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Arrumando gavetas ou acenando para o devir

Há uma melancolia nos gestos
Uma síntese entre mim e o outro
E nesses escombros mal amados sobram adjetivos e cegueiras
Um banheiro que demora a ser lavado
Um texto que dói para ser escrito
A fina camada de poeira das coisas denuncia a escuridão interior
Os fatos somados aos sentimentos criam um espectro de lamúria
A esperança não pode surgir desta mistura, mas surge.
No fundo das gavetas há sujeiras e a famigerada esperança
Desarrumo as coisas imediatamente para arrumá-las prontamente
E sem centro para me reformar, sonho com a possibilidade de gavetas oníricas
Daí começa a viagem
Sem retornos
Pelos caminhos de uma Alice mambembe atravesso florestas, visito castelos
Observo e interajo com orquídeas e gatos falantes
Paro na brisa do devir para dizer adeus em alemão
Tempos de escárnio pedem ações sonhadoras
Nessa de palhaço que não contesta sua condição vou caminhando pavoroso
Nas ruas, esquinas, escolas, hospitais e corações
Nessa de farol do futuro não aplico vacinas de prevenção em nenhum sujeito vivo
Posso fazer das tripas um pensamento explosivo, mas nada de conselhos
Canso da minha própria voz, almejo as vozes alheias, contudo não escuto com os ouvidos
Olhos e poros estão receptivos para uma festa
Para uma celebração dos sinônimos
Para uma orgia de cadeiras vazias
Para uma estante de silêncios mal-ditos
Para uma janela com uma lua vermelha pintada com um pincel que ganhei na infância
Eu grito, vocifero, digo palavras desconhecidas para acrescentar algo a mim
Não ao mundo
O antídoto desta loucura passou o tempo de aplicação
O que sobra é a vontade
A fórmula do acaso planejado pela palavra
A organização sem jeito de mapa.
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Atualizado em: Qua 1 Ago 2018

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