person_outline



search

A má amada (curta metragem)

1 EXT. GALERA EM VOLTA DA FOGUEIRA – NOITE 1

EDU (rapaz com aparência de 23 anos, altura aproximadamente de 1.74, cabelos curtos – pretos e olhos também pretos)

EDU e AMIGOS (estão se esquentando em volta de uma fogueira)

EDU - Um dia, ela ainda me ajuda a cometer um homicídio.

CHARLES (rapaz com aparência de 19 anos, altura aproximadamente de 1.75, cabelos curtos castanhos com boné e olhos claros)

CHARLES - Ah! Cara dá um basta na coroa! Pegue a condução mais cedo.

HALLEY (irmão gêmeos de Charles. Sem boné. Oscila a cabeça)

HALLEY (indignado) - Até parece que não conhece mulher? Com certeza ela está caidinha no cara, e o Zé ruela nem deu conta.

EDU - Mas é aí que mora o perigo. O que os meus ouvidos têm com isto? Só para vocês terem a ideia, a coroa é tão chata, que se bobear, o próprio marido é capaz de jogá-la aos braços do patrão.

IVAN (o mais novo do grupo. Aparência de 16 anos, olhos e cabelos claros, com uma vara mexe na fogueira)

IVAN  (resmunga)  - Até parece que nunca ouviram falar em patrão. Estas raças, são piores do que sangue - suga.

EDU (interfere) Se eles são ou não, isso não faz parte dos meus problemas. O que eu preciso agora é arrumar um jeito de impedir que dona Flora continue surrando seu patrão todos os dias, nos meus ouvidos.


2 INT. QUARTO DE EDU – MADRUGADA 2

EDU (deita na cama de lado e roendo as unhas)

EDU (pensativo) - Isso não pode ficar assim.

Edu (deixa de roer as unhas e apaga o abajur)

A noite prossegue.

EDU cochila e sonha que está fazendo amor com Mônica. Ela se delira ao sonho. Na hora “H”, D. Flora surge solicitando um minuto de sua atenção. Algo que lhe assusta. Despertando do sono e logo indo para o trabalho.

3 EXT. ESQUINA DA AVENINA ONDE EDU PEGA A CONDUÇÃO – MANHÃ 3

De mãos ao bolso, com a mochila na costa, Edu pausa os passos ofegando-se. Em seguida prossegue, em direção do ponto de ônibus.

EDU (sussurrando) Preciso ser franco com ela.

O ônibus passa. Edu entra sem olhar para os lados, procurando lugar pra sentar.

4 INT. DENTRO DO ONIBUS 4

Sentado. Edu é incomodado com um toque ao ombro. Ele olha em direção do toque.

FLORA – mulher de pele clara, cabelos longos, castanhos e cacheados. Olhos castanhos, 1.72 altura. FLORA está sentada ao banco detrás. Banco, na qual o passageiro se levantado descendo no próximo ponto. FLORA (sorri) Senta aqui pra conversamos um pouco!

EDU (levanta, atende ao pedido. Mas antes, pestaneja, franzindo a testa. Surpreso com a companhia)

FLORA - Tudo bem com você?

EDU - Arran! E a senhora?

EDU e DONA FLORA (estão sentados no mesmo banco)

DONA FLORA dá um toque ao seu braço.

DONA FLORA Acredita que o outro, deu de infernizar-me de vez?

EDU (Incomodado, olha para trás, pasmando por uma linda moça de boa aparência, que abria repentinamente a boca, em ironia, com a mão esquerda encostando e desencostando os dedos das mãos, estilo a uma boca de jacaré, sempre que D. Flora se pronuncia).

DONA FLORA (prossegue a fala) - Ontem mesmo, se eu não me controlasse, poderia ser demitida por justa causa.

EDU (pasmado com a audácia da moça, fixava o pescoço para frente apenas escutando D. Flora)

O ônibus prossegue.

5 EXT. PONTO DE ONIBUS ONDE ELES DESCEM PARA O TRABALHO 5

EDU e D. FLORA (descem, caminhando pela mesma calçada)

EDU (muda de conversa) - Deixa eu te falar uma coisa.

FLORA: - Calma aí. Já estou terminando de falar.

EDU e D. FLORA (já de frente com o serviço dela, ambos se despedem)

O dia logo se passa, entardecendo.

6 INT. QUARTO DE EDU – NOITE 6

EDU (de frente ao espelho do quarto)

EDU (treinando) D. Flora, é o seguinte, não é bom que a senhora fique por aí guardando rancor de seu patrão. Se algo entre vocês não estão se dando bem, tudo se resolve a uma boa conversa. Um rancor pode causar mal a saúde.

EDU (tímido, se cala, olhando cautelosamente a entrada do quarto. Não avistando ninguém, prossegue)

EDU (Inibido, amortece os lábios com os próprios dentes) - A senhora não pode continuar todo dia, sempre neste mesmo assunto...

EDU (tenso, sai da frente do espelho, raspando a ponta dos dedos ao dente e perambulando)

EDU (raciocinando) - isso não vai dar certo. Charles tem razão. Preciso pegar a condução mais cedo.

