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Lhumaria: O destino dos guardiões - Capitulo I

O DESTINO DA LUZ
No belo reino de Lhumaria, existe uma floresta com árvores altas e raízes maiores do que pessoas, cobertas por uma vegetação variada de lindas flores a musgos verdes e escorregadios,dentro dela localiza-se uma caverna cravejada de pedras roxas com uma luminosidade própria e fraca, nela uma jovem de aspecto humano com pele branca quase transparente, em contraste com longos cabelos roxos e olhos cor de ametista caminha, essa jovem é Mirydia, alguns poucos conhecem de verdade, pois ela guia o destino tanto no passado, presente ou futuro. Devido a esse fato, ela sempre viveu solitária na caverna, ninguém ousava se aproximar, já que o maior medo das pessoas era saber o que o destino as reservava, mas isso estava prestes a mudar.
Tudo começou no dia em que Mirydia conheceu a pequena Princesa Luna guardiã dos poderes da lua a maior força do reino, que na época era uma garotinha adorável de apenas cinco anos, filha dos antigos soberanos desse reino e que sempre fugia do castelo para brincar na floresta, ao lodo de seu guardião Blandion, que também não passava de um garoto com nove anos. Em suas explorações acabou encontrando a caverna de Mirydia, e claro que sua curiosidade a forçou a explorar o local, mas não foi o acaso que a levou a isso, pois o destino já havia sido previsto e o encontro entre Luna e Mirydia deveria acontecer.
Enquanto Luna caminhava pela caverna, encantada pela beleza do lugar, ouviu uma voz que ecoou pelas paredes.  __Estava a sua espera, pequena Luna!
Luna virou-se para sua direita, e em sua frente um ser começou a tomar forma e antes mesmo que ela pudesse dizer algo, Mirydia já havia aparecido, Blandion então puxou a garota e encarou Mirydia como se fosse uma ameaça, porem, essa não se intimidou, deu um leve sorriso e falou:
__Devo dizer garoto, você não tem medo do destino, a muito ninguém me encara, porém, não vou fazer mal, apenas tenho algo para revelar a vocês dois. Infelizmente o que tenho a dizer pode vir a ser bem triste para duas crianças ouvirem.
Luna colocou a mão sobre o ombro de Blandion, como se pedisse para ele se acalmar, e se aproximou de Mirydia sem hesitar.

__ você já disse meu nome! Porém, qual é o seu?
Mirydia sorriu levemente, e olhando fixamente nos olhos de Luna, lhe respondeu:
__  Creio que já saiba quem sou, pequena princesa, porém, vou confirmar seu pensamento, me chamo.... Mirydia! o destino me pertence.
Luna não mostrou nenhuma reação em revelação de Mirydia, porém, Blandion ficou um pouco chocado. Mirydia parecia ter percebido a reação do rapaz, mesmo assim, ignorou e começou a contar tudo que era necessário a princesa saber naquele momento. Assim que terminou, lagrimas escorriam pelo rosto de Luna e Blandion enfurecido, pelas palavras que havia ouvido, começou a gritar:
__ Do que você está falando, eu nunca vou fazer isso, sou um guardião da luz, vou proteger Luna, foi essa a promessa que fiz. Eu...eu....
As palavras tinham fugido da boca de Blandion, pois Luna carinhosamente lhe deu um abraço, e mesmo chorando lhe disse:
__ Por favor Blandion, não a culpe. Se alguém deve ser culpada, sou eu! você ouviu, é tudo pelo bem de Lhumaria, antes de ser meu guardião você é o protetor do reino, então compreenda, é o nosso destino.
Blandion se calou e retribuiu o abraço de Luna, a partir daquele momento a incerteza começou a preencher seu coração, e a roda do destino começou a girar novamente.
Sete anos se passaram desde o encontro destinado, Luna e Blandion nunca contaram a ninguém o que havia acontecido na caverna, nem mesmo para seus irmãos,  Luna tinha uma irmã mais velha chamada Luara, guardiã dos poderes do luar, que acabara de completar quinze anos e se tornado formalmente a soberana do reino de Lhumaria, ela era bondosa e gentil e sempre preocupada com a proteção de seu reino e a segurança de Luna, pois ambas cuidavam uma da outra desde a morte de seus pais pela traição de um de seus aliados. Mas o destino previsto por Mirydia se voltaria contra elas e uma maldade até então esquecida voltaria para trazer ruina e destruição as pessoas inocentes do reino.
