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Live

 
A ideia até que é boa. Um músico, na intimidade, tocando um instrumento e cantando no sofá da sua própria sala. 
 
Isso poderia ser excelente, caso um ou outro tivesse essa sacada. O problema é que a tática virou modinha, disseminou, se transformou numa praga. Me lembrou aquele jogador de futebol que sempre foi um perna-de-pau, quando entra em campo nos “amigos do Zico e os amigos do Ronaldo”, quer “dar chapéu”, “rolinho”, fazer gol de calcanhar e “de bicicleta”.
 
Triste mesmo é quando, como se servissem de exemplo, esses artistas espalhassem uns conselhos que combinariam mais vindo do João Doria ou do meigo Dollynho: “fique em casa”, “use máscara”, “mantenha distância”.
 
É patente que muitas lives contaram com uma super-produção, pouca coisa inferior aos grandes shows. Para montar a parafernália, certamente houve a demonizada aglomeração. 
 
Um músico, do qual eu não sei o nome e não sei o que toca, se preparava para cometer suas canções, quando um suposto ladrão, supostamente invadira sua humilde residência, de repente apareceu amarrado como num desenho animado do Scooby-Doo.
 
Políticos também, como se houvesse interesse, aderiram ao Zoom. Numa inversão do que já era uma inversão, mostraram na privada o que fazem na vida pública. No que poderia ser um encontro improvável, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, discutiu “os rumos da nação” numa live com o... Felipe Neto.
 
Houve live para todos os gostos. O boquirroto Gilmar Mendes não perdeu a oportunidade de representar ele mesmo: Gilmar riu, Gilmar chorou e, lógico, Gilmar, como não poderia deixar de fazer, ofendeu pessoas ausentes.
 
Outro ministro do STF, Alexandre de Moraes, realizou um bate-papo virtual. Apesar do baixo interesse de saber o que o ministro pensa, mesmo em meio a esse tipo de apocalipse zumbi que vivemos, há a curiosidade em saber qual é a próxima estratégia que essa mente diabólica está tramando. E descobriu-se que, na conspiração policialesca extraída da imaginação dele, os stories nada mais são que lavagem de dinheiro. Essa iluminação surgiu numa live, para todo mundo ver.
 
Nessa modinha das lives, o que era para ser informal e despojado, ficou artificial, mecânico por causa da superprodução e, inclusive, patrocínio. 
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Atualizado em: Ter 13 Out 2020

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