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A menina que sabia voar

Uma vez conheci uma menina que sabia voar. Era uma criança fascinante, daquelas que pulam, correm, e brincam livremente, sem medo da vida e muito menos de se sujar. Voava entre uma árvore e outra, entre uma floresta e outra... apesar de pequenina aventurava-se pela vida, e se apaixonava por cada lugar que visitava.
Amava a natureza, e quando o vento soprava o seu rosto, movimentando os seus cabelos que vivam emaranhados ela se sentia mais leve e voava mais alto, pois sentia o gosto da liberdade passar pelo seu corpo.
Essa menina doce como açúcar, vivia sempre rodeada de amigos, todos verdadeiros, outras crianças, que assim como ela sabiam a simplicidade de viver.
Vez ou outra, voava para uma cachoeira, que tinha perto da cidade onde ela morava, e lá, ficava a se banhar  e com os animais a conversar. Foi lá que ela conheceu uma senhora encantadora, tinha o corpo brilhante e dourado como o ouro, e do seu corpo emanava um delicioso perfume de lírio, tinha uma voz suave, que encantou a pequena menina. Essa senhora pediu para que fosse chamada de mamãe Oxum. E foi ela quem lhe deu um conselho que  deveria lembrar por toda a vida:
- Viva com amor no coração, seja justa, e nunca perca a sua liberdade, pois na sua vida, ninguém deve ser mais importante do que você, doce menina!
- Sempre que quiser poderá me encontrar por aqui, e em meio a qualquer dificuldade, lembre-se, que você nasceu para voar.
O tempo passou, a menina cresceu, e os pés no chão fixou.
Logo por um homem se apaixonou, e o amor o seu peito tomou.
Esqueceu de suas asas e aos poucos deixou por se aprisionar, não sentia mais vontade de voar, nem de nadar, queria apenas com seu amado andar.
A doce menina, não deixou de ser doce, mais sua alegria agora era diferente, parecia apenas por fora, com uma figura pintada num papel, a alegria não parecia mais da alma brotar.
Sua luz foi ficando fraquinha e ninguém sabia o que estava acontecendo com aquela "menina mulher", porque nos seus olhos haviam tristeza?
Eis que um dia ela resolveu procurar mamãe Oxum na cachoeira, e lá em meio ao som maravilhoso das águas correndo entre as pedras, ela perguntou:
- Porque perdi a minha alegria?
E ouviu alguém lhe responder:
- Você nasceu para ser livre, e está aprisionada em um mundo que não é o seu! Viva, e não deixe a vida passar...
A menina voltou para casa e resolveu ganhar o mundo novamente.
Mais seu coração estava tão preso naquele amor, que ela não conseguia olhar para a frente, olhava para trás, presa no amor que teve, no passado. 
E não viu quando num buraco caiu. ele era fundo e escuro, e úmido.
A menina queria de lá sair, começou barranco tentar subir, porém quanto mais ela se debatia, mais lama surgia.
Subia e voltava a cair enterrada no meio da lama, a pobrezinha se sentia tão frustrada, tão triste, tão derrotada que não via como poderia sair de lá. 
Pensou que naquele buraco iria  morrer, e bem no fundo do seu coração era isso que ela queria acontecer. 
Ergueu seu pensamento, e lembrou de Deus, pediu e suplicou a ele que a levasse ou que lhe mostrasse o seu caminho, pois não aguentava mais aquela vida que levava, aquela prisão e aquele sofrimento, estava cansada e não iria mais lutar. 
Neste momento, sua mente foi invadida pela lembrança de sua infância, e da alegria que ela tinha, na sua força, e nas palavras de mamãe Oxum: Você nasceu para ganhar o mundo doce menina, nunca deixei ninguém te aprisionar, você nasceu para voar! E finalmente a menina lembrou que tinha asas para voar e voou, alto, ao horizonte!
Nunca mais se teve notícias dessa menina doce, dessa mulher forte!      Dizem que vez ou outra, quando o vento bate em nosso rosto, e movimenta nosso cabelo como se ele tivesse vida, é ela, que vem até nós, para nos falar, que a vida foi feita para viver, e que ninguém nasceu para ficar nas gaiolas criadas pelo homem...

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Atualizado em: Qui 18 Fev 2021

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