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Foi um trem que passou

Poucos acreditam e muitos até duvidam quando eu falo que eu tentei me jogar na frente de um trem numa noite de quarta-feira. Não é mentira, é a mais pura verdade, cruel e triste, que felizmente não deu certo. Não irei entrar em detalhes sobre o ocorrido, pois se trata de algo que eu só quero deixar como aprendizado, porque apesar de tudo o período de depressão me ensinou muitas coisas.
Ser forte foi uma delas. A depressão vem pra te derrubar e você precisa encara-la de frente. E eu encarei. Chorei muito, sofri bastante, briguei com todos os meus inimigos internos e sobrevivi. Vivi para poder relatar nas minhas histórias, através das minhas personagens, todos os percalços por mim vividos.
Depressão não é doença! Sim, é, e mata muita gente. Nesse exato momento em que você lê esse texto mais uma pessoa está tirando a própria vida. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 300 milhões de pessoas sofrem com a doença no mundo inteiro; e aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio, essa é a segunda causa mortis nos jovens entre 15 a 29 anos.
Somente no Brasil, 5,8% da população é atingida pela doença e 18, 6 milhões são atingidas com sintomas de ansiedade.
Para muito isso são apenas números. Mas para mim e grande parte não é. Talvez você aí do outro lado não saiba o que é se sentir triste o tempo todo, sem vontade de fazer as coisas. Você pode até fazer, mas não faz com aquele entusiasmo. A impressão que dá é que algo tenta te impedir.
Tive depressão no período de faculdade. Muitos conflitos internos me afligiam, tanto é que uma noite resolvi que me matar seria a solução de todos esses problemas, mas não era. Encontrei apoio em muitas pessoas; desde a menina que foi comigo a primeira sessão de terapia, a minha psicóloga que me acolheu e que trata de mim até hoje. Tive apoio de amigos, esses que suportaram meus momentos de lamuria, e com palavras de apoio me ajudaram a suportar cada passo dessa grande travessia.
Sobre o trem que quase me tirou a vida, ele passou e levou junto dele, o sujeito até então pessimista: o cara que odiava tirar fotos, que desistia de tudo no meio do caminho, que tinha mania de perseguição, sem alto estima e que pensava em acabar com tudo, só porque não se sentia feliz.
E a felicidade veio através de novas descobertas, novas amizades e de gente que hoje eu posso chamar de amigo.
O setembro amarelo é um marco na vida de todos nós, pessoas que tiveram depressão e tantas que ainda passam por isso. Setembro é o mês de celebrar a vida e homenagear quem já não está mais aqui, as vitimas dessa triste e cruel doença. Deixo aqui, através desse texto, os meus mais sinceros agradecimentos a todos os profissionais que dedicam suas vidas, seu tempo, a cuidarem de pessoas, que assim como eu, precisam/precisaram de ajuda em algum momento da vida.
Encerro esse texto dizendo que sim, a depressão tem cura. Se você estiver passando por sintomas como: nervosismo constante, dificuldades de concentração, pressentimentos negativos, medo constante, entre outros; procure por orientação médica e tenha na sua família e nos amigos de verdade uma base de apoio para esse momento difícil.
UM ABRAÇO!!!
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Atualizado em: Sex 4 Set 2020

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