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Cistos Ósseos Simples e Seus Aspectos Radiológicos de Importância para o Diagnóstico em Estomatologia: Uma Breve Revisão da Literatura.

Resumo
O cisto ósseo simples é uma entidade descrita como um pseudocisto, apresentando paredes internas com tecido ósseo sem nenhum conteúdo patológico ou químico. Os seus aspectos clínicos não apresentam sintomatologia e são descobertos por acaso em um exame radiográfico de rotina.  Sua etiologia e patogênese ainda não estão definitivamente estabelecidas. O tratamento tradicional consiste na realização de exploração cirúrgica e curetagem da parede óssea. Esta patologia pode apresentar diversas nomenclaturas como: cisto traumático, cavidade óssea idiopática, cisto ósseo hemorrágico, cavidade óssea progressiva e cisto ósseo solitário. O presente artigo traz uma breve revisão da literatura onde buscou-se analisar os aspectos radiográficos mais citados na literatura.
Summary
A simple bone cyst is an entity described as a pseudocyst, presenting internal walls with bone tissue without any pathological or chemical content. Its clinical features do not present symptoms and are discovered by chance in a routine radiographic examination. Its etiology and pathogenesis have not been definitively established. Traditional treatment consists of performing surgical exploration and curettage of the bone wall. This pathology may have different nomenclatures such as: traumatic cyst, idiopathic bone cavity, hemorrhagic bone cyst, progressive bone cavity and solitary bone cyst. This article provides a brief review of the literature, which sought to analyze the radiographic aspects most cited in the literature.
Introdução
O cisto ósseo simples é representado como uma cavidade intraóssea sem cobertura epitelial contendo líquido seroso ou sanguinolento, mas em alguns casos este líquido pode estar ausente (BALLESTER et al., 2009).
A incidência de cisto ósseo simples é de aproximadamente 1,1% dos cistos maxilares. A lesão é diagnosticada com maior frequência em pacientes que se encontram na segunda década de vida e não há predileção por sexo (CIFUENTES et al., 2015).
A localização mais predominante é no osso mandibular, sendo encontrada mais frequentemente no corpo mandibular e seguida pela região sinfisária. Poucos casos são relatados no ramo e côndilo. Quando ocorre na mandíbula superior, a área mais afetada é o setor anterior. Clinicamente, é quase sempre assintomático e geralmente é descoberto durante um exame radiográfico de rotina. Na maioria das vezes, os dentes da região apresentam vitalidade pulpar. Nos exames radiográficos, o OSC geralmente aparece como uma área radiolúcida bem definida, com uma borda irregular de tamanho variável, sem deslocamento dentário e sem reabsorção radicular.
 Histologicamente, é altamente variável. A lesão se apresenta como uma cavidade do osso medular, que pode ocasionalmente apresentar um tecido conjuntivo delgado sem evidência de componente epitelial. O tratamento recomendado é a exploração cirúrgica seguida de curetagem da parede óssea para produzir sangramento na cavidade e regeneração do tecido ósseo (CIFUENTES et al., 2015). O objetivo deste trabalho é apresentar um caso de OSC localizado na região sinfisária, de média extensão, em que são discutidos os aspectos característicos do caso e fazer uma breve revisão da literatura.
Revisão da Literatura
O cisto ósseo simples é uma entidade descrita pela primeira vez por Lucas em 19291. Em 1946, Rushton descreveu as paredes internas do cisto como consistindo de tecido ósseo sem conteúdo patológico ou químico. Os cistos ósseos simples representam 1% dos cistos maxilares. A localização mais comum é nos ossos longos (90%) e apenas 10% ocorre nos ossos maxilares. Homens são mais afetados do que mulheres4 nas variantes extra-faciais (VERBIEST, H, 1965).
 A localização maxilomandibular é igualmente distribuída entre os sexos e afeta mais comumente pacientes nas primeiras 2 décadas de vida (75%). Quando afetam os maxilares, geralmente são assintomáticos e o diagnóstico geralmente é um achado radiográfico. Alguns casos são detectados por seu crescimento lento e expansivo, parestesia ou dor (M. KOKAVEC, M. FRISTAKOVA, P. POLAN, G.M, 2010), (CIFUENTES et al., 2015).
