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Infelicidade

Aos berros ele me disse o quanto eu era chata e só reclamava e mais uma vez, como em todas as outras discussões, me avisou que a nossa relação acabaria em tragédia. Me calei, na verdade o medo me calou, como tantas outras vezes. Chorei, por muitas e muitas horas, até que meus olhos ficassem inchados, e ainda choro enquanto escrevo.
Mas aquilo foi um balde de água fria que me trouxe para a realidade. De fato eu estava chata demais e só reclamava. Tentei entender o motivo, o que estava mudando tanto a minha personalidade, por que a chatice, reclamação, o medo e a infelicidade contínuos haviam tomado conta do meu ser?
E então tive um momento de iluminação, a insatisfação. Insatisfação com um casamento morno de 15 anos em que a comunicação era rasa ou agressiva, insatisfação com empregos mais ou menos que nunca, jamais, me fizeram verdadeiramente feliz, insatisfação com as relações interpessoais pautadas em interesse ou falsidade, insatisfação comigo mesma que tinha tanto potencial e me acomodei na mediocridade, aceitando sempre menos do que eu era capaz.
Neste momento, saí do meu personagem e me olhei de fora, vi todos os meus sonhos, expectativas e objetivos, me vi adolescente sonhando alto com todas as oportunidades que se abriam a minha frente, me vi na faculdade, quando a minha auto estima superava qualquer possível trauma de infância e juventude, olhei para cada uma das minhas realizações e o quanto eu acreditava poder mais.
Aquela discussão com o meu marido foi o início do fim. O fim de um ciclo em que eu deixaria de ser coadjuvante para me tornar a protagonista de minha própria vida, assumindo o controle da situação e me livrando de tudo o que me fazia ser menos do que eu era.
Recuperei a minha identidade, deixei de lado as influências que todas as outras pessoas exerceram sobre mim durante tantos anos. Me libertei das críticas das mulheres que me criaram, me libertei dos olhares zombeteiros daqueles que acreditavam que eu era só mais uma, e decidi mudar.
Comecei com o divórcio, me livrei daquela relação obsessiva, em seguida foi a vez de buscar atividades que me completassem e estivessem de acordo com o meu propósito, o único problema é que eu não sabia qual era o meu propósito, então comecei com o que eu mais gostava de fazer, criei cursos online, compartilhando meu conhecimento e comecei a escrever muit, verdades, ficção, artigos científicos, tudo o que sentia vontade.
O início foi de muito sofrimento e dificuldades, mas agora, fazendo coisas novas me percebi de uma forma que jamais havia percebido, eu era muito boa e podia fazer o que quisesse, verdadeiramente.
E fiz, criei uma nova personagem, sem medoos, sem prisões emocionais ou não. fiz o que devia e o que podia, transformei a minha realidade.

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Atualizado em: Seg 8 Fev 2021

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