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Bases Histológicas da Articulação Temporomandibular e Suas Implicações para o Clínico.

Introdução
A articulação temporo-mandibular (ATM) é uma articulação bilateral presente na cabeça e compõe o sistema estomatognático. Assim, ela é do tipo diartrose entre os côndilos da mandíbula e as eminências articulares dos ossos temporais e executa funções coordenadas. A mandíbula não apenas abre e fecha a boca mas também desliza lateralmente e anteroposteriormente , sendo que esses complexos movimentos dependem também das relações oclusais entre os dentes superiores e inferiores .Os constituintes da articulação temporo-mandibular são a cabeça e o colo do côndilo da mandíbula ,a fossa glenóide e a eminência articular da porção escamosa do osso temporal ,o disco articular , os espaços supra e infradiscais , a membrana sinovial ,liquido sinovial a cápsula articular e os ligamentos associados (GORRERI MC, BARAÚNA MA, STRINI PJSA, STRINI PJSA, SOUZA GC, NETO AJF, 2010). Dessa forma, a ATM é considerada a articulação mais complexa do corpo e deve ser compreendia por todos os cirurgiões dentistas. 

Desenvolvimento Embriológico da ATM
A maioria das estruturas do sistema estomatognático , origina-se do primeiro arco branquial , pois é a partir dele que surgem as estruturas ósseas da face , da cavidade oral , do osso hioide e da própria articulação , assim como os músculos da mastigação ( KATCHBURIAN, 2004). Por volta da sexta semana de desenvolvimento embrionário , a cartilagem de meckel se estende como uma barra de cartilagem hialina envolvida por uma cápsula fibrocelular , da região de desenvolvimento da orelha até a linha média , onde ocorre a fusão dos processos mandibulares . As duas cartilagens uma de cada lado,não se encontram na linha média , pois são separadas por uma delgada faixa de mesênquima , durante esse período , há uma condensação do mesênquima próximo à superfície lateral da cartilagem de meckel com sete semanas a ossificação intramembranosa começa a condensação , formando a mandíbula . A neoformação óssea inicia-se anteriormente, ao longo da superfície lateral da cartilagem de meckel ( KATCHBURIAN, 2004).
Por volta da 14º semana começa o processo de ossificação endocondral na cartilagem do côndilo, estabelecendo-se o centro secundário de ossificação da mandibula. A superfície cartilaginosa permanece revestida por uma camada de tecido conjuntivo muito denso. Entretanto, uma fina camada de células indiferenciadas permanece na região central. Parte dessas células diferenciam-se em fibroblastos, passando para a camada mais externa , e outras em condroblastos, passando para a cartilagem subjacente. A partir desta época, poucas mudanças ocorrerem na articulação, exceto o crescimento dos seus componentes. Assim, os movimentos mandibulares pré e pós-natais influenciam a modelação da articulação (MENG QG, LONG X, 2007),( KATCHBURIAN, 2004).
 
Estrutura
A articulação temporomandibular de um jovem até aproximadamente 20 anos de idade, possui a superfície articular do côndilo com quatro camadas facilmente distinguíveis: uma mais externa de tecido conjuntivo denso, o qual é vascular, com os feixes de colágeno do tipo 1 orientados paralelos à superfície articular. Escassos fibroblastos estão situados entre as fibras colágenas, alguns dos quais são arredondados, dando a impressão de serem fibrocondrócitos. Subjacentemente a essa cartilagem, a articulação de um indivíduo jovem apresenta uma região na qual está ocorrendo ossificação endocondral para o crescimento do ramo da mandibula e do côndilo propriamente dito (TEN CATE, 2008).

Na articulação de indivíduos adultos, o côndilo também apresenta sua camada superficial constituída por tecido conjuntivo denso com fibroblastos de aspecto condróide, uma camada subjacente muito fina de células indiferenciadas, uma terceira camada de fibrocartilagem e, finalmente, uma quarta constituída por osso. O invólucro articular do osso temporal é semelhante ao do côndilo e assim, a articulação temporomandibular é diferente das outras articulações do organismo ( KATCHBURIAN, 2004).

