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Adeus, Snowflakes!

              Já há algum tempo, o termo ‘snowflake’ como forma de descrever um padrão de comportamento dos jovens adultos a partir de 2010, perdeu vigor e popularidade, em parte porque a polícia dos costumes considerava o termo ofensivo. Cabe lembrar: ofensivo, nos dias de hoje, pode significar uma verdade que não quero ouvir porque me traz desconforto. Considerando este ponto de vista, possivelmente eles tem razão: é de fato ofensivo pois ao mesmo tempo que resume a experiência do jovem à fragilidade e imaturidade, o condena em uma posição de impotência e irrelevância. Bem pesado, aliás, mas olhando de perto, talvez isto não seja justo com os flocos de neve.
              Os flocos de neve caem e quando se chocam com o solo, em geral mais quente, derretem e terminam de existir - isto quando não derretem durante a queda. Esta característica dá propósito ao uso do termo mas, como toda metáfora, tem limites. O floco de neve toma para si a incumbência do processo, sua função de troca térmica será realizada, a qualquer custo, muitos tombarão no processo mas eles sequer titubeiam e seguem céleres (e silenciosos) para cumprir sua jornada. É aí que a metáfora deixa de ser aplicável: os nossos snowflakes são barulhentos, reclamam o tempo inteiro e, incapazes de tolerar a frustração, querem mudar as leis da termodinâmica e da mecânica dos fluidos para que se acomodem as suas expectativas, enquanto discursam sobre como você (e não eles) é o culpado pela situação.
              Muitos podem se questionar como a raça humana sobreviveu a gerações como esta no passado mas arrisco dizer que este é um evento admiravelmente novo, o que dá legitimidade às preocupações. Mas quem são e o que fazem estes jovens, quando não estão choramingando porque seus Ubers atrasaram? Em geral, estão na casa dos pais, tomando pequenas decisões que os fazem sentir maduros e capazes, vivem à sombra do conforto que papai e mamãe provém e tem uma dúzia de discursos já prontos quando ouvem alguém falar em ‘nem-nem’. O lado ‘bom’ da situação é este: eles são mais ordeiros, se metem em menos confusão com a polícia, fumam e bebem menos, são menos racistas e mais tolerantes frente à diferenças. Também demoram mais para sair de casa, para tirar a carteira de motorista, para arranjar um parceiro, para praticar sexo e para arranjar um emprego. Tudo aponta para uma versão internetesca da síndrome de Peter Pan, com espaços aumentados de arrogância e vitimização mas sobretudo com a renúncia da adoção de papéis que exijam maturidade e responsabilidade. Isto poderia ser o velho dinossauro falando mal das novas gerações de dinos, que nasceram ‘diferentes’, não fossem os alarmantes índices de suicídio e depressão entre as novas manadas, não fosse o fato que eles literalmente derretem quando são escrutinados com mais zelo. Não se trata, portanto, de saudosismo da velha guarda mas genuína preocupação não somente com o estado mental desta geração, que parece ser um aprofundamento dos dilema dos millennials, consternação quanto à geração futura, que talvez nunca saia do quarto e, paradoxalmente, escolha não ter filhos e por fim constrição frente ao fato de que, como sempre, esta é a geração que será a mola propulsora da economia em alguns anos, deles deverão partir o empreendedorismo, a força e o talento para construir e aperfeiçoar um novo modelo de sociedade. Vaticino consequências trágicas para este gap mas, no melhor estilo ‘pai rico filho pobre’, talvez vejamos em 2025 uma nova geração que crescerá para redirecionar este padrão. Porém, talvez seja muito cedo para perder as esperanças com os snowflakes ...


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Atualizado em: Qui 21 Jan 2021

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