A noite prossegue. Logo amanhecendo.

O despertador dispara.

EDU (levanta e se arrumar para o trabalho)

7 EXT. ESQUINA DA AVENIDA ONDE EDU PEGA O ONIBUS 7

EDU (avista D. Flora no ponto. Arisco se esconde atrás de uma árvore. Quando o ônibus passa e D. Flora, acaba pegando àquela condução)

EDU (continua escondido, saindo apenas quando o ônibus vira a próxima avenida. Respira fundo e parte para o ponto)

EDU (Após um longo intervalo, passa uma nova condução na qual ele pega)

O ônibus prossegue. A poucos metros, sua condução, para, socorrendo os passageiros de um ônibus quebrado.

EDU (surpreende, D. Flora entra em cena de longe o acenando)

FLORA (senta do seu lado) - Ai! Valeu a pena essa droga de ônibus ter quebrado, pelo menos assim, tenho alguém para conversar.

EDU - Pois é. É bom quando temos alguém para nos escutar.

EDU (dá uma virada rápida pelos arredores, deparando novamente com a mesma moça ao mesmo deboche a tua situação)

FLORA - Com certeza, principalmente quando passamos boa parte do nosso dia do lado de um patrão como o meu.

EDU (estressado, leva uma das mãos ao suporte do banco, mexendo com os dedos e mordendo de leve os lábios)

EDU - Aí é pegar pesado.

FLORA - Pesado nada. É exaustivo mesmo. Um verdadeiro holocausto.

EDU e D. FLORA (descem no ponto de ônibus. Chapinhando-os pela mesma calçada)

FLORA (suspeita do rapaz que caminha a poucos passos deles) FLORA (irritada) - Se aquele pilantra ousar em tocar na minha bolsa... Desconto nele toda a raiva que o pilantra do meu patrão tem me feito passar nesses últimos dias.

SUSPEITO (aproxima)

EDU (se intimida)

FLORA (passa a bolsa para o outro braço)

SUSPEITO (abusa, tocando na bolsa)

FLORA (vocifera) - Espera aí seu filho da puta!

EDU (lança as mãos ao rosto, escorregando-as vagorasamente. Os olhos se arregalam. O rosto avermelhece).

FLORA (passa a perna no suspeito, chocando-o no chão)

SUSPEITO (grita de dor, enquanto ela o esbofeteia)

FLORA (gritando): Tome seu safado! Se até hoje não casei pra não dar moleza pra homem algum relar a mão em mim, não vai ser você que vai me fazer passar por essa.

CURIOSOS (aglomeram-se, dividindo aplausos com vaias)

SUSPEITO: começa a gritar por socorro.

EDU (apavora, gritando por socorro a fim de separá-los).

CAMBURÃO DE POLÍCIA (chega)

EDU (tenta sair de fininho)

POLICIAL 1 (entra na sua frente)

POLICIAL 1 - Calma aí, rapaz! Aonde pensa que vai?

EDU (gaguejando) - Embora para o trabalho.

POLICIAL 1 - Lamento, terá que nos acompanhar.

EDU - Mas eu não tenho nada a ver com isso, eu só estava de companhia com ela.

POLICIAL 1 - Mas é este o motivo.

CURIOSOS (continuam vaiando e tumultuando)

FLORA, EDU e o SUSPEITO (são levados pela polícia)

8 EXT. DE FRENTE A DELEGACIA – 10:30 8

EDU (está saindo da delegacia).

EDU (zangado) - Aquilo não é mulher... é um demônio

EDU (caminha ao ponto de ônibus que fica do lado)

O SUSPEITO (sai escoltado, entrando numa ambulância)

FLORA (permanece, usando o orelhão público de frente a delegacia)

EDU (exausto, olha para trás. Fixando o olho numa bike vermelha de amostra a vitrine do comércio)

O ônibus chega.

EDU (entra sem tirar o olho da bike)

9 EXT. DE FRENTE A LOJA DE BICICLETA – NOITE 9

EDU (entra na loja, arrancando do bolso o dinheiro)

EDU - Quanto custa a bike?

VENDEDOR - A prazo cento e cinquenta, à vista cento e quarenta e nove e noventa e nove centavos.

EDU (empolgado, desdobra o dinheiro e já o passando)

EDU - Posso levá-la ou vocês entregam em casa?

VENDEDOR Fica ao teu critério.

EDU (paga)

VENDEDOR: (abre a porta da vitrine, arrancando a bike e lhe passando)

EDU (montar na bike e pedala)

10 EXT. AVENIDA DE ONIBUS – NOITE 10

EDU (pedalando, Edu faz zic – zac, por onde passa)

EDU (berrando) Meu ouvido não é pinico não.

11 EXT. AVENIDA DE ONIBUS – MOMENTO DEPOIS 11

EDU (empolgado, atravessa o sinal vermelho)

MOTORISTA (enfurecido, o chama para briga)

EDU (grita) - Serve D. Flora?

