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Fingir que se vive ou viver sem fingir!!!!

Sophie estava em um momento de sua vida que precisava decidir se vivia e deixava de fingir, ou se continuava fingindo e vivendo uma vida de frustração e infelicidade.
Estava com seus 40 anos, era separada, estava acima do peso, e com problemas de autoestima. Era mãe zelosa, ótima profissional, boa filha e amiga maravilhosa, mas como nem tudo na vida é perfeito e era infeliz no amor. Nunca fora feliz nos assuntos do coração, apesar de ter amado apenas uma vez, depois disso, passou a vida tentando encontrar alguém, mas nunca conseguiu entregar seu coração para outra pessoa.
Viveu uma vida em que se preocupava com a opinião dos outros sem levar em consideração seus desejos ou suas vontades, quase sem prazeres carnais, onde tudo não passava de fingimento.
Fingir significava ser aceita e não ser julgada. Sabia que era uma mulher feia, gorda, que não chamava a atenção dos homens, por isso fingia, não para convencê-los mas para si mesma. Não queria pensar que era problemática incapaz de sentir o verdadeiro prazer com o sexo, apesar de ter certeza de que era exatamente isso que acontecia.
Fingindo se sentia desejada e única, mas na maioria das vezes ao dar aquele sorriso de lado ao término da relação, se sentia frustrada por mais uma vez não conseguir chegar ao orgasmo. Quando perguntavam se ela tinha gostado, sempre a mesma resposta: Foi incrível, gozei muito!
Era melhor mentir e fingir do que falar que não chegava ao clímax, ou melhor, que muitas vezes quando chegava não conseguia passar do quase, não conseguia ser totalmente satisfeita na cama, era melhor fingir do que assumir que não era completa.
Eram muitos seus problemas de autoestima, talvez gerados por abusos psicológicos, violência doméstica ou abusos sexuais que sofrera quando criança, mas a verdade era que Sophie fingiu a vida inteira. Aprendera que uma mulher não podia gostar de ser tocada por um homem, que não podia fazer certas coisas entre quatro paredes sem ser taxada de prostututa ou vadia. Não queria ser assim, ou será que no fundo queria? Será que essas mulheres não eram mais felizes, não eram mulheres de verdade? Não seria melhor ser taxada como tal e ser verdadeira do que ser mulher decente e ser uma grande mentira?
Viveu uma vida acreditando que a mulher devia estar presa a falsos tabus, a pré-conceitos de moralidade que determinam se ela era ou não uma pessoa descente. Viveu e deixou que a sociedade e a cultura que herdou de sua criação estabelecessem e determinassem sua verdadeira felicidade!
Sophie estava cansada disso tudo, cansada de fingir, de aprisionar o desejo que brotava de seu interior, de ser infeliz, de se sentir feia e fracassada como mulher e principalmente cansada de ser  incapaz de encontrar alguém que a libertasse de si mesma.
Então, seu amigo, vendo todo este sofrimento e sem saber como fazê-la enxergar a mulher incrível e maravilhosa que ela era, resolveu ajudar sua amiga nesta libertação.
Sugeriu que ela criasse um perfil anônimo em um site de encontros adultos. Tirasse fotos sexy e postasse neste site, sem uma exposição maior de quem era de fato. A princípio a ideia foi absurda aos  ouvidos dela, mas depois Sophie se permitiu pensar no assunto.
Seria seu grito de rebeldia, sua maneira de falar que cansou ser quem não era. Por mais contraditório que pareça seria se permitir através do anonônimato parar de se esconter. Seria libertar aquela mulher que estava aprisionada dentro dela sem medo de julgamentos, afinal quem saberia que aquele perfil era da mãe zelosa, da ótima profissional ou da grande amiga? Ninguém, aquele perfil seria da mulher que precisava se libertar. Então vencendo todos os seus medos ela fez!
Para a sua surpresa, encontrou um mundo diferente, mas composto por pessoas normais, como eu ou você. Mas também eram pessoas que viam o sexo com um grande prazer a ser vivido, sem medo de julgamentos, onde a principal regra a ser seguida era o prazer. Um mundo onde não existe o bonito ou feio, o magro ou gordo, o alto ou o baixo, e sim o prazer.
Sophie se soltou e conheceu uma parte dela que não conhecia, da mulher confiante, linda e maravilhosa, capaz de viver plenamente sua sexualidade, sem se perder em seus medos e traumas, descobriu dentro dela desejos que jamais pensava existirem, ou se existiam jamais teve coragem de externalizar. Encontrou um mundo onde os parceiros se preocupavam muitos mais em dar prazer do que em receber.
Descobriu que neste mundo não precisava mais fingir e que podia falar sobre seus desejos, sobre suas sensações e quando não estivesse bom, poderia apenas falar. Descobriu-se sexy e sedutora, entendeu que homens de verdade gostam de mulheres de todos os tipos físico, que isso é apenas um detalhe quando a mulher é segura de si e de suas vontades.
E assim Sophie parou de fingir e começou a viver, mas o problema é que não sei se ela estava preparada para este mundo que lhe foi apresentado sem instruções de uso. Será que Sophie, apesar da sua meia idade, está preparada para viver neste mundo que acabara de descobrir?
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Atualizado em: Seg 22 Fev 2021

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