person_outline



search

Crônica Para Um Novo Ano

Neste novo ano não quero fazer nada em especial...
Não vou fazer promessas.
Não vou me estabelecer grandes metas.
Não vou tentar vislumbrar horizontes distantes e inatingíveis.
Não vou plantar sonhos novos nem regar os antigos, tampouco ressuscitar aqueles que já perderam o prazo de validade
Não desejo empreender grandes batalhas nem me contaminar pela sede de novas e audaciosas conquistas.
Vou apenas seguir em frente, sem me preocupar muito em saber qual o próximo passo.
Vou contar piadas sem graça, rir quando tiver vontade, ver tv até tarde, torcer pelo meu time, jogar meu game favorito, reclamar do que me incomoda, sentir medo, raiva e, se for preciso, chutar o pau da barraca.
Mas se a dor vier, e for além dos limites do suportável, eu vou chorar sem nenhuma vergonha, sem me importar que riam, que se compadeçam de mim, sem medo de parecer ridículo, de ser evitado por quem acha que lágrimas são gotas concentradas - e contagiosas - de fraqueza. Apenas chorar com a coragem de quem não tem receio de se assumir como gente!
Rindo ou chorando, vou continuar indo em frente. Vou andar, correr, pular de alegria, chutar as pedras do caminho, parar para apreciar a paisagem, me proteger do sol, brincar na chuva, me extasiar com o ocaso da tarde, sentir a brisa da noite, contar estrelas, sonhar acordado até ser vencido pelo cansaço e, finalmente, dormir embalado pela certeza que cada minuto do dia valeu a pena.
E quando um novo dia chegar, quero despertar com o firme propósito de ser menos consumista, fazer menos planos, criar menos expectativas, desatar as amarras do politicamente correto, me despir do exibicionismo fútil, da ditadura dos rótulos sociais, das paixões descartáveis das novelas, da felicidade fabricada dos comerciais da tv, e até me livrar da obsessão escravagista pelo último lançamento, pelo modelo da hora, pela última palavra em tecnologia, pela barriga de tanquinho e outras tantas medições convencionais de sucesso. Vou largar tudo isso para tentar gostar de mim exatamente como me vejo: uma pessoa comum, totalmente incompleta, irretocavelmente imperfeita e irremediavelmente limitada pela nossa finitude humana.
Neste novo ano, quero abortar a tentação pelo carro do ano, mais completo e de desempenho inigualável, para engravidar da urgência em viajar pela vida sem pressa, me permitindo apreciar as flores que ladeiam o caminho e curtindo a companhia da pessoa amada.
E juntos, conversando devagarinho sobre tudo, inclusive nada, vamos desligar nossos celulares ultra-hiper-super-modernos, de designer arrojado e funções mirabolantes, e sumirmos temporariamente do mapa só para ouvir a música das nossas vidas, com as mãos se tocando e os olhares se entrelaçando numa linha direta com o coração.
Porque ainda acredito que o amor, aquele antigo, nada tecnológico e incrivelmente atual sentimento humano, não precisa de radar, satélite ou GPS, para nos encontrar e nos mostrar que, para ser e fazer o outro feliz, não é preciso criar nada de especial.
Basta que, um para o outro, sejamos muito, muito especiais!
Simples assim!
Feliz Ano Novo!
Pin It
Atualizado em: Seg 6 Jan 2020

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222