person_outline



search

Boas Festas

O anoitecer se aproxima
Vejo meus demônios no reflexo do banheiro
O passado sempre tão presente
Me falta o ar
Quando serei a mulher forte que prometi que seria?
A verdade é que me refaço todas as manhãs
E em cada versão nova, perco um pedaço da minha antiga eu
Fechada e amargurada essa nova versão vai se tornando
Tento não deixar, mas minha essência vai morrendo 
Perdida em cada caminho que tomei e acabei desviando
O vejo pelo espelho sorrindo ao ver meu desespero
Ele é astuto 
Sabe meus medos e receios
E diz tudo o que meu subconsciente quer acreditar ser verdade
Onde estou agora? Estou caindo tão rápido
Sinto o cheiro da morte se aproximando
Densa no ar
Abraça-me nessa última versão
Ainda não comemorei a data de hoje
Talvez nem vá
Atormentada o vejo me assombrar com os meus fracassos
O quanto todos se afastaram
E me isolei para escutar seu vazio
Seu silêncio
Sua dor
Que também se tornaram meus
Meus pés, nem os sinto mais no chão
Talvez devesse gritar
Porém ninguém vai me ouvir
Estão todos ocupados com suas famílias
Deveria ser uma noite especial
Talvez seja para muitos
Mas não para quem sente o medo da perda
Estilhaço- me em fragmentos que não irei reencontrar
Sinto que cada passo se torna perdido para quem não sabe aonde quer ir
Vago entre os perdidos
Açoitados pelos castigos
Almas sem esperanças
Sempre noite, nem sei como cheguei aqui
Ainda sinto o abraço dela me apertando
Como se me segurasse, não querendo me deixar 
Você não acreditaria, como poderia?
Seus olhos não presenciaram todos os lamentos de desespero
Seus ouvidos não escutaram as lamúrias e mentiras
Suas mãos não sentiram o suor do seu rosto pelo calor infernal
Rezas e preces
Nesse momento é como se todos tivessem um único salvador
E em desespero aclamavam por alguém que devia estar ocupado demais para ouvir
O céu tão negro quanto as chamas que escorriam por suas peles
Senti o ar ficando escasso e meus pulmões doerem
É nesse momento que prometem serem homens melhores
Só que seus passados estão sendo arrastados pelo chão
Suas deformidades são os castigos do feito em vida
Eram tão poderosos em suas lembranças, agora deploráveis seres perdidos 
Você teria esperança em um lugar desse?A tristeza assola até os que pareciam mais felizes
Tantos anos não serviram para tirar-lhes a culpa
Por fim abro os olhos no colo daquela responsável pela minha visita
Sua mão fria desliza pelo meu rosto
Seus olhos mortos e sua inexpressividade 
Ela sussurra em meu ouvido e em seguida se levanta indo embora
No espelho apenas o meu reflexo
Eu sou o meu próprio demônio
Pin It
Atualizado em: Sáb 4 Jan 2020

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR
Fone: (41) 3342-5554
WhatsApp whatsapp (41) 99115-5222