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Apogeu

Somos todos compostos de rachaduras,
Profundas, permeáveis, constantes. 
Somos a chegada em outubro, a despedida em fevereiro,
Sem avisos, mediações, atos. 
Somos a estrutura remanescente que se despedaça, corrói e despenca. 
Somos auditórios vazios e assombrados por fantasmas,
Melancólicos, cansados, voláteis. 
Talvez eu só saiba escrever poemas em guardanapos e você talvez só saiba ler eles quando colados na sua geladeira. 
Entregas, intensidades e fios que escorrem dos dedos. 
Eu prendi a linha em meu mindinho, mas não cobrei a responsabilidade de tu fazer o mesmo. Seria desumano, seria desleal,
Do mesmo modo que os nós emaranhados se acumulavam no teu peito "desprendido, desconstruído". Todos somos resumidos por traumas, passado, expectativa,
O ato não feito, o olhar dolorido, a palavra não dita.
(Minha intuição é boa, mas eu deveria praticar mais a telepatia)
Somos as paranóias que mantemos debaixo da cama,
O sentimento engolido, a acidez que mata as borboletas no estômago. 
Somos os ventos frios, o gosto do novo que se torna rotina, a presença inusitada no dia agitado, o Sol aquarelando as nuvens. 
Do meu olho para o teu. 
Onde quer que esteja. 
Somos o verão,
Quente, laranja, de planetas de fogo. 
Mas também somos o inverno,
Frio, distantes, de montanhas esquecidas. 
Há mais alguns guardanapos abaixo de meus dedos. Não vão ser deixados em tua geladeira e muito menos em teu balcão. 
Não naquele onde jogou tuas migalhas esperando que preenchessem minha caixa torácica. 
Elas não eram nem suficientes para meu estômago. 
Desejo bons batimentos cardíacos à você! 
Somos feitos da mesma matéria, 
Física, emocional, etérica. 
Somos feitos das manifestações que em nosso corpo permitimos. 
Permitir, permitir-se, além das dobras moleculares, do lógico, do controle que escapa dos teus dedos. 
Somos feitos de quantas vezes morremos por algo, 
Renascemos por direito de sentir,
Na pele, no sangue, na alma. 
Talvez sejamos feitos de medo,
De tentar, romper, permanecer. 
Recolho meus poemas, fecho as janelas, tranco a porta. 
Tu me encarando na escada. 
Não sou mais o que eu era,
Apresente-se novamente.
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Atualizado em: Seg 28 Jan 2019

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