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Nunca foi sobre nós.

Nos conhecemos em novembro de 2017, naquele aplicativo de namoro que você morria de vergonha de falar que usou. Nos encontramos na faculdade, você perguntou se eu gostava de vitamina de abacate e quando eu vi já estava segurando o copo e me oferecendo. Eu odeio vitamina de abacate, mas bebi, por você.
Nessa época eu estava numa fase de viver a vida, queria sair e conhecer pessoas diferentes após uma frustração sentimental muito grande. Você sabia disso, mas, disse que estaria ao meu lado mesmo que fosse para curtir. Você conversava comigo o dia todo e disse que eu poderia te ligar quando precisasse. Eu odiava falar por ligação, mas falei, por você.
Comecei a me apaixonar pelo seu cuidado e carinho, como no dia que soube que eu estava muito doente com gripe e apareceu na porta do meu prédio com uma sacola cheia de remédios. Eu detestava ficar conversando na porta do prédio, mas conversei, por você. 
Conheci seus pais e você conheceu parte da minha família, experiência pela qual eu nunca tinha passado. Eu morria de vergonha desse contato, mas eu fui, por você.
Alguns dias depois você começou a ficar estranho comigo. Sumia. Não me respondia. Neste meio tempo fiquei doente, e você ainda sim não me dava atenção. Em janeiro de 2018 você me mandou uma mensagem e disse que queria terminar. Eu questionei, tentei entender, você disse "não estou bem". Eu não queria aceitar, mas aceitei, por você. 
Sofri. Achei que nunca ia passar.
Conheci alguém. Fiquei com este alguém. 
Mas eu não te esquecia. Por mim. 
No começo de 2019 você me procurou na faculdade, disse que precisava explicar o que aconteceu naquela época. Falou que estava doente e não sabia, que agora fazia terapia e tomava remédios e que nunca havia se perdoado pelo o que fez comigo. Eu falei que há muito já o havia perdoado, mas que não podíamos ser nem amigos porque eu estava com outra pessoa. Eu ainda gostava de você, mas te pedi pra ir embora, por mim.
Em outubro de 2019, alguns dias antes do meu aniversário, você pediu para um dos seus melhores amigos mandar uma mensagem pra mim falando que você nunca me esqueceu e que sempre falava de mim quando estava triste ou bêbado. Que se arrependia demais de ter desperdiçado a chance de ficarmos juntos. Eu xinguei seu amigo e disse que não era justo o que você estava fazendo comigo, que eu estava com outra pessoa e que você não me valorizou. Eu queria você de volta, mas disse que não, por mim.
Em dezembro de 2019 terminei meu relacionamento e, como que por mágica, você veio falar comigo neste dia. Na mesma noite nos encontramos e você me jurou não só estar diferente, mais equilibrado, mais certo, mas que ainda me amava. Sempre me amou. Eu ainda te amava, mas eu tinha medo, por mim.
Você passou as semanas de dezembro me dizendo que não iria apenas falar que mudou, mas ia me provar. Eu deixei você provar. Fui dura e inflexível. Até aparecer bêbada na sua casa às 3h da manhã daquele dia e te beijar como se 2017 fosse logo ali e o término nunca tivesse existido. Eu queimei, por amor, por nós.
Passamos natal e ano novo juntos e eu achei que nunca pudesse haver tanta felicidade destinada a uma única pessoa neste mundo. Eu sorri, chorei de alegria, ganhei presentes seus e da sua família e, pela primeira vez na vida senti pertencer a um lugar. A alguém. Eu me entreguei, por nós.
Viajamos na primeira semana de janeiro e eu pude sentir, naquele dia 03, todo o poder de um amor que nunca tinha morrido. Eu chorei, abraçada com você, e senti que nada no mundo era grande demais para mim, para nós. Nossa união, de corpo e alma, naquele momento me fez sentir que minha vida se resumia àquele calor do meu peito e as nossas lágrimas de felicidade que se misturavam enquanto nos olhávamos e sabíamos que mais do que sexo, ali havia uma conexão antiga e mais forte que nós dois. Fui intensa, por nós.
Após algumas semanas, você começou a se distanciar, as brigas começaram a surgir e eu comecei a me lembrar que 2017 estava logo ali, há meros 03 anos de distância. Você foi frio. Mantivemos a viagem de carnaval como planejado, mas lá eu vi que estávamos nos perdendo, distanciando. Eu disse que te amava, você não me respondeu. Na segunda você dormiu comigo. Na terça de manhã você terminou, no carro, chegando na minha casa. "Não estou bem", de novo. Você disse que precisava de um tempo. Eu não estava acreditando que a história se repetia, mas aceitei, por você. 
Sua vida está seguindo. Você foi ao nosso show, sem mim. Você fez o show que te ajudei a marcar, sem mim. Você saiu, sem mim. 
Eu fiquei.
Eu estou aqui. 
Sozinha, perdida.
Por mim? 
Não. Por você.
É sempre por você.
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Atualizado em: Dom 22 Mar 2020

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