Três anos de paz se passaram desde que Luara havia assumido o trono, tudo parecia bem, o reino prosperava com alegria e paz, e todos estavam contentes, além do mais, o dia seria de festa, pois era o aniversário de quinze anos da princesa Luna, porém, naquela mesma manhã um jovem caminhava apressado em direção à sala do trono, seu rosto tinha uma expressão de preocupação, e ao chegar a porta, a abriu depressa.
 __Rainha Luara!Rainha Luara!... chamava desesperado.
A jovem que estava sentada no trono, levantou-se ao ver a figura do rapaz de cabelo azulado entrar com tanta pressa. A rainha era muito bela, usava um vestido longo e branco com alguns detalhes em ouro, o tecido era leve, tinha em sua cabeça a coroa de sua mãe, uma pequena tiara com uma pedra branca mais bela que um diamante, conhecida naquele mundo como Cristal Lunária, possuía longos cabelos loiros e levemente ondulados, olhos azuis e cristalinos um pequeno nariz e lábios rosados e macios.
__Qual o problema, Aquyllos? Perguntou preocupada com o desespero de seu guardião.
__Minha Rainha! Começou o rapaz, dobrando seus joelhos ao pé da escada. __sinto por lhe trazer notícia tão devastadora neste dia, mas ouvi rumores de que as forças de Haldom estão se movendo em direção ao castelo e atacando as aldeias em seu caminho.
A rainha, ficou calada, sentia em seu coração que aquilo iria acontecer. Com um suspiro profundo, Aquyllos encarando os olhos de Luara continuou:
 __ Por favor, permita que os guardiões lutem para proteger o reino, nos permita encarar Haldom.
A jovem rainha sentou-se novamente em seu trono e lançou ao rapaz um olhar triste. __ Por todos esses anos, ele não saiu do reino das sombras, desde que meus pais o baniram ao custo de suas vidas, e hoje ele resolve ressurgir.
__Majestade!... Disse ele ao perceber o olhar triste da rainha.__ Havia rumores de que Haldom estava enfraquecido todo esse tempo, por isso não havia atacado, porém, parece ter conseguido muito poder do reino das sombras e.....
__Aquyllos! Disse a rainha, interrompendo o rapaz. __ Preciso que você encontre minha irmã,Haldom decidiu se mover novamente, e isso é um assunto muito sério, não sei porque, mas, sinto que Luna sabe de algo.
__Majestade! Me perdoe, mas, o que pretende fazer, porque Luna? Aquyllos agora olhava para a rainha, esperando alguma resposta.
Mas ela simplesmente se levantou e virou dizendo:
__ Vou à sala da luz! Ficarei lá para criar uma barreira que impedira as sombras de Haldom de avançarem para o castelo, é tudo o que posso fazer no momento. Mas ao se virar e ver a expressão no rosto de Aquyllos, ela fez uma pausa e olhando nos seus olhos pediu:
__ Por favor, vá atrás dela, o tempo é precioso.
O jovem rapaz que se mantinha ajoelhado curvou a cabeça diante da rainha e começou a indagar:
__Mesmo com todo seu poder não poderá deter as sombras de Haldom para sempre! E a Princesa Luna está com meu irmão mais velho Blandion, não precisa se preocupar, tenho certeza que ele já percebeu e agora mesmo devem estar voltando, por isso como seu guardião devo ficar junto de ti.
Luara, sorriu levemente. __ Você realmente se tornou um bom rapaz, nem parece mais aquele garotinho tímido que vivia agarrado no irmão, não se preocupe comigo.
A rainha foi em direção ao jovem, ajoelhou-se,segurou-lhe o rosto e olhando em seus olhos lhe disse com uma voz suave:
__ Reúna os guardiões! Peça para protegerem Lhumaria junto comigo, e quanto a você.Agora o rosto da rainha já estava tão próximo ao seu que se alguém entrasse naquela hora poderia jurar que estavam se beijando.
__ Faça o que te pedi, por favor, eu sei o quanto você ama minha irmã, e preciso dela aqui.
Corando por ouvir as palavras da rainha, ou talvez pela proximidade de seus rostos. Ele que em seu interior amava a princesa Luna, mais que tudo no mundo, sendo que lhe bastava apenas a ver sorrir. Naquele momento tinha sua obrigação como seu protetor, porém entendeu suas ordens e se levantou, ajudou a rainha também a ficar em pé, curvou-se e saiu da sala para cumprir com o que foi ordenado.
