person_outline



search

Prevenção contra a síndrome de Burnout entre profissionais da área da saúde.

Resumo

O exercício do profissional da área da saúde abrange uma grande variedade de procedimentos e com diferentes níveis de complexidade, fazendo com que os profissionais fiquem em contato com diversos tipos de estresse, sendo fatores de risco para o surgimento de síndromes, como o burnaut. Trata-se de uma revisão literária, que tem o objetivo levar informações a respeito da prevalência da síndrome em profissionais da área da saúde, assim como os fatores considerados de risco para seu desenvolvimento. Foram utilizadas as bases de dados MedLine, Scielo, American PsychiatryAssociation e Evidence-Based Mental Health. Essa pesquisa propõe a construção de uma fonte de informações sobre a síndrome de burnout, visto que, a maioria dos profissionais não sabem nem o real significado dessa síndrome.

Palavras chave:Burnout, Prevenção, Doença Ocupacional em  Saúde.

Abstract

The exercise of the health professional covers a wide variety of procedures and with different levels of complexity, making professionals stay in contact with different types of stress, being risk factors for the emergence of syndromes, such as burnaut. This is a literary review, which aims to provide information about the prevalence of the syndrome in health professionals, as well as the factors considered to be at risk for its development. The databases MedLine, Scielo, American PsychiatryAssociation and Evidence-Based Mental Health were used. This research proposes the construction of a source of information about the burnout syndrome, since, most professionals do not even know the real meaning of this syndrome.

Keywords: Burnout, Prevention, Occupational Health Disease.

Introdução

A qualidade do atendimento dos profissionais da área de saúde depende de diversos fatores, tais como: estado emocional, físico e social do profissional assistencial. Visto que estes profissionais estão constantemente expostos a atividades que englobam stress físico ou mental, alguns pesquisadores dedicaram-se a estudos relacionados ao estresse ocupacional com intuito de formularem teorias para a melhor qualidade de vida dos profissionais e consequentemente um melhor atendimento.
 Em virtude disso, nota-se que a síndrome do burnout é uma das doenças mais comuns entre os profissionais assistenciais da área da saúde (MALAGRIS, 2004). Mas o que é de fato o burnout? Essa tarefa de demarcação conceitual, tal como ocorre com o termo stress, é muito difícil de ser empreendida, pelo fato de existirem inúmeras definições a respeito. Contudo, a concepção sócio-psicológica proposta por Maslach e Jackson (apud BENEVIDES-PEREIRA, 2002) é a mais utilizada no meio científico para definir o termo, devido à profundidade dos estudos das autoras. Estas concebem burnout como um conjunto de sinais e sintomas composto de aspectos multidimensionais em resposta ao stress laboral crônico, envolvendo três fatores principais, a saber, exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal.                           
 Segundo Benevides-Pereira (2002), a diferença fundamental entre o stress ocupacional e o burnout é que neste é dada mais importância à relação interpessoal entre o profissional e o usuário do serviço, levando a um total prejuízo de seu trabalho. Dessa forma, profissionais de quaisquer atividades laborais podem sofrer de stress ocupacional, ao passo que somente os profissionais voltados primariamente ao cuidado do outro estão propensos ao desenvolvimento do burnout. Fatores como desatenção, negligência, cinismo, falta de empatia e hostilidade são característicos deste quadro, evidenciando a dificuldade do trabalhador em desempenhar de forma satisfatória suas responsabilidades. Como citam Borges, Argolo, Pereira, Machado e Silva, 2002.
Partindo do que foi exposto, este estudo torna-se relevante devido à importância da temática e da possibilidade de proporcionar novos conhecimentos e subsídios aos profissionais de saúde com um olhar mais voltado para a segurança e bom qualidade no atendimento profissional. 

1°- O que é a Síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout é definida por Maslach e Jackson (1981) como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto e excessivo com outros seres humanos, particularmente quando estes estão preocupados ou com problemas (CODO; VASQUES-MENEZES, 2006,p. 238).                                                                                                                                                                              Neste sentido,o burnout é um tipo especial de estress ocupacional que se caracteriza por profundo sentimento de frustação e exaustão em relação ao trabalho desempenhado, sentimentos que aos  poucos pode se estender a todas as áreas da vida de uma pesssoa(REINHOLD, 2007, p. 64). Sua principal característica é o estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho físicos, emocionais e psicológicas desgastantes. A síndrome se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso, como relata Varella (2009).                                                                                               Sendo assim, o sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima (VARELLA, 2009).
De acordo com Barbosa (2006) deve ser feita uma diferenciação entre o burn-out, que seria uma resposta ao estresse laboral crônico, de outras formas de resposta ao estresse. A síndrome de burnout envolve atitudes e condutas negativas com relação aos usuários, aos clientes, à organização e ao trabalho, sendo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização.

