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Não há tempo a pensar!

A comunicação digital não permite a prudência da reflexão. Somos convocados, diariamente, a darmos simples respostas, soluções e opiniões instantâneas para os mais variados níveis de discussões. Não há tempo a pensar!
            Certo dia, eu resolvi discorrer sobre o cenário político da minha cidade para, posteriormente, ser publicado em minha rede social. Decidi escrever o texto em detrimento de recorrentes discussões que se davam entres os meus amigos a respeito do assunto.
            Busquei informações, li mais coisas sobre política e fiz um longo rascunho, depois, atentei-me para os erros ortográficos, de concordância e coesão. Quando achei que o texto estava maduro para ir ao público, o tema já não era mais a pauta comentada e os meus amigos tinham outros assuntos muito mais atuais do que eu havia escrito. Nesse momento percebi a minha incapacidade em acompanhar o ritmo da informação digital e que não havia tempo para pensar, muito menos, para analisar fatos.
            Ao ler “Como convencer alguém em 90 segundos”, de Nicholas Boothman, convenci-me que os primeiros minutos com o cliente são preciosos para que o vendedor tenha sucesso em sua venda, pois ele precisa envolvê-lo de tal forma, que a compra seja efetivada no calor da sedução, o que pode ser quebrado pelo simples fato do cliente pedir um tempo para pensar. Do mesmo modo, funciona a comunicação digital das redes sociais: no auge da emoção! Mesmo que a exposição o faça parecer estúpido.
            Ao acender as nossas telas, deslizam-se, ligeiramente, enxurradas de estímulos às opiniões pacificadoras, verborrágicas, grotescas, preconceituosas, discriminatórias é, até mesmo, criminosas. Todas elas são identificadas e compartilhadas pelos seus respectivos seguidores.
            Steven Scott, (2008) ao descrever atitudes de sabedoria do rei Salomão, apresenta o simples ato de “refletir sobre determinada questão” como uma atitude de prudência, a qual pode, inclusive, nos livrar de futuras armadilhas. A ingenuidade de viver, nos leva a emitir cada vez mais “verdades” pelos leads das nossas redes, em uma espécie de espetacularização da vida fantástica, em que todos somos estrelas que, entre o acender e apagar das telas haja sempre algo de extraordinário para a maior parte da população de amigos dos likes.
            As redes sociais nos fazem acreditar que pessoas que nunca vimos na vida ou que, sequer trocamos um cumprimento, recebam a honra de serem chamados nossos amigos. Se usarmos o conselho de Milton Nascimento em Canção da América, haja coração para que caibam tantos. Talvez a liquidez das relações atuais, apresentada por Bauman, seja uma questão de dimensão e espaço.
            A internet é um enorme portal que oferta, absolutamente tudo, inclusive o que ainda nem existe! Por onde passam multidões de pessoas, sob um intenso ruído e impulsionadas pelas suas mais variadas aspirações. Elas carregam consigo os sonhos, suas fraquezas, seus medos, suas deformações de caráter e ambições. Todas chegam apressadas, e por isso, muitas não enxergam as armadilhas existentes, algo comum em qualquer lugar desconhecido. Algumas escapam delas, outras encontram, exatamente, o que foram buscar e outras ainda, infelizmente, caem no abismo da vergonha, da insensatez e da morte. Não tivemos tempo para refletir e agora, também já não temos para lamentar.
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Atualizado em: Qui 24 Ago 2017

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