O Disco Articular
O disco articular é uma placa ovalada que divide a cavidade articular em dois compartimentos: superior e inferior. Possui uma estrutura fibrocartilaginosa dividida em três partes: anterior, média e posterior. É avascular e não possui inervação. Exerce a função de prolongar a fossa mandibular nos movimentos anteriores do côndilo da mandíbula, estabelecendo concordância entre as superfícies articulares e funciona também como amortecedor de forças. Ele  está relacionado com a cápsula articular em toda a sua margem. Em uma linha de orientação anterior o disco e a cápsula fundem-se e permitem a inserção do músculo pterigóideo lateral. Já no sentido lateral e medial o disco e a cápsula estão fixados independentemente nas partes lateral e medial do côndilo da mandíbula. Posteriormente, o disco e a cápsula estão unidos pela zona retrodiscal. Esta união oferece ao disco a liberdade necessária, permitindo o movimento anterior, no caso de protrusão e abaixamento da mandíbula (MENG QG, LONG X, 2007), (TEN CATE, 2008).

Membrana Sinovial
Membranas sinoviais são uma fina camada de tecido conjuntivo que reveste as superfícies das ATMs, especialmente nas regiões mais vascularizadas e inervadas da zona retrodistal. Este tecido produz o líquido sinovial, o qual é viscoso, nutritivo, lubrificante e deslizante. Quando a articulação encontra-se sob maior pressão e os números de movimentos mandibulares se intensificam, há aumento da quantidade do líquido sinovial, promovendo lubrificação e nutrição a toda superfície da ATM, facilitando os movimentos de uma superfície sobre a outra (TEN CATE, 2008).

Função da membrana sinovial: preenchimento dos espaços livres intra-articulares que permitem movimentos articulares sem causar danos, produz e reabsorve o líquido mantendo o equilíbrio fisiológico, constitui um filtro para trocas entre a cavidade articular e os tecidos com capacidade de depuração e fagocitários, nutrição da cartilagem avascular das superfícies articulares e tem função de lubrificante para reduzir a fricção.

Bases para o Cirurgião Dentista

O extremo conhecimento da ATM é essencial para qualquer especialidade odontológica. A disfunção temporomandibular é o principal problema que acomete a ATM e surge como um grande desafio para a maioria dos dentista, mas a falta de conhecimento sobre a constituição dessa complexa articulação faz com que muitas formas de tratamento não sejam empregadas (MENG QG, LONG X, 2007). 

A ocorrência de DTM é maior no sexo feminino, o que pode estar relacionado ao fato de que a proporção de mulheres com patologias ósseas e psicossociais é maior que a proporção de homens afetados. Outra explicação possível seria que, em idade reprodutiva, a prevalência de sinais e sintomas de DTM em mulheres passa a ser maior, pois o estrógeno é o principal contribuinte para a regulação do crescimento e desenvolvimento ósseo, além de influenciar no mecanismo periférico e central da dor (ARAÚJO et. al, 2019). 

Os sinais e sintomas associados à DTM podem variar em sua apresentação e comumente envolvem mais de um componente do sistema estomatognático. Os três principais sinais e sintomas são dor, amplitude de movimento limitada e sons na ATM. A dor é geralmente a queixa principal e pode ser intermitente ou persistente, geralmente de intensidade moderada. Os sintomas mais comuns são dor e sensibilidade à palpação dos músculos pericranianos e da ATM, e muitas vezes eles coexistem (ARAÚJO et. al, 2019) . 

Atualmente, a DTM é considerada de causa multifatorial e os possíveis fatores envolvidos foram elencados como sendo: trauma direto ou indireto (lesões do tipo chicote); microtrauma (provocado por ações repetitivas, como hábitos parafuncionais − bruxismo, apertamento dentário, etc.); fatores psicossociais (ansiedade, depressão, etc.); fatores fisiopatológicos; fatores sistêmicos (doenças degenerativas, endócrinas, infecciosas, metabólicas, neoplásicas, neurológicas, vasculares e reumatológicas); fatores locais (alteração na viscosidade do líquido sinovial, aumento da pressão intra-articular, estresse oxidativo, etc.), e fatores genéticos (presença de haplótipos associados à sensibilidade dolorosa).

Dessa forma, a articulação temporomandibular é uma das principais articulações existentes no ser humano, pois sem ela não haveria uma boa relação entre os componentes que proporcionam a permanência da vida. Ocorrendo alterações nesta, teremos as disfunções temporomandibulares que devem ter um tratamento adequado para tornar a vida do indivíduo mais agradável e para isso é importante a atualização do conhecimento do cirurgião-dentista.





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Atualizado em: Sex 18 Jun 2021

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