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Cortejem-me

Eu não sou o amanhã, eu não conheço o ontem, eu esqueci do hoje.
Cada falso sorriso, cada amanhã que não chegou, cada ontem que persegue com lágrimas de sangue e ímpeto de uma deidade humana em memória, cada hoje que passa e evapora como o relento ao fim da manhã.
Todas as máscaras estão penduradas em meu caixão e cada rosto conta suas mentiras enquanto se pregam sozinhos ao infinito que me envolve. Cada linha esculpida em suas belas faces deixa uma marca de ferro em minha pele, em minha carcaça, em minha alma, em minhas lágrimas, em meu eu. Deixou. O que eu fui além de dor?
Vocês acompanham o meu enterro, vêem meu corpo e seu colar de narcisos, vocês deixam suas rosas sem pétalas ao lado do meu pálido rosto. Vocês não se lembram, lembram? Não fui eu que lhes deixei. Cada fresta dessa caixa de madeira é colada com dor e sal. As feridas estão cobertas, não quero que vejam-as, vejam-me, vejam-se.
As suas mãos que tocam meu rosto agora são aquecidas pelo meu frio corpo. Eu vivi o fogo e deixei, me vi tornar cinzas, eu não voei da minha pira, eu sucumbi. Só o espelho viu o incêndio? Só a noite fora iluminada? Comemorem! O fim chegara!
Eu lhes perdoou em silêncio, já que as minhas feridas não mais sangram.
Eu não vou para o paraíso, eu vi ele em seu sorriso antes de partir.
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Atualizado em: Ter 24 Mar 2020

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