                                                                                   

2°- Como o Burnout se Instala

''O burnout não ocorre de repente; é um processo cumulativo, começando com pequenos sinais de alerta’’ (REINHOLD, 2007, p. 65). Neste sentido, Reinhold (2007) relata que: a jornada de trabalho excessiva, o excesso de burocracia, a indisciplina, a falta de reconhecimento pelo bom trabalho, o tédio decorrente de tarefas repetitivas, a falta de autonomia, a vulnerabilidade biológica e psicológica, as expectativas elevadas; aspirações irrealistas, o senso de responsabilidade exagerado, o negativismo e a auto-estima baixa são fatores de preponderância para a instalação da síndrome.

3°- Índices de Burnout entre os Profissionais da Área da Saúde

Os desgastes psicológicos na carreira do profissional de saúde são inúmeros, e com o decorrer do tempo, notou-se a necessidade de avaliar as relações interpessoais devido ao agravo de reclamações de pacientes e doutores. Fatores como a falta de infra estrutura, auxilio, reconhecimento e valorização não são vistos na área de atuação dos profissionais em questão. Além da falta de suporte financeiro e o estresse que surge em resposta a situações ocorridas no trabalho nas profissões em que a atividade é depender cuidados ou ensinar, observa-se a instalação de uma intolerância ao contato com os sujeitos que deveriam ser alvo de dedicação profissional (Alessandra Mazzo 2009).
O desgaste emocional em relação ao trabalho ficou tão constante que a legislação, no Brasil em 1999, o Ministério da previdência e Assistência Social (DOU 12.05.1999 - n°89)¹³ apresentou a nova lista de Doenças Profissionais e Relacionadas ao trabalho que contém um conjunto de doze categoriais diagnósticas de transtornos mentais. Essas categoriais se incluem no que foi chamado de Transtornos Mentais e do Comportamento Relacionado ao Trabalho, que podem ser determinados pelos lugares, pelo Tempo e pelas ações do trabalho (Grimes&Shulz, 2002).
Uma dessas doze doenças é a Síndrome de Burnout, essa síndrome atinge diversas áreas profissionais, porém, quando se trata de profissionais da saúde, percebe-se uma complicação devido ao contato direto deste profissional com o paciente, onde, dependendo do estado psicológico do atendente, o paciente pode sentir-se incomodado e muitas vezes ameaçado, podendo gerar uma recusa ao atendimento de uma determinada pessoa, o que agravaria a situação. Deixando o profissional mais frustrado e satisfeito com sua atuação no trabalho. Culminando desta forma uma cascata de eventos que pode levar o profissional a desenvolver a síndrome de Burnout.    
Uma das características desta síndrome é a perda do sentido da relação com o trabalho de modo que tudo que o individuo realiza parece inútil (Luciana Bernardo Mioto, 2009). Esse sintoma gera ao profissional uma angustia e insatisfação própria, pode torná-lo emocional de mais pra realizar atendimentos, com tantos transtornos o profissional pode colocar a vida do paciente em risco, todas as conseqüências ressaltadas afetariam e agravariam ainda mais o nível da síndrome de Burnout.  Como resultado o atendimento que ele irá realizar não agradará a nenhuma das partes envolvidas.
Normalmente a síndrome de Burnout não é percebida inicialmente, porém é necessário que assim que se iniciem alguns dos sintomas que possam estabelecer conexões com esta síndrome o profissional procure ajuda, para que a resolução desta questão ocorra rapidamente, e a qualidade de realização e atendimento no trabalho sejam positivos. 

