, pode parecer fácil mas nem tanto, mais uma vez nosso orgulho estará posto à prova. Pode ser que as vezes a culpa seja da outra pessoa, mas talvez nós reagimos de maneira errada sob os efeitos do álcool, vivemos uma vida quase sempre na posição de auto-defesa, agredindo para não sermos agredidos. Havíamos admitido perante Deus, nós mesmos e um confidente todas as nossas falhas, e agora estaremos dispostos a fazer reparos aos que prejudicamos?, a resposta é “sim”, evoluímos positivamente para uma vida melhor, será o começo do fim, trata-se de nosso “crescimento espiritual” e da nossa reforma intima como seres humanos, em nosso caso não nos convém fazer as coisas mais ou menos ou pela metade, é tudo ou nada, igual à nossa doença que pode acordar se eu voltar a beber.

  1. (9)      "Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazé-lo significasse prejudicá-las ou a outrem".

E agora vamos agir. Praticar este Passo sem ter a estrutura emocional necessária pode ser arriscado, pois se não tivermos algum tempo de sobriedade e praticado os Passos anteriores poderemos ter surpresas desagradáveis que podem mesmo nos levar a começar toda a programação partindo da estaca zero. Não há pressa nem data marcada para fazer tais reparos, deveremos ter coragem para alguns tipos de reparos, alguns poderão ser feitos em curto prazo, outros poderão precisar de um certo planejamento por causa da complexidade dos mesmos. Existe também a possibilidade de que façamos reparações as vezes incompletas ou parciais, se faze-las fosse prejudicar as pessoas mais do que repara-las. Neste Passo a palavra “diretas” significa “olho no olho” com as pessoas interessadas, o contato pessoal é de suma importância para que as pessoas possam “sentir” a sinceridade de nossas palavras e o verdadeiro arrependimento pelos atos que cometemos. Teremos interlocutores dos mais variados possíveis, talvez não nos comportemos da mesma maneira na frente de todos, cada caso pode ser um caso diferente, não precisaremos nos ajoelhar e pedir perdão, e conforme a personalidade de nosso interlocutor poderemos usar um linguajar diferente, para alguns poderemos explicar quem somos na realidade, qual era a vida que levamos anteriormente e o porque agíamos daquela forma, pediremos “desculpas ou perdão” pelos danos que lhes causamos. Há outros que nos avaliaram como sendo da pior espécie que existe na face da terra e que dificilmente estão a fim de nos perdoar porque não acreditam mais em nós, para estes podermos lhes dizer que “sentimos muito” pelo que fizemos, com um pouco de psicologia de nossa parte nos adaptaremos a cada situação e caso. O importante é o sincero desejo de comunicar de viva voz àqueles que prejudicamos e eliminar de nossa mente estes remorsos e culpas, sairemos mais aliviados após cada reparação. Possivelmente devamos em alguns casos ressarcir danos materiais, nos predisporemos a fazê-lo dentro de nossas possibilidades, custe o que custar. A experiência da maioria dos membros de A.A., mostrou-nos que agradáveis surpresas podem acontecer na prática deste Passo, muitos grandes inimigos acabaram se tornando nossos maiores amigos, a opinião sobre nós muda radicalmente pois nosso comportamento atual também significa uma mudança radical se comparada com nossas antigas atitudes. O resultado e a admiração que muitos terão de nós, poderá nos levar as vezes a uma euforia que nos dará vontade de começar de novo a praticar este Passo com outras pessoas, porém a euforia é perigosa para nós pois ela nos torna cegos e perdemos o controle total de nossas ações, convém que tenhamos paz e serenidade para a prática deste Passo. É gratificante para nós quando com coragem e humildade vamos fazer reparações diretas àqueles que prejudicamos, esta é a essência do nono Passo.

10) "Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente".

Este Passo é conhecido como “inventario relâmpago”, nossa programação está baseada nas vinte e quatro horas e da mesma forma temos a oportunidade de avaliar diariamente como foi nosso dia, onde acertamos e onde erramos, pelo fato de sermos seres humanos não estamos ao alcance da perfeição absoluta e poderemos errar a qualquer momento mesmo que seja involuntariamente. Sugere-se que achemos um momento para nos recolher diariamente e façamos um levantamento de como foi nosso dia, desta forma fatos recentes são mais fáceis de lembrar e, provavelmente acharemos algo que não acertamos. Não é conveniente para nós saber que fizemos algo errado para alguém ou para nós mesmos sem tentar fazer reparações ou melhorar nossa conduta, ficar com este peso na consciência pode nos levar à “bebedeira seca”, seria conveniente que o fizéssemos o mais rápido possível porque quanto mais a demora mais coragem precisaremos para entrar em ação. Precisamos admitir de imediato os erros que cometemos e o que nos levou a fazê-lo. Ainda com o objetivo de melhorar nossas vidas e obter a paz interna, faremos uma analise sobre o tipo de erro cometido, se por exemplo fiz algo errado à alguém quando me dirigia ao trabalho seja no transito ou no ônibus será praticamente impossível reparar este erro, pois dificilmente encontrarei a pessoa e reviverei a mesma situação novamente, contudo, se fui mal educado ou agressivo com um familiar, vizinho ou colega de trabalho poderei de imediato me aproximar da pessoa e pedir desculpas pelo que fiz, basta explicar com sinceridade e honestidade o que estava me acontecendo e serei compreendido e desculpado na maioria das vezes. Este Passo permite-nos revisar constantemente nossas vidas e perceber em que pé está nossa recuperação. A prática regular deste Passo ajuda-nos a viver uma vida feliz e útil. Se optarmos por praticar este Passo à noite, com certeza vamos dormir tranqüilos e acordaremos dispostos para enfrentar um novo dia.