Os locais mais comumente afetados são a região entre os caninos inferiores e os terceiros molares e, em segundo lugar, a sínfise mandibular. Eles raramente podem envolver o ângulo mandibular, os côndilos ou a porção anterior da maxila. Os dentes associados são geralmente vitais e às vezes ocorre erupção tardia de dentes definitivos (CIFUENTES et al., 2015).  A aparência radiográfica do cistos é uma radioluscência unilocular ou multilocular recortada com margens corticalizadas e as imagens às vezes podem ser encontradas na forma de septo ósseo intralesional. Muitas doenças da região maxilofacial apresentam as mesmas características radiográficas, por isso o diagnóstico diferencial é importante para o plano de tratamento. Algumas dessas lesões são ceratocisto, cisto ósseo aneurismático, mixomas, granuloma eosinofílico, granuloma central de células gigantes, ameloblastoma, tumor hiperpararoidal marrom e osteossarcoma (K.H. TEOH, A.C. WATTS, Y.H. CHEE, R. REID, D.E, 2010).
A histopatologia mostra a ausência de revestimento de tecido conjuntivo, numerosos fibroblastos e osteoclastos, bem como áreas de reabsorção indicando atividade osteoclástica passada. O líquido intracístico pode estar presente dependendo do tempo de evolução do cisto. Um cisto de curta duração contém líquido seroso e sanguinolento. Com o desenvolvimento do cisto, a quantidade de líquido diminui até que a cavidade se esvazie. O líquido intracístico pode ser examinado para encontrar prostaglandinas, interleucina-1, metaloproteinases e radicais de oxigênio, componentes que indicam alta capacidade reabsortiva ( ERIKSSON L, HANSSON GL, ÅKESSON L, STÅHLBERG F, 2001).
Acredita-se que o cisto ósseo simples faça parte de um espectro de lesões císticas que também inclui cisto ósseo aneurismático e granulomas de células gigantes. Várias teorias têm sido propostas para justificar a patogênese do OSC, porém isso não foi totalmente elucidado. Entre as diferentes propostas, são citadas a isquemia pós-obstrução de um vaso linfático ou sanguíneo, degeneração cística de tumor prévio, alteração da remodelação óssea e alteração do metabolismo do cálcio. A abordagem comumente citada é a teoria traumático-hemorrágica que envolve um evento que precipita uma hemorragia medular. A falta de organização do hematoma, reposição de tecido e degeneração resultariam em cavitação. Embora este seja o argumento mais discutido, a ausência de história de trauma pode ser observada em muitos pacientes como neste caso (A.A. XANTHINAKI, K.I. CHOUPIS, K. TOSIOS, V.A. PAGKALOS, S.I, 2006) .
Outra teoria proposta sugere que essas lesões são consequência de aberrações no crescimento e desenvolvimento do tecido ósseo, alterações hormonais ou bioquímicas ou diferenciação anormal das células mesenquimais. No entanto, nenhuma teoria explica adequadamente as diferentes circunstâncias em que essa entidade é descoberta (K.H. TEOH, A.C. WATTS, Y.H. CHEE, R. REID, D.E, 2010).
Conclusão
Observa-se a importância em saber identificar as alterações radiográficas e sugestões clínicas dos cistos ósseos simples para um diagnóstico de excelência. Diversas similaridades dos pseudocistos dificultam o diagnóstico, no entanto, após a obtenção do diagnóstico correto o cirurgião dentista deve escolher um plano de tratamento baseado nos aspectos radiográficos da lesão e exploração cirúrgica. Não há um receita única para o tratamento dos cistos ósseos simples e cada caso requer um estudo diferente.
Referências
CIFUENTES et.al. Quiste óseo simple de cóndilo mandibularSimple bone cyst of the mandibular condyle. Rev Española de Cirurgia Oral y Maxilofacial, 2015.
BALLESTER et al. Traumatic bone cyst: A retrospective study of 21 cases. Med Oral Patol Oral Cir Bucal 2009.
VERBIEST, H.: Giant-cell tumors and aneurysmal bone cysts of the spine. J Bone Joint Surg [Br] 47: 699-713, 1965.
M. KOKAVEC, M. FRISTAKOVA, P. POLAN, G.M. Bialik Surgical options for the treatment of simple bone cyst in children and adolescents Isr Med Assoc J, 2010.
K.H. TEOH, A.C. WATTS, Y.H. CHEE, R. REID, D.E. Porter Predictive factors for recurrence of simple bone cyst of the proximal humerus J Orthop Surg (Hong Kong), 2010.
 ERIKSSON L, HANSSON GL, ÅKESSON L, STÅHLBERG F. Simple bone cyst: a discrepancy between magnetic resonance imaging and surgical observations. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2001.
A.A. XANTHINAKI, K.I. CHOUPIS, K. TOSIOS, V.A. PAGKALOS, S.I. Papanikolaou Traumatic bone cyst of the mandible of possible iatrogenic origin: a case report and brief review of the literature Head Face Med, 2006.
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Atualizado em: Qua 30 Jun 2021

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