4° - Influências da Síndrome de Burnout no Que Diz Respeito a Qualidade de Atendimento

Existe alta incidência de Burnout entre os profissionais da saúde. Assim, observa-se que esses profissionais estão mais propensos a ter maior nível de desgaste emocional e despersonalização. A jornada de trabalho dos profissionais influencia bastante, a idade do profissional influencia bastante também, assim, médicos que apresentam cerca de 20 -30 anos de idade apresentam maiores níveis de burnout . Os 31- 40 anos de idade apresentaram grandes níveis de burnout, quando esses estão insatisfeitos com a sua atividade de trabalho. (GALINDO, 2012)
Já na enfermagem, encontra-se baixa ocorrência de burnout e alto nível de estresse laboral entre enfermeiros satisfeitos com o seu trabalho           (GALINDO, 2012).   A satisfação profissional estava associada ao suporte informacional, ao suporte social no trabalho, à oportunidade de aprendizagem e progressão e à participação nas decisões ( GALINDO, 2012). Também identifica-se elementos sugestivos de que frequências menores do que as esperadas estão relacionadas com a habilidade para administrar as situações estressoras do cotidiano, que é denominada de coping, tornando mais lento o avanço do processo sequencial que culmina no burnout. As habilidades para lidar com as demandas internas e externas advindas do estresse laboral pode visar o controle (estratégias voltadas ao problema) ou o escape (voltadas à emoção: negação da situação, distanciamento, atenção seletiva). O coping de escape está associado com uma maior frequência de exaustão emocional(GALINDO, 2012).

5° - Prevenção Contra Síndrome de Burnout

A exaustão, perda de entusiasmo, ineficácia, dificuldade de relacionamento pessoal e profissional são sentimentos constantes, é importante ficam em alerta, pois estes sintomas citados são sinônimos de Burnout, a síndrome da exaustão e esgotamento profissional. Essa síndrome é caracterizada por três diferentes componentes; exaustão emocional, despersonalização e ausência de realização profissional (Maslach e Golberg, 1998).
A dimensão da exaustão emocional representa o componente básico individual do estresse no burnout. Ela refere-se ás sensações de estar além dos limites e exaurido de recursos físicos e emocionais. Os trabalhadores sentem-se fatigados, esgotados sem qualquer fonte de reposição. A despersonalização representa o componente do contexto interpessoal no Burnout. Ela refere-se á reação negativa, insensível ou excessivamente desligada dos diversos aspectos do trabalho. Ela geralmente se desenvolve em resposta a sobrecarga de trabalho tende a se retrair cortar ou reduzir o que estão fazendo. A ausência de realização profissional e representa um componente de auto avaliação no burnout. Ela refere-se a sensações de incompetência e uma falta de realização e produtividade no trabalho, bem como uma falta de apoio social e de oportunidade de desenvolvimento profissional (Yong e Yue, 2008).
Com o decorrer do tempo este tema ganhou espaço devido ao aumento de relatos cada vez mais freqüentes. Pensando na conscientização de profissionais que estão suscetíveis a esta doença durante o ano de 2009 a Ordem dos Médicos promoveu por todos os países simpósios para esclarecer e alertar este problema. A iniciativa terminou em Lisboa. Onde o tema foi bastante discutido entre profissionais de diversas áreas. A Ministra da saúde Ana Jorge aponta que “criar estratégias de prevenção, mas também terapias de grupo e métodos de organização eficazes, pois estes facilitam p trabalho de equipe que é importante no meio hospitalar”. Ana Jorge ressalta ainda que “a partilhar de responsabilidades é importante, tal como fundamental colocar o médico a falar dos seus sentimentos logo após viver situações de estresse, como a morte de um paciente”. E continua afirmando a “necessidade de observar a forma como a pessoa em exausta melhora no seu conjunto e não com uma pessoa em particular, avaliar o excesso de trabalho e controlá-lo, obter reconhecimento pelo trabalho feito, avaliar as relações sociais a confiança e ter em conta quando nós percebemos que o local onde trabalhamos é injusto.” Segundo a ministra estes métodos são importantes tanto na prevenção da síndrome como na realização de um tratamento (Carlotto e Câmara, 2009).
Já Alberto Campos Fernandes, mediante ao cenário de dificuldades financeiras onde o profissional esta inserido, desenha um possível futuro, onde entender os próximos anos será de “uma redefinição do modelo assistencial e incorporação dos médicos nas decisões”. O responsável considera ainda que “o caminho é o da empresarialização que deve favorecer a coesão interna, a existência eficaz dos profissional e efetivo reconhecimento do trabalho.” Na sua intervençãoficou claro que “o fim ultimo do sistema de saúde é o cidadão”(Carlotto e Câmara, 2009).
Os métodos descritos são de suma importância para erradicar a síndrome do estresse, ainda mais se tratando de um setor onde existe um contato direto com r pessoas. A qualidade no trabalho e o fator realização profissional deve ser sempre buscada e mantida pela instituição onde se esta atuando.

