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A fera que em mim habita

Posso compreender a necessidade milenar de domesticar as mulheres, pois existe algo selvagem e poderoso dentro de mim que reivindica liberdade. Algo que se rebela violentamente contra o convencionalismo social e que, se não tivesse sido trancafiado desde cedo pelas grades religiosas, pela submissão forçada e pelas regras de conduta, seria indomável.
Esta intensidade está aqui, posso senti-la, sou obrigada a me digladiar com ela constantemente para que não me domine e destrua tudo o que construí ao longo de décadas, contudo, me questiono sempre. Será que este é o correto? Devo sempre manter na superfície a pessoa moldada pelo tradicionalismo conservador? Quando o faço, não estou eu cerceando a minha capacidade de criar e de deixar fluir meus sentimentos e sensações primitivos que de fato me dão forma?
Há muito tenho limitado a minha natureza, meu egoísmo essencial que garante a sobrevivência dos humanos até os dias atuais, tenho mantido em rédeas curtas a fera que em mim habita e que clama por libertação. Nos raros momentos em que a deixei escapar, tive momentos de euforia, momentos de genuína satisfação, mas, invariavelmente, ocorreram baixas no caminho. Estas perdas foram significativas e impactaram fortemente na formação da minha personalidade, fortalecendo a prisão da minha essência.
Há dias em que posso lidar calmamente com esta situação, dando à decisão de conter meus impulsos a roupagem de amadurecimento, há outros, no entanto, em que me puno severamente por não ter coragem de assumir quem sou de fato e continuar me escondendo atras de um fantoche socialmente aceito.

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Atualizado em: Seg 8 Mar 2021

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