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Acho que cai

Seu sopro me jogou ao chão. Você soprou todas as memórias em meu rosto. A fumaça do meu cigarro circula com o vento, minha alma circula no passado onde eu estou em vigília em um círculo ao seu redor, armado com espadas, desejando a sua presença e não deixando você escapar das garras da minha memória, ou seria eu que estou preso? Você não foge da minha mente ao mesmo passo que eu sou prisioneiro dela, ao mesmo passo que sou seu prisioneiro. Eu queria ver o sol brilhar novamente, sabe? Mas não tive direto a janelas. Eu vivo em um mundo sem brilho, um mundo sem som, um mundo opaco e de murmúrios que derrete minha sanidade e que me faz querer me manter longe dela. Alguém pode colocar um gole de conhaque e esticar um tiro? Perfeito! Ninguém pode. Este é um lugar de solidão, tão só como a sensação de chorar na madrugada e gritar até perder a voz, mas não ser ouvido enquanto o eco desesperado te consome; tão frio como o topo da mais alta montanha da mais alta cordilheira, onde o céu toca o homem que se atreve a escalar o pico. Eu tentei escalar, o céu me tocou, mas o vento me empurrou para longe e eu caí. Me deixem no chão, por favor. Alguma hora os urubus levarão o que sobrou. 

 

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Atualizado em: Sáb 9 Maio 2020

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