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Biografia de Eduardo Medeiros Ranke

Meu nome é Eduardo Medeiros Ranke, tenho 42 anos e essa é a minha história - ou, pelo menos, a parte dela que eu quero contar pra vocês, hehehehe. Tem coisas que a gente não fala nem pro travesseiro. Essa lição aprendi com meu pai, seu José Maria. E por falar nele, é um bom começo. Vale a pena conhecer a história desse sujeito pica!!!! Na verdade, se esse texto não fosse sobre a minha história, eu contaria os detalhes da dele... Daria um livro foda, a história do velho. Talvez um dia eu conte...
Seu José Maria nunca aceitou esse nome de pobre e a vida de pobre que o Destino lhe reservou (Destino é o caralho, diria ele!!!). Nascido numa família pobre de catadores de caranguejo, viveu sua infância e adolescência literalmente na lama. Morava num barraco ali pelos lados da Barra da Tijuca, que na década de 40, quando ele nasceu, era só mato e mangue, quem diria...
O pouco que frequentou a escola, Zé Maria já percebeu que não era por ali que ele conseguiria sair do atoleiro. Aprendeu o básico com as professorinhas do município, tão fodidas quanto a família dele. Não, não era isso que ele queria pra vida. A infância e a adolescência passaram entre dedos machucados por caranguejos e punhetas vendo revista de mulher pelada...
Deu-se o caso que, José Maria se alistou no Exército em 1964, ano da Revolução Militar. Aí ele percebeu que sua sorte começava a mudar. Em quase três anos de “serviço à pátria”, o soldado Zé Maria angariou a simpatia e admiração dos grandões do seu quartel, que aconselhavam-no a tentar engajar na vida militar. Mas ele sabia que engajar era continuar lambendo o saco e comendo as migalhas que os generais ofereciam pra cabos e sargentos... Não. Ele tinha outros planos.
No momento de decisão, preferiu pedir baixa. Mas saiu do quartel com uma coisa muito importante, principalmente no momento em que o país vivia: bons contatos. Isso me faz lembrar um caso que vou contar rápido aqui, da única vez que Seu José Maria me bateu. Foi na minha adolescência, quando ele foi chamado na escola porque eu estava fumando maconha com uns viciadinhos atrás do muro da escola. Ele pediu mil desculpas à Diretora, uma gorda que suava em bicas, com mais medo do meu pai do que qualquer coisa. Fomos pra casa e ele mudo. Quando chegamos em casa ele mandou eu subir pro meu quarto e espera-lo. Subi. 20 minutos depois veio ele. Fechou a porta, e, sem eu esperar, me deu uma tapa em cheio no meio da cara e disse: “A vida de um homem se decide por quem ele procura pra andar junto. Se você quer fumar maconha, traga outros filhinhos de papai ricos e fumem aqui em casa, na maciota!!! Não com um bando de fudidos que só vão te puxar pra baixo”. E saiu. Não falou mais no assunto. Entenderam??? O problema pro velho não era a maconha, mas eu andar com pobre!!! Kkkkkkkkkkk Grande José Maria!!!
Pra adiantar um pouco a história, vou pular logo pra parte em que meus pais se conheceram, senão isso aqui vira uma Bíblia. E escrever nunca foi a minha praia.
Com 30 anos, meu pai já era dono de duas empresas de processamento de carne de siri, que vendiam muito bem pro mercado exterior, principalmente norte-americano. Experiência na lama e “bons contatos”, lembram??? Lógico que agora ele nem pisava mais no mangue. Engordou a barriga e vivia no escritório, bebendo whisky e negociando com empresários gringos, sem falar uma palavra de inglês. É aí que entra minha mãe na história. Senhorita Audrey Lopes Ranke, moça de 20 anos, vinda de uma colônia alemã nos confins do Rio Grande do Sul. Veio para o Rio porque achava que cantava bem. Foi morar com uma prima e o marido. Três meses foram necessários pra ela ser assediada (e quase estuprada) pelo marido da prima, e levar redondos “nãos” e outros assédios de vários bares e casas de show. A coroa nunca cantou bem mesmo, tenho que concordar!!! kkkkkkk Mas era linda!!! Loira natural e com olhos tão azuis que eram capazes de deixar qualquer homem enfeitiçado... Aliás, essa é a minha lembrança de infância mais antiga – aqueles olhos de um azul que não dá pra descrever, me olhando com carinho. Eram olhos azuis, azuis... e vazios. Burrinha, coitada!!! Estudada. Terminou o colegial. Mas tapada, “sem visão”, como dizia meu pai quando queria ofendê-la. Dela eu herdei os olhos azuis e o cabelo aloirado. Mas a inteligência, herdei do velho, graças a Deus!!!!
