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Inverno

Porque eu procuro você escuridão…

As vezes, só as vezes eu procuro ficar deprimida.

E como se fosse uma forma de justificar minha existência. Uma música instrumental no fundo, um corpo, que com a melodia do som que sai da caixinha da vitrola ligada do meu pai concentra toda uma energia em uníssono das lembranças que ecoam do meu subconsciente que por livre arbítrio procuro para me sentir desolada; e gosto dessa sensação, dessa sensibilidade que emana transcrita nas expressões da minha face que nada se parece com os angelicais rostos de anjos divinos.

Se não é no lirismo de minha decadência que poética posso usar para me justificar? A tristeza e a solidão se faz rima e cria imagens de cenários das mais sensíveis delicadezas. Não é na vida bucólica de quem teve a sorte da natureza de gozar de um sorriso não roto que me embaso em minha escrita, em descrever cenários maravilhosos como o mar e a brisa que atravessa meu corpo numa infinita felicidade; a brisa pra mim é momentânea, os momentos extraordinários não são eternos, as emoções são passageiras e vou do mais alto nível da elevação espiritual quase nirvânica ao abismo de dante.

Minha realidade é outra, e não tem nenhum jardim na minha janela. Como poderia se me esconderam a água e o adubo? O sol não aparece faz tempo e me arrancaram os braços. A felicidade de quem canta, chora, rir e tem uma alma que externa o seu coração… como poderia ter isso se nem mesmo um coração eu tenho, que Oz me concedesse um. Meu rosto não tem a beleza, a ternura, minhas experiências não foram de um desabrocho que me permitia que eu achasse que o mundo fosse terno; bem-aventurados os que tem gozo em crer nisso; na infância não tive na minha vivência um arquétipo de mundo perfeito. Só um de maltrapilho.

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Atualizado em: Seg 5 Ago 2019

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