Materiais e métodos

Realizou-se revisão bibliográfica utilizando-se as bases de dados MedLine, Scielo, American PsychiatryAssociation e Evidence-Based Mental Health. .A busca foi feita para o período compreendido entre abril e maio de 2020, cruzando-se o unitermoburnout com os outros citados e selecionando-se artigos publicados nas línguas portuguesa e espanhola.Após a seleção dos artigos, fez-se busca ativa entre as citações bibliográficas para identificar artigos de relevância que não tivessem aparecido no primeiro levantamento. Selecionaram-se artigos empíricos, epidemiológicos, conceituais e de revisão que relacionassem o burnout, seus aspectos conceituais e comorbidades aos trabalhadores da área da saúde. Alguns estudos em educadores foram considerados quando relacionados ao burnout e a qualidade de atendidmento, assim como burnout e prevalência no Brasil em razão do menor número de publicações sobre tais temas.

Conclusão

Em virtude da temática abordada, nota-se que a prevenção é o melhor remédio contra a síndrome de burnout. Ao decorrer desse estudo, percebeu-se que a síndrome de burnout é um problema oriundo do estresse ocupacional, mas que problemas pessoas influenciam constantemente. Nesse sentido pode-se concluir que, com a adoção de medidas e hábitos corretos para a qualidade de vida , podem reverter esse quadro e consequentemente o profissional da área da saúde desenvolverá um melhor desempenho na sua jornada de trabalho.    Conclui-se também, que a disseminação das informações também pode atuar como um ‘’método anti-burnout’’, pois uma parcela considerável da população alvo não sabe distinguir a diferença entre burnout e estresse do dia a dia.

Referências

LIPP, M. E. N.; MALAGRIS, L. E. N. O manejo do stress. In: RANGÉ, B. (Ed.). Psicoterapia Comportamental e Cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas II. Campinas: Fundo Editorial Psy, 1995. p. 279-292.
MALAGRIS, L. E. N. Burnout: o profissional em chamas. Rio de Janeiro: ZIT Editores, 2004. p. 196-213
BENEVIDES-PEREIRA, A. M. T. (Ed.). Burnout:quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.
BORGES, L. O.; ARGOLO, J. C. T.; PEREIRA, A. L. S.; MACHADO E. A. P.; SILVA, W. S. A síndrome de burnout e os valores organizacionais: um estudo comparativo em hospitais universitários. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 15, n. 1, 2002. Disponível em: SciELO (ScientificElectronic Library Online) <http://www.scielo.br>. Acesso em: 19 Mai. 2014.
SILVA, F. P.Burnout: Um Desafio à Saúde do Trabalhador. 2°ed. Rio de Janeiro: Rev. Psicologia Institucional, 2000.
BARBOSA, DANILLO. et. al.Síndrome de Burnout: Correlação com a Enfermagem. Rio de Janeiro: biblioteca anais, 2006.
VARELLA, DRAUZIO. Síndrome de Burnout. São Paulo, 2009.
VASQUES-MENEZES, I.; CODO, W. O que é burnout?. Petrópolis: Vozes, 2006. p. 237-254.
REINHOLD, H. H. O Burnout. In: LIPP, M. (Org.). O stress do professor. 5º ed. Campinas: Papirus, 2007. Cap. 5, p.63-80.
GALINDO. R H, VIRGINIA. K.et al.Síndrome de Burnout Entre Enfermeiros de um Hospital Geral da Cidade do Recife. Rev. Esc. Enfermagem Usp vol. 46. São Paulo, 2012.
Carlotto MS, Câmara SG. Preditores da Síndrome de Burnout em professores.PsicolEsc Educ. 2007;11(1):101-10
Carlotto MS, Câmara SG. Análise fatorial do MaslachBurnoutInventory (MBI) em uma amostra de professores de instituições particulares. Psicol Estud. 2004;9(3):499-505. DOI:10.1590/S1413-73722004000300018.
Ministério da Saúde. DOU nº 89. Decreto 3048 de 6 de maio de 1999.
Carvalho FA. O mal-estar docente: das chamas devastadoras (Burnout) às flamas da esperança-ação (resiliência) [dissertação de mestrado]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2003.
Pin It
Atualizado em: Dom 31 Maio 2020

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222