Quando minha mãe entrou no escritório do meu pai pra ser entrevistada como secretária bilíngue (na verdade, pra fazer justiça, ela falava muito bem português, inglês e alemão), o velho Zé Maria arriou os quatro pneus no ato. Não ouviu uma palavra do que ela disse sobre suas referências. As únicas referências que contaram foram os olhos azuis e as belas pernas torneadas da Senhorita Audrey. Tá contratada!!!!
Daí vocês já sabem no que vai dar, né??? Um ano e meio depois, a pura Senhorita Audrey informa ao Seu Zé Maria que estava grávida. E vambora agitar o casamento a toque de caixa. Sem noivado? Pra quê? Nosso amor não pode esperar!!! E nem a barriga... Sete meses depois do casamento, nasci eu, prematuro. “Mas esse menino nasceu tão grande pra um bebê prematuro...” Sim, toda família tem suas tias encalhadas e fofoqueiras.
Mamãe saiu do emprego e se tornou, em tempo integral, a esposa do Dr. José Maria Medeiros - sim, chamavam o velho de Doutor, sem ele nem ter terminado o ginásio. As maravilhas de o dinheiro não faz...
Da infância, além dos olhos azuis de mamãe, minhas memórias mais antigas são as mesmas de qualquer filho de rico que morava em apartamento na Zona Sul do Rio de Janeiro. Muitos brinquedos, muitas babás, muita TV. Poucos coleguinhas, pouco tempo com meus pais e quase nenhum “não”. Minha mãe vivia mais no salão do que em casa. Afinal, meu pai cobrava diariamente a beleza de quando a conhecera. Acho que a coroa amou de verdade aquele velho até morrer – pra aguentar os chifres e grosserias dele. Ela morreu ano passado. Câncer.
O Velho vivia mais no escritório que em casa. Soube ganhar muito dinheiro, mas não aprendeu a curtir o que o dinheiro pode proporcionar... Mania de pobre que enriqueceu. Acha que o dinheiro vai acabar a qualquer momento, não importa o quanto você tenha no Banco, no Brasil e no exterior. Mas não era pão-duro – menos mal – eu e minha mãe sempre tivemos todo conforto material que o dinheiro pode comprar.
Com o Velho eu aprendi também que, algumas pessoas nasceram pra servir, outras pra serem servidas. Isso é a ordem natural, ordem de Deus, sei lá... Levei e levo essa lição pra toda vida!!! Na adolescência, comecei a testar essa “ordem natural das coisas” com as empregadas, as jovens, claro!!!! hehehehehehe Minha mãe ficava doida, queria me dar sermão católico pra cada passada de mão que eu dava nas meninas, pra cada encoxada, pra cada punheta que eu obrigava as empregadinhas a baterem pra mim – extensão do serviço, ué!!! hehehehehe Minha primeira foda foi com uma dessas. Uma morena safadinha que achava que dando pro filho do patrão ia ter boa vida!!! Coitada!!! Nesse ponto nunca fui otário. Sempre encapei o “garoto”!!! Lição do velho também: “Eu não vou ter neto preto!!! Se liga, moleque!!!”
Terminei o Ensino Médio (Segundo Grau, na minha época), e já ingressei na faculdade de Administração. Sonho do velho: “Pra você aprender de negócios na teoria, e depois na prática comigo, pra me substituir quando eu morrer!!!”. Cursei a faculdade mais interessado nas choppadas e nas patricinhas do que nas Teorias Econômicas e Administrativas...
