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Ensino de Geografia e o raciocínio geográfico: um ensaio de uma geógrafa

No artigo "Algumas considerações sobre como feedback e estrutura podem ajudar crianças a aprender Geografia", Joop Van Der Schee (2014, p. 9), traz uma reflexão interessante para nos educadores. O que fazer para os alunos ter curiosidade e interesse pela Geografia? Se a Geografia parece está a "milhares de quilômetros de largura, mas sem muita profundidade", há um problema no ensino de Geografia. Pois, o raciocínio geográfico adquire-se na prática de forma prévia ainda criança. O que faz os geógrafos é desenvolver e aprimorar esse conhecimento enquanto ciência.
Aliás, foi colocado por Franck Ramus (2018), na sua palestra - Tudo o que você soube sobre educação é que é falso - que "independente do método o aluno aprende alguma coisa". O aluno tem um conhecimento prévio, por exemplo, é comum ouvir dos bons geógrafos - "eu já era geógrafo desde criança". Entretanto, a formação básica não me apresentou esse raciocínio geográfico prévio já nutrido em mim. De fato, só descobrir que tinha essa habilidade quando entrei na universidade durante o curso de graduação em Geografia.
Como iremos conseguir dar aos nossos alunos as melhores opções para o desenvolvimento das habilidades e competências necessárias que possam facilitar a sua aprendizagem em uma determinada disciplina? Estudando e aplicando os métodos e técnicas. De acordo com Franck Ramus, existem métodos com experimentos comprovados cientificamente, "que nos permitem avaliar rigorosamente a eficácia das práticas pedagógicas".
Outra questão que a palestra, de Franck Ramus (2018) - enfatiza, é em relação à reprovação. "A repetição de ano não é uma prática afetiva do ponto de vista do aluno que repete o ano". A reprovação é uma verdadeira tragédia na vida escolar do aluno. É uma repetição desnecessária, pois, falo por experiência própria. Fui reprovada na 1 e 4 série. O prefeito trocavam muito as professoras, inclusive, algumas não tinham formação suficiente (em 6 anos foram 5 professoras diferentes). Isso prejudica muito o ensino e a aprendizagem.
Embora, com essa experiência negativa a superação aconteceu aos poucos. Eu devo um pouco dela a um professor de Filosofia - já depois do ensino médio - ele me falou que eu tinha grande capacidade para a carreira acadêmica. Na graduação um dos professores eméritos do departamento de Geografia da UFPE, me falou no penúltimo ano, "Maria você é uma excelente geógrafa, tenho orgulho de ser professor por conta de você" - ele falou isso na sala de aula, depois da minha apresentação de um seminário sobre o semiárido. Imagina o que isso me provoca até hoje. Não era o meu melhor ano, pelo contrário, era o pior. Mas esse feedbank me instigou a continuar na caminhada. Na banca de seleção para os egressos no mestrado, também, fui elogiada pela banca de seleção, na entrevista, como excelente pesquisadora.
Por isso, precisamos entender que os "professores devem conversar com seus alunos, dar-lhe feedbank e ajuda-los a encontrar o seu caminho" (SCHEE, 2014, p. 9). A minha história é só um exemplo, o quanto o aprendizado pode ser prazeroso para ambos (aluno-professor). O professor precisa ser incentivador e orientador do aprendizado. Um verdadeiro mestre engajado. Devemos superar as crenças de que nada muda. Todo ser humano é capaz de aprender, independente das condições.
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Atualizado em: Seg 19 Jul 2021

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