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Passo a passo

Um título bem blasê e vamos lá. Quando criança, sonhava o que quase todos sonham, mudar o mundo, fazer a diferença, ser importante. Entrando na faculdade, pensava que seria diferente, que ninguém tinha o que eu tinha. Garra. Como se todos tivessem entrado ali por meios não tão legitimos quanto os meus. Santa petulância. Inocente e arrogante, tomei rasteiras, o que era previsto de se acontecer e me perdi no caminho. Me perdi com tanta convicção que não saberia dizer se meu nome era real ou não, nada tinha sabor, nada era excitante e com isso, nada era suficiente. Eu não era suficiente para mim mesma. Não sei o momento exato que entusiasmo me deixou e a amargura chegou. Passei tempo demais nessa, tempo semelhante ao tempo decorrido em sonhos, onde alguns minutos no mundo real, são horas na mente. Sentia dores e angustias que não consigo descrever e que hoje mesmo, me enchem de medo de voltar a senti-las. As pessoas tendem a romantizar o sofrimento, não farei isso. Dói mais que tudo não ter controle e nem saber quem se é, viver perdida dentro de si. Dizem que depressão e ansiedade é o mal do século e na minha arrogância não achei que me atingiria e como poderia, eu cheia de quereres e vontades, ter fraquezas tão mundanas. Mas eu não estava sozinha e um belo dia de sol, enquanto eu estava fazendo um bico num emprego que odeio com pessoas que não suporto, minha amiga-irmã bebia um litro de vodka para matar a angustia que era ser ela mesmo. Ela está bem, nada de muito ruim aconteceu. Mas aquele foi o momento que vi que precisava de alguém, precisava de ajuda, não queria me destruir e foi aí que conheci Dra S. Que mulher maravilhosa, mas queria poder dizer que não precisaria dela. Mas ali estava, numa terapia, chorando por coisas que não compreendia e não conseguia mudar, um discurso não muito diferente do que dizia para pessoas mais próximas a mim. Disse coisas que não admitiria nunca em voz alta, me despi na frente de uma estranha e ela não estendeu a mão, ou me ofereceu salvação, nem mesmo se jogou no oceano que me afogava para me salvar, ela só me disse para olhar para o outro lado e nadar. Ela não me prometeu terra firme, não me prometeu nada. Eu só comecei a nadar e decidir se as direções sugeridas eram boas para mim. Então, sai de aguas revoltas e ondas gigantes, para aguas tranquilas com mares fortes, mas compatíveis com a vida, cujo o fundo não vejo, porém não me assusta. Eu estou curada? Não e acredito que cura não é a palavra, acho que o adequado é treino. Treinar todos os dias para não cair na mentira de que nada é suficiente e que basta sonhar para conseguir. O esforço para se tornar quem se é se torna a sina e a dádiva de todos nós. Difícil e assustador, porém necessário, é preciso mudar, é preciso se conhecer. E o mais incrível de tudo isso é saber que você é sua salvação, Dra S foi a minha mudança de perspectiva, mas eu comecei a sair dessa por mim mesma e hoje eu entendo o porquê ela não se atirou para me resgatar, porque ela, assim como minha amiga e você, tem seu oceano. Não é preciso se afogar sozinho, é sempre possível mudar, é sempre possível olhar para uma nova direção. Acredite.
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Atualizado em: Qua 5 Dez 2018

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