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Surfando a onda da diversidade sexual

              Dos escuros armários para o centro do debate, a causa da diversidade sexual trilhou um caminho árduo e conquistou (processo em andamento) seu espaço ao sol, resgatou dignidade e exigiu o pagamento de velhas dívidas. Entretanto, como todos os movimentos sociais anteriores, não foi fácil, rápido e nem uni-direcional. O movimento feminista combatia o desequilíbrio de uma situação e acabou vítima do extremismo que via na raiz do próprio mal (invertido), a sua cura. Em processamento de sinais e na matemática, este fenômeno é chamado de overshoot e somente o tempo leva a condição de equilíbrio (até o próximo novo impulso), quando a sociedade incorpora os novos padrões e o assunto vira senso comum.
              Acredito que estejamos vivendo no período de overshoot da questão da diversidade sexual e durante este período de depuração, por assim dizer, estamos ensaiando várias formas de encarar as questões relacionadas ao assunto ao mesmo tempo que editamos um novo ethos, que vai muito além do uso de pronomes de tratamento ou banheiros individualizados. Dentro deste pequeno caos existem forças operando que tem outros objetivos além da nobre elevação da moral prevalente: a simples busca de destaque, atenção e poder. O simples fato de que o leitor neste momento já deva estar buscando uma forma de denunciar este texto como homofóbico e possivelmente fascista mostra o terreno pantanoso em que nos encontramos neste momento. Quando falar sobre um tópico é difícil, exige preparação e cuidado radical para não atingir certos grupos, tudo se movimenta da forma mais lenta. Uma variante disto pode ser percebida na ala internacional dos aeroportos depois do 9/11: tudo ficou mais lento, mais difícil e desagradável.
              Todos almejam um lugar ao sol, mesa farta, respeito e admiração de seus pares. Em geral, para alcançar estes objetivos é necessário ter ou ser algo que as pessoal valorizem: ser jogador de futebol, cantor de pagode, apresentador de notícias, ator de novela, físico nuclear. Infelizmente, tais atributos não são fáceis de desenvolver no curto prazo (ou emular), fazendo deste um grupo bastante restrito. Alguns andares mais abaixo, em um cenário mais corriqueiro e mundano, é favorável ter atributos como simpatia, inteligência, humor, elegância, pertinácia e empatia pois isto lubrifica as engrenagens sociais. Na ausência de alguns (ou todos estes itens), uma ajuda muito eficaz seria capturar a atenção circundante explorando a solidariedade e empatia dissolvida no tecido social e canalizá-la para hiper-valorização do seu grupo. A palavra que você está buscando é vitimização.
              Estima-se que a vitimização tenha sido criada no Paleolítico Superior e desde então vem sendo aperfeiçoada e camuflada. Seria um exagero sem precedentes ventilar a possibilidade de que pessoas estariam se inclinando para fora do binarismo de gênero especificamente para obter os supostos benefícios de atenção, até porque as dificuldades inerentes não são desprezíveis. Por outro lado, há uma estratégia que permite desfrutar dos benefícios sem alterar a sua própria identidade: adotar a narrativa da opressão, do preconceito institucionalizado, da não aceitação e apresentar-se como o paladino da justiça (ou pelo menos integrante do exército que combate esta arbitrariedade no mundo). Em particular, é muito eficiente o corolário de depreciar aqueles que não carregam obsessivamente esta bandeira em particular, hasteada e desfraldada.
              Entre estes extremos está o resto da sociedade, as pessoas que efetivamente farão o paradigm shift, o amortecedor que irá canalizar a energia adicional das ideias extremistas e aplicar onde são necessárias para nivelar o campo e criar uma ética aprimorada, em sintonia com as demandas reais. Sic transit gloria mundi.
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Atualizado em: Seg 5 Jul 2021

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