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Madrugadas

Depois que eu durmo (se é que consigo) há sempre um peso mental que me puxa infinitamente para baixo, me fazendo acordar. Esse peso chama-se "paranóia", me faz ter pesadelos e sufocar com cordas imaginárias chamadas "aborrecimentos".
Meu coração acelera, minha respiração fica ofegante, minhas mãos tremem e então...
Uma velha amiga vem me visitar. O nome dessa amiga? Ansiedade.
É assim que ela entra na madrugada fria, faz com que meu corpo fique indeciso entre o quente de meu sangue e o frio de meu nervosismo.
Ansiedade e eu somos amigas desde muito tempo, aprendi a aceitar as visitas dela, tomamos chá por alguns minutos ou até por várias e várias horas.
Se eu gosto...? Não.
Mas quando eu a mando embora, ela cisma em retornar, então apenas a deixo viver um pouco de minha vida.
Meus sonhos se mesclam com a possível realidade em que me encontro na madrugada, e minha mente vagueia por universos inimagináveis, coloridos ou negros.
Ansiedade possui uma melhor amiga. Seu nome é Insônia, e ela adora me visitar também. Inclusive, está me vendo escrever nesse momento.
No dia seguinte desse chá de alucinações soníferas, meu corpo pesa, mas por outro motivo: cansaço.
A luz me atrapalha, me cega como vidro quebrado, a claridade é simplesmente insuportável.
As vozes ficam longe e embaralham-se junto a devaneios obscuros que minha mente cisma em criar.
Me manter acordada é um desafio intenso, e sempre sinto minha sanidade se esvair de minha consciência aos poucos, como se quisesse brincar comigo de ser feliz.
O mundo se torna uma imensa borra de tinta guache, mal pintado, estreito e completamente abstrato.
As borboletas ganham mais cor, assim como tudo ao meu redor, e tudo se resume em bocejos e olheiras.
E quando a noite chega, cansada de aguentar o dia, a cama se joga em mim e eu me encontro novamente com minhas decepções e angústias.
As paranóias me visitam, Ansiedade também, mas o sono ganha na batalha infernal e permite que eu sonhe normalmente.

Madrugadas são como folhas rasgadas e queimadas, uma pilha de papéis velhos em meio a cinzas de uma fogueira recém apagada. Uma faísca, um incêndio completo.

E é por estar pensando nisso que eu não consigo dormir.

 

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Atualizado em: Seg 22 Fev 2021

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