11) "Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade".

Este Passo nos proporciona um estreitamento em nossa relação com Deus na forma que cada um de nós O concebe, de uma maneira consciente rogamos e meditamos para sentir e compreender como devemos dirigir nossas vidas. Quando praticamos o décimo-primeiro Passo exercemos um ato de humildade, é um momento de gratidão por mais um dia de sobriedade e desejamos que se repita a cada vinte e quatro horas, nesta oportunidade poderemos rogar para terceiros quando sabemos que estão precisando de algum tipo de ajuda, mas nada de material pediremos para nós, solicitamos tão somente saber qual é a direção que devemos tomar ou como deveremos agir, é um momento onde nossa mente e a força onipresente de Deus se torna uma coisa só, dá-nos uma paz interna que poderíamos chamar de estado de graça. Com a prática regular da oração e da meditação, não a dispensaremos mais e se tornará indispensável como o ar, a luz ou a alimentação, precisamos delas para sobreviver, a meditação é um caminho em direção à luz. Surgem diariamente resultados inesperados que chamamos de “coincidência, casualidade ou acaso” e entendemos o que Ele quer de melhor para nós, sempre desejando nos tornar um instrumento da Sua paz. A meditação é um ato de perguntas sem escutar as respostas, que pode ser cada vez mais desenvolvida e mais abrangente, com a prática da mesma ganhamos sabedoria e equilíbrio emocional. A intensidade de nosso bem estar ou sofrimento é proporcional à distancia entre Deus e nós.

12) "Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólatras e praticar estes princípios em todas as nossas atividades".

Quando ainda estava na ativa do alcoolismo desejava fazer qualquer coisa que pudesse deter a vontade de beber e conseqüentemente de sofrer. Viemos a conhecer os Doze Passos de A.A. que nos ofereciam meios de consegui-lo evitando o primeiro gole e iniciando-nos radicalmente a uma reforma íntima de nosso modo de viver. Em função do tamanho desta reforma íntima precisamos re-aprender a viver tal e como um recém nascido, mas quando percebemos os resultados conseguidos através destas sugestões, não pensamos mais em outra coisa senão continuar a caminhada, o ultimo gole ficava cada dia mais longe e o fato de pensar na ultima bebedeira dava-nos mais forças para prosseguir no caminho da luz, se tornou prazeroso viver em estado de graça crescente, não precisávamos mais evitar o primeiro gole, agora tratava-se de mantermo-nos sóbrios um dia de cada vez.

E com a prática destes Passos conhecemos um “despertar espiritual”. O que seria um despertar espiritual?. Na procura contínua da perfeição e crescimento espiritual praticamos estes Passos que com seu conteúdo positivo nos aproximam gradativamente à um Poder Superior a nós mesmos. O despertar espiritual poderia ser interpretado como a descoberta desta “Força Superior” que pode estar dentro de nós, de nossos familiares, parentes, amigos ou dentro de você, o bem estar é uma energia que se instala em nós com mais ou menos intensidade conforme “sentimos e apreciamos” sua existência. Através de minha própria experiência definiria o despertar espiritual como um “orgasmo espiritual”, a paz e serenidade se instalam e são alcançados durante um período de tempo variável, da a sensação de estar “surfando sobre uma onda”, da a nítida impressão de sentir-se mais leve em estado de êxtase, as vezes parece como se uma barra de ferro gelada estivesse atravessada no estomago dividindo nosso corpo em duas partes e sentíssemos uma onda de calor subir até nossa mente. O despertar espiritual não pode ser descrito de forma exata, pois cada indivíduo poderá senti-lo de maneira diferente, é uma experiência que vale a pena ser vivida.

Este conjunto de Passos nos leva a tal descoberta e modo de vida, poderemos a partir daí aplicá-la em todos as áreas de nossas vidas, estaremos prontos para divulgar tal conquista, quem éramos, quem somos, como e porque.
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Atualizado em: Qui 31 Jan 2013

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