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São tempos difíceis e engraçados

São tempo difíceis e engraçados, há uma luta intensa e contínua para provarmos quem é o melhor, quem é o maior, quem tem o melhor salário, quem tem o melhor cargo, quem fala mais bonito, quem tem mais conhecimento, quem tem a família mais perfeita e os filhos mais incríveis.
São tempo difíceis e engraçados, a era do conhecimento nos possibilitou alcançar níveis inimagináveis de informação mas, em contrapartida, tem nos aprisionado em eternas comparações em que nunca somos suficientemente bons.
São tempo difíceis e engraçados, quando mergulho no profundo dos olhos daqueles necessitam mostrar suas glórias, vejo nada além de pânico, o medo aterrador de não ser bom o suficiente, de PRECISAR ser aceito e fazer parte de algo maior.
Mas para além dos que gritam as suas realizações, estão os que só falam quando acreditam ter algo interessante para contribuir, estes não são nada diferentes dos primeiros, é possível ver o pavor de não PARECEREM suficientemente cultos e capacitados.
Mas onde está a graça? Somos nossos próprios algozes, somos nós quem definimos e forçamos um padrão de comportamento, o engraçado é que quanto mais no padrão, menores as oportunidades de nos destacarmos, quanto mais nos forçamos em direção ao medíocre, nos punindo por não nos enquadrarmos, menos temos tempo de pensar diferente, de atingirmos a nossa plenitude, de nos encontrarmos.
Quando forçamos os nossos filhos a tirarem altas notas em todas as matérias, estamos impulsionando-os em direção a média. Quando nos forçamos a sermos bons em tudo, alimentando conhecimentos aleatórios e deixando nosso talento morrer de inanição, caminhamos de forma doentia para a mediocridade. A nossa essência base que nos conecta com a criatividade se perde nesta incessante busca de aceitação.
Estamos morrendo em vida, com bornout, graves quadros de stress e depressão. Não somos capazes de ver a beleza de uma tarde no parque em meio a crianças despreocupadas. Deixamos de curtir aqueles pequenos momentos de intensa paz e tranquilidade.
Não me atrevo a dizer que tenho a solução para todas as histórias, porque somente quem vivencia sabe como dói. Também não me atrevo a dizer que todos tem algo de genial para compartilhar. Muitos serão felizes fazendo o básico, como eu. Sei que não sou um gênio, sou uma executora, uma compiladora de conhecimentos, em forma de teoria ou de prática e não tenho a pretensão de ser criadora. Estou convicta de meus potenciais e da minha importância social, mas quantos gênios estão presos nas regras? Quantos gênios da matemática foram punidos por não escreverem adequadamente e se trancaram em seu mundo sentindo-se incapazes de compartilhar com o mundo a sua criação? Quantos grandes indivíduos se bloquearam desde a mais tenra idade por não se encaixar nos modelos mentais das demais crianças?

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Atualizado em: Qui 18 Fev 2021

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