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Deixe o Karl Cair - 10

I. Amar denovo
Não lembro a data e hora da primeira vez em que vi o Kaio, mas lembro perfeitamente o cheiro do seu perfume.
 Kaio era um completo estranho para mim: não havia estudado comigo nem frequentado os mesmos lugares. Tudo indicava que nossos círculos de amizade também não se cruzavam.
 Você pode se perguntar o por quê de eu ter me aproximado 
repentinamente de um desconhecido, certo? Ele tinha duas coisas muito 
peculiares: uma coragem insana e um passado misterioso (para mim que não conhecia).
 Praticidade fez parte dos nossos encontros... inclusive, marcamos esse primeiro contato na tarde anterior. Não tínhamos conversado mais do que um 
"Oi, tudo bem?" , "Quem é você?" , "Legal e tu?" . 
 Foi tudo muito rápido então lá estava eu sentada no banco de uma praça muito ampla e arborizada, com o vapor do sol dos meio dia lutando para tirar   
A primeira coisa que eu achei bem estranha foi que ele se atrasou mais do que eu. Quando ele chegou eu entendi o por quê: estava bem mais arrumado (desnecessariamente) que a personagem que vos narra.
 Vou descrever para vocês, tô tentando não rir disso, mesmo mesmo... 
 Assim que o vi, parecia gótico, vestindo preto dos pés a cabeça. A única coisa com cor ali era o cabelo dele no sol, que por sinal estava grande, do tamanho do meu para mais. Depois de uma breve conversa, entendi o "style".
 Perguntei-o várias coisas, que de fato eram respondidas rapidamente - 
tramontina, corte rápido - Ele era sincero, muito sincero. Não demorou muito até que estivéssemos longe dali em um canto mais tranquilo e vazio.
 Eu conhecia aquele bairro e sua vizinhança como a palma da minha mão, por mais que eu tentasse me perder, alguém ia me achar. Foi dito e feito, sentamos em frente a um apartamento em que havia uma curiosa senhora nos observando do terceiro andar. 
 Ela ficava de minuto em minuto entrando e saindo para a sacada, parecia desesperada como se tivesse visto um fantasma.
 Avisei o Kaio que era melhor a gente parar de conversar para ver o que ela iria fazer. Ele quis saber o motivo, então eu disse: fica calado e senta direito que eu acho que ela vai descer para o térreo.
 A senhorinha depois de alguns minutos desceu para o térreo e começou a checar ansiosamente uma pequena bolsinha que carregava na mão direita. 
 Vendo ela assim mais de perto, percebi que era muito parecida com o meu professor de química: se ele fosse uns 20 anos mais velho e uns 15 centímetros mais baixo. 
 O que realmente me fez perceber quem ela era, foi o cabelo cor de fogo que tinha. Não sou muito de reparar em cores, mas que, na iluminação certa, posso ver outras.
 Kaio diferentemente de mim não perde tempo, perguntou se ela era professora. 
A velhinha riu e disse que tinha sido professora, mas que havia se aposentado há muito tempo (provavelmente antes de eu nascer e com certeza do Kaio também). 
 Quando a senhora perguntou o por quê, respondi que suas feições me lembravam alguém, mas não era nada demais, me despedi dela antes que o Kaio ousasse fazer mais perguntas: a mulher já estava visivelmente incomodada

II. Vinicius o retorno

Já fazia três anos que eu não conversava direito com o Vinicius. Eu tinha inventado a maldita ideia de sempre parabenizá-lo em seus aniversários.
Queria dar parabéns para ele por ter aguentado mais um ano, mas também queria dar um soco na cara dele e chamá-lo de idiota.
 Não sou boa com datas, de verdade. Datas e nomes somem da minha mente numa rapidez impressionante. Já a minha memória fotográfica é ótima, até porque lembrar de nomes parecidos tipo: Mariana, Maria, Mariano, Mariane, Marrie... é difícil. 
 E tem mais: Mateus, Matheus, Marcelo, Miguel, Michel, Manoel (ou Manuel ou Emanuel)...
 O que sobra de criatividade nos pais na hora de escolher o nome do filho, falta na minha capacidade de lembrar tantos nomes parecidos.
Triângulos amorosos são o tema mais clichê que existe em histórias de romance - colegial - ficção e seus relacionados.
 Agora cá estamos, a personagem principal e dois garotos completamente diferentes (inclusive de idades diferentes, o Vini tinha 20 e o Kaio 17) e a decisão final recaiu sobre quem? ---
 Obrigada vida, por suas consequências e cobranças.
** Oh mama oh la oh la, 
Don't know what this is
Oh mama oh la oh la,
What do I do know? **
 Fui encontrar o dito cujo "só o pó da rabiola"*
* - cansada, exausta, de ressaca.
 Se eu dormi 5 horas foi muito. Me meti em confusão e dessa vez nem tinha sido eu a causadora.
 Só respirei fundo e fui dar de cara com o passado.
 Enquanto eu enterrava tudo, os sentimentos renasciam nele. Injusto, não? 
KARMA, kar-ma. Não tinha para onde eu correr: ele estava parado em frente a porta do colégio.
(Vinicius tinha estudado lá também, não sei se vocês estão lembrados). 
 É como se após ter assinado a carta de alforria, um escravo quisesse voltar a estaca zero e libertar outro. *
 * * Nota do autor
Claro que isso é um tremendo exagero, porém o melodrama está aí para ser vivido.
Fim da nota do autor * * 
 Disse que havia passado para uma Universidade Estadual com tudo incluso, uma das melhores do país.
 Nossa, fiquei super feliz! Apesar dos apesares eu tinha presenciado cada esforço da parte dele para chegar até esse momento.
 Os olhos dele brilhavam de emoção, os meus também.
 Opa opa, não pode rolar beijo aqui, vamos com calma _ disse a voz da consciência. 
meus parabéns, disse que agora não precisaria mais aguenta-lo. 
 Detesto despedidas, com todas as minhas forças. Aquele momento definitivamente era um adeus.
 Dei as costas para ele, entrei na portaria, virei em direção ao campo de futebol e 
meu celular apitou.
 Abri para ver de quem era, adivinha de quem? Só tinha três palavras escritas: 
Eu quero você. 
 Ele estava se declarando para mim, tudo que eu queria era aceitar tudo isso. 
 "(...) mas foram tantos sim, que agora digo não. Porque a vida é louca mano, a vida é louca." Iza





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Capítulo 12
O que você fez comigo Kaio?
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Atualizado em: Seg 1 Mar 2021

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