12 EXT QUINTAL DA CASA - NOITE 12

EDU (abre o portão, logo montando na bike e em seguida encostando-a próxima à entrada da casa)

EDU (grita) - Mãe, veja só o que comprei.

13 INT. DENTRO DA CASA 13

EDU (entra pela cozinha. Folhas de sulfite com outros materiais escolares esparramados pela mesa).

EDU (olha, pega uma das folhas, escreve D. Flora e levando o papel para o quarto. Com uma fita crepe fixa a folha na parede).

EDU (Fazendo um crucifixo). - Nunca mais quero ouvir a sua voz.

14 INT. DENTRO DO SEU QUARTO – DIA SEGUINTE – MANHA 14

EDU (levanta e se arruma para o serviço).

EDU (para de frente a folha que está escrito o nome de Dona Flora)

EDU (ironiza) - E agora D. Flora? Quem é que vai te escutar?

EDU (parte, despedindo do cartaz ao gesto de banana pelo braço)

15 EXT. QUINTAL DA CASA DE EDU 15

EDU (aliviado, fecha o portão partindo de bicicleta)

Cenas, mostradas por vários dias de Edu indo e voltando do serviço.

EDU (despedindo da folha com o gesto de banana aos braços, por vários dias).

Já nas chegadas, ele cumprimenta a mesma folha com um joia.

16 EXT. AVENIDA ONDE EDU TRAFEGAR PARA IR AO TRABALHO – MÊSES DEPOIS – MANHA 16

EDU (distraído, pedala a bicicleta pelo acostamento. Assustado, para o trajeto, após ter sido buzinado).

EDU (superado do susto, prossegue).

EDU (não vê, se choca a um golf vermelho, a qual para queimando o pneu)

EDU (desequilibrado, cai da bicicleta)

A porta do golf é aberta, desce uma mulher que o socorre.

MOTORISTA DO CARRO (preocupada) - Moço! Moço! Tudo bem contigo?

EDU (cabisbaixo, levanta o rosto para identificá-la).

EDU (estonteado) - Acho que sim. Foi mais um susto.

EDU (se levanta com a ajuda da moça).

MOTORISTA DO CARRO (surpreendida) - Péra aí. Eu te conheço.

EDU (indignado, abaixa a cabeça, limpando a calça com as mãos).

MOTORISTA DO CARRO (aproxima da bicicleta, levantando-a do chão)

MOTORISTA DO CARRO (preocupada) - Não quebrou nenhuma parte do corpo?

EDU - não. Foi apenas um susto.

EDU (pega a bicicleta, dando uma averiguada)

MOTORISTA DO CARRO (relembra) - Moço sou eu, D. Flora. Aquela que pegávamos juntos o ônibus todos os dias.

EDU (disfarça) - Desculpe. Mas não estou te reconhecendo.

FLORA (segura-o pelo braço) FLORA - calma aí. Eu ainda me recordo de onde você trabalha. Monta aqui que eu te dou uma carona.

EDU (recusa o convite, Dona Flora persiste)

EDU (coloca a bicicleta no porta – mala, sentando no banco da frente)

DONA FLORA (lhe apresenta à moça do banco traseiro)

EDU (a reconhece a moça irônica do ônibus)

FLORA - essa é Mônica. Uma amiga que ganhei com sua ausência.

MÔNICA (sorri) - Olá. Tudo bem?

EDU (responde com um sorriso silenciador, virando para frente, franzindo a testa)

FLORA - ah! Sabe aquele meu patrão? Então, Vamos nos casar.

MÔNICA (ri)

EDU (espanta)

EDU - Meus parabéns!

FLORA (enaltece, lhe agradecendo) FLORA – Acredita que por esses dias estava conversando justamente sobre você, com ela?

EDU - É mesmo? E sobre o que seria?

MÔNICA (surpreende) - Não sabia que era ele.

FLORA - Mas era. Esse é o rapaz que sempre pegávamos o ônibus junto

MÔNICA - Cheguei a vê-lo

FLORA - Então? Dá para encarar de padrinho no meu casamento em companhia dela?

EDU (assusta) - Eu?

FLORA (rindo) - Sim.

EDU (coça a cabeça, encarando Mônica)

17 EXT. ENTRADA DE UMA PAROQUIA. – ENTARDECENDO 17

DONA FLORA e SEU NOIVO (são recebidos com chuva de arroz na saída da igreja)

EDU e MÔNICA (abraçados caminham atrás dos noivos)

MÔNICA (se desgruda de Edu e vá concorrer o buquê)

EDU fica parado de frente ao carro que está aguardando os noivos.

O CASAL DE NOIVOS: (se despede partindo para a lua de mel)

EDU (respira um alivio).

MÔNICA (toca em seu ombro, pisca um dos olhos e lhe mostra o buquê)

MÔNICA (ironiza) - Não vai querer que eu dou de D. Flora, vai?

Edu (malicia) - Não trabalho de sindico

EDU e MÔNICA (se beijam)

                                                                                                                                                                                                                                                      FADE OUT

Pin It
Atualizado em: Ter 8 Out 2019

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR
Fone: (41) 3342-5554
WhatsApp whatsapp (41) 99115-5222