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A sexta injustiçada

              “Sextar” já não representa uma alusão ao dia de semana e hoje tem um significado maior, de felicidade frente à iminência de algum evento importante (e em geral positivo). Esta mudança de paradigma, já há muito esperada, foi trazida ao conhecimento público por um grupo ainda pouco conhecido mas que vem clamando seu lugar dentro da sociedade: os sexteiros (e sextinas). O sextismo remonta a personagens históricos, como o companheiro de vida de Róbson Crusoé e já vislumbra representação política, embora não tenha legenda, programa político, visão ou objetivos estratégicos, já foi estabelecido em reuniões que o número do candidato a senador será 666.
              Infelizmente, a sociedade patriarcal machista e preconceituosa segue tentando dificultar esta transição e fazendo a sua típica oposição ao movimento. Inúmeros são os relatos de agressões verbais (algumas utilizam substantivos e outras até advérbios) quando o extrato mais conservador da sociedade não reconhece o direito de alguém dizer ‘sextou!’ em uma terça feira chuvosa. O grupo, embora minoritário, agora é parte do LGBTQIA+6 e possivelmente estará presentes nas próximas passeatas, agregando este importante item na agenda do respeito mútuo e pela diminuição do preconceito. Um caso emblemático (devidamente abafado pela imprensa) culminou em demissão de uma pessoa, exclusivamente pelo exercício de seu direito de ser: a pessoa em questão (que preferiu ficar anônima) era um membro ativo e influente da organização e fazia parte da ala intensa do movimento (Deep 6, na versão anglófona) compareceu a uma entrevista de emprego vestido de bebê (uma afirmação ideológica de que o tempo é uma abstração e podemos nos inserir em qualquer parte da sua linha). Indignado com o que entendeu como sendo falta de respeito, a entrevista nem começou e o gerente em questão foi acusado de intolerância temporal. Infelizmente, fatos como este acontecem todos os dias e as autoridades fingem que o problema não existe.
              Além dos atritos com a sociedade em geral, o grupo enfrenta agressões de movimentos rivais que tentam, por vezes à força, forçar a sua agenda acima das demais - como o caso dos segundinos, que acusam os sexteiros de preconceito em relação aos demais dias da semana. Na esteira desta discussão, pequenos grupos tentam se aproveitar da situação para obter visibilidade e reconhecimento, apresentando-se como paladinos de causas que eles mesmo inventaram e vendendo a ideia que podem resolver problemas que até então nem existiam. Um bom exemplo é o Feb’s (Movimento de Liberação Reparadora do Mês de Fevereiro) que visa proteger o mês de fevereiro contra a exploração perpetrada pelos demais meses (em especial Março, cuja desigualdade em relação à Fevereiro é acentuada pela proximidade entre eles).
              Há quem afirme que o melhor é manter-se alheio a este debate (embora os que falam isto sejam privilegiados, como os nascidos na distante bolha de Outubro, por exemplo) mas cada vez mais pessoas de todo mundo passam a entender seu papel nesta injustiça e não querem mais esconder-se atrás de desculpas como ‘a culpa foi de Júlio César, em 46 a.C. e não minha!’. Em breve conseguiremos reescrever esta parte cruel da História, substituindo-a por uma visão mais inclusiva do mundo e os sextinos irão mostrar como fazer isto.
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Atualizado em: Qua 5 Jan 2022

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