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Dos céus

Você está deitada ao meu lado. Seus olhos verdes estão fechados. 
As trombetas dos sete anjos não lhe acordaram? 
Você está com uma camiseta minha que ganhei de alguma coisa da igreja. Ela não fica muito larga, eu sou um magrelo afinal, ossos. 
Os ossos rangem e o meu ardor físico, o homem que foi anunciado como o anticristo. Seu respirar é ensurdecedor. Minha espada sai pela boca. Vermelha, afiada, oculta.
Ele acordou primeiro. Ela se banha com as águas do rio. Jordão. Seu sorriso veio da benção do senhor de Javé. Você tocou a primeira trombeta? Você é o primeiro anjo? Sua trombeta tinha a mesma cor do seu cabelo dourado? Você é o paraíso. 
Eu fiz o paraiso se levantar e chorar. A espada atravessada no seu peito na última vez corroeu o meu existir. Eu sou o único cavaleiro, eu vi, na hora que você colocou as roupas e saiu pela porta, o meu mundo no seu fim pelas minhas próprias mãos. 

 

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Atualizado em: Dom 12 Abr 2020

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