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Olhe, um bebê

As notas correntes do violino anunciam o apagar das fracas luzes. Os rostos por elas uma vez iluminados foram somente perpetuados em sombras sobre a cabeceira da cama, mas lhes digo, essas sombras vivem por dentre o escuro. Por vezes, seguram minha mão e enxugam o sal do mar seco que estou me tornando, por vezes me estrangulam até os meus mudos gritos se calarem com o início do sono. O brilho me resta somente nesse momento, quando me vejo perdido pelas portas da minha mente em sonhos. Eu sonho, eu não vivo. Somente. Ao acordar, as luzes continuam a perder sua vida, as sombras nas paredes continuam a dançar, o violino continua a carregar meu espírito até a anunciação. Um dia eu acho que terei asas e poderei fugir das imagens negras. Nesse dia, como Ícaro, voarei até o sol e, em minha queda, sentirei o meu suspiro infinito que caminhará por todo o mundo. No chão, a terra irá me devolver a ela. Eu só sou um pequeno ciclo esperando o novo choro de recém nascido. Eu só espero o sentimento de ver as luzes pela primeira vez de novo.
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Atualizado em: Qua 17 Jun 2020

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