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A Causa e o Propósito do Sofrimento – capítulo 41

Baseado no 38º capítulo do livro de Jó.

Eliú havia preparado o caminho no coração de Jó, para que ele fosse aberto para poder ouvir a voz de Deus.

Este é o mesmo papel de bons ministros do evangelho, que preparam os corações das pessoas para receberem a graça de Jesus Cristo, pregando-lhes a verdadeira palavra do evangelho.

No caso de Jó, que se encontrava em grande angústia, seria de se esperar, que Deus lhe falasse através de um cicio suave. Mas foi de um redemoinho, de uma tempestade de vendaval que o Senhor lhe falou, conforme vemos neste capítulo 38º.

Jó, apesar de afligido fizera-se digno de uma repreensão, então não foi com doçura que o Senhor lhe falou, e o vendaval revelaria, de certo modo a Ele, o desagrado de Deus.

Este desagrado foi-lhe demonstrado também em palavras quando o Senhor introduziu a sua fala lhe perguntando quem era ele para obscurecer o Seu propósito com palavras sem conhecimento, que não revelavam a verdadeira sabedoria divina?

Ele tentara falar a seus amigos como um arauto de Deus. Como alguém que tivesse sido enviado desde o céu com uma mensagem para eles. No entanto, Deus ordena agora a Jó, que se colocasse na posição de mero homem, para que pudesse falar com ele, não lhe dando satisfações dos Seus atos, mas fazendo-lhe perguntas para que Jó as respondesse, já que ele se mostrara anteriormente tão ousado em tentar explicar a seus amigos o Seu conhecimento sobre Deus e o Seus atos divinos.

Certamente, Jó não poderia responder a nenhuma das perguntas que Deus lhe faria, ainda que todas elas se referissem aos atos da criação das coisas visíveis e naturais.

O propósito era o de convencê-lo que uma vez que não podia sequer explicar as coisas que seus olhos viam, e que seus ouvidos ouviam, como poderia explicar as coisas espirituais invisíveis?

Deus nos impôs um conhecimento limitado em quase todas as coisas, e devemos aceitar esta limitação, e avançar em conhecimento no que nos for permitido por Sua graça, e não nos estribarmos em explicar coisas que não entendemos com palavras falsas.

Quando pretendemos passar por sábios, falando de coisas na nossa ignorância, não somente nos tornamos mentirosos, como também tomados de um orgulho que nos incha em nossa loucura em tentar mostrar a outros um conhecimento superior ao deles.

Se Deus nos limitou o acesso ao conhecimento de tal forma, é para que aprendamos humildade, colocando-nos dentro dos limites que nos foram estipulados por Ele.

Isto também nos ensina que ninguém deve se gloriar no seu conhecimento, porque este conhecimento sempre será em parte, ou seja, limitado, porque somente o Senhor conhece perfeitamente todas as coisas, quer as naturais, quer as espirituais, que Ele criou.

“Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento incha, mas o amor edifica.” (I Cor 8.1)

“8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;

10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.” (I Cor 13.8-10)

“Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.” (I Cor 13.12)

Virá o dia que nosso conhecimento aumentará e muito, sobre a pessoa de Deus, e sobre as coisas espirituais, mas isto está associado à volta de nosso Senhor Jesus Cristo, porque está determinado que a plenitude de conhecimento seja concedida por Ele em nossa união em perfeição com Ele no céu, porque é nEle que reside toda a plenitude do conhecimento. Não se encontra em nós, mas nEle. Esta é a grande lição que teremos. Este será um fato que nunca mais esqueceremos: que toda a glória deve ser dada a Ele, e a nenhum de nós, porque tudo o que tivermos, terá sido recebido dEle.

Então Deus não queria repreender Jó porque fosse ignorante, ou por ter um conhecimento parcial das coisas naturais e espirituais, porque esta é a condição de todo homem, que foi determinada por Ele próprio.

Portanto, a causa da repreensão era a de que Jó estava se gloriando em seu conhecimento, quando ninguém tem que se gloriar em nada em si mesmo, senão somente no Senhor.

“23 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas;

24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” (Jer 9.23, 24)

Note que o texto de Jeremias é bastante claro quanto à declaração que o Senhor fez através do profeta quanto ao motivo em que devemos nos gloriar.

Ele não está dizendo sequer que devemos nos gloriar em nosso conhecimento teológico, mas no conhecimento íntimo, pessoal de Deus, e ter a certeza de fé que Ele faz misericórdia, juízo e justiça na terra.

É em Deus mesmo que nós temos que devemos nos gloriar, e não nas coisas que saibamos acerca dEle, porque isto tem a ver conosco, e não com a Sua própria pessoa divina.  

Se houvesse tal espírito em Jó e em seus três amigos, eles não teriam debatido por um só minuto, porque estariam calados diante do Senhor, clamando em seus corações para que tivesse misericórdia de Jó e o livrasse.

Toda aquela discussão somente servira para distorcer a justiça e enfraquecer a fé. Para apagar qualquer atmosfera favorável à manifestação da presença de Deus.

É principalmente por isso que somos exortados a não nos envolvermos em debates e discussões teológicas que não são úteis para a edificação, senão para perverter a fé.

“23 E rejeita as questões tolas e absurdas, sabendo que geram contendas;

24 e ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente;” (II Tim 2.23,24)

“Lembra-lhes estas coisas, conjurando-os diante de Deus que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam, senão para subverter os ouvintes.” (II Tim 2.14)

A razão destas ordenanças é que não fomos chamados para obscurecer o conselho, o propósito de Deus em relação aos homens, senão tornar claro tal propósito, que Ele tem revelado de modo direto e claro na própria pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem devemos estar  unidos pela fé, para podermos viver de modo agradável a Deus, conforme a concessão e assistência da Sua graça.

Assim como o Senhor não necessitou do conselho ou da ajuda de qualquer homem quando fundou a terra, e tudo o mais no universo visível, de igual modo, não necessita da intervenção do homem na criação espiritual que está formando em Jesus Cristo.

O homem é mero instrumento no Seu plano de salvação, mas é o próprio Cristo que tudo faz e consuma em relação à obra da salvação.

É Deus quem justifica, regenera, santifica, liberta. O homem nada mais é do que o agente receptivo das Suas graças, ou o canal pelo qual elas fluem para outros. Mas isto não é produzido pelo homem e nem está presente em sua natureza terrena, mas é algo que lhe vem diretamente do céu.

A própria palavra do evangelho não é uma palavra da terra, criada pela imaginação dos homens, mas a revelação da verdade que nos veio a partir do céu. Não é da terra, mas do céu. Está operando na terra, mas sua origem é celestial.

Assim, aos sabichões que andam inchados em seu conhecimento, na Igreja, gerando contendas e divisões, convinha uma leitura constante destes últimos capítulos de Jó, para que voltassem à sensatez de taparem suas bocas diante do Grande Criador e Senhor, em quem somente eles deveriam se gloriar, e não na pouca sabedoria e conhecimento que possuem, pensando que seja muita coisa, ou que seja por meio disto que Deus opera os Seus livramentos e bênçãos.
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Atualizado em: Qui 4 Ago 2016

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