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Sobre a saudade que eu sinto

Por estes caminhos onde ando percebo que a saudade é um tanto doída, e sei que devo o meu passado ao passado, meu presente à mim e o futuro a quem quiser chegar. Não confio em nada, percebi que não preciso confiar nada a ninguém exceto minha convicção de quem eu sou. E se eu não souber? Tudo bem, eu não preciso saber. Não devo a ninguém aquilo que só eu preciso saber. Sei quem sou, quem posso ser e quem fui, sei dos meus erros, das minhas quedas, dos meus amores e aprendizados, somente eu sei o que vivi, sei o que sofri, o que sorri e sei que tudo isso me faz ser quem eu sou hoje, mas sei que sou mais que isso.
Sei que a dor da perda que hoje sinto não é de quem partiu e sim de como partiu, mas já não me dói tanto, porque aprendi que as coisas são passageiras e que nada é tão eterno quanto julgamos parecer. Sei que poderia durar mais, mas veio no momento certo para que eu percebesse que não é preciso sofrer, a dor é inevitável. Há erros inconfessáveis de que somente a alma sente, há momentos que não voltam e tudo bem. A vida não volta, a cada passo que damos há um turbilhão de mudanças e somente quando nos movemos de forma mais bruta percebemos que já havia mudado há muito tempo. E então percebemos que nada será como antes, que as pessoas mudaram, que crescemos.
Ainda não consigo me acostumar com mudanças, não seja por isso que elas não acontecerão. É que não cabe a mim escolher mudar algumas coisas. Há, por segundo, inúmeras mudanças ao nosso redor, o que chega a me assustar um pouco. Sinto saudades, tento não sofrer por isso, mas talvez eu sinta saudades daquilo que não concluí. O sentimento de abandono me cerca diariamente, eu perdi muito tempo, o que me fez deixar de fazer algumas coisas, isso me traz saudade. Mas as vezes a saudade é do que sei que acabou, mas tento não me afirmar isso. Eu não gostaria que algumas coisas tivessem acabado. Mas também sei porque sinto saudades do que acabou, porque sinto que eu deveria ter feito algo mais, sinto que não concluí da forma como deveria. Seja como for, sinto.
Eu penso que poderia sossegar um pouco dessa coisa de saudade, o presente talvez seja mais interessante que o passado, o passado está na memória e o presente está aqui. Talvez seja por isso meu refugio na arte, ela salva momentos. Mas, o meu presente está constantemente acusando o passado, eu aprendi a me conformar de que não sou capaz, meu passado me diz isso. Em contrapartida me presente me diz que sou capaz, eu preciso me dizer que sou capaz. Se eu não dissesse eu não levantaria da cama, o que acontece muitas vezes é que não consigo me convencer, então eu não levanto, não faz sentido levantar. É que meu passado as vezes me ganha, digo, ganha meu presente. O que fui não é o que sou, mas eu tenho problemas com mudança, é meio que não se permitir mudar e acabar mudando sem querer, para o pior que há dentro de mim. A saudade me faz estagnar às vezes e sinto que nunca vou conseguir ser tão feliz como fui, mesmo sabendo que a felicidade não é um lugar, não são pessoas, a felicidade é algo comigo mesmo. O passado não pertence a mim, mas me dói ter pertencido e eu não ter aproveitado.
Ser eu dói um pouco, é meio dramático e misterioso. Sinto falta de tudo o que não fiz, de tudo o que quis, de tudo o que precisei fazer para ser "melhor". Mas sem duvidas o que mais sinto falta é da convicção que adquiri de que eu não precisava ser nada que eu não quisesse ser e que perdi por me achar insuficiente demais. Eu tenho a leve sensação de que a saudade faz com que a gente não se deixe "ser feliz", e depois de algum tempo ou algumas lágrimas a gente de conforma de que será sempre um "era feliz". A saudade é meio suicida, faz-me chorar pelo que já não existe mais, me fazendo esquecer de existir, me fazendo esquecer do presente. Talvez por um segundo eu tenha certeza de que vivo, logo depois a incerteza paira. O que me dói é me ver destruindo o meu futuro passado, dando passagem para que tudo vá embora e eu continue a me lamentar pelo que fiz no presente passado.
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Atualizado em: Qui 1 Jun 2017

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