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[Roteiros] XEQUE

Aconteceu algo? Acreditei que passaríamos o restante da noite juntos. Não sei. Tive a sensação de algo estava te incomodando e preferi não insistir para que ficasse. O jeito que você saiu me deixou mal. Partiu sem mais nem menos.
De antemão, me desculpa se fiz algo. Se estiver mal com qualquer coisa, independente do que for, ainda que se trate de algo que irá me desagradar, pode contar pra mim...
— Acredito que será melhor se formos apenas amigos.
Está falando sério? E se for, qual a razão? Por favor, nāo me magoa desse jeito. Conversa comigo. Me diz um porquê.
— Um episódio antigo ocorreu hoje novamente. Não me senti bem. Você me trata como amigo.
Como assim? Nāo te trato como amigo. Você ocupa um posto totalmente Novo. Fresco. Molhado.
Estávamos entre amigos. O que ocorreu? Me diz.
— Não vou te dizer. Você tem que ter ciência das suas ações, principalmente comigo.
Te tratei mal? Disse algo que te ofendeu? Te tratei com desdém? Por favor, me fala.
— Não quero mais falar sobre isso.
Olha, se você nāo me diz o que te fez mal, vou martirizar e cogitar infindas coisas sem ter certeza alguma. Queria que ficássemos só eu e você. Mas, nāo saiu como eu esperava, chegou o pessoal e, bem, você sabe… Me desculpa.
— Reveja suas amizades na minha presença e na minha ausência.
É sério isso?
— Disse que não vou mais falar. O problema não são eles.
O problema sou eu?
— Não quero mais falar disso. Vou repensar sobre o “nós”, se ainda vai existir.
É incrível como você sempre vê problema mim e se recusa a falar do que se trata. É inacreditável, principalmente, como descarta a minha fala.
Precisamos conversar sobre isso, mas você aparentemente não está disposto. Me diz quais coisas em mim te levam a pensar e se sentir assim…
Te peço, não deduza e nem leve como máxima o que até então é um “achismo”. Aliás, já conversamos sobre amizades.
Já não me surpreendo em como é imediatista. Mas, é inexplicável como sempre põe a nossa cidade em questão.
Como vai ser se, daqui em diante, todas as vezes que algo desagradar a mim ou a ti (seja lá qual for o motivo - isso se houver motivo, aliás) a gente pôr o nosso vinculo em "xeque"?
Não quero ficar a mercê das suas oscilações, nesse sentido. Me causa um desmedido alvoroço emocional e sei que também não te suscita sentimentos agradáveis quando todo o fervor emocional se vai. Pois, reconheço e sinto a veracidade do seu perdão e, sobretudo, do arrependimento que te leva a “voltar atrás” quanto ao que me foi dito.
Sinceramente, faça isso. Repensa sobre tudo, desde o início. Esse definitivamente não é o tipo de conversa que eu pretendia ter.
— Você agiu de forma que me deixou desconfortável novamente. Não te vejo agir como se fossemos um casal. Não age de acordo. Podemos ser grandes amigos se for pra agir da forma que age comigo, mesmo não sendo o que eu desejo.
O seu desconforto é com o meu modo de agir naturalmente com as pessoas ao meu redor. Isso já esteve em pauta. Não posso fazer nada se nāo sabe ver diferença.
— Não é só isso. Mas, também. É todo um conjunto. Porém, o meu desconforto é, sobretudo, na minha frustração quanto a forma que espero que agirá, pelo óbvio da situação, enquanto você me surpreende negativamente agindo no extremo oposto. Digo novamente, não mostra que está comigo e sim que eu somente estou ali. São coisas bem distintas.
Eu sei que preciso melhorar em alguns aspectos. Não é que eu não demonstre. Mas, possuímos linguagens de amor distintas. Quero aprender a sua linguagem para agir de modo que você "veja" o meu sentir, ainda que esse agir seja intencional.
Aliás, ajo de uma forma como nunca agi antes. Tudo isso é novo.
— Não vai dar certo desse jeito.
Me falou que tive uma ação contrária diante de uma situaçāo que sequer percebi. Me diz qual foi.
— Você tem que enxergar. Sabe, já não importa. Se não enxerga é porque consistiu numa conduta natural, a sua forma de agir comigo. Não posso te obrigar a agir conforme a minha vontade.
Eu estou com você. Somos, sobretudo, amigos. Quero isso... parceria. Somos um casal e quero ter um cara amigo ao meu lado, que esteja em você.
— Exatamente. Esse é o ideal. Mas, ali eu só vi um amigo. Aliás, nem isso, me senti um intruso no grupo.
Não. Ali estava o cara com quem me relaciono, numa roda de amigos e eu quis que ele se sentisse à vontade com eles.
— Continue pensando o que quiser. O assunto está encerrado para mim. Não quero conversar com você hoje, muito menos sobre isso. Irei repensar o "eu e você".
Eu já te falei inúmeras vezes o peso dessa frase, "não quero conversar com você hoje". DETESTO quando a sibila para mim.
Sabe, repensa e me diz sobre ruptura somente com convicçāo e certeza, quando tiver certeza.
Somos pessoas diferentes e precisamos nos adaptar um ao outro.
A gente se constrói e reconstrói e isso requer tempo, a gente percebe umas coisas, deixa outras, tudo com a convivência... Você deveria saber disso bem mais que eu, já que é a primeira vez que me encontro neste tipo de envoltura.
As pessoas demoram para se conhecer de verdade. Nós mesmo ainda nāo nos conhecemos.
Pensei em tudo isso antes de acender as luzes da nossa cidade. Tomei uma decisāo e estou seguindo pensando em tudo isso. Conhecendo o seu eu cru. Imaginei que faria o mesmo...
Jamais vou mudar quem sou enquanto nāo vejo problema no meu agir, mudar sem mais nem menos, me transformando em alguém que nāo sou somente para agradar a ti. Te confortaria a ideia de me ver dissimular?
Se você nāo gosta do meu jeito, se não confia em mim, se acredita que nāo ocupa o posto que digo ocupar, se não está disposto a mergulhar em mim... Não sei o que está fazendo aqui.
Me conhece primeiro. Me conhece e constata. Se não gosta do meu jeito, se viu tão pouco de algumas das minhas versões e já se cortou com uma delas, se o pouco (pouco mesmo, o ínfimo) que viu do meu eu "cru" te deixa inseguro ou desagrada, acho que nāo gosta de mim. Deve gostar do que idealizou de mim, mas nāo do meu eu.
Estou muito consciente sobre algumas coisas, ainda que outras me passem totalmente despercebido.
Quero sim te agradar, óbvio. Mas, sendo eu mesma, eu de verdade.
Não quero ser hipócrita. Reconheço que está comigo e sou grata por isso. Gosto muito, muito de você, óbvio, não construirmos uma cidade sem mais nem menos.
Sempre me prolongo, sim, sei que é um porre. Vou evitar. Profiro muitas palavras sinceras que são descartadas e acabam pairando no ar, em vão. Eu adoraria que lembrasse de todas elas.
É árduo saber que as minhas ações levam o meu insano e desmedido amor se sentir tão somente como um amigo. Não quero esse sentimento percorrendo você.
Enfim. Repensa mesmo. Faça isso, principalmente, por você.
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Atualizado em: Ter 14 Jul 2020

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