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A estupidez humana

O ser humano, criado pela graça de Deus, é dotado de inúmeras virtudes e qualidades; porém, os defeitos também não são poucos. Desde os primórdios da era cristã, o imaginário popular conseguiu, de forma magistral, identificar as principais falhas da natureza humana, elencando-as nos chamados “sete pecados capitais”: a avareza, a gula, a ira, a luxúria, a inveja, a soberba e a preguiça. Contudo, ficou de fora uma grave falha que, por sinal, que atinge milhões de pessoas: a estupidez.
Há tanta gente nessa condição, que muitas delas nem se dão conta do fato. Nesse sentido, o cientista Albert Einstein (1879-1955) costumava dizer uma frase engraçada: “Só existem duas coisas infinitas, o universo e a estupidez humana; e, a rigor, ainda não estou bem certo da primeira”. Em 1976, o economista italiano Carlo Maria Cipolla (1922-2000) lançou um panfleto, cujo conteúdo era um breve estudo das “leis fundamentais da estupidez humana”. Cipolla, que era professor de Economia em Berkeley (Estados Unidos), abordou o tema da estupidez sob o viés econômico de custos e benefícios. Para ele, a pessoa inteligente seria aquela que, com suas ações, conseguiria obter benefícios para si própria e também para as demais. A malvada, aquela que consegue o benefício para si, mas causa prejuízo aos outros. Já a pessoa ingênua consegue o benefício para as demais, mas à custa do seu próprio prejuízo. Por fim, Cipolla aponta a pessoa estúpida, que, com suas ações, causa prejuízo a si mesma e às demais pessoas.
Cipolla, um crítico implacável da estupidez humana, depois de anos de observação, formou a firme convicção de que os homens não são iguais, pois alguns são estúpidos e outros não, e que essa diferença não era determinada por fatores culturais, mas sim decorria dos insondáveis desígnios da mãe natureza. Assim, uma pessoa nascia estúpida da mesma forma como poderia nascer com o cabelo ruivo. Além disso, ele alertava para o fato de que os estúpidos não são pessoas incultas, podendo ser encontrados em ambientes universitários e até entre ganhadores de prêmios Nobel. Isso tudo sem falar nos inúmeros casos de pessoas estúpidas que passam a ocupar cargos de mando nas mais diversas esferas de poder – e há muitos! Cipolla considerava o estúpido uma pessoa muito perigosa porque seria muito difícil para as pessoas racionais entender o seu comportamento, que não segue nenhum roteiro lógico, de modo que não há como prever quando, como e por que um estúpido desfechará seu ataque. Um aspecto interessante, digamos, reside no fato de que, para seguir seu curso e provocar efeitos desastrosos, a estupidez não precisa de raciocinar, nem de se organizar ou sequer planejar qualquer coisa que seja. Já a transferência e a combinação de inteligência requerem um processo muito mais complexo e elaborado.
Por fim, Carlo Cipolla listou as cinco leis fundamentais da estupidez humana, que são, na verdade, uma síntese do seu inflexível pensamento: 1ª lei) Sempre e inevitavelmente todos subestimam o número de indivíduos estúpidos em circulação; 2ª lei) A probabilidade de que uma pessoa seja estúpida independe de qualquer outra característica dessa pessoa (segundo Cipolla, essa lei não admite exceções!); 3ª lei) Uma pessoa estúpida é aquela que provoca prejuízo para outra pessoa sem obter nenhuma vantagem para si própria, podendo até incorrer em prejuízo; 4ª lei) As pessoas não estúpidas sempre subestimam o potencial nocivo dos estúpidos; e 5ª lei) O estúpido é o tipo de pessoa mais perigosa que existe; os estúpidos, agindo sem chefe e sem coordenação, conseguem resultados impressionantes.
É isso aí: olho vivo, porque esses espécimes, que estão à solta por toda parte, não descansam e estão sempre prontos para entrar em ação.
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Atualizado em: Sex 11 Jan 2019
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