Enquanto isso em uma das salas do castelo, algumas figuras aguardavam, próximo da janela estava Vina, uma das guardiãs, jovem e de cabelos prateados e longos, presos por uma presilha, vestia uma saia com babados e uma blusa sem mangas apenas com amarras em seu busto o que lhe favorecia o decote avantajado, além disso tinha uma capa prateada com propriedades mágicas, que havia ganhado de um velho elfo da Floresta Esquecida, e possuía um arco o qual utilizava com seus poderes do vento.
__Vejam pessoal. Disse ela,apontando para fora da janela.__ Pelo visto a rainha começou a agir.
O que se via era uma barreira se formar em torno do castelo e então se expandir até tomar alguns quilômetros de distância.
No canto próximo a porta Forg, guardião do fogo que até o momento estava sentado, brincando de fazer chamas com seus dedos se levantou, pegou sua lança e disse:
__Isso significa que vamos lutar?
E respondendo sua pergunta, as portas se abriram e Aquyllos entrou na sala dizendo:
__Sim!
Todos os quatro presentes ficaram em pé, e Aquyllos continuou:
__ Guardiões! Temos ordens de nossa rainha Luara! Primeiro você Terye.
E a jovem com cabelos esverdeados e curtos que estava à direita se manifestou.
__Sim Aquyllos!O que a rainha deseja?
__Você, que possui os poderes da terra, deve ficar no castelo para passar informações com seu poder de se comunicar com as plantas.
Desde criança, Terye passava mais tempo rodeada pela natureza do que pelas pessoas, e assim adquiriu o dom de se comunicar com as plantas, sendo capaz de entender e enviar mensagens por elas.
__Forg!  Disse olhando para o jovem de cabelos vermelhos,encostado na porta,e que parecia muito feliz por ser solicitado.
__Você com o poder do fogo e Vina com o poder do vento irão para as aldeias próximas, façam o possível para ajudar os moradores a fugirem para o castelo, mas não se arrisquem sozinhos.
Por um instante parecia que a alegria de Forg tinha sido arrancada dele,já que teria que trabalhar com Vina a qual sempre acabava com suas brincadeiras, por isso os dois viviam discutindo.
__Mas, Aquyllos! Dou conta disso sozinho.
Questionou na esperança de se livrar de sua companheira. Mas antes que Aquyllos desse a resposta, Vina já tinha se manifestado e agarrando o braço de Forg com tanta força, que um pouco mais, ele poderia jurar que seria arrancado de seu corpo, e com os olhos amendoados fixos em Forg ela disse:
__ Vamos cuidar disso juntos! Como foi ordenado, não é mesmo Forg.
E sem esboçar mais nenhuma reação Forg apenas concordou com um balançar de cabeça, e o pensamento de que se abrisse a boca para falar mais alguma coisa com certeza perderia aquele braço.Com isso Aquyllos continuou e agora olhando para o canto mais escuro da sala, onde uma figura de cabelos alaranjados e mechas amarelas estava encostado em um pilar e até então estava quieto apenas observando o movimento no local pegou seu machado e se aproximou mais do restante do grupo.
 __Rayzer a rainha pediu um favor especial a você, ela deseja que você ajude as pessoas ao redor do castelo a entrarem na barreira e com seu poder do raio, fortifique a barreira por fora o máximo que puder.
O rapaz moreno e de boa aparência, com roupas coladas em seu corpo musculoso concordou. __como a rainha desejar eu farei.
__Aquyllos, e quanto a você e seu irmão? Que não está aqui por sinal. Perguntou Terye, percebendo a ausência de Blandion.
__Nós temos outras ordens a cumprir. E sem se prolongar nos detalhes ele encerrou dizendo:
__ Todos sabem o que fazer, vamos proteger o nosso reino a qualquer custo.
E assim cada um saiu da sala, e seguiu para cumprir com seu papel.
 Distante dali a princesa Luna saia de uma caverna incrustada de pedras roxa próxima a uma floresta, do lado de fora Blandion a aguardava.
__ Já terminou sua conversa com Mirydia, Princesa Luna? Indagou o rapaz alto e bem vestido, com certo ar de nobreza.
A jovem princesa, que vinha em sua direção era muito bela, possuía olhos azulados e puros, longos cabelos dourados e lisos, um vestido de um azul tão claro que poderia ser até branco com alguns detalhes de flores douradas espalhados por todo o tecido.
