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A educação como instrumento de liberdade

 A formação do ser humano começa na família. Ali tem início um processo de humanização e libertação, e a educação devem realizar-se como prática dessa liberdade. É um caminho que busca fazer da criança um ser civilizado, e bem cedo a escola participa desse processo. Os caminhos da libertação só estabelecem sujeitos livres e a prática da liberdade só pode se concretizar numa pedagogia em que o oprimido tenha condições de descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica.
              Quando se pensa em Educação Popular, logo se recorre às idéias de Paulo Freire, pois, durante toda a sua vida dedicou-se com a questão do educar para a vida, através de uma educação preocupada com a formação do indivíduo crítico, criativo e participante na sociedade. Nestes termos, é relevante observar que o ser humano nesta educação, é um sujeito que não deve somente "estar no mundo, mas com o mundo", ou seja, fazer parte dessa imensa esfera rotativa, não apenas vivendo, mas construindo sua própria identidade e intervindo no melhoramento de suas condições enquanto cidadão e buscando o direito de construir uma cidadania social e justa.
              Educar é um ato que visa à convivência social, a cidadania e a tomada de consciência política. A educação escolar, além de ensinar o conhecimento científico, deve assumir a missão de preparar as pessoas para o exercício da cidadania. A cidadania é entendida como o acesso aos bens materiais e culturais produzidos pela sociedade, e ainda significa o exercício pleno dos direitos e deveres previstos pela Constituição da República. A melhor forma de ensinar é defender com seriedade, apaixonadamente uma posição, estimulando e respeitando, ao mesmo tempo, o direito ao discurso contrário. Estará ensinando, assim, o dever de brigar por nossas idéias e, ao mesmo tempo, o respeito mútuo. A idéia de educação deve estar intimamente ligada às de liberdade, democracia e cidadania. A educação não pode preparar nada para a democracia a não ser que também seja democrática. Seria contraditório ensinar a democracia no meio de instituições de caráter autoritário. A educação para a cidadania pretende fazer de cada pessoa um agente de transformação. Isso exige uma reflexão que possibilite compreender as raízes históricas da situação de miséria e exclusão em que vive boa parte da população. A formação política, que tem no universo escolar um espaço privilegiado, deve propor caminhos para mudar as situações de opressão. Muito embora outros segmentos participem dessa formação, como a família ou os meios de comunicação, não haverá democracia substancial se inexistir essa responsabilidade propiciada, sobretudo, pelo ambiente escolar.
                   A pedagogia da liberdade mostra as possibilidades de transgredir entre o intransitivo e o transitivo como ação de (re)construção das estruturas sociais combatendo as várias formas de dominação elitista e violência social, tão comuns na sociedade brasileira. A possibilidade de conquistar a leitura da palavra ao passo que se politize para a ação consciente de mudanças sociais encontra no princípio dialógico a potencialização de proporções de entendimento em que a comunicação horizontal concorre imposição hierárquica em discussão equiparada.
No pensamento de Paulo Freire, tanto os alunos quanto o professor são transformados em pesquisadores críticos. Portanto há uma construção mútua do conhecimento, pondo fim a uma educação bancária, que afasta-se o professor do aluno pondo-se em uma relação de hierarquia do professor pra com o aluno. Apartir desse pensamento do autor o aluno põem-se como o centro desta nova relação de ensino, construído em cima do dialogo entre os pólos.
              A liberdade é o ponto central de sua concepção educativa desde sua obra. A finalidade da educação é libertar-se da realidade opressiva e da injustiça; tarefa permanente e infindável. Para Paulo Freire a realidade opressiva não é "privilégio" dos países do Terceiro Mundo. Em maior ou menor grau, a opressão e a injustiça existem em todo mundo. A educação visa à libertação, à transformação radical da realidade, para melhorá-la, para torná-la mais humana, para permitir que os homens e as mulheres sejam reconhecidos como sujeitos da sua história e não como objetos.
Diante do exposto, podemos concluir que a pedagogia da libertação é um instrumento de transformação social, pois quando partindo da premissa de que a educação é a base do ser humano, para seu crescimento intelectual, cultural e humanístico, o autor sentiu a necessidade de falar de uma educação que realmente transformasse a vida das pessoas, para que elas não pudessem ser reconhecidas como objetos e sim como sujeitos de suas próprias histórias. Ele contribuiu com a idéia de uma educação que fosse baseada no dialogo, onde o conhecimento pudesse ser construído mutuamente, e não houvesse o autoritarismo do professor no modelo da educação tradicional.
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Atualizado em: Qua 26 Ago 2020

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