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A História, a Alienação e a Consciência de Classe para Marx

Marx abre a obra “O Manifesto Comunista” com a afirmação de que a história tem sido a historia da luta de classes. Para Marx, o fio que tece a história é o desenvolvimento das forças produtivas (força de trabalho somada a meios de produção, em suma) que se torna contraditório com as relações sociais de trabalho, e esse fio é rompido pela luta de classes. Ele identifica que a história no tempo que ele presencia se apresenta também como a história da luta de classes, porém dessa vez com novos polos, proletariado e burguesia, e apresenta também novas formas de dominação por parte da classe dominante, como a alienação, e necessita de consciência de classe dos dominados a fim de quebrar superar o novo sistema vigente que assim se estrutura, o Capitalismo.
Marx considera que em seu tempo, no mundo em que presenciava, a luta de classes apresentava uma nova formulação a partir do advento da Revolução Industrial, onde surgiram dois novos grupos, ou, em termos marxistas “classes sociais”, proletariado e burguesia. O proletariado é composto por pessoas que, suma, não detém os meios de produção e se veem obrigadas a vender sua força de trabalho aos que detém esses meios, a burguesia, a fim de garantir sua sobrevivência. Essa nova conjuntura se dá por conta da estrutura do novo sistema econômico-social vigente, o Capitalismo, que necessita da alienação do proletariado e que só pode ser superado pela consciência de classe desse grupo.
Dessa forma, à medida que as forças produtivas avançam rapidamente as relações sociais avançam a passos lentos, sendo gerada e gerando alienação. Marx diferencia quatro tipos de alienação: a) em relação ao produto do trabalho; b) no processo de produção; c) em relação a existência do individuo enquanto membro do gênero humano; e d) em relação aos outros indivíduos. Em suma Marx analisa que o trabalhador: a) mesmo tendo produzido é alheio e estranho ao produto; b) o trabalho do ser humano no processo de produção é coercitivo (no sentido de que este se vê obrigado para alguém para sobreviver) e sacrificante, uma vez que este não trabalha segundo as suas próprias necessidades, mas sim segundo os interesses do patrão; c) o ser humano adquire uma existência em que importa apenas seu papel enquanto trabalhador, e, portanto, sua individualidade, e não seu papel enquanto humano, perdendo assim o laço abstrato que antes tinha com seus iguais (demais humanos enquanto espécie); e d) como consequência do apresentado anteriormente acontece uma objetificação do ser humano e toda e qualquer vida perde o sentido, visto que seu aspecto mais valioso, sua capacidade de trabalhar/produzir não serve mais para seu viver, mas para sua mera sobrevivência e subjugação aos interesses alheios.
A consciência de classe, que é o reconhecimento de pertencimento a uma classe de explorados (aqui há de se dizer que Marx já identificava que essa classe proletária já era reconhecida enquanto classe pela classe burguesa), que é vista pelo autor como a forma do proletariado superar essa subjugação, ainda se subdivide em dois subtipos de consciência, “consciência de si” e “consciência para si”. A partir do momento em que o indivíduo se enxerga e se reconhece enquanto membro de uma classe social subjugada ele adquire “consciência de si” e assim abre espaço para a compreensão de que a organização enquanto classe é o caminho para uma ação política de combate e derrubada de sistema, ou seja, abre espaço para adquirir a “consciência para si”.
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Atualizado em: Qui 9 Jan 2020

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