Na faculdade, conheci meus dois vícios da vida, que levo até hoje: cocaína e xoxotas rosadinhas, quanto mais melhor!!! Se Deus fez alguma coisa melhor, guardou pra ele. Mas têm que ser de qualidade, das boas. Sem brincadeira, às vezes sonho que a subida pro Céu é feita de uma longa trilha de cocaína colombiana de um lado e outra de bucetinhas rosadas do outro!!! Ah, delícia!!!
Mentira!!! Tem um terceiro prazer que também me embriaga; o poder. Mas do que o dinheiro, é o poder que me faz viajar como se estivesse chapado de coca!!! E foi com essa ideia de poder na cabeça que eu saí da faculdade com uma meta ainda embrionária na mente.
Logo depois da formatura, já avisei pro Velho: “Não vou assumir as empresas. Não quero ficar com cheiro de caranguejo pro resto da vida como você!!!”. Peguei pesado, eu sei!!! Mas com o velho Zé Maria era assim: ou na porrada em knockout ou ele levantava e te engolia.
Herdei do velho também o talento para os “bons contatos”. Saí da faculdade conhecendo as pessoas certas pra me apresentarem pro único lugar em que a minha fome de poder poderia ser saciada: a Política!!! Sim, meu amigo!!! Os homens mais ambiciosos e menos preparados você encontra onde??? Nos Gabinetes do Executivo e do Legislativo!!! Não sei como Seu Zé Maria nunca percebeu isso!!! Ele teria dado um puta político, aquela raposa velha!!! Mas perdeu a chance. Agora era minha vez de fazer meu nome...
Comecei nos bastidores, injetando dinheiro em campanhas de vereadores, vendo como funcionavam as engrenagens, participando dos comícios de dia e das orgias de noite, ao lado dos novos e velhos lobos da Política. Aprendendo. Avaliando. Dando uma narigada profunda naquele meio que transpira Poder. Fazendo novos e importantes contatos...
Vote Eduardo Ranke!!! A primeira eleição que você concorre, você nunca esquece... É como a primeira transa. Você tá ali, cru, indefeso. Já assistiu muita coisa, muita gente boa, mas nada se compara à experiência real. Mas o tesão gigante pra vencer te joga pra cima!!! O prazer de cada comício, cada apoio que você conquista, com promessas ou com dinheiro, cada adversário que você consegue aniquilar, cada ponto que você sobe nas pesquisas de intenção de voto!!! É uma montanha-russa, um pular de avião e sentir o paraquedas abrir na hora certa!!! Uma explosão de adrenalina!!! No entanto, nada te prepara pro momento em que você é declarado oficialmente eleito!!! Tudo some, todo mundo parece menor, inferior. Você venceu, caralhooooooo!!!!! Fudeu todas as xoxotinhas e cheirou toda a trilha pro Céu!!! É um orgasmo infinito!!! E você fica viciado nessa porra, instantaneamente!!!     
De lá pra cá, essa tem sido a minha vida: bucetinhas, cocaína e Política. E hoje, ah, hoje!!! O Paraíso da Política é o Brasil de hoje!!! Alguém duvida??? Alguém conhece algum outro lugar no mundo em que você é tão bajulado e tão poderoso quanto um político brasileiro???!!! Somos praticamente deuses!!!
Estamos vivendo uma transição, é verdade. Tivemos que tomar um purgante bem indigesto pra conseguir tirar quem nunca devia ter chegado lá no topo da Política brasileira. Ora, as pessoas têm que saber qual é o seu lugar!!! Mas, é como dizem: se um marujo não sabe o seu lugar, cabe a nós mostrarmos quem comanda esse barco. E conseguimos. Jogamos aos tubarões aqueles que fedem a peixe (e a caranguejo). Ainda falta um tempo pra nos livrarmos do purgante também. Mas isso não demora. Logo, limparemos até o gosto amargo de nossas bocas com as melhores champanhas, caviar e xoxotas, e tudo voltará a ser como nunca deveria deixar de ter sido. Daí, quem sabe, a Presidência não é o meu Destino???
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Atualizado em: Seg 15 Fev 2021

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