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[Roteiros]  PACTO

— Eu e você. Sempre. Nus e crus. Sinceros. Sem medo de sentir. Pautando os nosso dias naquilo “me magoa com a verdade, mas não me conforta com uma mentira”. Principalmente, com um imenso respeito. Assim, isso aqui vai longe, eu quero que vá… O nosso contato. Esse elo. A nossa conexão foda.

— Concordo. Sei que podemos fazer bem um na vida do outro…

— Pois, se a nossa coisa passar a nos desgastar e, pior, se passar a existir “opções”, perde o sentido. Para mim, ao menos.

— Acha que isso vai acontecer com você? Pois, comigo, tenho certeza que não.

— Meu bem, eu permaneci até agora. Suportei um meio-termo sem sequer saber a razão. Eu me fiz presente enquanto você me deixava na plateia. Eu fiz você primeira opção enquanto eu era a última. Isso não vai acontecer.

— Eu reconheço tudo isso, foi uma pergunta tola. Aliás, acredito que me martirizarei por todo o sempre em razão de como fiz você se sentir no longo meio-termo.

— Mas, a primeira vez que eu constatar, de verdade, que não ocupo o papel que imagino e, sobretudo, que não há reciprocidade, perde o sentido. Se um dia perder o sentido, não há que se questionar a mantença do “nós”. Guarda isso para ti, serve para nós dois.

— Você ocupa um posto e nem mesmo eu tenho potencial para te retirar dele. Eu não te coloquei, você usurpou o trono e foi a melhor coisa que você poderia ter feito. Você sempre foi minha primeira opção… eu simplesmente estava cego.

— Então eu não era. Na época, fazia mais sentido qualquer outra pessoa que não eu. Porém, se tratando de um meio-termo, não posso te julgar (nós dois nos condicionados a ele). Sabe, nunca almejei ser “primeira opção”, eu tenho fervor por quem me deseja sem sequer indagar “opções”.

— Detesto quando fala assim. Me assusta. Você parece cogitar um “fim”. Parece terrívelmente não ver o que eu sinto, muito menos o quanto significa para mim.

— Não é isso. Somente tento manter os meus pés no chão… sei que estou voando pela primeira vez… não tenho parâmetros, equilíbrio ou onde repousar. O meio-termo é bem diferente disso aqui.

— Hoje eu faço não existir mais ninguém. Você existe pra mim. Isso já me basta, até demais. Pode parecer clichê, mas, juro que digo do coração, não só os meus olhos, mas todo o meu “eu” está voltado para você.

— Não quero que não exista mais ninguém. Não quero ser tudo pra você. Quero ser a pessoa quem você não trocaria por nada, justamente por fazer sentido a minha presença. Ainda que outras pessoas sejam interessantes, atraentes e etc. Mas, que você me queira ocupando um posto e que eu permaneça por escolha sua.

— É exatamente isso.

— Me promete uma coisa?

— Prometo.

— Se um dia você perceber que eu não faço mais sentido, vai me falar. Sem medo, sem receio, sem dó. Não vai me condicionar a estar ao lado de alguém que não está na mesma intensidade, que não me deseja como o desejo. Faça isso, independente de saber o quanto isso vai me destruir. Promete que, na hipótese absurda, fará… mesmo sabendo que eu sinto o mundo por você.

— Isso nunca irá acontecer. Sempre vou querer você comigo. Independente do que for que aconteça na nossa coisa.

— Me promete, por favor.

— Eu não queria te prometer isso, sinto terrivelmente que cogito como uma possibilidade para mim, quando na realidade se trata de um completo absurdo. Mas, se eu prometer te conforta de alguma forma… eu prometo.

— Obrigada, por tudo isso aqui.

— Obrigada pelo “nós”.

— “(..) eu descobri que azul é a cor da parede da casa de Deus”.

— “E não há mais ninguém como você e eu”.

— Eu amo essa música.

— E eu amo você.


Janaina Couto ©
Publicado — 2020

@janacoutoj

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Atualizado em: Dom 28 Jun 2020

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