Ao se aproximar de Blandion sorriu e ao encarar seus olhos exclamou: __você não precisa mais fingir, Blandion! Já sei o que devo fazer para impedir essa guerra, e compreendo o seu destino também, me perdoe por tudo o que vai acontecer à culpa é minha, mas é preciso.
Blandion que estava em pé encarava os olhos azuis de Luna, segurou sua mão e deu um beijo, seu rosto bonito agora estava sério e já não possuía mais o sorriso de antes, e se colocando de joelhos disse.
__Princesa Luna! Como bem sabe, não sou mais o guardião da luz, decai para as trevas, sou um servo das sombras e entregar seu medalhão. Ele ficou em silencio e olhava para um medalhão de ouro com o símbolo da lua esculpido que estava no pescoço da princesa.
__Entregar sua proteção, esse medalhão foi minha promessa a Haldom o grande senhor das sombras.
Com os olhos cheios de lagrimas Luna tirou o medalhão do pescoço, segurou a mão de Blandion, e lhe entregou.
__ Faça como o seu destino pede, Blandion! Faça o que seu coração mandar, e um dia talvez você possa ver novamente a luz. A princesa colocou sua mão sobre a cabeça de Blandion e continuou a falar:
 __ Sinto muito, por todo o mal que vou causar a você e todo o seu sofrimento, mas só lhe peço uma coisa, em momento algum sinta pena de mim ou deixe de seguir seu caminho.
E ficando em pé com a cabeça abaixada, Blandion deu às costas a princesa, mas não antes de dizer:
__ Você sabe de tudo assim como eu, não vou deixar de cumprir o que lhe prometi quando jurei ser seu guardião, mesmo sozinho vou seguir em frente.
Saiu então sem dizer mais nenhuma palavra, e nem mesmo olhar novamente no rosto de Luna; estava com o medalhão e agora só lhe restava cumprir com o destino que Mirydia havia previsto para ele, as sombras e a solidão seriam seus parceiros a partir de agora.
Luna estava parada no mesmo local observando Blandion desaparecer na floresta, apenas comentou ao ouvir passos as suas costas.
__Mirydia! Não existe outra forma? Tudo o que você me disse é verdade não é mesmo?
Mirydia que havia saído da caverna, após a partida de Blandion, agora parou ao lado da princesa e confirmou apenas com um aceno de cabeça.
__ Não me importa o que acontecer comigo, mas sim, com as provações que todos deverão passar, por minha causa. Inclusive você Mirydia!
Lagrimas escorriam do rosto de Luna, mas ela seguiu em direção oposta ao do castelo adentrando ainda mais na floresta se dirigindo ao local onde deveria enfrentar Haldom sem que ninguém pudesse lhe impedir.
__Mirydia!  Por favor, cuide de tudo quando acabar assim como combinamos, vai ser difícil e você novamente ficara sozinha.
E se curvando para Luna, Mirydia completou:
__Você é minha amiga! A única em anos que não temeu o destino. Seguirei suas ordens como combinado, porém.... Ela fez uma pausa, e encarando as costas de Luna que estava parada em sua frente prosseguiu.
__ Como te alertei o destino em algumas partes não é correto, e muito depende das escolhas dos envolvidos, farei o possível para cumprir com os seus desejos, e que o melhor caminho se abra para você.
A princesa saiu sem dizer nada, Mirydia a viu desaparecer em meio à floresta, um suave cheiro da natureza entrava por suas narinas, a sombras estavam próximas daquele lugar e podia observar aos poucos as arvores perdendo a vida, porém tudo seguia como ela já havia previsto, agora caberia a todos agirem com sabedoria e tomarem a melhor decisão.
Um pouco distante dali Aquyllos corria para chegar à floresta. Tinha conseguido informações com Terye de que a princesa e seu irmão estavam próximos à uma caverna,porém, parou de repenteao se aproximar de um penhasco, pois estava cortando caminho pela montanha para chegar mais rápido.
__ Quem este aí? Aquyllos havia sentido a presença de alguém no local.__ Apenas meu irmão e eu conhecemos essa trilha pelo penhasco, apareça ou te atacarei!
E das sombras um vulto conhecido de um jovem alto, bem arrumado com cabelos prateados que simbolizavam a pureza da luz apareceu.
__ É assim que cumprimenta seu irmão Aquyllos? Devo dizer que sua educação está diminuindo.
E correndo em direção ao irmão com um sorriso no rosto Aquyllos o abraçou.
