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294, duas e algo da manhã

O que você conseguiu ver? O que você conseguiu fazer? Quem você salvou e quem você condenou? Não importa. Ou melhor: claro que importa, mas respostas não são um direito, você fugiu com o som da água viva ainda reverberando em sua mente, o som do último tiro, mas você não sabe se suas unhas estão sujas de pólvora, você... Quem é você? O que você fez? Você não foi o primeiro homem a pisar na lua, nenhum rasante no céu foi traçado por suas asas, apenas o suspiro de uma alma infeliz o viu, mas não no céu, mas sim como um eclipse terreno que jurou uma eternidade ao homem ali velado quando cobriu seu último luar com sua presença. Como pedir perdão? Como mergulhar no Estige e buscar pela voz desconhecida que poderá te libertar? Como ouvir o silêncio? Eu não aguento mais ouvir vozes que me colocam na frente do espelho e jogam ácido na minha alma, vozes que me fazem ficar vendo meu rosto se despedaçar, os meus olhos cair, a minha boca se calar, o meu coração se apagar... O fogo ainda queima em mim? Eu não quero mais tocar a vida de ninguém, eu não quero mais amor ou ódio, eu quero ser apenas um sopro na memória de quem já conheci, um vizinho oculto do prédio que as vezes joga a bituca no estacionamento e sai na chuva de óculos escuros. Eu quero o esquecimento, esquecer como é sentir e apenas existir, ou não existir pra nunca mais sentir. Só mais um ano, só mais um ano, você consegue.
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Atualizado em: Qui 12 Nov 2020

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