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Preciso de outro banho

A tinta caiu sobre as águas do rio. 
A água do chuveiro caiu sobre minha cabeça e eu vejo toda minha cor escorrendo pelo ralo. O som da resistência, esse som grave, de alguma forma, me conforta. Eu estou sozinho nesse banheiro, eu estou sozinho. Eu não ouço mais vozes amorosas, eu só ouço minha mente e, por Deus, cada segundo com ela faz uma parte da minha alma se tornar cinzas. Você lembra da sensação que é estar de mãos dadas? É estranha, mas contemplativa. Você sente aquela carne quente por entre seus dedos, mas sente no seu espírito cada centímetro da existência daquele que já olhou para o fundo dos seus olhos. Ninguém a minha volta sabe qual a cor dos meus olhos. Por favor, olhem pra eles! Por favor, sentem ao meu lado e me faça sentir parte do que você é. 
Sempre pensei que ser humano é ser um quebra cabeça de rostos, de todos os que construíram a identidade de alguém, mas o meu quebra-cabeça virou um espelho e, a cada segundo, ele grita. 
Do que eu gosto? Qual a minha comida favorita? Quais são meu sonhos? Eu não sei mais a resposta e eu sempre achei que tinha. Parece que minha memória só procurava conforto e que eu só queria ter um objetivo, mas no fim, ele é uma ilusão e minhas lembranças são uma mentira. Os rostos também são uma mentira? Por favor, aonde está a verdade?
O ontem está enterrado, o hoje é um labirinto vivo e histérico que se debate enquanto muda seus caminhos e o futuro é o sonho da saída a qual não existe um caminho para ela. Será que eu irei ouvir uma voz que me contará o caminho? Será que eu ouvirei uma voz me contando que tudo vai ficar bem? Será que eu ouvirei uma voz dizendo que nunca vai me abandonar?

 

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Atualizado em: Sex 20 Mar 2020

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