__Que bom ver que está aqui! Onde está à princesa Luna?
Perguntava agora soltando o irmão e olhando para os lados,mas ao se afastar Aquyllos percebeu que algo no semblante de seu irmão estava errado, ele que possuía um ar de pureza estava começando a ficar em volto nas sombras, e era estranho com tudo o que estava acontecendo no reino seu irmão não expressar sentimentos.
__O que aconteceu com você meu irmão? Onde está à princesa Luna?
__Aquyllos, meu irmão!Começou a falar Blandion.__Eu a deixei, não sirvo mais a ela nem a rainha Luara, apenas me tornei servo de Haldom o senhor das sombras.
Aquyllos não poderia acreditar nas palavras que saiam da boca de seu irmão.O que ouvia não poderia ser verdade, pensava enquanto olhava para figura a sua frente, esperando que se transformasse em algum dos servos das trevas que estava usando a face de seu irmão para enganá-lo.
__ Porque você fez isso?  Como pode trair a confiança da princesa Luna?   Você não é meu irmão revele-se.
__Não sou, seu irmão. Blandion deu um sorrisinho, como se sentisse satisfação ao ouvir as palavras de Aquyllos.
__ Como assim? É claro que sou seu irmão querido! Você é tão inocente não sabe de nada. Não é mesmo, Aquyllos! Estou aqui apenas para cumprir meu destino.
__ Destino?Como destino, Blandion.Juramos defender a paz, e você se diz um guardião da luz, sucumbindoàs trevas, não consigo entender.
Aquyllos gritava em desespero, como poderia seu irmão estar dizendo tais palavras. __ Responda-me, Blandion! Como largar seu juramento pode ser seu destino?
E com ar sarcástico e um sorriso no rosto, Blandion parecia ainda mais frio ao se expressar:
__Sinto muito, Aquyllos! E ao estender a mão em direção a seu irmão lhe mostrou o medalhão que segurava.__ Isso é a prova de que sou seu irmão e estou cumprindo o meu destino.
Ao ver o que o irmão estava segurando, Aquyllos ficou em choque, pensando no que poderia ter acontecido, sua voz quase não saiu, quando perguntou:
__Você.... como pode...estar com o medalhão dela. Sua voz estava tremula, tinha medo da resposta que poderia ouvir. __ Isso quer dizer que...Isso significa que você?
 As palavras que ele não queria dizer, borbulhavam em sua mente, e sem aguentar segura-las,Aquyllos gritou tão alto, que sua voz ecoou pelo precipício.
__ Você a matou? Não!... Não!... Mesmo que a matasse você não poderia ter o medalhão, nem mesmo tocá-lo, a não ser que...
E de repente uma estranha dúvida passou por sua mente, Aquyllos sabia que ninguém poderia roubar ou tocar o medalhão da princesa, mesmo que a matasse, o medalhão não permitiria ser tocado, então, a única resposta era evidente.... agora a questão era o por quê de a princesa fazer aquilo.
__Me responda, Blandion. Ela lhe entregou o medalhão! Você a enganou para fazer isso?... ela está viva?... Então onde ela está?
Ainda com um sorriso frio Blandion dava voltas ao redor do irmão, que parecia paralisado com tudo o que estava acontecendo, tentando buscar uma resposta, para tudo aquilo.
Blandion se aproximou de Aquyllos e sussurrou em seu ouvido.__ Sabe o que a princesinha me disse, Aquyllos. Que ela iria ao encontro da morte, e enfrentaria Haldom sozinha.
O rosto de Aquyllos havia perdido as cores, sua pele branca agora estava pálida, o suor escorria da lateral de sua cabeça até seu queixo, e uma pontada em seu coração o alertava para se movimentar.
__Enfrentar Haldom você disse, sem a proteção do medalhão.O que ela pretende? Dizia Aquyllos para si mesmo.
___ Por quê? Você foi permitir isso, Blandion. Preciso ir ao encontro dela.
E virando de costas para seu irmão, Aquyllos começou a correr na direção da floresta. Mas antes que pudesse se afastar, Blandion deu um salto e parou a sua frente impedindo sua passagem.
__ Onde pensa que vai, Aquyllos? Estou aqui para impedi-lo de ir até ela.
E tomado pela fúria, Aquyllos usou o poder da água e atingiu seu irmão, lhe causando um corte na lateral de seu rosto, a sangue escorria lentamente e algumas gotas pingavam no chão.
