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Educação do Campo: uma experiência no Semiárido brasileiro

A Educação do Campo remete a questões profundas do Brasil, que não é urbano. A maioria dos municípios brasileiros é de porte pequeno e sua economia é movida pela agropecuária. Existe uma diferença enorme entre uma cidade que é urbanizada e outra que tem uma concentração populacional.
O ensino para o campo sempre foi deixado de lado. Esse povo do campo precisa estudar? Em pleno século XXI, a população brasileira trata índio como algo exótico. Somos descendentes dos povos originários, assim como dos africanos e dos portugueses. Mas parece que não aprendemos ainda, sobre a formação do povo brasileiro. E menos ainda sabemos que o Brasil é um país que não resolveu o seu problema agrário, a concentração de terras só aumenta com o passar dos anos.
Sendo assim, a educação do campo ainda é carregada de diversos preconceitos e de limites, devido a essas questões que foram colocadas. Mesmo que tenha avançado nos últimos anos com pequenas experiências em alguns municípios, ou com determinada comunidade, mas, isso não se aplica a realidade concreta do país como toda.
A educação do campo faz parte da minha vivência escolar e experiência na pesquisa científica. Eu nasci e vivi 19 anos no campo e estudei em escola no campo, no município de São Caetano, Agreste Central de Pernambuco, no entanto, na época na região não tinha nenhum ensino voltado para a realidade local.
Então, diante do déficit da educação básica fui buscar o tempo perdido na graduação em Geografia/UFPE, campus Recife, tentando encontrar respostas para velhos dilemas do povo sertanejo. Sigo nos estudos com as seguintes temáticas: questão agrária, semiárido, grandes obras e campesinato. O aprofundamento dessa experiência pode ser encontrado no livro: A renda fundiária na transposição do Rio São Francisco.
Tenho experiência com os camponeses no processo de ensino/pesquisa e é fantástico. Fico admirada com eles, toda vez que eu vou para a região do Semiárido nordestino apresentar os resultados dos meus estudos. Volto sempre pra casa com a sensação de que sei pouco. Os camponeses têm muito conhecimento prático da realidade concreta. Embora, seja um conhecimento sensível, que precisa elevar ao conhecimento racional, porém, nos faz repensar muito sobre a importância do conhecimento popular adquirido por eles em vida.
Qualquer fase do processo do conhecimento ou do nível de ensino precisa de uma articulação da teoria/prática. No processo de pesquisa precisamos fazer sempre uma articulação da prática (do conhecimento prévio), com a teoria (que é entendida através do estudo teórico) e a volta para a prática (quando conseguimos articular o conhecimento sensível e racional e através disso explicar um determinado fenômeno para uma determinada realidade), assim surgem as melhores contribuições para o desenvolvimento do conhecimento científico.
A mudança e a transformação são lentas e demoradas. Mas, apesar dos pesares o povo brasileiro é lutador e guerreiro e podemos sim, mudar esse cenário da educação brasileira. Todos conseguem aprender independente de ensino, método ou técnica, seja um analfabeto ou letrado. Os seres humanos são capazes de aprender independente da sua condição, só basta dar a eles condições e possibilidades.
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Atualizado em: Dom 1 Ago 2021

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