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A Causa e o Propósito do Sofrimento – capítulo 38

Nós vemos no 35º capítulo, que ao indagar a Jó se ele tinha direito de dizer que a sua justiça era maior do que a de Deus (v. 2) Eliú não estava insinuando que Jó havia declarado isto diretamente em palavras, mas que era isto o que se deduzia do modo como ele estava falando.

Ao dizer que Jó havia afirmado:

“Porque dizes: Que me aproveita? Que proveito tenho mais do que se eu tivera pecado?” (v. 3)

Na verdade, Eliú queria expressar os pensamentos e sentimentos de Jó em relação a Deus, por julgar que estava sendo recompensado menos do que merecia por seus serviços prestados ao Senhor, e que estava sendo castigado mais do que merecia.

Tais sentimentos e pensamentos são perigosos porque podem fazer com que sintamos que Deus é mais devedor a nós, do que nós a Ele.

Eliú fez ver a Jó que por maiores que sejam nossas obras para Deus, não podemos enriquecer a Deus em nada com elas. Ele é autossuficiente em si mesmo. Diferentemente de nós não pode ser prejudicado pelos pecados que praticamos, como não pode ser melhorado ou aperfeiçoado com a prática das nossas boas obras.

De modo que Deus não é devedor ao homem em coisa alguma.

Ao contrário, o homem que é devedor e dependente dEle em tudo.

Então, não seria o argumento persistente de Jó em defesa da sua própria justiça que poderia lhe valer diante de Deus, uma vez que Deus não é dependente dela.

Ser justo é o dever de todo homem, porque foi criado para ser justo. Se o homem não é justo, ele se desvia do propósito de Deus em sua criação e por isso se torna sujeito ao Seu juízo de condenação.

Todavia, o homem não pode ser justo se isto não lhe for concedido pela graça de Deus.

Portanto, como Deus não é dependente de nenhum benefício dos homens, então não lhes é devedor de coisa alguma.

Se lhes faz o bem é por pura bondade e misericórdia, e não por qualquer pagamento que lhes seja devido.

É por desconhecer isto que muitos pensam erroneamente que se fazem dignos e merecedores, eles próprios, da salvação eterna.

Por isso creem que é possível perder a salvação, porque julgam que esta se trata de um pagamento de Deus por nossas boas obras.

Quão enganados estão os que pensam desta forma, tal como Jó estava enganado que Deus era obrigado a livrá-lo por causa de toda a justiça que havia praticado.    

Eliú disse que havia muitos clamores por socorro por causa da multidão das opressões do braço dos poderosos.

No entanto, ele pondera em seu argumento, que nenhum destes indaga por Deus que inspira canções e que ensina aos homens mais do que aos animais da terra, e que pode torná-los mais sábios do que as aves do céu.

Eles clamam mas não são ouvidos pelo Senhor, porque Ele não ouve o grito da vaidade, e não lhes responde porque são maus e arrogantes.

Deste modo, como Jó poderia ser ouvido enquanto dizia que Deus não se importava com ele? Então Eliú lhe exortou a esperar no Senhor porque a sua causa estava perante Ele.

Todavia, como Deus não manifestava a Sua ira prontamente por causa da Sua longanimidade, e também por não considerar grandemente a arrogância de Jó, por isso ele, segundo Eliú, se sentia encorajado a abrir a sua boca e multiplicar palavras sem conhecimento.

Mais uma vez voltamos a dizer que as palavras proferidas por Jó foram movidas pela amargura da sua alma grandemente sofrida. E não se pode fazer um julgamento final em cima de tais palavras pronunciadas em tais condições, conforme Eliú estava fazendo. Mas, como suas palavras eram condizentes com a sã doutrina, ou seja, com a verdade, Jó as suportou, e o Senhor não as tomou em conta para juízo.

Podemos dizer que o diagnóstico estava correto, mas a aplicação do remédio foi exagerada.  
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Atualizado em: Qui 4 Ago 2016

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