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Carta da Sofie

Eu não ganhei meu carrinho de controle remoto nos dias das crianças,nem no meu aniversário e muito menos no Natal.Minha mãe disse que isso é coisa de menino, mas eu deixei claro para ela: " Mas, mãe, é da Barbie e toda rosa.". Coitada, mal sabia ela que, mesmo não ganhando esse carrinho de controle remoto da Barbie, não me impediria de dar meu primeiro beijo numa menina ainda na infância.De gostar de mulheres na adolescência e,aos meus 24 anos, não ter a vontade de intensa de casar e as chances de eu querer ser mãe só vem depois, praticamente, do ciclo de menstruação.Mas é algo passageiro. A criança dentro de mim ainda chora pelo carrinho de controle remoto da Barbie todo rosa.
O que foi mamãe?Por que você não pensou que, futuramente, eu poderia me tornar uma mulher independente?Uma mulher capaz de viajar por aí de carro.Buscar minhas amigas em casa para irmos para a academia.Uma mulher capaz de buscar "meus filhos" na creche,de ir trablhar sem pegar ônibus.De ir a igreja sem precisar ser dependente do meu pai e com a segurança que ninguém me paqueraria durante a minha ida porque transporte público entra e sai quem quiser.Você me violentou e atingiu com um golpe.Agora, mais do que tudo, caso eu me torne mãe de uma criança,torço para que eu não esteja aprisionada por maus pensamentos da escravidão que se esconde nas sombras deste século que se intitula um país sem preconceitos.É desesperador pensar que demorou séculos para conseguirmos dar um pequeno passo nessa humanidade.Um pequeno passo diante de muitos que ainda serão necessários dar.É dolorido.Faço de tudo para amar aquele que escolhi amar.
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Atualizado em: Ter 21 Abr 2020

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