__ Então essa é a verdade, o seu amor pela princesa é tão profundo que você poderia até matar o seu irmão.
 Blandion, pressionava Aquyllos, ele sentia prazer vendo o descontrole do irmão. Aquyllos por sua vez, via sua passagem impedida por seu irmão, e tentava se justificar pelo que tinha feito.
__ Não! Não quero isso! Não quero lutar com você Blandion! Você sempre foi o mais forte e sempre cuidou de mim, mesmo quando nossos pais morreram e nos tornamos os guardiões, sempre estivemos juntos.
__Ah.... por favor, não comece com o seu sentimentalismo barato Aquyllos.
__Sempre te admirei Blandion, você me ensinou a lutar com a espada e a controlar os meus poderes, por favor, saia da minha frente e me deixe passar eu preciso salvar a princesa, e quando tudo isso acabar nós vamos voltar juntos.
Blandion, colocou uma das mãos sobre o peito,e com a outra fingiu secar uma lagrima de seus olhos, antes de começar a falar:
__juntos? Você diz isso de uma forma tão tocante, não tente me fazer de bobo, você sempre quis ser o guardião da princesa Luna! Não é mesmo?
Blandion sabia dos sentimentos de Aquyllos por Luna, e iria se aproveitar disso para provocar seu irmão. __Quando tudo foi decidido você sentiu inveja de mim, você queria o meu lugar, com certeza você já pensou em me matar.
__ Não... você está enganado, Blandion. eu... eu....
Aquyllos foi interrompido pelo irmão, que lhe acertou um golpe poderoso, o qual o arremessou contra uma grande rocha, fazendo a mesma se partir em pedaços.
Não minta para mim, Aquyllos!...acredite quando digo, que vou te matar!...Assim como fiz com a princesa, a deixando encontrar Haldom desprotegida.
E se levantando com dificuldades após receber o golpe, Aquyllos voltou a caminhar em direção a floresta, tendo seu irmão no caminho.
__ Por favor!... Deixe-me passar Blandion, eu preciso salvar a princesa e não quero te machucar.
Porém foi novamente interrompido por Blandion, que olhando firmemente em seus olhos disse:
 __Me machucar, você diz isso como se... E raspando do rosto com o dedo, o sangue do ferimento causado mais cedo completou:
__Você já me machucou meu querido irmão!... Agora se quiser realmente passar por mim, terá que me matar! Está livre para fazer sua escolha, salvara a mim que sou seu irmão ou a sua amada princesa? 
__Por favor!... Meu irmão!... Não me faça escolher entre vocês dois, sabe muito bem o quanto ambos são preciosos para mim.
E muitas lembranças de quando eram crianças começaram a passar pela mente de Aquyllos, lembrava - se das coisas que seu irmão lhe ensinou sobre a bondade a gentileza e a paz, então por que agora todos aqueles pensamentos felizes viraram fumaça e desapareceram.
__Ficou calado de repente, Aquyllos! Pensando em desistir da princesa e seguir seu adorado irmão. Blandion, provocava Aquyllos enquanto se aproximava da cratera do penhasco.
__Este lugar não lhe traz lembranças,descobrimos essa passagem juntos em nossas explorações, trouxemos Luna aqui para brincar várias vezes e agora ela já deve estar morta! Não é mesmo?
Blandion estendeu uma das mãos em direção ao irmão, e com a outra retirou do bolso um medalhão, reluzente ao brilho do sol. __ Venha comigo, Aquyllos. E poderemos ficar juntos, Haldom precisa de pessoas fortes como você.
Aquyllos olhou para mão estendida do irmão, e para o medalhão seguro na outra,porém sem pensar e com lagrimas nos olhos, atacou com todo seu poder, o golpe foi tão poderoso que Blandion foi arremessado para o fundo do penhasco onde desapareceu em meio a nevoa.
Aquyllos caiu de joelhos, as lagrimas não paravam de cair, quando atingiu seu irmão tinha certeza que o ouviu dizer obrigado, era como se aquele gentil irmão estivesse de volta naquele momento.
__ Por quê? Blandion, não entendo... não entendo...

Aquyllos gritava com profunda tristeza, enquanto socava o chão. Percebeu, porém, algo brilhando, e para sua surpresa era o medalhão da princesa Luna, mas do que depressa o recolheu, secou as lagrimas e começou a correr em direção a floresta, em sua mente agora apenas as lembranças de seu irmão e a certeza de que precisaria salvar a princesa a qualquer custo.
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Atualizado em: Qui 5 Mar 2020

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